terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Em época de Advento

Sucedem-se as ofertas, os postais, as mensagens e os emails alusivos à quadra que mais um ano vivemos.

E por isso, não podia deixar de partilhar um excerto de Eça de Queirós que me foi enviado hoje por email e me fez reflectir...

“… Nem eu sei realmente como a ceia faustosa possa saber bem, como o lume do salão chegue a aquecer – quando se considere que lá fora há quem regele, e quem rilhe, a um canto triste, uma côdea de dois dias. É justamente nestas horas de festa íntima, quando pára por um momento o furioso galope do nosso egoísmo - que a alma se abre a sentimentos melhores de fraternidade e de simpatia universal, e que a consciência da miséria em que se debatem tantos milhares de criaturas, volta com uma amargura maior. Basta então ver uma pobre criança, pasmada diante da vitrine de uma loja, e com os olhos em lágrimas para uma boneca de pataco, que ela nunca poderá apertar nos seus miseráveis braços - para que se chegue à fácil conclusão que isto é um mundo abominável. Deste sentimento nascem algumas caridades de Natal; mas, findas as consoadas, o egoísmo parte à desfilada, ninguém torna a pensar mais nos pobres, a não ser alguns revolucionários endurecidos, dignos do cárcere e a miséria continua a gemer ao seu canto!...”

In… Eça de Queirós, «III - O Natal», in Cartas de Inglaterra, Porto, Livraria Chardron de Lello & Irmão, 1905, págs. 45 a 54;

Consumismos e devaneios à parte, que tenhamos todos um Bom Natal.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Dei banho ao Xá!

Eu sei que muitos pensarão que sou louca e a um passo do manicómio, mas teimo em tratar o meu pequeno gato Xá como um princípe. Penso que se não fosse para o tratar bem, nunca o teria adquirido.

De que vale termos os animais, para não lhes sabermos proporcionar bons momentos, alguém me explica?

Pois que o "imperador" lá da casa, sempre muito bem escovado pelo seu dono, estava a precisar de uma bela banhoca; lá fui interiorizando a ideia e esse dia chegou na passada sexta-feira.

Casa de banho aquecida, água tépida na banheira, toalhão, secador, champô Johnson para bébé...enfim, o meu petiz de quatro patas teve todas as mordomias, dignas de facto de um princípe.

Portou-se a preceito, tentou escapulir-se de quando em vez, nas alturas em que o chuveiro lá lhe dava o ar da sua graça, mas digo-o com muito orgulho na minha cria, ficou lindo e cheiroso.

Sinto um gosto enorme em olhar para ele e ver as alterações positivas à sua forma de estar; num mês notam-se uns gramas a mais, o pêlo lustroso, as traquinices próprias da sua condição, e o crescimento do apego aos donos. Lá em casa sente-se uma atmosfera diferente e aquela pequena presença já faz parte da minha vida.

E assim se devem tratar os animais...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Um dia frio

Uma das minhas algumas limitações climatéricas prende-se com o facto de lidar mal com temperaturas extremas.

Nem me dou bem com muito frio, nem tão pouco com muito calor, pelo que quanto mais ameno estiver...melhor.

Se por um lado não gosto de sair de casa atafulhada em sobretudos e camisolas que nos "enchouriçam", por outro também não me agrada experimentar a hiper-ventilação de certas peças de vestuário naqueles dias com autênticas baforadas de calor a perseguirem-nos os passos.

Pois que estes últimos dias têm sido bastante frios e algo desagradáveis. Fruto da estação do ano tão necessária como todas as outras, mas o que é facto é que frio, chuva, granizo e afins, só se estiver quentinha no aconchego do meu lar, caso contrário dispenso.

Apesar disso, esta estação do ano não deixa de ter o seu encanto e no habitual trajecto de casa para o emprego, posso dizer que hoje ora fazia chuva, ora fazia sol, e quem (perdão!o quê) foi que deu o ar da sua graça?

...ele mesmo, o Arco-Íris. Por mais neura com que estivesse de manhã, com a boa disposição de P. a "amansar-me" e a visão do Arco-Íris fizeram com que o dia começasse muito bem, ora não fosse o espectro de luzes um fenómeno tão bonito.

Dei comigo sozinha no carro a trautear "Somewhere, over the Rainbow" e a lembrar-me da candura da Judy Garland a trautear esta música no inesquecível Feiticeiro de Oz.

E foi assim que começou o meu dia...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Efeméride do Dia!

Mais importante ainda do que o dia 10 de Dezembro pode significar para mim e para os que me são mais queridos, não podia deixar de referir que se cumprem hoje os 60 anos da publicação da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

"(...) todos os indivíduos nascem livres e iguais em direitos e dignidade."

Mas em 60 anos, embora seja de louvar a obra de entidades como a Amnistia Internacional, pouco se conseguiu alcançar, e estamos numa era de retrocessos.

Os interesses monetários estão acima de qualquer coisa, e se...muitas vezes nem o vizinho do lado se respeita, como se irão respeitar os pressupostos de tão ilustre declaração.

Aquando da sua publicação, o mundo tinha saído há pouco de uma Guerra Mundial, massificadora e devastadora em que os direitos humanos foram postos em causa.
Mas nestes 60 anos continuamos a assistir a atrocidades, crimes contra a Humaninade, desleixo para com o mundo em que vivemos.

Se cada um de nós fizesse o seu trabalho de parar para pensar, dedicar-se ao seu próximo e tentar que a sua passagem pela vida terrena fosse o mais serena possível, o nosso globo seria um melhor local para vivermos e nos dedicarmos uns aos outros.

É este o meu pensamento para hoje e a minha homenagem a todos aqueles a quem os seus direitos enquanto seres humanos lhes foram negados.

Hoje celebro os meus 31 anos de vida

e posso dizer que me sinto relativamente bem.

Cada vez mais o dia do aniversário é para mim uma data quase banal, embora goste cada vez mais de estar com os meus, com as pessoas importantes para mim, com aqueles de quem mais gosto e que em todos os momentos têm estado comigo.

Por isso, este ano, digamos que tenho um aniversário com várias celebrações, todas elas muito importantes e dotadas de muita emoção e sentido para mim.

A passagem da meia-noite foi bonita, na companhia do sempre e cada vez mais presente e importante P., o início da manhã com os telefonemas e mensagens daqueles que não esqueço e que jamais me esquecem, o almoço com a amiga do peito R. e mais dois amigos muito especiais, o jantar será em família...recatado quanto baste com a minha sempre amiga e presente Madrinha...e o serão de arromba com os amigos do peito destes e de outros "carnavais" será no próximo sábado.

Ainda dizem que os casamentos das gentes de etnia cigana duram muitos dias...as festividades do meu aniversário para lá caminham e é sem dúvida um bom sinal.
Sinal que estou viva, sinal que estou rodeada dos que mais gosto, sinal que há algo para celebrar e sinal que mais um ano se passou e que o início de mais uma etapa se avizinha, com tudo de bom e de menos bom que lhe esteja reservado.

É de notar o quanto num ano o decurso das coisas muda, e o que é real passa ao inverso e vice-versa. Lembro-me que há precisamente um ano me fizeram uma surpresa algumas pessoas amigas (e outras nem tanto).
As verdadeiras e importantes cá continuam (o meu trigo) e o joio foi separado, os olhos abertos e a realidade posta à minha frente de uma forma sobre a qual não restam quaisquer dúvidas de quem se mantém e de quem possui uma massa de calibre inferior e incompatível com os meus valores.

Até por isso é importante celebrar.

Celebrações à parte, o que há uns anos me parecia muito longínquo, parece neste momento que está cada vez mais próximo...e lá estou eu a caminho dos 40.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

"Já ninguém morre de amor"


Título sugestivo do último livro a fazer parte da minha já considerável biblioteca.

É a primeira obra que leio do Domingos Amaral, confesso que não conhecia a sua escrita, mas...fiquei rendida.

A escassas páginas do fim, posso dizer que a história bem como os seus personagens são contagiantes, o misto de informções de quatro gerações de homens da mesma família, conseguem prender-nos a atenção e desejar que chegue o tão ansiado desfecho.

Não querendo contar a história, para aguçar ainda mais o apetite dos amantes das letras, apraz-me referir que, partindo de um ponto tão simples como o ser ou não possível morrer-se de amor, através das estórias de vida de quatro gerações de uma mesma família de homens viris, passamos ao longo de vários períodos da História mundial, por países tão longínquos como Brasil, Angola e Moçambique, desde o século XIX até aos dias de hoje.

E fica a pergunta...ainda se morre de amor?

...talvez o percurso de vida de Salvador nos dê a resposta a tão ilustre pergunta.