terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Em época de Advento

Sucedem-se as ofertas, os postais, as mensagens e os emails alusivos à quadra que mais um ano vivemos.

E por isso, não podia deixar de partilhar um excerto de Eça de Queirós que me foi enviado hoje por email e me fez reflectir...

“… Nem eu sei realmente como a ceia faustosa possa saber bem, como o lume do salão chegue a aquecer – quando se considere que lá fora há quem regele, e quem rilhe, a um canto triste, uma côdea de dois dias. É justamente nestas horas de festa íntima, quando pára por um momento o furioso galope do nosso egoísmo - que a alma se abre a sentimentos melhores de fraternidade e de simpatia universal, e que a consciência da miséria em que se debatem tantos milhares de criaturas, volta com uma amargura maior. Basta então ver uma pobre criança, pasmada diante da vitrine de uma loja, e com os olhos em lágrimas para uma boneca de pataco, que ela nunca poderá apertar nos seus miseráveis braços - para que se chegue à fácil conclusão que isto é um mundo abominável. Deste sentimento nascem algumas caridades de Natal; mas, findas as consoadas, o egoísmo parte à desfilada, ninguém torna a pensar mais nos pobres, a não ser alguns revolucionários endurecidos, dignos do cárcere e a miséria continua a gemer ao seu canto!...”

In… Eça de Queirós, «III - O Natal», in Cartas de Inglaterra, Porto, Livraria Chardron de Lello & Irmão, 1905, págs. 45 a 54;

Consumismos e devaneios à parte, que tenhamos todos um Bom Natal.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Dei banho ao Xá!

Eu sei que muitos pensarão que sou louca e a um passo do manicómio, mas teimo em tratar o meu pequeno gato Xá como um princípe. Penso que se não fosse para o tratar bem, nunca o teria adquirido.

De que vale termos os animais, para não lhes sabermos proporcionar bons momentos, alguém me explica?

Pois que o "imperador" lá da casa, sempre muito bem escovado pelo seu dono, estava a precisar de uma bela banhoca; lá fui interiorizando a ideia e esse dia chegou na passada sexta-feira.

Casa de banho aquecida, água tépida na banheira, toalhão, secador, champô Johnson para bébé...enfim, o meu petiz de quatro patas teve todas as mordomias, dignas de facto de um princípe.

Portou-se a preceito, tentou escapulir-se de quando em vez, nas alturas em que o chuveiro lá lhe dava o ar da sua graça, mas digo-o com muito orgulho na minha cria, ficou lindo e cheiroso.

Sinto um gosto enorme em olhar para ele e ver as alterações positivas à sua forma de estar; num mês notam-se uns gramas a mais, o pêlo lustroso, as traquinices próprias da sua condição, e o crescimento do apego aos donos. Lá em casa sente-se uma atmosfera diferente e aquela pequena presença já faz parte da minha vida.

E assim se devem tratar os animais...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Um dia frio

Uma das minhas algumas limitações climatéricas prende-se com o facto de lidar mal com temperaturas extremas.

Nem me dou bem com muito frio, nem tão pouco com muito calor, pelo que quanto mais ameno estiver...melhor.

Se por um lado não gosto de sair de casa atafulhada em sobretudos e camisolas que nos "enchouriçam", por outro também não me agrada experimentar a hiper-ventilação de certas peças de vestuário naqueles dias com autênticas baforadas de calor a perseguirem-nos os passos.

Pois que estes últimos dias têm sido bastante frios e algo desagradáveis. Fruto da estação do ano tão necessária como todas as outras, mas o que é facto é que frio, chuva, granizo e afins, só se estiver quentinha no aconchego do meu lar, caso contrário dispenso.

Apesar disso, esta estação do ano não deixa de ter o seu encanto e no habitual trajecto de casa para o emprego, posso dizer que hoje ora fazia chuva, ora fazia sol, e quem (perdão!o quê) foi que deu o ar da sua graça?

...ele mesmo, o Arco-Íris. Por mais neura com que estivesse de manhã, com a boa disposição de P. a "amansar-me" e a visão do Arco-Íris fizeram com que o dia começasse muito bem, ora não fosse o espectro de luzes um fenómeno tão bonito.

Dei comigo sozinha no carro a trautear "Somewhere, over the Rainbow" e a lembrar-me da candura da Judy Garland a trautear esta música no inesquecível Feiticeiro de Oz.

E foi assim que começou o meu dia...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Efeméride do Dia!

Mais importante ainda do que o dia 10 de Dezembro pode significar para mim e para os que me são mais queridos, não podia deixar de referir que se cumprem hoje os 60 anos da publicação da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

"(...) todos os indivíduos nascem livres e iguais em direitos e dignidade."

Mas em 60 anos, embora seja de louvar a obra de entidades como a Amnistia Internacional, pouco se conseguiu alcançar, e estamos numa era de retrocessos.

Os interesses monetários estão acima de qualquer coisa, e se...muitas vezes nem o vizinho do lado se respeita, como se irão respeitar os pressupostos de tão ilustre declaração.

Aquando da sua publicação, o mundo tinha saído há pouco de uma Guerra Mundial, massificadora e devastadora em que os direitos humanos foram postos em causa.
Mas nestes 60 anos continuamos a assistir a atrocidades, crimes contra a Humaninade, desleixo para com o mundo em que vivemos.

Se cada um de nós fizesse o seu trabalho de parar para pensar, dedicar-se ao seu próximo e tentar que a sua passagem pela vida terrena fosse o mais serena possível, o nosso globo seria um melhor local para vivermos e nos dedicarmos uns aos outros.

É este o meu pensamento para hoje e a minha homenagem a todos aqueles a quem os seus direitos enquanto seres humanos lhes foram negados.

Hoje celebro os meus 31 anos de vida

e posso dizer que me sinto relativamente bem.

Cada vez mais o dia do aniversário é para mim uma data quase banal, embora goste cada vez mais de estar com os meus, com as pessoas importantes para mim, com aqueles de quem mais gosto e que em todos os momentos têm estado comigo.

Por isso, este ano, digamos que tenho um aniversário com várias celebrações, todas elas muito importantes e dotadas de muita emoção e sentido para mim.

A passagem da meia-noite foi bonita, na companhia do sempre e cada vez mais presente e importante P., o início da manhã com os telefonemas e mensagens daqueles que não esqueço e que jamais me esquecem, o almoço com a amiga do peito R. e mais dois amigos muito especiais, o jantar será em família...recatado quanto baste com a minha sempre amiga e presente Madrinha...e o serão de arromba com os amigos do peito destes e de outros "carnavais" será no próximo sábado.

Ainda dizem que os casamentos das gentes de etnia cigana duram muitos dias...as festividades do meu aniversário para lá caminham e é sem dúvida um bom sinal.
Sinal que estou viva, sinal que estou rodeada dos que mais gosto, sinal que há algo para celebrar e sinal que mais um ano se passou e que o início de mais uma etapa se avizinha, com tudo de bom e de menos bom que lhe esteja reservado.

É de notar o quanto num ano o decurso das coisas muda, e o que é real passa ao inverso e vice-versa. Lembro-me que há precisamente um ano me fizeram uma surpresa algumas pessoas amigas (e outras nem tanto).
As verdadeiras e importantes cá continuam (o meu trigo) e o joio foi separado, os olhos abertos e a realidade posta à minha frente de uma forma sobre a qual não restam quaisquer dúvidas de quem se mantém e de quem possui uma massa de calibre inferior e incompatível com os meus valores.

Até por isso é importante celebrar.

Celebrações à parte, o que há uns anos me parecia muito longínquo, parece neste momento que está cada vez mais próximo...e lá estou eu a caminho dos 40.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

"Já ninguém morre de amor"


Título sugestivo do último livro a fazer parte da minha já considerável biblioteca.

É a primeira obra que leio do Domingos Amaral, confesso que não conhecia a sua escrita, mas...fiquei rendida.

A escassas páginas do fim, posso dizer que a história bem como os seus personagens são contagiantes, o misto de informções de quatro gerações de homens da mesma família, conseguem prender-nos a atenção e desejar que chegue o tão ansiado desfecho.

Não querendo contar a história, para aguçar ainda mais o apetite dos amantes das letras, apraz-me referir que, partindo de um ponto tão simples como o ser ou não possível morrer-se de amor, através das estórias de vida de quatro gerações de uma mesma família de homens viris, passamos ao longo de vários períodos da História mundial, por países tão longínquos como Brasil, Angola e Moçambique, desde o século XIX até aos dias de hoje.

E fica a pergunta...ainda se morre de amor?

...talvez o percurso de vida de Salvador nos dê a resposta a tão ilustre pergunta.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Dedicado ao P.

O P. é o meu mundo, a minha alegria, a minha esperança num futuro bom, o meu sorriso, as minhas lágrimas de alegria, o meu porto de abrigo, a personificação dos meus mimos...enfim, à excepção dos desentendimentos que fazem parte da vida de qualquer casal, o P. é o meu outro Eu, a minha metade.

Mas não vou falar agora acerca dos meus sentimentos por ele, que são muito importantes e reais; vou centrar-me no dia de hoje (27/11/08) e no significado que este dia tem para ele.

Faz hoje precisamente 5 anos que um acontecimento mudou para sempre a vida do P. e só ele sabe que reflexos isso teve na altura na sua vida e hoje em dia para com as suas atitudes, os seus sonhos e os seus projectos.

Sei que hoje é um dia de introspecção para ele, sei que hoje é o dia de avaliar o seu passado, o seu presente e o seu futuro, sei que hoje é um dia de grandes recordações, nem todas elas substancialmente positivas mas...

...tenho a certeza de que um acontecimento apesar de ter a capacidade para mudar para sempre as nossas vidas, também molda aquilo que vamos sendo, a forma como nos olhamos e como agimos com os outros.

Talvez por isso a par com toda a sua temperamentalidade que lhe confere tanta graça, o P. seja uma pessoa muito alegre, bem disposta e de bem com a vida. Tem-me ensinado a lidar com alguns medos, com algumas provações e a sorrir (embora eu nem sempre seja uma aluna muito aplicada).

E como não concordo que se homenageiem as pessoas quando elas já não estão entre nós, aqui fica retida toda a minha admiração por ti, pela forma como encaras a vida, com a forma como ultrapassas os maus momentos, pelo ser superior que és (private joke), pela tua generosidade, e por seres sempre tu próprio, mesmo nos momentos mais difíceis.

Hoje não é dia de dar Parabéns, mas é dia de dizer Força, Luta porque a vida e o meu Amor por ti te sorriem.

Da sempre tua
T.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Interessante este pensamento...

"Existe no mundo apenas uma pessoa com poder suficiente para melhorar a sua vida.
E essa pessoa é...você mesmo"

(Dirk Wolter)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

E voltando a falar no Xá...


...que para quem não sabe ainda é o novo membro da minha família, o meu bébé gato Persa, esse querido animal a quem tanto me estou a apegar faz hoje 2 meses de vida, embora só esteja comigo desde o passado dia 16.

Continuam a ser momentos muito enternecedores com ele, muito ternurentos, que me deixam um sorriso nos lábios todo o tempo em que eu e o P. estamos com ele, e ponho-me a pensar no que ele andará a fazer enquanto estamos fora.

Animal ou não, não deixa de ser uma cria que necessita da nossa atenção e dos nossos cuidados, do nosso carinho e da nossa ternura e é tudo isso e muito mais que daremos ao nosso (ainda) pequeno Xá.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Já tenho o Bébé Gato (Xá)


Nos últimos dias tenho andado tão contente, tão contente, tão contente...
Depois de muito pedinchar ao P. por uma mascote, depois de muito insistir na ideia e confesso, depois de muito chatear a sua paciência de santo, eis que ele lá se mostrou disponível para ver uns espécimes - note-se, ver apenas, sem qualquer compromisso.
...Está bem, eu confesso...para além da minha capacidade persuasiva, também usei de "chantagem", ou seja, uma noite de discoteca que naquele dia não me estava a apetecer particularmente dado o muito cansaço, valia o tal felino, aquisição esta com prazo até dia 10 de Dezembro.
E o P. que adora fazer-me as vontades, ver-me feliz e com um sorriso rasgado nos lábios lá aceitou tamanho negócio (no que ele se foi meter).
Lá contactámos um criador de gatos Persa, lá fomos no Domingo passado (repito, sem qualquer compromisso) ver as pequenas "feras" felpudas e roliças.
Digamos que mal entrei, o meu entusiasmo ainda cresceu mais. Eram lindos, lindos, lindos. Quatro espécimes bébés com cerca de 2 meses e uma ninhada com apenas 3 semanas.
Fiquei rendida àquelas ternuras e à restante família de quatro patas.
P. ainda se mostrou aparentemente renitente, não deu logo o braço a torcer "the show must go on" e tal, ainda quis ir tomar um café para pensar, continuou com toda a altivez do seu charme e no fim de tudo e a páginas tantas em frente ao multibanco, o gesto mais romântico e generoso do dia - a aceitação do novo membro da família, ainda que com relativa aparente relutância.
Lá fomos de novo ao ponto de partida olhar bem para todos eles e trazer aquele que iria fazer parte das nossas vidas daí em diante...
Veio o Xá, lindo de morrer, com uns olhos verdes grandes, o mais pequeno da ninhada, mas uma autêntica bola de pêlo. É um fabuloso gato Persa bicolor azul e tabby que tem feito as nossas delícias desde o passado Domingo dia 16 de Novembro de 2008.
Para além de ser bébé e fazer todas as gracinhas que qualquer bébé faz, é muito dócil, afável, simpático, brincalhão e faz imensa companhia. Dou comigo a pensar, como é que um animal tão pequenino, nos consegue transmitir tão boas emoções?
Escusado será dizer que estamos rendidos ao pequeno ser, que pensamos em como ele estará enquanto trabalhamos e que queremos proporcionar-lhe o melhor bem estar enquanto parte da nossa família.
E aqui deixo à distância muitas festinhas e muitos carinhos para o meu bébé gato, Xá.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Parabéns Mickey!



E quem é será capaz de dizer que o Mickey não faz ou não fez parte do seu imaginário infantil e não só?
No meu caso, continua a ser um dos personagens da Walt Disney mais emblemático...talvez porque apesar de não gostar de ratos, este espécime seja bastante simpático; talvez que pelo facto de nunca ter mudado de indumentária, continue a conservar uma frescura e uma simpatia muito características; talvez por conservar aquele sorriso enternecedor que nos consegue "enfeitiçar" no reino da fantasia; talvez por manter umas orelhas e uns contornos que o tornam num personagem absolutamente cativante.

E pensar que ao mesmo tempo que mantém toda esta jovialidade, perfaz também 80 simpáticos e ilustres anos, a encantar miúdos e graúdos.
Faz-me crer que quando as obras de arte, são de facto de qualidade, adquirem intemporalidade e reúnem seguidores de várias gerações.
O Mickey vai continuar a encantar, a conservar o seu bom aspecto, tal como os seus pares, vai continuar a fazer parte do nosso imaginário e das nossas fantasias de criança.
Parabéns Mickey, parabéns Walt Disney e que venham mais uns quantos anos com histórias e animações com a qualidade a que nos têm habituado.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

E porque não falar em Amor...



Dedicado ao meu amor P. e ao sentimento que temos um pelo outro...e porque sei partilhar, dedico também a todos aqueles que amam...

Porque o Amor move montanhas, derruba barreiras e é o sentimento mais bonito e puro que existe, embora muitas vezes seja esquecido.
Implica dádiva, partilha, generosidade, gestos simples ou calorosos, mas nunca deixará de ser o sentimento maior.
O Amor é....Tudo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

"Cinéfilices"

Já não sendo segredo para quem me conhece que adoro cinema, embora os meus filmes de eleição sejam tramas mais antigas (Citizen Kane, O Nome da Rosa, Apocalypse Now, Os Pássaros, África Minha...entre tantos outros), os musicais continuam a fascinar-me muito.
Não só porque dispõem bem, passa-se um bom momento de cinema, não nos obrigam a pensar muito, põem à prova outros dotes a que muitos actores não estão habituados e normalmente trata-se de comédias, o que, dada a conjuntura actual, nos faz cada vez mais falta.
Neste caso específico gostei da história, do enredo, das músicas intemporais dos ABBA, das notas de humor e da sempre notável interpretação da Meryl Streep; seja em que género fôr, aquela senhora é de facto uma actriz extraordinária (de se lhe tirar o chapéu).
Para o P. que não aprecia nada este género cinematográfico ficou a absoluta rendição a esta peculiar película rodada pelos paraísos gregos e valeu o meu espírito persuasivo a convencê-lo a deixar-se de preconceitos e aproveitar da melhor forma possível as duas horas de filme.

Adorou, aliás, adorámos os dois e foi mais um serão muito bem passado na nossa cada vez melhor companhia.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

E porque hoje é Dia de S. Martinho...




"Pelo S. Martinho vai à adega e prova o teu vinho"

Estas e outras quadras acompanham-nos neste dia que por norma é solarengo e quente (dada a época), mas que neste ano trouxe alguma chuva para uns mais a norte e nuvens escuras para nós, mais a sul.

Mas faça chuva ou faça sol, este dia não poderia passar sem cumprirmos a nossa pagã tradição e dedicarmo-nos ao nosso mais ou menos recheado ritual de S. Martinho.

Sejam assadas ou cozidas, queremo-las é "quentes e boas" e bem acompanhadas com a tradicional água pé.

Um bom dia de S. Martinho para todos e mais um rito pagão para juntar à nossa vasta colecção.

Não é tão ternurento!?


É verdade que já não sou nenhuma criancinha, é verdade que já tenho a noção do certo e do errado e a noção do trabalho e responsabilidade....mas....gostava tanto tanto de ter uma mascote lá em casa, e estou rendida ao encanto dos gatos persa.
É verdade que sempre fui avessa a animais dentro de casa...mas os gatos são tão asseados e independentes...
É verdade que sempre fugi de gatos em casa, a pensar no sofá, nos belos cortinados e nos meus bibelôts....mas os persas são tão mansinhos e fazem tanta companhia.
...E...mudei de opinião. Rendi-me aos encantos deste felinos felpudos.
Será que sou troca-tintas e o facto de olhar para uma ternura destas me desconcertou e deitou por terra as convicções antigas?
Uma coisa ou outra neste momento não tem grande importânia; P. por favor, pensa lá nos meus apelos, era tão engraçado ampliarmos já o nosso agregado familiar...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Mudança de Dinastia

E eis que a notícia mais que esperada chegou.
Barack Obama é o novo presidente eleito nos Estados Unidos da América.
Finalmente uma boa notícia, na minha parca opinião, não só para o povo americano, como também para a conjuntura mundial.

Não posso disfarçar o meu entusiasmo por constatar que finalmente foram premeados os bons valores morais, a mudança, a inteligência e o sentido de Estado, em detrimento de factores mais ou menos claros que muitas das vezes movem o eleitorado.

Espero que esta eleição contribua para uma nova ordem mundial e para um sistema um pouco mais justo para todos, principalmente para o povo americano e que, os ventos de mudança que começaram a soprar, sejam pautados sempre por atitudes positivas e ordeiras em prol do alcance de uma relativa estabilidade mundial há muito perdida, em parte devido à má governação dos últimos dirigentes da "grande" nação que é a América.

E que o grande dia de Barack Obama, seja também o início de muitas novas ideias, úteis convicções, decisões de carácter e sentido de justiça.

Esperemos para ver o que este futuro próximo reservou para todos nós...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

As férias na Ilha do Sal


Enfim, após o regresso das fabulosas férias em Cabo Verde, na Ilha do Sal (tema a que dedicarei vários posts), eis que as saudades já apertam.

Em primeiro lugar porque estou novamente com uma gripe daquelas...das antigas que nos deixam com dores por todo o corpo, e de facto enquanto estive por paragens africanas nem um resquício da minha sinusite eu senti.

Depois porque fiquei fascinada com a simplicidade das gentes, pelos cheiros e odores, pelas imagens mentais que ainda conservo guardadas na minha mente, pelas paisagens, pela praia, pela comida, pelo calor, pela aridez e pelo seu consequente encanto.

Por todos estes factores e muitos mais vim de lá com um sorriso estampado no rosto (aliás viemos, eu e a minha cara metade P.) e com vontade de repetir a estada por terras de Cabo Verde.

Obrigada ao povo caboverdiano, e obrigada a Deus (se é que Ele existe) por nos proporcionar em vida delícias deste teor que nos deixam marcas para sempre.


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O dia da maior Saudade!

Por muito que tenha para dizer...torna-se impossível no dia de hoje tecer muitas palavras relacionadas com aquilo que sinto.

É um dia difícil que se vem repetindo de há dez anos a esta parte...o dia da morte da minha querida avó.

Foi uma perda muito grande para mim, e recordo este dia 06 de Outubro de 1998 com muita nostalgia, não por ter sido o dia em que a perdi, mas por ter sido o dia, em que escassas horas antes a tinha visto com vida pela última vez.

E é nestas alturas que a noção de tempo e de espaço se desvanece, porque no meu coração parece ao mesmo tempo que foi ontem, ou mesmo há uma eternidade.

Eternos são os sentimentos que tenho pela Avó...jamais a irei esquecer.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Pensamentos...

"Há dois tipos de pessoas; as que fazem as coisas e as que ficam com os louros.
Procure ficar no primeiro grupo: há menos competição."

Indira Gandhi

Dá que pensar de facto, e nesta sequência vêm-me à mente vários protótipos associados ao segundo grupo:

  1. Os que se acham "espertos" e que contam apenas com a sua esperteza, esquecendo-se da inteligência dos outros
  2. Os perfeitos incompetentes
  3. Os lambe-botas
  4. Os que nos passam a mão pelo pêlo, mas que ao nosso mínimo descuido nos espetam a aguçada arma branca pelas costas (não têm coragem de a espetar pela frente)
  5. Os que não conseguem viver com a competência alheia
  6. Aqueles que não nos conseguindo atingir profissionalmente, nos injuriam a título pessoal
  7. Os frustrados que não conseguem engolir o facto do chefe não os gramar e que não se apercebem que isso acontece porque são uns perfeitos idiotas
  8. Os invejosos

Enfim, e quando todas estas "qualidades" estão concentradas numa mesma pessoa?

Digamos que atingimos um pleno do qual é melhor fugir a sete pés (passo a expressão) e isto porque, ao contrário da inteligência humana...a estupidez não tem limites.

PS: E quem não se cruza com espécimes destes diariamente, hum?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Zé - 60 Anos

Perfaz hoje dia 24 de Setembro 60 anos de vida o meu padrasto...o Zé.

O Zé foi uma figura muito presente e marcante na minha vida até aos meus 23/24 anos; marcante e importante pelos melhores e piores motivos.

O Zé foi o pai que eu não tive, e talvez por isso o tenha transformado na personificação da figura paterna que até então não tinha, mas também foi o "amigão", que tinha paciência para me explicar as equações matemáticas para as quais eu não tinha a mínima vocação, tinha o dom de me tentar levantar a auto-estima quando ela estava mais em baixo, tinha o dom de me fazer rir com as suas graçolas, ousava sobrepôr-se a algumas ordens dadas pela minha mãe, em prol de ver um sorriso estampado na minha cara.

Afinal, que mal fazia a miúda comprar uns ténis novos All Star, ou umas calças de ganga Uniform, quando até tinha passado de ano e não dava problemas!?
A mãe dizia - não tem que se premear o sucesso escolar, é o trabalho dela.

E no meio destas discussões que não levavam a lado nenhum, eu acabava sempre por ficar a ganhar mais um carinho do Zé.

Digo-o com grande convicção, que foi um melhor "Pai" para mim, do que o não foi para qualquer um dos 3 filhos biológicos, mas pesa também o facto de ter vivido comigo e de ter ajudado ao meu desenvolvimento e à minha educação muito mais anos, do que com a sua verdadeira e legítima prole.

Por estes e outros tantos motivos, é com profunda saudade que o recordo. Quiseram os condicionantes da vida que houvesse a separação muito litigiosa entre ele e a minha mãe, uma relação que não fosse o nascimento da minha irmã, teria sido um erro crasso; assim acabou por ter uma feliz atenuante.

Não o adjectivo como um bom marido ou chefe de família; em parte o desmoronamento da minha pequena família deveu-se às suas infantilidades e faltas de responsabilidade constantes...mas enquanto fez parte do meu dia-a-dia, conseguiu ser não o Pai na verdadeira acepção do termo (pois sei as minhas origens e não demito o meu pai das suas funções, ainda que latentes), mas a figura paternal, fraterna e companheira que me acompanhou na infância, adolescência e entrada na idade adulta.

Vibrava com os meus sucessos como ninguém, defendia-me acerrimamente, dava-me a palmada nas costas quando eu mais precisava...

Por isso e por muito mais, não podia esquecer-me que hoje é o dia do seu 60º Aniversário.

Obrigada por ter feito parte da minha vida Zé. Está e estará sempre no meu coração.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Dia de Equinócio

E cá estamos nós em dia de Equinócio....Primavera, Verão, Outono, Inverno.

E as estações do ano lá vão mudando ciclicamente, agora vem o tempo mais fresco, a queda da folha, as primeiras (!?) chuvas, as vindimas, as castanhas, a batata doce...

Daqui a nada começa a engalanar-se Lisboa com as luzes a aludirem ao espírito natalício, depois vem a quadra propriamente dita, a seguir o Solstício...blá, blá, blá.

Mais um ano, mais um ciclo e assim sucessivamente.

Quem sou eu para mudar o mundo ou o normal decurso das coisas, mas há alturas em que o peso da rotina é elevado demais.

Enfim, cá continuo eu igual a mim própria, vem o tempo frio e com ele o espírito nostálgico que me caracteriza.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O "Bóguinhas" está doente...

... e eu estou a ficar uma pilha de nervos.

Costuma dizer-se que uma "desgraça" nunca vem só, e cada vez mais sinto na pele esse provérbio. Quando as coisas não correm bem, não há mesmo volta a dar....grrrrr, que irritação.

Na mesma semana em que derivado à crise que se vive por esse mundo fora, não páro de ver a Sra. D. Euribor a subir e consequentemente a inflaccionar em grande a prestação da minha casa, venho a descobrir que por causa de um fundo de investimento da treta (o qual quando o subscrevi me disseram que era uma poupança segura, com a qual nunca perderia capital investido) num dia perdi 10€ (penso no que poderei perder em 10 dias), só me faltava o veredicto animador de que o Bóguinhas Twingão está com as suas electrónicas em estado de loucura, o que me vai custar um arranjo, digamos que no mínimo ...generoso para a oficina e cruel para a minha carteira.

Mas será que estas intempéries quotidianas têm que acontecer na mesma altura e logo a nós?

Há por aí tanto povo por vezes num raio de 5 metros que não tem o que fazer e passa a vida a azucrinar a cabeça alheia, teriam decerto tempo para lidar com estes percalços.

Agora pergunto...será que quando a sorte se lembrar de proteger aqui a audaz, também o fará de forma tão positiva e notória, como quando se lembra de não a proteger?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Dias Não!

Não sei o que se passa, se é da conjuntura geral, da disposição dos planetas ou da presente fase da Lua que não me favorece, mas o que é facto é que tenho vivido alguns dias não seguidos.

O euromilhões teima em não querer nada comigo, mas eu também não jogo
O meu carro anda meio preguiçoso e a "avisar-me" constantemente que um dia destes faz greve à porta de casa (coitado, não lhe dou um dia de descanso)
As lides laborais e a minha desmotivação profissional cá continuam
A irritação por se passar mais um ano em que não me fui inscrever para o Mestrado (por falta de tempo para as consequentes tarefas académicas) é crescente
E para piorar....a constante moleza que me tem dado todos os dias após o almoço em que apenas tenho vontade de dormir uma valente sesta....

Têm dado origem a que, ainda agora regressada de férias, sinta a minha energia muito por baixo.

Resta a esperança de que o Sol volte a dar o ar da sua graça e que as próximas férias cheguem rapidamente, porque o que eu preciso é mesmo de "ar fresco".

PS: A culpa é mesmo dos planetas e dos extra-terrestres. Acabei de saber pela minha amiga Kelinha que nevou no Quénia.
E agora pergunto-me: Está ou não está tudo doido?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

À minha Avó

Parece que ainda ontem me despedi com um "até amanhã avó", e estão quase a cumprir-se 10 anos sobre o último dia em que a vi com vida.

As saudades são muitas e não há um único dia que não me lembre dela, com um aperto que ainda não consegui resolver, mesmo passados todos estes anos.

Para a minha inesquecível avó Isabel...

Unforgettable thats what you are..
Unforgettable though near or far..
Like a song of love that clings to me
how the father knew those things to me
never before has someone been more

Unforgettable in every way
and forever more (and forever more)
thats how you'll stay (thats how you'll stay)
thats why darling its incrediable
that someone so unforgettable
thinks that I am unforgettable too

No never before
Has someone been more
ooo unforgettable (unforgettable)
in every way (in every way)
and forever more (and forever more)
thats how you'll stay (thats how you'll stay)

thats why darling its incredible
that someone so unforgettable
thinks that I am unforgettable too.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

"Gustav"

Ainda na sequência das trocas e baldrocas das estações do ano, não posso deixar de, como cidadã do mundo me sentir preocupada com mais um furacão que está a fustigar as zonas do costume nesta altura do ano.

Apenas ontem tive oportunidade de ver algumas imagens, e ouvir depoimentos sobre o que se está a passar, e recordei imagens dantescas de há 3 anos aquando do furacão Katrina, que vitimizou muitas das famílias que se vêem agora a braços com mais esta calamidade natural.

É incrível como o nosso apego à matéria face a situações de crise se torna tão ténue. Ver aqueles milhares de pessoas em fuga, a carregar o seu peso e a roupa do corpo a par com muita desolação, medo e resignação no olhar faz-me pensar que cada vez mais devemos olhar a vida de outro modo.

Esta reciclagem da humanidade, processada desta forma entristece-me ao mesmo tempo que me deixa apreensiva.

Esperemos que os Gustav's, os Katrina's, os El Ninõ's e toda a sua família sejam condescendentes com o nosso povo.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Onde é que pára o Verão!?

Seja porque o mundo está louco,
Seja porque estamos a pagar a factura de atentados contra o ambiente que se fazem diariamente,
Seja por terem aberto a escotilha da era nuclear,
Seja pela globalização de atrocidades,
Seja pelo aquecimento global,
Seja pelo recrudescer de cada vez mais catástrofes naturais,
Seja...Seja...Seja....

O que é facto é que de ano para ano, as estações do ano em nada são o que eram há uns anos atrás.

Lembro-me de invernos chuvosos, ventosos, frios (gélidos) e com queda de granizo.
Lembro-me da aurora da Primavera.
Lembro-me de verões verdadeiramente quentes, com noites igualmente apetecíveis, em que até os lençóis de linho nos encaloravam ainda mais o corpo.
O Outono enfim, sempre foi aquela estação, da mudança do espírito alegre para o espírito mais triste, a queda da folha e as árvores com a sua tonalidade amarelada.

Uma estação contudo, com muito encanto.

Mas pergunto-me, o que está a acontecer, para já nada ser como era antigamente? Até onde irá esta descaracterização?

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Portugal-Jacking

Que Portugal há muito deixou de ser um belo jardim à beira-mar plantado, já muitos de nós o sabemos e por certos pontos...ainda bem.
Há que sair do anonimato, mas pelo menos que seja por bons motivos.

Mas, o actual estado da (in)segurança no nosso país é algo que começa a preocupar-me seriamente.

Os casos isolados de criminalidade em geral devem requerer a nossa melhor reflexão, mas estamos a assistir diariamente ao advento de uma onda de crimes e vandalismo que tocando quase toda a tipologia de criminalidade, se está a tornar preocupante.

Agora pergunto-me, esta onda está em formação neste momento, ou os meios de comunicação social ter-se-ão lembrado agora que este tema afinal também vende?

Assaltos, roubos, homicídios, raptos, violações...sempre os houve, é certo. Mas estamos a assistir neste momento a uma quase histeria da bandidagem que resolveu atacar em todas as direcções, com uma periodicidade alucinante.

O aumento dos índices de criminalidade está associado a vários factores, nomeadamente questões peremptoriamente relacionadas com a esfera económica, e como em tempo de crise não se limpam armas, acabam sempre uns por ser mais afectados do que outros.

Pensando com alguma irracionalidade entendo que o desespero possa levar a cometer certos actos, mas existem outros tantos actos para os quais não há perdão possível.

Portanto espero que quando os nossos ilustres dirigentes políticos regressem dos seus merecidos (ou não) banhos, reflictam activamente acerca desta nova vaga que está a caracterizar o nosso país, e que sejam tomadas medidas rápidas, urgentes e eficazes não só para proteger os possíveis futuros lesados, como também evitar que situações semelhantes às quais temos assistido nas últimas semanas, ocorram com a frequência com que têm acontecido.

...Regresso

Após quase 3 meses de ausência destas lides, eis que regresso a este espaço.

Que saudades.

Que saudades de perpetuar os meus pensamentos, que saudades de expandir através da escrita os meus sentimentos e emoções, que saudades dos comentários e desabafos....enfim, que saudades de tudo e mais alguma coisa.

Digamos que o regresso seja ao que fôr nos deixa num misto de sensações, sem sabermos a que dar atenção primeiro, sem sabermos ainda bem o nosso lugar, sem sabermos se a "casa" está ou não bem arrumada. Há que colocar tudo nos eixos e acordar para vida.

E cá estou eu....afinal viva!

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O Meu Ninho

O meu ninho fez na semana passada 3 anos, pelo que é um ninho jovem, pelo menos para mim.

Primeiro não passou de um projecto, depois uma realidade, depois uma realidade para mim, até se transformar no meu refúgio.

Já fui feliz aqui, já tive momentos em que tive que tomar decisões importantes, outros momentos de abandono face ao ninho...e neste momento digamos que estou em fase de grandes construções e edificações na minha vida.

Ramo a ramo, o ninho e o meu Eu lá se vão compondo.

O que começou por ser um ninho triste e sem vida, está a transformar-se aos poucos num lar alegre que transborda uma atmosfera simpática, colorida e cheia de boas energias.

E cada vez me sinto melhor aqui.

Concordo...home, sweet home!

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Dias Difíceis

Contrariamente ao exemplo de Samuel Beckett na sua peça "Dias Felizes", posso dizer que estes últimos dias têm sido no mínimo difíceis.

Há dias assim, semanas assim...parece que tudo à nossa volta teima em correr mal, e das poucas coisas que correm bem, temos a capacidade de as estragar e destruir.

Olhamos à nossa volta e parece que tudo o resto está ao contrário, com valores e normas diferentes dos nossos. Começo a concordar que as catástrofes naturais por esse mundo fora baralham completamente o nosso ecossistema interno.

É o cansaço, a desmotivação e acima de tudo a necessidade de umas grandes férias que estão a falar mais alto.

Como as férias ainda são uma miragem, resta aproveitar o fim de semana que se avizinha e aproveitar ao máximo os sempre bons momentos entre amigos (se se proporcionar) e com o P (sempre).

sexta-feira, 16 de maio de 2008

"Blindness"

Como apreciadora de cinema que sou e das grandes obras, não podia deixar de dedicar um comentário ao mais recente filme de Fernando Meirelles "Blindness".

É um filme que ainda não vi mas que visualizarei oportunamente, conheço tanto a obra que deu origem a esta película, como o realizador através do fantástico filme "A Cidade de Deus".

As minhas expectativas estão de facto num parâmetro muito elevado, mas também não espero menos do que suplantá-las, pois ter a honra de abrir o Festival de Cinema de Cannes não é para todos os realizadores nem tão pouco para todos os filmes.

Pessoalmente, e perdoem-me todos aqueles que gostam do escritor em causa, não gosto particularmente de José Saramago mas como tudo na vida e sem radicalismos à mistura, gosto de alguns dos seus escritos e de todas as obras que li, aquela que retenho é sem dúvida o "Ensaio sobre a Cegueira".

Uma realidade que, analisada daquela forma é muito interessante, uma crueza e ao mesmo tempo o fazer-nos pensar no que está escrito nas entrelinhas. Muito para além de um grupo de pessoas que ao ser "atacado" por uma rara epidemia que lhes ocasiona a cegueira total, pessoas essas que são depositadas num "armazém" para infectados; aí assiste-se a todo o tipo de relações humanas que se possa imaginar, mais ou menos dignas, mais ou menos honestas, mais ou menos aceitáveis.

No fundo com cegueira manifesta ou não, são as relações humanas do mundo em que vivemos e "o pior cego é aquele que não quer ver".

Acredito que o filme seja de facto extraordinário e faça jus à obra em que se inspirou; eu vou vê-lo e espero que os amantes da sétima arte recebam bem esta ob ra.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Pelos Caminhos da Fé


Maio é também um mês de grande importância para a comunidade judaico-cristã, em particular para os que professam a Religião Católica.


No meu caso específico não posso dizer que tenha sido educada acerrimamente segundo todos os pressupostos desta ideologia, mas foram-me sendo transmitidos ao longo do tempo valores que até hoje regem a minha personalidade e o meu livre arbítrio.


Possuo o sacramento do baptismo e mais nenhum, creio que quando tiver descendência, fomentado por mim, será o único sacramento que farei questão que detenham.


Tudo o resto estará ao seu critério, assim como a escolha da religião que queiram seguir e consequentes confissões.


Tenho uma visão muito própria da Religião, dos Caminhos da Fé e de Deus, visão essa que muitos entenderão como confortável. Conheço a Bíblia, conheço as teorias do catolicismo melhor que as de outras religiões, e por isso adoptei há muitos anos uma posição de respeito por tudo o que considero razoável e indignação para extremismos, exageros e fantochadas.


Não sei se a Nossa Senhora apareceu ou não aos pastorinhos, não sei se Noé construiu ou não a famosa Arca e intriga-me o Mistério da Santíssima Trindade, mas confesso que se a fé não move montanhas...para lá caminha.


Assisti por mais um ano via comunicação social a mais uma celebração do 13 de Maio e confesso que a romaria das multidões me continua a emocionar; o desespero de algumas pessoas espelhado no seu rosto, o espírito de sacrifício a percorrer uma quase via sacra, o cumprir de mais uma promessa, o pagamento de uma dívida à Virgem...e a crença de que tudo pode melhorar, basta acreditar.


O meu bem haja para quem por esse mundo fora consegue ser crente ao ponto de tentar o bem para si e para os outros através da Religião e que através Dela procure um sentido para a vida.

Para mim, sendo crente ou não, a minha demanda não mais é do que a busca de tranquilidade e acima de tudo alguma paz de espírito.


Prefiro Fátima sem multidões mas admiro a coragem e o esforço de quem por todos estes anos lá vai passando em meses de celebração.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Quebrar Regras (...só para quem pode!)

Se há característica que eu admiro nos seres humanos é a posse de sentido de justiça, e se valorizo essa qualidade nos outros, posso dizer que também eu tento na medida do possível sê-lo nas diversas situações do dia-a-dia.

Uma das notícias do dia de hoje é que o nosso excelentíssimo Primeiro Ministro José Sócrates no seu voo para Caracas a fim de ter um encontro com o sui generis Hugo Chávez, terá fumado uma quantidade generosa de cigarros, a par com tantos outros membros da sua numerosa comitiva.

Eu até simpatizo bastante com o Sr. em questão, considero-o um bom político, lá vou concordando com algumas das suas medidas mais ou menos polémicas e acho sinceramente que, apesar da conjuntura, será um dos melhores primeiros-ministro que tivemos nos últimos anos.

Mas...pasme-se o descaramento. Se desde o passado dia 01 de Janeiro vigora a lei da proibição de fumar em espaços fechados devidamente identificados, aeronaves incluídas, porque raio é que uns podem e outros não?

Se vivemos numa democracia, por vezes tenho as minhas reservas, já que um dos seus principais fundamentos é a igualdade de direitos e de deveres, válido para todos sem excepção.

Pois aqui lanço o desafio...experimentem lá a acender um cigarro num voo para um destino mais ou menos longínquo, fumem descaradamente e depois venham lá contar-me o que vos aconteceu.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Saudações Académicas

Para quem é ou já foi estudante universitário, o mês de Maio é o mês das Academias por excelência.

É para muitos que todos os anos se opera o virar de uma página e o recomeço da escrita de outra, que mais não são do que as páginas das nossas vidas, das nossas memórias e de tudo o que estará para vir.

O mês de Maio de 2000 foi um dos meses, um dos ritos que não esqueço, rito esse que me é relembrado todos os anos. É indescritível o que nós sentimos quando estamos perante o fechar de uma etapa...foi nessa altura que senti o peso dos anos, o peso de alguma cultura, de relativa sabedoria no nicho que escolhi para mim e para o qual tenho vocação, o peso da responsabilidade.

Saber que daí para a frente nada iria ser como dantes, saber que iria começar a estar por minha conta e risco, provar uma certa independência, fazer cada vez mais as minhas escolhas, ser responsável por elas e assumir os seus riscos e consequências.

Sim, foi aos 22 anos que de facto me senti a entrar na vida adulta, até aí era apenas uma menina cujas escolhas e comportamentos eram moldados muito mais pela vontade parental.

Posso dizer que a par com escassas situações, foi dos dias mais emocionantes da minha vida. A capa negra pesa-nos nos ombros, as palavras de incentivo de Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa emocionam-nos (mesmo para quem não segue acérrimamente os desígnios da igreja)...mas naquele dia todas as emoções vividas nos tocam de uma forma que nem sequer imaginamos ser possível.

O esforço de anos e anos de estudo, de luta, de noites mal dormidas, de classificações finais mais ou menos adequadas ao nosso esforço é reconhecido, celebrado e festejado juntamente com os nossos semelhantes e com as pessoas que são mais especiais para nós.

Alguns comentem excessos...mas...desculpem qualquer coisinha, a nossa Queima das Fitas apenas se vive uma vez.

Saudações Académicas para todos os laureados deste ano e boa sorte para o futuro profissional que se avizinha.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O Poder Terapêutico (e não só) da Sesta

Sempre pensei que o gosto extremo por este hobbie com o passar dos anos (das décadas) fosse passando ou deixado para segundo ou terceiro plano, mas não.

O avançar da idade não o atenuou, mas também não o agravou...digamos que estou na mesma.

Tenho uma capacidade inata para dormir horas a fio digna de estudo; quem quiser colocar-me num tubo de ensaio tem aqui um objecto de estudo no mínimo sui generis e capaz de proporcionar uma ou outra conclusão no mínimo insólita.

O que hei-de fazer...gosto de dormir, o meu cérebro e o meu corpo precisam de algum descanso para retemperar energias, sim, porque os anos passam e não perdoam (eu e os meus lamentos).

Hoje então é daqueles dias em que se pudesse tinha passado da cama directamente para o sofá, sem passar pela casa partida e sem receber 2 contos. Ainda lá estaria literalmente a bezerrar.

Mas enfim, ainda faltam 2 dias até poder fazer a minha merecida sesta da tarde que, segundo a minha saudosa avó dizia há alguns anos atrás, me faria crescer e ficar com os olhos bonitos.

Palavras sábias as da minha avó.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Maio (1968-2008)

E cá estamos nós no mês de Maio, altura em que se cumprem os 40 anos do Maio de '68.

Para a geração dos meus pais a passagem destes 40 anos, será mais um "parece que foi ontem"; para as gerações vindouras, talvez ainda vivam hoje o resultado de uma revolução que trouxe os seus aspectos positivos até aos dias de hoje.

Quando os estudantes decidem sair à rua, muitas mudanças se operam, muitos excessos se cometem (não nego), mas nada fica como era antes.

E tudo começou com a revolta estudantil liderada pelo então jovem rebelde Daniel Cohn-Bendit e a consequente ocupação da Universidade de Paris X (Nanterre) ao que se seguiu a ocupação da emblemática Sorbonne. As universidades são encerradas, os gritos da discórdia e da insatisfação saem à rua, o descontentamento face a uma sociedade castradora e um sistema de ensino obsoleto acabam por se alastrar a muitos outros quadrantes da sociedade e a classe trabalhadora junta-se aos ecos da revolução estudantil.

Greves, paralisações, violência, carência de meios essenciais de subsistência...Paris esteve a ferro e fogo.

Mas, não nos esqueçamos que toda esta revolta foi um marco na nossa História, as mentalidades mais conservadoras sofreram um rombo no seu casco e se temos acesso a muitos dos direitos sociais e a muita da liberdade de expressão que temos hoje, muito o devemos a revoltas como o Maio de '68 e o 25 de Abril de 74.

Cada vez acredito mais que uma contestação bem estruturada e com ideais bem definidos pode mudar positivamente o rumo da história e a vida das sociedades vindouras.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

A Praia da Ursa

Já muito me tinham falado desta praia em especial, mas só este domingo tive oportunidade de travar conhecimento ao vivo e a cores com ela.

Costumo dizer (e passo a expressão), que "sou como os lagartos"; gosto e preciso de Sol. Os dias de Sol são mais alegres, mais saudáveis, a nossa disposição muda radicalmente, também para melhor. Mas não só por isso...o Sol a mim aquece-me a alma, penetra no meu coração e enche o meu espírito de bons pensamentos. Não há melhor terapia do que um bom dia de Sol e sempre se poupa algum dinheiro em Prozacs e afins.

Também gosto da praia em si; nalgumas conseguimos ter uma sensação de liberdade, indescritível. A sensação de imensidão ao olhar para o horizonte é algo que não consigo exprimir por palavras, proporciona-me uma grande tranquilidade.

Somando a todas estas variáveis o cenário natural da Praia da Ursa (nas cercanias do Cabo da Roca) posso dizer que tive dos dias mais perfeitos da minha vida. A praia, o ambiente, o Sol, eu e P.

Um programa tão simples e largos momentos de felicidade...

terça-feira, 22 de abril de 2008

O Jogo!

...Palavras para quê?

Saí do Estádio com cara da menina que foi a primeira vez ao circo ou à extinta Feira Popular.

Delirei.
Vibrei.
Gritei. (aliás berrei!)
Gesticulei.
Ri.
Saltei.

Enfim, vivi uma panóplia de emoções. Vivi um misto de sensações minhas e de tantas outras pessoas à minha volta. Nos diversos momentos que compõem uma partida de futebol, conseguem ver-se espelhadas nos rostos de uma só pessoa várias emoções, tão díspares entre si como a alegria e a tristeza.

É irónico que tal aconteça, não passa de um jogo, não passa de um espectáculo desportivo, mas todos nós precisamos de nos aliar a um ídolo ou a vários, todos nós precisamos de sentir alguma vez nas nossas vidas o êxtase da multidão, o sucesso daqueles que seguimos.

Enche-nos de alegria e por momentos faz-nos esquecer tudo o resto que nos povoa o raciocínio e a mente.

Mas que fique também registado que, sendo a minha estreia, assisti a um grande jogo de futebol, não fiquei de todo mal impressionada com o universo de adeptos (afinal as massas associativas dos grandes clubes de futebol não são tão selvagens como cheguei a pensar) e talvez seja uma experiência a repetir (ainda que a médio/longo prazo).

quarta-feira, 16 de abril de 2008

A minha primeira ida "à bola"!

Já diz o ditado que "vale mais tarde do que nunca" e fazendo jus a esta e outras máximas, hoje vou viver uma experiência nova, algo a que há muito desejava assistir e que nunca se proporcionou.

Pois bem....vou "à bola". Podia dar-me para algo bem pior, ou para um programa mais zen num serão de quarta-feira, mas a vontade de assistir a uma partida de futebol, ao vivo, a cores e em directo, já era tão grande, que desta vez não resisti em aceitar o convite.

E lá vou eu toda animada, não vou levar cachecol verde, mas confesso que pelo menos 60% da minha indumentária tem a côr verde como pano de fundo. Espero sentir aquela emoção, ver de perto a histeria colectiva das claques e dos apoiantes, rir, divertir-me.....e gritar GOOOOLO as vezes que a inspiração da minha equipa espelhada nos pés de um qualquer ponta de lança o permitir.

E como há sempre uma primeira vez para tudo, hoje vai ser a minha estreia absoluta no que toca a assistir a um jogo de futebol a sério. Oportunamente comentarei o que resultou de toda esta experiência, e que vença o melhor.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Ao Meco

A Primavera, ainda que um pouco envergonhada lá vai dando o ar da sua graça e lá tivemos um fim de semana com um estado de tempo relativamente ameno.

Nem muito calor, nem muito frio...enfim, apelava ao passeio. Passeio por passeio, indecisões à parte, lá optámos pelo Meco.

Foi fantástico; há alguns anos que não ia até lá, matei saudades, dei comigo a absorver aquela imensidão do mar ao largo do Cabo Espichel, a sentir o vento a bater com alguma força na minha face, a apreciar as manobras de Parapente dos entendidos na matéria...e a pensar que a vida podia ser tão simples...

Já lá dizia o Pedro Miguel Ramos..."Amo-te Meco".

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Para Sempre...José Cardoso Pires

"(...)Lembro-me de que essa manhã foi invadida por um aguaceiro desalmado, ouvia-se uma chuva grossa e pesada lá fora mas deve ter sido passageira porque quando acabou a Edite ainda estava ao telefone. A partir de então tudo o que sei é que me pus ao espelho da casa de banho a barbear-me com a passividade de quem está a barbear um ausente - e foi ali.

Sim, foi ali. Tanto quanto é possível localizar-se uma fracção mais que secreta de vida, foi naquele lugar e naquele instante que eu, frente a frente com a minha imagem no espelho mas já desligado dela, me transferi para um Outro sem nome e sem memória e por consequência incapaz da menor relação passado-presente, de imagem-objecto, do eu com outro alguém ou do real com a visão que o abstracto contém. Ele. O mesmo que a mulher (Edite, chama-se ela mas nada garante que esse homem ainda lhe conheça o nome, que não a considere apenas um facto, uma presença) exacto, esse mesmo Ele, o tal que a Edite irá encontrar, não tarda muito, a pentear-se com uma escova de dentes antes de partirem de urgência para o Hospital de Santa Maria e o mesmo que, dias depois, uma enfermeira surpreenderá em igual operação ao espelho do lavatório do quarto.(...)"

Extracto do livro De Profundis, Valsa Lenta
José Cardoso Pires

José Cardoso Pires, a par de alguns outros escritores é daquelas pessoas que não se esquece. São pessoas intemporais, inesquecíveis e irrepetíveis.

Mas, uma coisa é não serem esquecidos (as) na nossa memória, outra coisa é a memória colectiva, o justo reconhecimento tanto em vida como após a partida de nomes tão sonantes das artes e da cultura.

Por isso, foi com grande satisfação que recebi a notícia da publicação póstuma de mais uma obra que nos deixou JCP, Lavagante. Vai fazer sem dúvida parte da minha biblioteca em permanente construção.

Foi com grande satisfação também que soube que a família Cardoso Pires decidiu doar à Biblioteca Nacional o espólio do escritor - rabiscos, escritos e manuscritos merecem ser vistos por todos nós e servir-nos não só como fonte de inspiração, como também como auxiliares de memória, para que nunca esqueçamos tamanho talento para as letras.

Para mim tudo começou há muitos anos com A Balada da Praia dos Cães...

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Hoje faz também anos que nasceu...

...a minha Mãe.

Se por um lado não se deve dizer a idade de uma Senhora, no caso da minha mãe não vejo qualquer problema em salientá-lo.

Os anos passados ou as Primaveras que já vivemos poderão ser sinónimo de muitas experiências boas e más, sabedoria, conhecimento...enfim, no caso da minha Mãe apagam-se hoje as 54 velas.

Por circunstâncias da vida, longe dela fisicamente mas perto do coração, que este dia, embora chuvoso e ventoso, seja para Ela um Dia Feliz.

O dia da condenação da Socialite

Peço desculpa se firo susceptibilidades, mas não posso deixar de salientar esta notícia acabada de divulgar.

Não é de hoje que nos deparamos com este tipo de escândalo, este tipo de atrocidades, movidos basicamente pelo poder do dinheiro. Tudo em prol do valor do seguro, da herança, das jóias, do carro e da casa...

Mas confesso que não estou ainda muito habituada a estas situações à "porta de casa", que é como quem diz, neste rectângulo à beira-mar plantado que é o nosso país. Mais ainda quando a vítima é o marido e o hediondo crime é orquestrado pela própria mulher e mãe de um filho seu.

O desespero será assim tanto e a frieza não terá mesmo limites, ao ponto de se fazer uma coisa destas?

E ter-se-á assim tanta fé em Deus e tão pouca nas nossas autoridades para se acreditar que todo um esquema de homicídio com contornos duvidosos passaria impune? Ou não será correcto falar em fé...mas antes em estupidez?

Uma coisa é certa, desta vez ter-se-á feito hipoteticamente justiça. Tudo isto é discutível, começando pela nossa moldura penal. Não creio que 23 anos de pena façam justiça perante um caso de homicídio qualificado, mas por enquanto são as leis que temos neste país de brandos costumes. E com uma atenuante ou outra (as quais não consigo entender) lá lhe foram poupados 2 anitos de reclusão.

A lição aprenderá de certeza, pois os anos não perdoam...mas lá estamos perante mais um caso em que a vida de um ser humano é sacrificada e esse sacrifício é orquestrado e consumado tendo em vista trocas comerciais.

Enfim...é a sociedade em que vivemos.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Nunca é Tarde Demais!

Para variar durante o passado fim de semana tive um programa muito habitual para mim; lá fui eu outra vez ao cinema. As opções não eram muitas, e sem saber grande coisa acerca do filme, talvez o tenha escolhido pelo par de actores que me infunde bastante respeito - Morgan Freeman e Jack Nicholson.

No final da "jornada" posso dizer que um filme que eu julgava ser bom, em grande parte pelos actores que o interpretam, foi muito mais do que isso. Foi sem dúvida um bom momento cinematográfico, mas acima de tudo algo que nos faz pensar em situações da vida, em oportunidades desperdiçadas, em nós próprios e na atitude que temos perante o que nos rodeia.

E de facto, nunca é tarde demais para:

  1. Partir ao encontro daquela aventura que nunca tivemos coragem de enfrentar
  2. Deixar de arranjar desculpas para encontrar momentos de felicidade nem que seja nas coisas mais pequenas e insignificantes
  3. Aceitar como Amigo aquele que parece ser o nosso oposto, mas que encerra em si o conceito da dádiva
  4. Aproveitar cada momento e cada dia, da melhor forma possível, por um lado não fugindo aos nossos princípios e ideais, mas não esquecendo que por muitas condicionantes pode ser o nosso último dia ou a nossa última oportunidade
  5. Orgulharmo-nos das nossas virtudes e corrigirmos os nossos defeitos

De facto....Nunca é Tarde Demais!

domingo, 6 de abril de 2008

O Dia dos seus 20 Anos

Hoje é um daqueles dias em que vivo um misto de emoções.

O dia 6 de Abril de 1988, foi o dia em que a minha vida mudou, em que aquilo que eu mais desejava se concretizou. Foi o dia em que nasceu a minha Irmã.

Lembro-me como se fosse hoje, a ânsia em que me encontrava, ver de dia para dia a barriga da minha mãe cada vez maior, sentir os pontapés daquela bébé inquieta e agitada e desejar tê-la nos meus braços, mudar as fraldas, adormecê-la...no fundo para além de uma irmã, queria uma boneca humana, para satisfazer todo o instinto maternal que nós mulheres temos desde cedo.

Foi numa quarta-feira que o sonho se transformou em realidade, e que aqueles olhos azuis muito vivaços e arregalados olharam para a sua nova família e eu, do alto do meu pedestal de irmã babada comecei a encarar a vida de outro modo.

Embora fosse uma menina de apenas 10 anos, senti-me também eu responsável por aquele novo ser. No fundo queria e quero que ela seja muito feliz. Que cumpra com todos os seus objectivos, que a vida lhe sorria, que concretize os seus sonhos e que seja sempre uma melhor pessoa.

Para mim não deixará de ser sempre uma bébé, mais ou menos crescida, capaz de actos que me façam querer puxar-lhe de vez em quando as orelhas, mas será sempre um dos meus amores maiores. Apesar de tudo, apesar das nossas divergências e desencontros, amo-te muito Bibas e desejo-te um Feliz Aniversário. Que a jornada dos "vintes" te traga o que mais desejas.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Dia das Mentiras ou Dia dos Tolos?

Mais vulgarmente conhecido como o Dia das Mentiras, há quem chame ao dia 1º de Abril o dia dos Tolos.

Será por acaso, será porque quem cai nas mentiras são apenas os tolos? De médico, de louco e de tolo...todos teremos um pouco? Vá-se lá saber.

Segundo muitos a origem do Dia das Mentiras remontará ao séc. XVI, à sociedade francesa, altura essa em que o início do novo ano se comemorava no dia 25 de Março aquando da chegada da Primavera e se estenderia até ao 1º de Abril. Com a adopção do Calendário Gregoriano e tendo-se estipulado o início do ano em 1 de Janeiro, alguns resistentes lá não terão gostado muito da mudança e por teimosia lá insistiram na ideia do ano novo só fazer sentido a 1 de Abril e aí se deu o advento da ridicularização pública de tais personagens...brincadeira que com as devidas nuances dura até hoje.

E eu que sou sempre tão céptica no que toca a estas brincadeiras e me convenço sempre que não caio em nenhuma partidinha, acabo sempre por me deixar levar por uma graçola engendrada com maior ou menor requinte.

O mérito será da mentira ou da minha tolice?

Desejo por isso um feliz dia a todos os tolos...não se sintam sozinhos, também eu já sorri com a partida que me pregaram.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Marasmo

Deveria passar-se exactamente o contrário, até porque já estamos na Primavera, mas o que é facto é que com o avançar dos dias parece que a preguiça se está a apoderar mais e mais de mim.

O que inicialmente pensei que iriam ser uns dias de férias "aguerridos" e agitados, no final transformaram-se em dias muito zen, de muito descanso, muitas horas de sono, não cumprimento de horários para as principais refeições...enfim, por momentos parecia estar tudo ao contrário e eu em Portugal a viver mediante o fuso horário dos Antípodas.

Ironicamente, com muito marasmo à mistura, foram dos melhores dias de férias que passei na vida, na companhia de quem mais gosto, e por isso valeu a pena. À parte um surto de sinusite que me fez encostar à box um dia completo, tudo o resto foi perfeito, e cá estou eu de regresso às lides mais mundanas.

E os nossos dias podem ser tão felizes, e tão simples ao mesmo tempo....dá que pensar.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Dia de S. José

Sobretudo para quem é Pai, hoje, dia 19 de Março de 2008 celebra-se mais um Dia do Pai.

O dia em que os papás recebem uma mensagem especial da sua prole, o dia em que as criancinhas mais jovens vêm todas contentes dos infantários e das escolas com os trabalhos manuais feitos por eles como forma de demonstrar o seu carinho ao seu herói, o dia em que as mamãs têm que ir a correr ao centro comercial comprar uma qualquer lembrança com mais ou menos bom gosto para a criança oferecer ao pai.

Acho muito interessante que se celebrem estes e outros dias, mas, tal como oportunamente referi em relação ao Dia de S. Valentim, não concordo nada com as estratégias de marketing que giram em volta destas datas. Ele são as monstras das lojas recheadas de coraçõezinhos e diplomas para o melhor Pai do mundo, ele são os peluches do costume, já para não falar dos pijamas e dos boxers...mas afinal é assim que demonstramos aos nossos pais o quanto gostamos deles?

Não creio. Lembro-me como se o tivesse feito hoje, da prenda para o meu Pai (que nunca tive oportunidade para lhe entregar) que mais empenho teve da minha parte. Não teria mais do que 3/4 anos e a tarefa sugerida pelo infantário foi forrar uma carteira de fósforos em papel dourado - com a ajuda da educadora, pois a nossa destreza com aquela idade não é particularmente digna de destaque.

Depois de forrada, tínhamos que picotar um desenho; lembro-me de ter feito um sol e um boneco de pernas para o ar. E embora o meu Pai não estivesse lá para receber esta prenda feita com tanta dedicação, ficou lá sempre guardada para lha entregar quanto tal fosse possível. Quis o destino que a casa em que vivia fosse assaltada, e os amigos do alheio, vá-se lá saber porquê decidiram levar na sua sacola (a par com outros pertences) a minha obra-prima.

Pois acho que se uma imagem vale mais do que mil palavras, também um objecto feito pelas crianças, por mais insignificante que possa parecer tem muito mais valor do que peças por vezes caras e sem grande utilidade.

terça-feira, 18 de março de 2008

As minhas leituras

Para que fique digno de registo, sou uma amante das letras, das artes, do belo...mas...amante amante, sou mesmo das letras.

Gosto de ler, gosto de escrever e absorvo/retenho sempre muita informação das leituras que faço. O gosto por esta forma de arte foi-me incutido desde cedo, aprendi a ler as primeiras linhas de um qualquer conto de encantar aos 4 anos e desde aí não mais tenho parado. Corrijo, por vezes páro, naquelas alturas em que a disponibilidade mental e emocional não o permite, mas tento ultrapassar rapidamente essas fases menos dadas à minha paixão pelos livros.

Sim, é mesmo paixão. São sem dúvida um factor muito importante na minha vida, não só a nível de aprendizagem, de lazer, mas até de conforto e de companhia. Os meus livros são os meus pertences mais íntimos, fazem parte da minha existência e ocupam um lugar muito especial para mim.

Sei exactamente a proveniência de cada um, sei exactamente a altura da minha vida em que os adquiri ou em que me foram oferecidos, sei com alguma tristeza aqueles que perdi em empréstimos a seres menos correctos que não conhecem o "V de volta" ou o "D de devolução à procedência". Não sou grande coisa sem os meus livros e sem as minhas leituras.

Em conversa com um amigo há algum tempo atrás, comentei-lhe que o meu vício pela leitura depende em grande medida do meu estado de espírito. Aliás, quase tudo na minha vida se pauta por essa variável que cedo se transforma em indicador.

Foco-me em leituras mais simples se estou bem, centro-me em leituras mais complexas quando preciso de colocar as minhas ideias no lugar. Tem acontecido com cada vez mais frequência esquecer os amigos de muitas páginas quando me sinto emocional e psiquicamente cansada - será o avanço da idade que me está a tornar preguiçosa?

No outro dia dei comigo a comprar no hipermercado uma revista feminina, pelo simples facto de ser uma leitura fácil e não me obrigar a pensar...será grave a minha patologia?

Tenho que encontrar a cura urgentemente, porque estou a sentir a falta do aconchego diário, da curiosidade de chegar ao fim daquelas linhas, de descobrir o fio condutor da história.
Ontem à noite obriguei-me a retomar a "amizade". É incrível e algo embaraçoso, mas tenho como livro de cabeceira de há 3 meses para cá o "Equador".
Nunca na minha vida demorei tanto tempo para concluir tal jornada, o livro até nem está mal escrito, embora ache que o Miguel S. T. já tenha criado obras bem melhores. No fundo se calhar a "culpa" nem é do livro em si, mas de mim própria.

Talvez não fosse a altura certa para ler aquele tipo de romance, talvez esteja na fase de ler obras mais complexas...ou talvez não.

Enfim, que indecisão. Resta-me continuar a obrigar-me a ler para saber o final das aventuras de Luís Bernardo em S. Tomé e correr a passos largos para a escrita de Haruki Murakami que me está a encher neste momento o espírito de curiosidade.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Para Ti que és Especial...(Parte I)

Ao longo da nossa vida cruzam-se connosco várias pessoas, algumas vão ficando no nosso coração, outras por vezes desejamos nunca ter conhecido, não por nada em especial, mas talvez porque as "massas" não sejam propriamente compatíveis.
Nem sempre descortinamos as compatibilidades com tanta clareza de espírito como seria desejável, mas a seu tempo algo nos faz parar para pensar, algo nos faz alargar horizontes e ver mais além.

E quando o destino nos resolve pregar partidas/surpresas? Será que estamos preparados para assimilar o que aí vem?

Acredito que sim, basta haver disposnibilidade mental para aceitar o que de melhor nos está reservado como uma espécie de dádiva e viver cada momento intensamente, com toda a intensidade que as nossas forças conseguirem atingir.

Para ti que me alimentas a alma, o espírito, o coração e que sobretudo me fazes tão feliz, e para nós que o signo da Paixão conseguiu juntar...deixo algo que sei que vais gostar.

Gosto-te muito P.

"Sail away with me honey
I put my heart in your hands
Sail away with me honey
Now, now, now

Sail away with me
What will be will be
I wanna hold you now, now, now

Crazy skies are wild above me now
Winter howling at my face
And everything I held so dear
Disappeared without a trace
Though all the times
I tasted love
Never knew quite what I had
Little darlin if you hear me now
Never needed you so bad
Spinnin' round inside my head

Sail away with me honey
I put my heart in your hands
Sail away with me honeyNow, now, now
Sail away with me
What will be will be
I wanna hold you now, now, now..."

quarta-feira, 12 de março de 2008

Miss Euribor

Se me perguntarem neste preciso momento qual é a palavra de que eu menos gosto, sinceramente vem-me à cabeça a tão badalada Euribor.

A Euribor não é mais do que uma taxa interbancária, que corresponde ao valor de capital que os bancos emprestam entre si...mas quem é que vai pagar por isto?

Ora vamos lá conjugar o presente do indicativo do verbo Pagar:

Eu pago
Tu pagas
Ele paga
Nós pagamos
Vós pagueis
Eles pagam

Não é novidade para nenhum de nós que de facto estamos a atravessar um período de crise económica e as alternativas não são propriamente simpáticas para o consumidor em geral...mas...meus senhores, baixando desta forma o poder de compra que tem relação directa com a diminuição do nível de vida, será a melhor solução?

E o que mais me baralha é que num país como os EUA, ao primeiro sinal de crise a Reserva Federal decide baixar a taxa de juro de referência de modo a que os cidadãos não percam a sua estabilidade; pois na Zona Euro processa-se exactamente o contrário. Quanto pior estamos, mais pelintras nos querem pôr.

É um facto que (falando da sociedade portuguesa) os indivíduos querem sempre mais, se o vizinho tem uma tartaruga com asas o outro ostenta no dia a seguir um ornitorrinco mascarado de "Batman", mas também é verdade que a nossa sociedade está cada vez mais competitiva, somos cada vez mais aliciados a aliarmo-nos ao consumo exacerbado...mas há sempre bens essenciais, situações às quais não podemos de todo fugir para termos uma existência com relativa dignidade.

No meu caso específico posso dizer que por culpa da Miss Euribor em apenas 3 anos tive um acréscimo de cerca de 90% a mais na prestação do meu crédito à habitação. Para isto se tornar ainda mais surreal, os meus bancos de quando em vez lá se lembram de me oferecer cartões de crédito com plafons maravilha que não foram por mim solicitados, aprovam-me créditos ao consumo dos quais não tenho qualquer conhecimento. Fazem-no comigo e com a maioria das pessoas; entretanto é recorrente o tema do sobre-endividamento das famílias portuguesas.

Concluo eu que apesar da situação dos nossos mercados de capitais não ser das melhores e das mais desejáveis, a Banca continua a auferir lucros bilionários e nós, os pequenos consumidores acabamos por pagar bem cara a factura que cada vez pesa mais nos nossos estilos de vida.

A culpada não é a Euribor, mas hoje canalizo o meu descontentamento para ela.

segunda-feira, 10 de março de 2008

(In)Segurança

Estamos a viver neste momento um período conturbado e de alguma preocupação no nosso país. O que para muitos era até há bem pouco tempo um rectângulo à beira-mar plantado, onde nada digno de destaque acontecia, está a transformar-se aos poucos num qualquer cenário de filme do "Faroeste" à boa maneira do século XXI.

Infelizmente o cenário é bem real e temos assistido a uma vaga de criminalidade muito violenta, assassinatos à queima-roupa em que os próprios móbiles dos crimes não se encontram propriamente bem esclarecidos.

Pelos piores motivos, estamos a transformar-nos num "país à séria". Falando por mim, tenho algum receio em andar até tarde fora de casa, ando sempre com o carro trancado, não olho para trás quando sou abordada na rua...enfim, leis da sobrevivência.

Mas será que esta onda não vai parar? Um país pequeno, com apenas 10 milhões de habitantes não tem estrutura para se precaver destas situações? A conjuntura não é a melhor,a qualidade de vida está cada vez mais baixa, cada vez mais indivíduos a viver no limiar da pobreza, mas continuamos a viver numa sociedade muito competitiva, quer-se sempre ter mais, não se olha muitas vezes a meios para se atingirem fins.

O que me transcende mesmo é a pouca importância dada à vida humana, o desrespeito pela integridade física dos semelhantes.

É triste que tenha que se matar para furtar, roubar, usurpar.

Estamos sem dúvida perante um grave problema social, que a meu ver, deveria ser tido em conta nos constantes plenários políticos da Assembleia da República, novas políticas de segurança deveriam ser pensadas e postas em prática, pois não faltará muito até que estejamos no roteiro de algumas das cidades mais perigosas do mundo.
E lá continuamos a ser notícia pelos piores motivos.

Resta-me deixar a minha humilde homenagem às vítimas desta violência e esperar que se retire algum ensinamento das situações que se estão a viver nos últimos tempos, para que possamos viver num país um pouco mais seguro e habitável.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Hoje...

Cumpre-se mais uma das minhas efemérides. Foi há precisamente 6 anos que comecei a trabalhar na empresa onde ainda hoje me encontro.

Era na altura uma miúda-mulher idealista, licenciada há pouco mais de 2 anos, com imensos projectos e um idealismo exacerbado, do alto dos meus 24 aninhos.

Fico apreensiva ao parar para pensar que já se passaram 6 anos, que os meus 24 anos já lá vão, entrei nos 30, o idealismo profissional deu lugar ao comodismo, ao conformismo, à desmotivação e à desilusão.

Eu, que era uma pessoa com alguma clareza de raciocínio, alguma garra, alguma vontade de aprender, de fazer coisas novas...pasme-se quem melhor me conhece, estagnei. O meu índice de motivação deve estar na escala negativa, e, muito sinceramente deixei de acreditar em toda esta estrutura.

É certo que todos passamos por estes momentos, há projectos melhores do que outros, mas cheguei à conclusão de que o meu know-how sofreu um forte revés, talvez tenha perdido algumas capacidades de arriscar (a idade também nos faz assentar os pés na terra) e cheguei a uma situação pouco vantajosa, aguerrida e competitiva para mim.

O que tinha para aprender já aprendi, e sinto que de dia para dia vou coleccionando menos-valias. Basicamente porque vivemos num país em que as capacidades intelectuais aliadas às capacidades de trabalho raramente são tidas em conta, as pessoas não são valorizadas por isso, sendo pautadas as suas avaliações por critérios mais ou menos claros, mais ou menos justos e transparentes.

Não tenho outra alternativa senão traçar um plano de contingência para reverter a situação e encontrar algures em mim o idealismo e a garra algures adormecidos.

domingo, 2 de março de 2008

Parabéns Pai!

O meu pai faz hoje anos. Não sei ao certo quantos, mas se não me falham as contas devem ser perto de 56 anos, mais ano menos ano.

Nunca comemorei com Ele um seu aniversário, nem me lembro de ter comemorado um dos meus na Sua companhia. É pena, sou carne da Sua carne, derivo Dele, a minha herança genética também é a Dele, enfim, tanto e tão pouco.

A vida lá nos vai pregando as suas partidas, lá tem momentos em que nos trata melhor, outros em que nos trata pior, e sem dúvida que uma das minhas mágoas é não saber o porquê da Sua ausência. Porque é que há pais que ao se divorciarem entre si, teimam também em divorciar-se dos filhos?

Hoje não tenho dúvidas que um dos amores maiores é entre pais e filhos...mas porquê o abandono?
Serão os outros projectos de vida tão ou mais importantes que façam com que se perca o primeiro sorriso, a primeira palavra, os primeiros passos, o primeiro dia de escola, as aventuras do liceu, a Queima das Fitas...os amores e desamores.

E pergunto-me muitas vezes...Porquê Pai? Onde quer que estejas há muitas perguntas sem resposta, duvido que algum dia as veja esclarecidas, mas o sangue é forte também e, estejas onde estiveres...a tua filha deseja-te um Dia Feliz.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Estou Além (António Variações)

Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra nao chegar tarde

Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão

Vou continuar a procurar
A quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só:

Quero quem...
quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem...
Quem nao conheci (...)

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder

Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar

Vou continuar a procurar
A minha forma
O meu lugar
Porque até aqui eu só:

Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou(...)

Porque eu só estou bem
Aonde não estou

E também eu estou mais além...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Nada acontece por acaso

Há dias nas nossas vidas em que é muito importante darmo-nos tempo de fazer algo por nós próprios, cultivar a introspecção. E, no meu caso específico cada vez me dedico mais a essa prática para tentar retirar alguns ensinamentos das minhas experiências de vida, tirar do sótão e das prateleiras as memórias recalcadas, limpar-lhes o pó e mudá-las de sítio.

Já dizia o Poeta que todos nós temos o nosso Fado, eu costumo dizer que "cada um com as suas dores"; mas o verdadeiro herói é a meu entender aquele que tal como os cães não tropeça na mesma pedra por duas vezes, é aquele que aprende com as suas experiências e que as partilha, é aquele que se consegue dar e cada vez mais valorizo a genuinidade, a sinceridade e os valores.

A minha vida pessoal tem sido pautada por episódios bons, menos bons, indefinidos...maus, e é um facto que tenho alguma dificuldade em lidar com algumas perdas, perdas essas inevitáveis, é certo. Mas também é certo que o sofrimento em larga medida nos fortalece, que a dose de sofrimento que nos é "concedida" está de acordo com o que podemos suportar e que, sem dúvida alguma,temos que retirar uma lição dessas experiências.

Talvez se fosse tudo tão cor-de-rosa como as candidatas a Miss Universo referem nas suas eleições (Paz no Mundo, o fim da fome, o fim da pobreza, etc etc), os seres humanos encontrassem outras formas de estragar tudo. A culpa disto tudo é da Eva que obrigou o outro a comer a maçã. A seguir ao pecado original vêm todos os outros e forma-se o efeito bola de neve.

Contudo, com alegrias, dores, desilusões e outras hecatombes pessoais, hoje tenho a certeza de que nada acontece por acaso. As pessoas que conhecemos ao longo da vida, as amizades que fazemos e desfazemos, as relações sentimentais que vivemos num dia e que no outro dia a seguir deixam de fazer sentido...tudo isso tinha que acontecer, assim, sem mais nem menos, tal como figura no guião.

Um amigo (N.) disse-me há uns bons anos que temos que conhecer uma infinidade de pessoas incertas até conhecermos uma ou outra pessoa certa. Eu completo com a muito gasta máxima de que "nem sempre tudo o que parece é", para ambos os lados.

Resta-nos separar o trigo do joio, ter o discernimento suficiente para saber o que é melhor para nós, a quem e a que causas devemos concentrar as nossas energias e a nossa entrega, porque nada está perdido e nunca por nunca se deve desistir, baixar os braços e limpar as armas.

Hoje estou feliz (quer dizer, relativamente feliz). E dedico este meu estado relativo (que conceito mais estranho) a quem mais me tem ensinado e demonstrado que muitas vezes há de facto males que vêm por bem, fecha-se a porta mas abre-se a janela e "A Vida É Bela".

Dedico também este post a alguns grandes amigos (as) de quem sou completamente dependente. Uma vez mais, obrigada por existirem.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A Noite das Estatuetas Douradas

E eis que a cerimónia que esteve quase para não se realizar, devido à tão famosa greve dos guionistas, teve lugar esta madrugada, com o brilho e o glamour que lhe são característicos.

Lembro-me de há uns anos atrás, no fulgor da juventude ser esta uma noite mágica para mim. O desfile das celebridades pela passadeira vermelha, as nomeações a meu entender mais ou menos justas, os discursos dos laureados, enfim...era uma noite que passava quase em claro, com uns chocolates de um lado e umas pipocas de outro e os avisos da Mãe a relembrar que era bom não esquecer que no dia a seguir tinha que estar a horas na escola, e não me seriam justificadas faltas de atraso por ter cedido mais uma vez ao vício de ver a cerimónia dos Óscares.

Confesso que de ano para ano a ilusão vai-se desvanecendo, mas ainda conservo alguma curiosidade sobre quem vai recair o tão disputado prémio. Talvez por ser uma amante incondicional de cinema, talvez por seguir atentamente o que de melhor se faz na indústria do cinema, talvez por admirar alguns actores e seguir o seu percurso ao longo dos anos...também eu faço as minhas apostas.

Lamentavelmente não consegui seguir a cerimónia até ao fim, o João Pestana teimou em levar-me cedo para as paragens dos sonhos mas o que retenho mais uma vez é que foi de facto uma bonita cerimónia, com os recados políticos do costume em ano de eleições americanas, terão ganho os melhores segundo critérios mais ou menos transparentes. Faltou o bom humor de outros tempos, mas também creio que a conjuntura mundial não permite neste momento a proliferação desses "apanhados".

Termino expressando a minha humilde opinião:é de facto indiscutível (segundo afirmam os críticos) a qualidade do filme "Este País não é para Velhos", mas penso que "Expiação" terá sido o grande perdedor. Não me canso de dizer que foi um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O Legado dos Romanov

Foi com grande satisfação que há uns meses atrás recebi a notícia de que iriamos ser "presenteados" com uma mostra de algumas colecções do Hermitage em Lisboa, mais precisamente no Palácio da Ajuda.

A história da Rússia sempre me fascinou e, questões políticas, ideológicas e sociológicas à parte não podemos negar que foi um Império que, nos seus séculos áureos (nomeadamente entre os séculos XVIII e XX) teve a sua grandeza. Tudo isto é discutível, é certo, mas também o é que a Dinastia dos Romanov possibilitou uma selecção de expressões culturais e artísticas raramente atingíveis por outros impérios.

E eis que tivemos S. Petersburgo mais perto, e um dos mais importantes museus do mundo (Hermitage) abriu as suas portas aos nossos olhos, já que não é todos os dias que temos disponibilidade para nos deslocarmos à Rússia.

Fiquei completamente fascinada com algumas das obras que vi; os famosos ovos de Fabérgé vistos de perto são de uma raríssima beleza, os trenós da família imperial, o mobiliário, as pinturas e os retratos de Pedro o Grande, os trajes majestosos das czarinas e os trajes militares dos czares...enfim, por momentos senti-me eu própria dentro da história. Quase que consegui sentir toda a sumptuosidade que se fazia viver na época.

Fiquei-me pelos aspectos positivos, claro. Tentei abstrair-me das atrocidades que foram cometidas, da Revolução de 1917, da deposição e consequente assassinato do Czar Nicolau II e sua família, da revolta dos bolcheviques e de todos os aspectos menos positivos que fazem parte integrante da história da actual Rússia, eis União Soviética.

Em boa hora e com muitos acordos pelo meio, tivemos entre nós o que quanto a mim é uma das maiores e melhores colecções do mundo.

A quem não teve oportunidade de ver...aconselho vivamente um desvio por S. Petersburgo numa das próximas viagens.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Chegadas/Arrivals/Arrivées

Nos últimos tempos, como é sabido por todos, muito se tem falado acerca da questão do Aeroporto Internacional de Lisboa e da sua "transferência" para outro local supostamente mais vocacionado e com melhores condições para abarcar uma estrutura de tamanha envergadura.

Seja por questões económicas, de localização, desenvolvimento sustentável, estratégias de governo e mais uma lista infindável de prós e contras, pessoalmente é uma mudança que me vai causar alguma tristeza. Sou completamente a favor da mudança (para melhor), é certo e sabido que o desenvolvimento das vias de comunicação é uma das bases de crescimento de extrema importância de qualquer cidade, mas...estou a pensar em mim e no facto de que a desactivação do Aeroporto da Portela vai varrer algumas lembranças que recordo sempre com muita saudade.

Perdoem-me o cliché, mas ainda sou do tempo em que o aeroporto era um edifício construído em cimento, pintado em tons de branco e amarelo, ainda sou do tempo das famosas varandas que possibilitavam que víssemos os nossos familiares e amigos a embarcar e desembarcar na aeronave...lembro-me com saudade da minha ansiedade de menina de 4/5 anos à espera que o Boeing (Jumbo) vindo de Luanda aterrasse e troxesse até mim a minha avó e todos os mimos que tinha guardado para mim depois de um ano de ausência, até me lembro com mais saudade ainda dos dias da sua partida, as lágrimas nos nossos olhos no momento da despedida, mas a certeza de que o ano passaria a correr e rapidamente nos veríamos de novo.

Infelizmente há cerca de 10 anos atrás na sua partida não levou consigo o bilhete de regresso e...todas estas situações não passam de memórias e recordações que me fazem ter por aquele lugar uma qualquer ligação que não sou capaz de explicar racionalmente. Talvez seja um dos locais em que recordo a Vida, a Alegria, a Saudade...

O aeroporto é um local que frequento de quando em vez, seja nas minhas deslocações pessoais, seja para ir deixar/buscar pessoas que me são próximas.
No passado fim de semana lá fui eu outra vez, desta feita para ir buscar a minha amiga M. que regressou de Roma e das suas lides académicas. Confesso que estava curiosa por revê-la, conhecer na primeira pessoa as suas novidades, saber como estava, mas não estava em estado de ansiedade, por razões óbvias.

Resultado - pus-me de parte a observar. Nunca o tinha feito naquele local e foi uma experiência extraordinária. Revi-me em muitas situações e mais uma vez senti as minhas emoções à flor da pele.

Revi-me no reencontro de casais de namorados saudosos e apaixonados, revi-me no reencontro de pais e filhos, revi-me no reencontro de amigos e nos comentários de sempre ("estás com um ar cansado", "a viagem correu bem?", "estava a ver que nunca mais chegavas!", "bem...as malas demoraram imenso", "preciso de fumar um cigarro", "tenho fome"). Mas acima de tudo as expressões faciais de expectativa, ansiedade, nervosismo, a procura do "nosso olhar" à saída da porta das chegadas...os gritos de alegria de uma pequena menina ao rever uma avó que regressou de um qualquer país de África...e é isso, estou certa de que aquele lugar me reconforta e me traz à memória pensamentos muito bons.

Enfim, os imperativos da mudança a mais obrigam, as chegadas do nosso Aeroporto de "Lisboa" vão continuar a ser um fervilhar de sentimentos e emoções, seja na Ota, em Alcochete ou ainda se se lembrarem em Freixo de Espada à Cinta, contudo, para mim, será mais um dos sítios que vou conservar para sempre bem guardado no cantinho das memórias.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A Capital (e não só) Debaixo de Água

Hoje é um daqueles dias em que mais valia muitos de nós não nos termos levantado da cama, pelo menos de manhã.

Já se auspiciava um dia complicado, mas sinceramente nunca pensei que fosse assim tanto. Desde meados da semana passada que as previsões para o passado Domingo e dias seguintes, apontavam para dias chuvosos, ventosos e de intempérie...mas ninguém estaria preparado para um quase dilúvio. Venha de novo Noé e a sua arca.

Pela minha parte foi uma manhã bastante irrirante e enervante. Vi-me fechada no carro durante 3 horas e meia para percorrer os escassos 15 quilómetros, que costumo percorrer em 20 minutos. Se soubesse o que sei agora, tinha ficado a dormir mais um bom bocado.

É de lamentar também (e fala-se todos os anos no mesmo) que as nossas autarquias continuem a fazer o mesmo de sempre, ou seja, muito pouco.
Se bem me lembro dos tempos em que estudei uma cadeira que se intitulava Administração Autárquica e Desenvolvimento Local, uma Autarquia Local é «uma pessoa colectiva territorial, dotada de orgãos representativos, com vista à prossecução própria dos interesses das populações respectivas (...)» in Lei das Autarquias Locais

Ora, se bem que os índices de precipitação desta noite e manhã tenham sido elevados, se os rios e ribeiras estivessem devidamente limpos, as sarjetas e os colectores desentupidos, talvez não estivéssemos perante a catástrofe que é neste momento uma realidade.

Pessoas desalojadas em plena capital, mortos, desaparecidos e famílias bastante penalizadas pelo simples facto de viverem numa zona baixa, de terem a sua viatura estacionada num parque de estacionamento subterrâneo ou ao lado de um muro...entre muitas outras tristes coincidências.

Espero sinceramente que nos próximos dias o ditado venha a propósito, pois continuo a querer acreditar que Depois da Tempestade vem a Bonança.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

O Amor por José Luís (Peixoto)

O mês de Fevereiro é para alguns o mês em que se celebra o Amor.

Não concordo particularmente, o Amor deveria ser celebrado sempre, sem ter que se cair no consumismo e nas "tradições" impostas por estratégias de marketing.

O que é facto é que a maioria das pessoas não sabe o que é o Amor, e quando falo em amor, não me refiro apenas ao amor entre um homem e uma mulher, refiro-me ao sentimento em geral. O amor manifesta-se de várias formas e, quanto a mim, implica sempre uma grande entrega da parte de quem o sente, para aquilo ou aquele (s) a que (m) se dedica.

Fiquei fascinada com uma explicação dada por José Luís Peixoto que passo a citar:

"Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor. Eu sei exactamente o que é o amor. O amor é saber que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer. O amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte de nós que não é nossa. O amor é sermos fracos. O amor é ter medo e querer morrer."

José Luís Peixoto

E...mais palavras para quê?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Pequeno Ensaio sobre a Felicidade

O tema felicidade é recorrente em muitas conversas que se ouvem aqui e ali. Uns dizem "a felicidade não existe", outros dizem que são muito felizes, outros então afirmam que o dinheiro não traz felicidade...há quem diga que é tremendamente infeliz.

Partindo de uma definição de dicionário, "felicidade", derivado do latim felicitate, corresponde a bem-estar, contentamento, acto ou efeito de quem é feliz.

Mas afinal, o que é que isto quer dizer?

Quanto a mim, o conceito "felicidade" é algo subjectivo (entenda-se, relativo ao próprio sujeito), contudo há para mim um ponto de partida. A felicidade não é mais do que o equilíbrio entre as nossas expectativas, aquilo que desejamos e o que de facto conseguimos alcançar.

Sempre que se encontra um ponto de união, estamos perante a felicidade. Não havendo convergência a felicidade escapa-se-nos. Sim, é escorregadia, não é presa fácil.

Ora, pedindo ajuda a Aristóteles e usurpando o método do Silogismo Dedutivo podemos tomar as seguintes premissas como exemplo:

  1. Uma viagem à Lua traz felicidade
  2. Eu estou na Lua

Conclusão: Eu sou feliz

É simples...tão simples, extraordinariamente simples! Mas na realidade deparamo-nos com um processo bem mais complexo. Alguns (muitos) espécimes humanos teimam em complicar a equação. Porque na realidade não acredito na felicidade em pleno; há sempre uma ou outra variável que escapa ao nosso controlo. Há dias em que partimos o motor do carro, em que perdemos um amigo, em que morre o canário, em que o Sporting perde um jogo com muita tranquilidade, etc.

Mas também há dias em que reencontramos um amigo que não víamos há anos, temos um filho, plantamos uma árvore, conseguimos encontrar no alfarrabista uma primeira edição de Os Lusíadas...caramba, não podem ser momentos felizes?

Cada vez mais me convenço que a felicidade pode estar em nós próprios, e não me posso esquecer de imagens de África que vi, em que crianças mutiladas, orfãs e em alguns casos com muita fome...continuavam a sorrir com um brilho nos olhos que eu própria nunca consegui ver nos meus.

E a felicidade é isto, momentos, baseados nas nossas expectativas, nas nossas atitudes para com a vida e para com os outros, expectativas essas que se forem alcançáveis, reais e generosas nos trazem conforto, "calor" e uma forma de lidar com a vida e com as privações do dia-a-dia bem mais positiva.

A teoria está cá,o TPC está feito e agora é pô-la em prática.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Museu Colecção Berardo e o (S.) Valentim

Como apreciadora da arte e suas manifestações, não podia ter deixado de visitar a Colecção Berardo no CCB.

Para quem ainda não teve oportunidade, aconselho vivamente; é uma boa colecção em cuja exposição estão patentes obras de arte tendencialmente americanas e europeias, passando por vários estilos e conceitos, tais como, o Surrealismo, a Pop Art, a Arte Minimalista, a Abstracção, entre outros.
A forma como a exposição foi concebida, proporciona-nos um caminhar pelo percurso histórico das manifestações artísticas lá patentes de uma forma cronológica, o que nos ajuda a entender melhor as várias correntes.

Foi com grande satisfação e emoção que admirei algumas obras de Picasso, Dali, Andy Warhol, Paula Rego, entre tantos outros, mas aconselho mesmo uma visita. Vale a pena.

Mas eis que o Museu preparou uma surpresa para os apaixonados; achei a ideia muito interessante e resolvi partilhar. "As mais belas histórias de Amor" - os mentores do museu pegaram no tema do Amor e resolveram criar uma exposição dentro da exposição (um conceito confuso) dedicada a este tema e à forma como os génios da arte o exploraram.

Não me posso esquecer da profunda paixão que Salvador Dali nutria por Gala e da forma como a transpunha para as suas obras; Picasso por Olga...e tantas outras paixões vividas no mundo da arte.

Pois bem, para quem anda em clima de romance e gosta de arte...tem um pleno, aproveitem e visitem o Museu até ao dia 15 de Fevereiro e deixem-se levar pelas emoções.
Se não andam em clima de romance...visitem na mesma, nunca se sabe quem se pode lá encontrar.

À noite, nada como um fantástico e romântico jantar. Mas por favor, a era dos peluches com o coraçãozinho no meio e com a frase I LoveYou já foi moda no século XX. Haja imaginação.