sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Estou Além (António Variações)

Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra nao chegar tarde

Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão

Vou continuar a procurar
A quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só:

Quero quem...
quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem...
Quem nao conheci (...)

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder

Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar

Vou continuar a procurar
A minha forma
O meu lugar
Porque até aqui eu só:

Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou(...)

Porque eu só estou bem
Aonde não estou

E também eu estou mais além...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Nada acontece por acaso

Há dias nas nossas vidas em que é muito importante darmo-nos tempo de fazer algo por nós próprios, cultivar a introspecção. E, no meu caso específico cada vez me dedico mais a essa prática para tentar retirar alguns ensinamentos das minhas experiências de vida, tirar do sótão e das prateleiras as memórias recalcadas, limpar-lhes o pó e mudá-las de sítio.

Já dizia o Poeta que todos nós temos o nosso Fado, eu costumo dizer que "cada um com as suas dores"; mas o verdadeiro herói é a meu entender aquele que tal como os cães não tropeça na mesma pedra por duas vezes, é aquele que aprende com as suas experiências e que as partilha, é aquele que se consegue dar e cada vez mais valorizo a genuinidade, a sinceridade e os valores.

A minha vida pessoal tem sido pautada por episódios bons, menos bons, indefinidos...maus, e é um facto que tenho alguma dificuldade em lidar com algumas perdas, perdas essas inevitáveis, é certo. Mas também é certo que o sofrimento em larga medida nos fortalece, que a dose de sofrimento que nos é "concedida" está de acordo com o que podemos suportar e que, sem dúvida alguma,temos que retirar uma lição dessas experiências.

Talvez se fosse tudo tão cor-de-rosa como as candidatas a Miss Universo referem nas suas eleições (Paz no Mundo, o fim da fome, o fim da pobreza, etc etc), os seres humanos encontrassem outras formas de estragar tudo. A culpa disto tudo é da Eva que obrigou o outro a comer a maçã. A seguir ao pecado original vêm todos os outros e forma-se o efeito bola de neve.

Contudo, com alegrias, dores, desilusões e outras hecatombes pessoais, hoje tenho a certeza de que nada acontece por acaso. As pessoas que conhecemos ao longo da vida, as amizades que fazemos e desfazemos, as relações sentimentais que vivemos num dia e que no outro dia a seguir deixam de fazer sentido...tudo isso tinha que acontecer, assim, sem mais nem menos, tal como figura no guião.

Um amigo (N.) disse-me há uns bons anos que temos que conhecer uma infinidade de pessoas incertas até conhecermos uma ou outra pessoa certa. Eu completo com a muito gasta máxima de que "nem sempre tudo o que parece é", para ambos os lados.

Resta-nos separar o trigo do joio, ter o discernimento suficiente para saber o que é melhor para nós, a quem e a que causas devemos concentrar as nossas energias e a nossa entrega, porque nada está perdido e nunca por nunca se deve desistir, baixar os braços e limpar as armas.

Hoje estou feliz (quer dizer, relativamente feliz). E dedico este meu estado relativo (que conceito mais estranho) a quem mais me tem ensinado e demonstrado que muitas vezes há de facto males que vêm por bem, fecha-se a porta mas abre-se a janela e "A Vida É Bela".

Dedico também este post a alguns grandes amigos (as) de quem sou completamente dependente. Uma vez mais, obrigada por existirem.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A Noite das Estatuetas Douradas

E eis que a cerimónia que esteve quase para não se realizar, devido à tão famosa greve dos guionistas, teve lugar esta madrugada, com o brilho e o glamour que lhe são característicos.

Lembro-me de há uns anos atrás, no fulgor da juventude ser esta uma noite mágica para mim. O desfile das celebridades pela passadeira vermelha, as nomeações a meu entender mais ou menos justas, os discursos dos laureados, enfim...era uma noite que passava quase em claro, com uns chocolates de um lado e umas pipocas de outro e os avisos da Mãe a relembrar que era bom não esquecer que no dia a seguir tinha que estar a horas na escola, e não me seriam justificadas faltas de atraso por ter cedido mais uma vez ao vício de ver a cerimónia dos Óscares.

Confesso que de ano para ano a ilusão vai-se desvanecendo, mas ainda conservo alguma curiosidade sobre quem vai recair o tão disputado prémio. Talvez por ser uma amante incondicional de cinema, talvez por seguir atentamente o que de melhor se faz na indústria do cinema, talvez por admirar alguns actores e seguir o seu percurso ao longo dos anos...também eu faço as minhas apostas.

Lamentavelmente não consegui seguir a cerimónia até ao fim, o João Pestana teimou em levar-me cedo para as paragens dos sonhos mas o que retenho mais uma vez é que foi de facto uma bonita cerimónia, com os recados políticos do costume em ano de eleições americanas, terão ganho os melhores segundo critérios mais ou menos transparentes. Faltou o bom humor de outros tempos, mas também creio que a conjuntura mundial não permite neste momento a proliferação desses "apanhados".

Termino expressando a minha humilde opinião:é de facto indiscutível (segundo afirmam os críticos) a qualidade do filme "Este País não é para Velhos", mas penso que "Expiação" terá sido o grande perdedor. Não me canso de dizer que foi um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O Legado dos Romanov

Foi com grande satisfação que há uns meses atrás recebi a notícia de que iriamos ser "presenteados" com uma mostra de algumas colecções do Hermitage em Lisboa, mais precisamente no Palácio da Ajuda.

A história da Rússia sempre me fascinou e, questões políticas, ideológicas e sociológicas à parte não podemos negar que foi um Império que, nos seus séculos áureos (nomeadamente entre os séculos XVIII e XX) teve a sua grandeza. Tudo isto é discutível, é certo, mas também o é que a Dinastia dos Romanov possibilitou uma selecção de expressões culturais e artísticas raramente atingíveis por outros impérios.

E eis que tivemos S. Petersburgo mais perto, e um dos mais importantes museus do mundo (Hermitage) abriu as suas portas aos nossos olhos, já que não é todos os dias que temos disponibilidade para nos deslocarmos à Rússia.

Fiquei completamente fascinada com algumas das obras que vi; os famosos ovos de Fabérgé vistos de perto são de uma raríssima beleza, os trenós da família imperial, o mobiliário, as pinturas e os retratos de Pedro o Grande, os trajes majestosos das czarinas e os trajes militares dos czares...enfim, por momentos senti-me eu própria dentro da história. Quase que consegui sentir toda a sumptuosidade que se fazia viver na época.

Fiquei-me pelos aspectos positivos, claro. Tentei abstrair-me das atrocidades que foram cometidas, da Revolução de 1917, da deposição e consequente assassinato do Czar Nicolau II e sua família, da revolta dos bolcheviques e de todos os aspectos menos positivos que fazem parte integrante da história da actual Rússia, eis União Soviética.

Em boa hora e com muitos acordos pelo meio, tivemos entre nós o que quanto a mim é uma das maiores e melhores colecções do mundo.

A quem não teve oportunidade de ver...aconselho vivamente um desvio por S. Petersburgo numa das próximas viagens.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Chegadas/Arrivals/Arrivées

Nos últimos tempos, como é sabido por todos, muito se tem falado acerca da questão do Aeroporto Internacional de Lisboa e da sua "transferência" para outro local supostamente mais vocacionado e com melhores condições para abarcar uma estrutura de tamanha envergadura.

Seja por questões económicas, de localização, desenvolvimento sustentável, estratégias de governo e mais uma lista infindável de prós e contras, pessoalmente é uma mudança que me vai causar alguma tristeza. Sou completamente a favor da mudança (para melhor), é certo e sabido que o desenvolvimento das vias de comunicação é uma das bases de crescimento de extrema importância de qualquer cidade, mas...estou a pensar em mim e no facto de que a desactivação do Aeroporto da Portela vai varrer algumas lembranças que recordo sempre com muita saudade.

Perdoem-me o cliché, mas ainda sou do tempo em que o aeroporto era um edifício construído em cimento, pintado em tons de branco e amarelo, ainda sou do tempo das famosas varandas que possibilitavam que víssemos os nossos familiares e amigos a embarcar e desembarcar na aeronave...lembro-me com saudade da minha ansiedade de menina de 4/5 anos à espera que o Boeing (Jumbo) vindo de Luanda aterrasse e troxesse até mim a minha avó e todos os mimos que tinha guardado para mim depois de um ano de ausência, até me lembro com mais saudade ainda dos dias da sua partida, as lágrimas nos nossos olhos no momento da despedida, mas a certeza de que o ano passaria a correr e rapidamente nos veríamos de novo.

Infelizmente há cerca de 10 anos atrás na sua partida não levou consigo o bilhete de regresso e...todas estas situações não passam de memórias e recordações que me fazem ter por aquele lugar uma qualquer ligação que não sou capaz de explicar racionalmente. Talvez seja um dos locais em que recordo a Vida, a Alegria, a Saudade...

O aeroporto é um local que frequento de quando em vez, seja nas minhas deslocações pessoais, seja para ir deixar/buscar pessoas que me são próximas.
No passado fim de semana lá fui eu outra vez, desta feita para ir buscar a minha amiga M. que regressou de Roma e das suas lides académicas. Confesso que estava curiosa por revê-la, conhecer na primeira pessoa as suas novidades, saber como estava, mas não estava em estado de ansiedade, por razões óbvias.

Resultado - pus-me de parte a observar. Nunca o tinha feito naquele local e foi uma experiência extraordinária. Revi-me em muitas situações e mais uma vez senti as minhas emoções à flor da pele.

Revi-me no reencontro de casais de namorados saudosos e apaixonados, revi-me no reencontro de pais e filhos, revi-me no reencontro de amigos e nos comentários de sempre ("estás com um ar cansado", "a viagem correu bem?", "estava a ver que nunca mais chegavas!", "bem...as malas demoraram imenso", "preciso de fumar um cigarro", "tenho fome"). Mas acima de tudo as expressões faciais de expectativa, ansiedade, nervosismo, a procura do "nosso olhar" à saída da porta das chegadas...os gritos de alegria de uma pequena menina ao rever uma avó que regressou de um qualquer país de África...e é isso, estou certa de que aquele lugar me reconforta e me traz à memória pensamentos muito bons.

Enfim, os imperativos da mudança a mais obrigam, as chegadas do nosso Aeroporto de "Lisboa" vão continuar a ser um fervilhar de sentimentos e emoções, seja na Ota, em Alcochete ou ainda se se lembrarem em Freixo de Espada à Cinta, contudo, para mim, será mais um dos sítios que vou conservar para sempre bem guardado no cantinho das memórias.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A Capital (e não só) Debaixo de Água

Hoje é um daqueles dias em que mais valia muitos de nós não nos termos levantado da cama, pelo menos de manhã.

Já se auspiciava um dia complicado, mas sinceramente nunca pensei que fosse assim tanto. Desde meados da semana passada que as previsões para o passado Domingo e dias seguintes, apontavam para dias chuvosos, ventosos e de intempérie...mas ninguém estaria preparado para um quase dilúvio. Venha de novo Noé e a sua arca.

Pela minha parte foi uma manhã bastante irrirante e enervante. Vi-me fechada no carro durante 3 horas e meia para percorrer os escassos 15 quilómetros, que costumo percorrer em 20 minutos. Se soubesse o que sei agora, tinha ficado a dormir mais um bom bocado.

É de lamentar também (e fala-se todos os anos no mesmo) que as nossas autarquias continuem a fazer o mesmo de sempre, ou seja, muito pouco.
Se bem me lembro dos tempos em que estudei uma cadeira que se intitulava Administração Autárquica e Desenvolvimento Local, uma Autarquia Local é «uma pessoa colectiva territorial, dotada de orgãos representativos, com vista à prossecução própria dos interesses das populações respectivas (...)» in Lei das Autarquias Locais

Ora, se bem que os índices de precipitação desta noite e manhã tenham sido elevados, se os rios e ribeiras estivessem devidamente limpos, as sarjetas e os colectores desentupidos, talvez não estivéssemos perante a catástrofe que é neste momento uma realidade.

Pessoas desalojadas em plena capital, mortos, desaparecidos e famílias bastante penalizadas pelo simples facto de viverem numa zona baixa, de terem a sua viatura estacionada num parque de estacionamento subterrâneo ou ao lado de um muro...entre muitas outras tristes coincidências.

Espero sinceramente que nos próximos dias o ditado venha a propósito, pois continuo a querer acreditar que Depois da Tempestade vem a Bonança.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

O Amor por José Luís (Peixoto)

O mês de Fevereiro é para alguns o mês em que se celebra o Amor.

Não concordo particularmente, o Amor deveria ser celebrado sempre, sem ter que se cair no consumismo e nas "tradições" impostas por estratégias de marketing.

O que é facto é que a maioria das pessoas não sabe o que é o Amor, e quando falo em amor, não me refiro apenas ao amor entre um homem e uma mulher, refiro-me ao sentimento em geral. O amor manifesta-se de várias formas e, quanto a mim, implica sempre uma grande entrega da parte de quem o sente, para aquilo ou aquele (s) a que (m) se dedica.

Fiquei fascinada com uma explicação dada por José Luís Peixoto que passo a citar:

"Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor. Eu sei exactamente o que é o amor. O amor é saber que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer. O amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte de nós que não é nossa. O amor é sermos fracos. O amor é ter medo e querer morrer."

José Luís Peixoto

E...mais palavras para quê?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Pequeno Ensaio sobre a Felicidade

O tema felicidade é recorrente em muitas conversas que se ouvem aqui e ali. Uns dizem "a felicidade não existe", outros dizem que são muito felizes, outros então afirmam que o dinheiro não traz felicidade...há quem diga que é tremendamente infeliz.

Partindo de uma definição de dicionário, "felicidade", derivado do latim felicitate, corresponde a bem-estar, contentamento, acto ou efeito de quem é feliz.

Mas afinal, o que é que isto quer dizer?

Quanto a mim, o conceito "felicidade" é algo subjectivo (entenda-se, relativo ao próprio sujeito), contudo há para mim um ponto de partida. A felicidade não é mais do que o equilíbrio entre as nossas expectativas, aquilo que desejamos e o que de facto conseguimos alcançar.

Sempre que se encontra um ponto de união, estamos perante a felicidade. Não havendo convergência a felicidade escapa-se-nos. Sim, é escorregadia, não é presa fácil.

Ora, pedindo ajuda a Aristóteles e usurpando o método do Silogismo Dedutivo podemos tomar as seguintes premissas como exemplo:

  1. Uma viagem à Lua traz felicidade
  2. Eu estou na Lua

Conclusão: Eu sou feliz

É simples...tão simples, extraordinariamente simples! Mas na realidade deparamo-nos com um processo bem mais complexo. Alguns (muitos) espécimes humanos teimam em complicar a equação. Porque na realidade não acredito na felicidade em pleno; há sempre uma ou outra variável que escapa ao nosso controlo. Há dias em que partimos o motor do carro, em que perdemos um amigo, em que morre o canário, em que o Sporting perde um jogo com muita tranquilidade, etc.

Mas também há dias em que reencontramos um amigo que não víamos há anos, temos um filho, plantamos uma árvore, conseguimos encontrar no alfarrabista uma primeira edição de Os Lusíadas...caramba, não podem ser momentos felizes?

Cada vez mais me convenço que a felicidade pode estar em nós próprios, e não me posso esquecer de imagens de África que vi, em que crianças mutiladas, orfãs e em alguns casos com muita fome...continuavam a sorrir com um brilho nos olhos que eu própria nunca consegui ver nos meus.

E a felicidade é isto, momentos, baseados nas nossas expectativas, nas nossas atitudes para com a vida e para com os outros, expectativas essas que se forem alcançáveis, reais e generosas nos trazem conforto, "calor" e uma forma de lidar com a vida e com as privações do dia-a-dia bem mais positiva.

A teoria está cá,o TPC está feito e agora é pô-la em prática.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Museu Colecção Berardo e o (S.) Valentim

Como apreciadora da arte e suas manifestações, não podia ter deixado de visitar a Colecção Berardo no CCB.

Para quem ainda não teve oportunidade, aconselho vivamente; é uma boa colecção em cuja exposição estão patentes obras de arte tendencialmente americanas e europeias, passando por vários estilos e conceitos, tais como, o Surrealismo, a Pop Art, a Arte Minimalista, a Abstracção, entre outros.
A forma como a exposição foi concebida, proporciona-nos um caminhar pelo percurso histórico das manifestações artísticas lá patentes de uma forma cronológica, o que nos ajuda a entender melhor as várias correntes.

Foi com grande satisfação e emoção que admirei algumas obras de Picasso, Dali, Andy Warhol, Paula Rego, entre tantos outros, mas aconselho mesmo uma visita. Vale a pena.

Mas eis que o Museu preparou uma surpresa para os apaixonados; achei a ideia muito interessante e resolvi partilhar. "As mais belas histórias de Amor" - os mentores do museu pegaram no tema do Amor e resolveram criar uma exposição dentro da exposição (um conceito confuso) dedicada a este tema e à forma como os génios da arte o exploraram.

Não me posso esquecer da profunda paixão que Salvador Dali nutria por Gala e da forma como a transpunha para as suas obras; Picasso por Olga...e tantas outras paixões vividas no mundo da arte.

Pois bem, para quem anda em clima de romance e gosta de arte...tem um pleno, aproveitem e visitem o Museu até ao dia 15 de Fevereiro e deixem-se levar pelas emoções.
Se não andam em clima de romance...visitem na mesma, nunca se sabe quem se pode lá encontrar.

À noite, nada como um fantástico e romântico jantar. Mas por favor, a era dos peluches com o coraçãozinho no meio e com a frase I LoveYou já foi moda no século XX. Haja imaginação.

Enola Gay

Hoje tive o meu momento de revivalismo, de saudosismo ou o que lhe queiram chamar.

Vinha eu a fazer a travessia trabalho - lar doce lar, o rádio sintonizado na estação do costume e começo a ouvir uns acordes que não ouvia há anos, anos luz...quase.

Então não é que eram os O.M.D. a tocar e a cantar a famosa Enola Gay??

"Enola Gay, you should have stayed at home yesterday
Oho it can't describe, the feeling and the way you lied..."


Nananananananana nananananana nananananananana nanananana

Ok, já me passou o devaneio, mas foi impossível não deixar de reviver os anos 80 em que esta música tocava sem parar e eu era uma criança inocente e olhava com alguma estranheza para a minha mãe e amigas, com umas roupas estranhas e sombras nos olhos vistosas a dançarem alegremente estes e outros sons.

É de lamentar apenas que ainda hoje tenha ouvido esta música com tanta alegria, e ter sido o próprio Enola Gay a causa de tanta devastação em Hiroshima corria o ano de 1945, quando lançou a Bomba Atómica.

Enfim...dicotomias mundanas.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

"Quem me Leva os Meus Fantasmas"

Tive oportunidade de ver há dias uma entrevista com o Pedro Abrunhosa (músico de que gosto bastante pela sua atitude e mensagens que passa) em que ele dizia que as suas músicas/letras são o reflexo das suas catarses, de situações que o perturbam, ou que lhe agradam e que ele tem que extrapolar para o exterior.

Achei engraçada a analogia, pois com o sentido de humor que lhe é característico refere que é uma maneira de não perder tempo e dinheiro a ir ao Psiquiatra, entretém as pessoas e ainda lhe pagam para isso.

O filósodo Lou Marinoff, brilhante também, como forma de evitarmos a cadeira do analista propõe-nos "Mais Platão, Menos Prozac".

Concordo com ambos. E aqui deixo uma letra fabulosa de Pedro Abrunhosa, que transmite muitas das certezas e incertezas da minha existência, e foi também a seu tempo a banda sonora de eleição de uma anterior relação por mim vivida.

Quem Me Leva os Meus Fantasmas

"Aquele era o tempo
Em que as mãos se fechavam
E nas noites brilhantes as palavras voavam,
E eu via que o céu me nascia dos dedos
E a Ursa Maior eram ferros acesos.

Marinheiros perdidos em portos distantes,
Em bares escondidos,
Em sonhos gigantes.
E a cidade vazia,
Da cor do asfalto,
E alguém me pedia que cantasse mais alto.

Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

Aquele era o tempo
Em que as sombras se abriam,
Em que homens negavam
O que outros erguiam.
E eu bebia da vida em goles pequenos,
Tropeçava no riso, abraçava venenos.

De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala
Nem a falha no muro.
E alguém me gritava
Com voz de profeta
Que o caminho se faz
Entre o alvo e a seta.

Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

De que serve ter o mapa
Se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado,
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
Se a casa está deserta?

Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?"

By Pedro Abrunhosa

Gargalhadix

Chega o fim de semana e para quem gosta, 48 horas completas de diversão total....ou não.

Sou daquele género de pessoa a quem tanto faz falta uns bons momentos de diversão, como também os meus chamados momentos zen, de pôr o sono e o descanso em dia, as leituras e tudo o mais.

Estamos perante um fim de semana em pleno Inverno, que mais parece Primavera, temperaturas amenas, muito sol e imensa vontade de respirar ar puro. Ontem o que começou por ser uma bela tarde em comunhão com a natureza e a praia, acabou com um serão de "gargalhadix".

Lá fui eu ao cinema outra vez, desta vez completamente predisposta a ver algo que não me fizesse pensar demasiado, algo que me divertisse e me dispusesse bem pelo menos durante duas horas.

E, embora as expectativas fossem um pouco maiores, as gargalhadas foram muitas; com Astérix, Obélix, Apaixonadix, Telegrafix e mais uns quantos acabados em Ix, a sala completamente cheia exaltava em bom humor e disposição.

Foi engraçado, deu para descomprimir, dispôs bem, e se foi esse o objectivo...digamos que valeu a pena.

Formación en.....Tortue!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Quando o Cinema toca as nossas Emoções

Para quem já sabe...repito, para quem não me conhece, aqui fica uma dica. Adoro cinema!

Desde muito tenra idade que me recordo que a minha Mãe sempre se esforçou para que eu tivesse uma relação chegada com as artes em geral;portanto as idas ao cinema para ver o Pinóquio e afins começaram muito cedo, as idas ao teatro, aos museus, aos monumentos...até tive o privilégio de adormecer ao som de sinfonias clássicas tocadas ao piano pelas belas mãos da Mãe. Sim, tive os meus privilégios, bons momentos guardados com saudade no cantinho das memórias.

Mas hoje vou centrar-me apenas no cinema; voltarei aos outros temas oportunamente.
Se bem que seja muito subjectivo dizer que gosto de vários géneros de cinema, desde que seja de qualidade, isso é um facto. Não renego uma boa comédia romântica, não renego um bom filme de guerra ou um bom documentário, não renego um bom filme autobiográfico. No fundo para mim um bom filme tem que mexer com as minhas emoções, com os meus sentidos, com os meus sentimentos.

Ao longo destes anos de vida recordo algumas obras de arte com grande admiração por quem as criou e interpretou; poderia falar de Citizen Kane e do tão importante "Rosebud" para Orson Welles, poderia falar de The Fountainhead (Vontade Indómita), poderia falar da minha predilecção por Steven Spielberg, Ridley Scott ou Oliver Stone e...sim...George Clooney...mas aí já começava a sair disparate, pois para além das suas qualidades como actor, estamos também perante um caso de charme nato.

Enfim, sou uma assídua frequentadora das salas de cinema que por aí proliferam e posso dizer que não via há algum tempo um filme tão bom, tão cativante e que me tenha tocado tanto como Atonement (Expiação). A riqueza dos cenários, a fotografia, a qualidade dos intérpretes, o argumento, a beleza simples e tocante de Keira Knightley...foram surpresas atrás de surpresas.
Surpresas à parte é-nos explicitado de uma forma tão genial, como é que uma mentira tem o poder de mudar o rumo de uma estória. Emocionei-me...chorei.
E é este tipo de entretenimento a que deveríamos ser sujeitos, cada vez mais...não vale a pena se não mexer com as nossas emoções.

Outra surpresa agradável foi um filme com o maravilhoso actor Morgan Freeman;intitula-se "O Banquete do Amor" e na altura de adquirir os bilhetes confesso que ambos (eu e a minha companhia dessa sessão) nos entreolhámos com alguma desconfiança...não estávamos virados para um filme lamechas de exploração de cenas muito lindas, românticas e floreadas. Decidimos arriscar, muito motivados pela "presença" de Mr. Freeman.

Um filme simples, com uma boa história...voltei a emocionar-me, desta vez com algum sarcasmo à mistura. O personagem principal tinha uma certa tendência para a asneira, para relações que realmente não o levavam a lado algum; a primeira mulher decide trocá-lo por outra (sim, outra), a segunda foge com outro...enfim, estávamos perante um mártir desajeitado e infeliz que já tinha medo da própria sombra. Simpatizei com o personagem e retratei-me nalguns pontos...entenda-se...pela tendência para a asneira. Podia bem ser o meu alter-ego.

Mas eis que com outros romances e histórias paralelas à mistura, o mestre Freeman num papel à sua medida. O bom amigo que actuava também como conselheiro, voz da consciência...extraordinário. Diz ele que:

1. Não podemos partir para uma situação com medo e com reservas pelo que sofremos antes
2. Devemos partir...e logo se vê
3. Mas mais importante - se "olharmos" com atenção no início da história, o fim está sempre lá, nós é que nem sempre o queremos ver

Máxima do Filme - Salta, deves saltar sempre...mas de olhos abertos.

Sem dúvida que tinha que tocar nas minhas emoções.

PS: Aconselho vivamente a quem lhe agrade o tema das emoções, as seguintes leituras; O Erro de Descartes e O Sentimento de Si (ambos de A. Damásio) e o Ensaio Sobre a Cegueira (José Saramago)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Cultura, Cultura Geral ou Conhecimento?

A Cultura, a Cultura Geral ou o Conhecimento são temas extremamente abrangentes, sendo que os limites e as fronteiras entre si podem até ser muito ténues.

Isto é, diz-se que um indivíduo é culto quando de facto detém conhecimentos vastos e alargados sobre várias e distintas áreas, não se destacando apenas numa ou duas. Um indivíduo com alguma cultura geral consegue enquadra-se também em várias áreas, embora o caminho a percorrer até ser considerado de facto culto, seja ainda longo. Um indivíduo com algum conhecimento enfim, sabe umas coisas, consegue manter umas conversas interessantes, por vezes superficiais, mas acaba por conhecer de uma forma relativamente simples os temas mais recorrentes das conversas quotidianas.

Posso dizer que sou uma espectadora, tão assídua quanto me é possível, de concursos televisivos que impliquem que os concorrentes detenham uma das três características que enumerei acima, concursos esses normalmente difundidos pelo nosso Serviço Público de Televisão.

Ora de facto todos sabemos que o mais importante é o entretenimento, no fundo para as estações de televisão quanto melhor entretiverem os espectadores, mais audiências têm, e mais sucesso e por aí fora. Mas...será que é adequado dizer num slogan de promoção a um desses concursos que se vai medir a cultura geral dos concorrentes?

Seremos dotados de muita cultura geral se por acaso até soubermos que a Marylin Monroe morreu com um telefone na mão? Ou que a Princesa Stéphanie do Mónaco terá casado 50 vezes? Isto é cultura, conhecimento ou fofoca?

E terá um Físico ou um Matemático de sucesso que se sentir embaraçado por não saber que Émile Durkheim é considerado o Pai da Sociologia?

Há de facto situações que denotam uma certa ignorância por parte de quem é posto à prova; mas também temos que admitir que nem sempre se consegue compreender muito bem qual o objectivo dos concursos em questão, o que pretendem encontrar e o que pretendem provar.

Resta-nos continuar como meros espectadores, ou quiçá como futuros concorrentes...mas será que vamos sair de lá a saber se de facto temos uma parca cultura, alguma cultura geral ou muitos conhecimentos?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Quando os Jovens têm que escolher

Os tempos da minha adolescência já lá vão, pertencem a um passado cada vez mais distante. O que fiz, o que poderia ter feito, o que queria ter feito e não fiz...enfim, são oportunidades que não terei mais. Refazer o que ficou mal feito, ou completar o que ficou a meio, são dons que não possuímos.

Mas também se tudo fosse perfeito e demasiado certinho, concerteza que lá iriamos descobrir uma ou outra falha, uma ou outra insatisfação. No fundo somos o produto das escolhas que fizemos lá para trás.

E a fase das escolhas cruciais é por excelência a fase da adolescência e entrada na idade adulta.

Tenho "amiguitos" muito jovens ainda que me são próximos, filhos de grandes amigos que chegaram à árdua fase de delinear o que vai ser o seu futuro. E "coitadinhos" (sem qualquer sentido depreciativo), estão baralhados, desnorteados, sem saber o que fazer do dia de hoje, quanto mais do dia de amanhã.

Lembro-me que com a idade deles, queria agarrar este mundo e o outro. Desde Austronauta, passando por Repórter Freelancer até ir para um qualquer campo de refugiados em África para pura e simplesmente ajudar...quase tudo me passou pela cabeça. Tal não era a confusão de ideias, mas algumas delas ainda se reflectem naquilo que sou hoje. No fundo o gosto por ajudar o próximo e pelas causas mantém-se. Ainda conservo um "pikinho" de idealismo da juventude.

Mas, falando nos "meus" jovens amigos, que para além de andarem muito baralhados e a proporcionarem algumas dores de cabeça aos pais, quem não fez o mesmo no seu tempo? Os pais, à sua maneira querem o melhor para nós, querem ver-nos bem na vida, sem preocupações por aí além...é natural, são os nossos pais, as pessoas que mais se preocupam connosco. E de facto é cedo termos que decidir aos 15 anos, o que vai ser o nosso futuro, o que é que vamos querer fazer nos próximos 40 anos, só a ideia assim é assustadora.

Mas o que importa é tentar assentar os pés no chão, desligar por alguns momentos a ficha da Playstation, esconder o telemóvel dentro da máquina de lavar, e pensar com a clarividência que for possível no que é que se vai fazer a seguir. Andar anos para terminar o 10º ano na área para a qual não se tem muita aptidão...meus caros não me parece uma boa escolha.

Insistir em fazer o 12º ano à força, para se entrar num qualquer curso universitário à força também....e lá temos outra má escolha. Nem todas as pessoas nasceram para ter um Dr. antes do nome. E então??? Deixam de ser bem sucedidas por isso?

Não creio. É um facto que vivemos numa sociedade cada vez mais competitiva, em que temos que estar cada vez mais actualizados, saber mais, e mais e mais. Sermos experts numa área é sem dúvida uma mais valia, mas por favor, de maus médicos, de maus engenheiros, de maus professores...está este país cheio.

Portanto pensem verdadeiramente sobre o que querem, transformem a vossa inteligência numa mais valia, olhem à vossa volta e dentro de vocês próprios e imaginem onde gostariam de estar daqui por uns anos, o que gostariam de ter, o que gostariam de saber...façam-no com alguma responsabilidade, mas primeiro...sozinhos.

Depois quando as ideias estiverem no lugar, aí sim a tal conversa com os pais, o definir a estratégia de estudo e o traçar do novo caminho.

Vão ver que no fundo não é assim tão difícil embora pareça ao início, a fase do turbilhão vai acabar por passar e tenho a certeza de que farão das melhores escolhas das vossas vidas. No fundo todos os jovens da actualidade constituem o nosso futuro. Estou à vossa espera!

domingo, 3 de fevereiro de 2008

O Meu Rito Pagão

A vida tem destas coisas e para quem me conhece sabe de antemão que eu e o Carnaval não somos propriamente muito íntimos. Não tenho esse espírito, não gosto, não acho piada, enfim, poderia estar aqui a enumerar o que tenho contra, começando na letra A e terminando na Z.

Apesar disso houve este ano duas situações que me enterneceram, relacionadas com crianças, obviamente.

A primeira, estava eu a deambular por uma superfície comercial do concelho de Oeiras e deparo-me com não mais que uma dúzia de crianças com não mais do que 2/3 anos...mascaradas de cartas, cada uma com o seu valor e com o seu naipe.
Pareceram-me um pouco assustados e ninguém conseguia evitar ficar a olhar para eles por alguns momentos...a imagem era de uma ternura indescritível.

A segunda situação chama-se Lourenço, filho de uma ex-colega e amiga dos tempos idos de faculdade, que voltei a reencontrar e em boa hora, recentemente. Para além de ser uma criança amorosa (como o são todas), tem uns pais que transbordam criatividade...e lá foi o bébé todo janota mascarado de Árvore, árvore essa confeccionada pelos orgulhosos papás.

Foram sem dúvida as melhores fantasias que vi até hoje em crianças.

Voltando ao início e à minha falta de espírito carnavalesco, o que ontem iria ser um serão de jantar, seguido de cinema e fim de noite ainda não sabíamos onde...pasmem-se aqueles que me conhecem como a "Ideafix" e mulher de convicções pois vão ter uma surpresa.

Pois bem, saí de casa com uma das minhas fatiotas fashion de fim de semana, com maquilhagem nova em tons de cinza e azul...deu-me para ali...e acabo a noite disfarçada de Diabrete, red red red. Há fotografias que o comprovam, mas não as vou partilhar, lá se ia a minha reputação por água abaixo.

Enfim, tenho amigos formidáveis, que gostam de uma boa festa, de muita diversão e lá conseguiram a árdua tarefa de me colocar uma fantasia, rito esse que eu já não me lembro quando foi a última vez que o tive, mas nunca há menos de uns 20 e alguns anos.

Acabou por ser um serão engraçado, e desde um Ali-Babá, passando pelo Centurião Romano, uma Spider Woman algumas Cleopatras e muitos outros personagens lá tive eu o meu Rito Pagão do ano.

Vesti outra pele, por momentos adoptei uma personalidade dotada de atrevimento e os dilemas ancestrais ficaram por momentos adormecidos. Por isso e pela companhia valeu a pena.

PS: A opinião acerca do Carnaval continua a mesma; definitivamente não tenho espírito carnavalesco.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

A Importância do Chocolate

E porque hoje é sábado...

Não sei ao certo, mas este "porque hoje é sábado" faz-me lembrar uma música do Chico Buarque que já não oiço há anos.

Adiante. Depois de uma semana de trabalho intenso, lá tenho que admitir que me levantei tardíssimo, dormi até mais não poder e o corpo lá começou a pedir um pouco de movimento. Era daqueles dias em que me apetecia ir correr para o já famoso calçadão da Marginal; mas entre o apetite e a preguiça, parece que esta última ganhou a batalha.

Por aqui fiquei a pôr umas leituras em dia, a decidir em que é que vou ocupar o fim de semana, a analisar as notícias do dia, enfim...a "bezerrar".

E não sei se é por estarmos no Inverno, ou por muitas outras razões que não vale a pena especificar, estou com uma fome de chocolate inexplicável. Já ataquei os bombons da Garoto que me trouxeram recentemente do Brasil, o calendário do Advento que deveria ter sido oferecido a uma qualquer criança pela altura do Natal...até ao chocolate do Fondue eu não resisti.

O Freud explicava isto fazendo uma incursão pela esfera das carências afectivas, recentemente li que o próprio Cacau pode ser entendido como uma "droga" já que causa uma certa dependência psicológica...e muitas outras explicações mais ou menos sábias temos por aí.

O certo é que já passei a fase de saciar fosse o que fosse, neste momento creio que estou mesmo a ultrapassar os limites do pecado...isto já é gula. Mas uma gula que me causa um reconforto extraordinário. Posso até dizer que semi-aquece a alma.

Não me parece que seja viciada nesta "droga" mas...que em certos dias e momentos da minha vida tem tanta importância como um bom livro e o ombro de um amigo...lá isso tem.

Obrigada Chocolate!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Mataram o Rei!

Finalmente o exageradamente extenso mês de Janeiro chegou ao fim, já estamos em Fevereiro, entrámos na época do Entrudo (que por sinal não me agrada particularmente), mas hoje um dos temas do dia é sem dúvida o facto de se cumprir o centenário da morte de El Rei D. Carlos e seu excelentíssimo filho o Príncipe Real D. Luís Filipe.

Nesse fatídico dia (para uns, para outros nem tanto) 01 de Fevereiro de 1908 virava-se mais uma página da nossa história que corria a passos largos para a Implantação da República, desejada por muitos.

E eis que ainda que com a conjuntura conturbada que vivemos actualmente, a exasperação da nossa economia, a onda de criminalidade, as mudanças das pastas minesteriais...o feito de Manuel Buíça e Alfredo Costa está na ordem do dia.

Por acaso, ou sem o ser, D. Carlos foi um monarca que cativou a minha "simpatia"; não lhe podemos negar a facto de ter sido um bom diplomata, um homem extremamente culto e dotado de algumas outras virtudes...mas o que é certo é que há exactamente 100 anos atrás...não foi um bom dia para sair do Palácio; devia ter ficado uns dias de quarentena Sr. Monarca, sobretudo numa época em que o Republicanismo assumia já contornos muito radicais.

Não tenho nada contra a monarquia, mas também pouco tenho a favor; apesar de tudo prefiro viver neste nosso rectângulo à beira-mar plantado num regime republicano e democrático. Não digo que estaremos bem...mas a austeridade da monarquia é algo que me incomoda.

Enfim, terá sido um dia conturbado cujas consequências se reflectem nos dias de hoje. Mal por mal, pelo menos não temos que assistir a um duelo de capa e espada entre D. Duarte de Bragança e o fadista Nuno da Câmara Pereira a reclamarem o seu T5 lá para os lados do Palácio da Ajuda.