segunda-feira, 31 de março de 2008

Marasmo

Deveria passar-se exactamente o contrário, até porque já estamos na Primavera, mas o que é facto é que com o avançar dos dias parece que a preguiça se está a apoderar mais e mais de mim.

O que inicialmente pensei que iriam ser uns dias de férias "aguerridos" e agitados, no final transformaram-se em dias muito zen, de muito descanso, muitas horas de sono, não cumprimento de horários para as principais refeições...enfim, por momentos parecia estar tudo ao contrário e eu em Portugal a viver mediante o fuso horário dos Antípodas.

Ironicamente, com muito marasmo à mistura, foram dos melhores dias de férias que passei na vida, na companhia de quem mais gosto, e por isso valeu a pena. À parte um surto de sinusite que me fez encostar à box um dia completo, tudo o resto foi perfeito, e cá estou eu de regresso às lides mais mundanas.

E os nossos dias podem ser tão felizes, e tão simples ao mesmo tempo....dá que pensar.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Dia de S. José

Sobretudo para quem é Pai, hoje, dia 19 de Março de 2008 celebra-se mais um Dia do Pai.

O dia em que os papás recebem uma mensagem especial da sua prole, o dia em que as criancinhas mais jovens vêm todas contentes dos infantários e das escolas com os trabalhos manuais feitos por eles como forma de demonstrar o seu carinho ao seu herói, o dia em que as mamãs têm que ir a correr ao centro comercial comprar uma qualquer lembrança com mais ou menos bom gosto para a criança oferecer ao pai.

Acho muito interessante que se celebrem estes e outros dias, mas, tal como oportunamente referi em relação ao Dia de S. Valentim, não concordo nada com as estratégias de marketing que giram em volta destas datas. Ele são as monstras das lojas recheadas de coraçõezinhos e diplomas para o melhor Pai do mundo, ele são os peluches do costume, já para não falar dos pijamas e dos boxers...mas afinal é assim que demonstramos aos nossos pais o quanto gostamos deles?

Não creio. Lembro-me como se o tivesse feito hoje, da prenda para o meu Pai (que nunca tive oportunidade para lhe entregar) que mais empenho teve da minha parte. Não teria mais do que 3/4 anos e a tarefa sugerida pelo infantário foi forrar uma carteira de fósforos em papel dourado - com a ajuda da educadora, pois a nossa destreza com aquela idade não é particularmente digna de destaque.

Depois de forrada, tínhamos que picotar um desenho; lembro-me de ter feito um sol e um boneco de pernas para o ar. E embora o meu Pai não estivesse lá para receber esta prenda feita com tanta dedicação, ficou lá sempre guardada para lha entregar quanto tal fosse possível. Quis o destino que a casa em que vivia fosse assaltada, e os amigos do alheio, vá-se lá saber porquê decidiram levar na sua sacola (a par com outros pertences) a minha obra-prima.

Pois acho que se uma imagem vale mais do que mil palavras, também um objecto feito pelas crianças, por mais insignificante que possa parecer tem muito mais valor do que peças por vezes caras e sem grande utilidade.

terça-feira, 18 de março de 2008

As minhas leituras

Para que fique digno de registo, sou uma amante das letras, das artes, do belo...mas...amante amante, sou mesmo das letras.

Gosto de ler, gosto de escrever e absorvo/retenho sempre muita informação das leituras que faço. O gosto por esta forma de arte foi-me incutido desde cedo, aprendi a ler as primeiras linhas de um qualquer conto de encantar aos 4 anos e desde aí não mais tenho parado. Corrijo, por vezes páro, naquelas alturas em que a disponibilidade mental e emocional não o permite, mas tento ultrapassar rapidamente essas fases menos dadas à minha paixão pelos livros.

Sim, é mesmo paixão. São sem dúvida um factor muito importante na minha vida, não só a nível de aprendizagem, de lazer, mas até de conforto e de companhia. Os meus livros são os meus pertences mais íntimos, fazem parte da minha existência e ocupam um lugar muito especial para mim.

Sei exactamente a proveniência de cada um, sei exactamente a altura da minha vida em que os adquiri ou em que me foram oferecidos, sei com alguma tristeza aqueles que perdi em empréstimos a seres menos correctos que não conhecem o "V de volta" ou o "D de devolução à procedência". Não sou grande coisa sem os meus livros e sem as minhas leituras.

Em conversa com um amigo há algum tempo atrás, comentei-lhe que o meu vício pela leitura depende em grande medida do meu estado de espírito. Aliás, quase tudo na minha vida se pauta por essa variável que cedo se transforma em indicador.

Foco-me em leituras mais simples se estou bem, centro-me em leituras mais complexas quando preciso de colocar as minhas ideias no lugar. Tem acontecido com cada vez mais frequência esquecer os amigos de muitas páginas quando me sinto emocional e psiquicamente cansada - será o avanço da idade que me está a tornar preguiçosa?

No outro dia dei comigo a comprar no hipermercado uma revista feminina, pelo simples facto de ser uma leitura fácil e não me obrigar a pensar...será grave a minha patologia?

Tenho que encontrar a cura urgentemente, porque estou a sentir a falta do aconchego diário, da curiosidade de chegar ao fim daquelas linhas, de descobrir o fio condutor da história.
Ontem à noite obriguei-me a retomar a "amizade". É incrível e algo embaraçoso, mas tenho como livro de cabeceira de há 3 meses para cá o "Equador".
Nunca na minha vida demorei tanto tempo para concluir tal jornada, o livro até nem está mal escrito, embora ache que o Miguel S. T. já tenha criado obras bem melhores. No fundo se calhar a "culpa" nem é do livro em si, mas de mim própria.

Talvez não fosse a altura certa para ler aquele tipo de romance, talvez esteja na fase de ler obras mais complexas...ou talvez não.

Enfim, que indecisão. Resta-me continuar a obrigar-me a ler para saber o final das aventuras de Luís Bernardo em S. Tomé e correr a passos largos para a escrita de Haruki Murakami que me está a encher neste momento o espírito de curiosidade.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Para Ti que és Especial...(Parte I)

Ao longo da nossa vida cruzam-se connosco várias pessoas, algumas vão ficando no nosso coração, outras por vezes desejamos nunca ter conhecido, não por nada em especial, mas talvez porque as "massas" não sejam propriamente compatíveis.
Nem sempre descortinamos as compatibilidades com tanta clareza de espírito como seria desejável, mas a seu tempo algo nos faz parar para pensar, algo nos faz alargar horizontes e ver mais além.

E quando o destino nos resolve pregar partidas/surpresas? Será que estamos preparados para assimilar o que aí vem?

Acredito que sim, basta haver disposnibilidade mental para aceitar o que de melhor nos está reservado como uma espécie de dádiva e viver cada momento intensamente, com toda a intensidade que as nossas forças conseguirem atingir.

Para ti que me alimentas a alma, o espírito, o coração e que sobretudo me fazes tão feliz, e para nós que o signo da Paixão conseguiu juntar...deixo algo que sei que vais gostar.

Gosto-te muito P.

"Sail away with me honey
I put my heart in your hands
Sail away with me honey
Now, now, now

Sail away with me
What will be will be
I wanna hold you now, now, now

Crazy skies are wild above me now
Winter howling at my face
And everything I held so dear
Disappeared without a trace
Though all the times
I tasted love
Never knew quite what I had
Little darlin if you hear me now
Never needed you so bad
Spinnin' round inside my head

Sail away with me honey
I put my heart in your hands
Sail away with me honeyNow, now, now
Sail away with me
What will be will be
I wanna hold you now, now, now..."

quarta-feira, 12 de março de 2008

Miss Euribor

Se me perguntarem neste preciso momento qual é a palavra de que eu menos gosto, sinceramente vem-me à cabeça a tão badalada Euribor.

A Euribor não é mais do que uma taxa interbancária, que corresponde ao valor de capital que os bancos emprestam entre si...mas quem é que vai pagar por isto?

Ora vamos lá conjugar o presente do indicativo do verbo Pagar:

Eu pago
Tu pagas
Ele paga
Nós pagamos
Vós pagueis
Eles pagam

Não é novidade para nenhum de nós que de facto estamos a atravessar um período de crise económica e as alternativas não são propriamente simpáticas para o consumidor em geral...mas...meus senhores, baixando desta forma o poder de compra que tem relação directa com a diminuição do nível de vida, será a melhor solução?

E o que mais me baralha é que num país como os EUA, ao primeiro sinal de crise a Reserva Federal decide baixar a taxa de juro de referência de modo a que os cidadãos não percam a sua estabilidade; pois na Zona Euro processa-se exactamente o contrário. Quanto pior estamos, mais pelintras nos querem pôr.

É um facto que (falando da sociedade portuguesa) os indivíduos querem sempre mais, se o vizinho tem uma tartaruga com asas o outro ostenta no dia a seguir um ornitorrinco mascarado de "Batman", mas também é verdade que a nossa sociedade está cada vez mais competitiva, somos cada vez mais aliciados a aliarmo-nos ao consumo exacerbado...mas há sempre bens essenciais, situações às quais não podemos de todo fugir para termos uma existência com relativa dignidade.

No meu caso específico posso dizer que por culpa da Miss Euribor em apenas 3 anos tive um acréscimo de cerca de 90% a mais na prestação do meu crédito à habitação. Para isto se tornar ainda mais surreal, os meus bancos de quando em vez lá se lembram de me oferecer cartões de crédito com plafons maravilha que não foram por mim solicitados, aprovam-me créditos ao consumo dos quais não tenho qualquer conhecimento. Fazem-no comigo e com a maioria das pessoas; entretanto é recorrente o tema do sobre-endividamento das famílias portuguesas.

Concluo eu que apesar da situação dos nossos mercados de capitais não ser das melhores e das mais desejáveis, a Banca continua a auferir lucros bilionários e nós, os pequenos consumidores acabamos por pagar bem cara a factura que cada vez pesa mais nos nossos estilos de vida.

A culpada não é a Euribor, mas hoje canalizo o meu descontentamento para ela.

segunda-feira, 10 de março de 2008

(In)Segurança

Estamos a viver neste momento um período conturbado e de alguma preocupação no nosso país. O que para muitos era até há bem pouco tempo um rectângulo à beira-mar plantado, onde nada digno de destaque acontecia, está a transformar-se aos poucos num qualquer cenário de filme do "Faroeste" à boa maneira do século XXI.

Infelizmente o cenário é bem real e temos assistido a uma vaga de criminalidade muito violenta, assassinatos à queima-roupa em que os próprios móbiles dos crimes não se encontram propriamente bem esclarecidos.

Pelos piores motivos, estamos a transformar-nos num "país à séria". Falando por mim, tenho algum receio em andar até tarde fora de casa, ando sempre com o carro trancado, não olho para trás quando sou abordada na rua...enfim, leis da sobrevivência.

Mas será que esta onda não vai parar? Um país pequeno, com apenas 10 milhões de habitantes não tem estrutura para se precaver destas situações? A conjuntura não é a melhor,a qualidade de vida está cada vez mais baixa, cada vez mais indivíduos a viver no limiar da pobreza, mas continuamos a viver numa sociedade muito competitiva, quer-se sempre ter mais, não se olha muitas vezes a meios para se atingirem fins.

O que me transcende mesmo é a pouca importância dada à vida humana, o desrespeito pela integridade física dos semelhantes.

É triste que tenha que se matar para furtar, roubar, usurpar.

Estamos sem dúvida perante um grave problema social, que a meu ver, deveria ser tido em conta nos constantes plenários políticos da Assembleia da República, novas políticas de segurança deveriam ser pensadas e postas em prática, pois não faltará muito até que estejamos no roteiro de algumas das cidades mais perigosas do mundo.
E lá continuamos a ser notícia pelos piores motivos.

Resta-me deixar a minha humilde homenagem às vítimas desta violência e esperar que se retire algum ensinamento das situações que se estão a viver nos últimos tempos, para que possamos viver num país um pouco mais seguro e habitável.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Hoje...

Cumpre-se mais uma das minhas efemérides. Foi há precisamente 6 anos que comecei a trabalhar na empresa onde ainda hoje me encontro.

Era na altura uma miúda-mulher idealista, licenciada há pouco mais de 2 anos, com imensos projectos e um idealismo exacerbado, do alto dos meus 24 aninhos.

Fico apreensiva ao parar para pensar que já se passaram 6 anos, que os meus 24 anos já lá vão, entrei nos 30, o idealismo profissional deu lugar ao comodismo, ao conformismo, à desmotivação e à desilusão.

Eu, que era uma pessoa com alguma clareza de raciocínio, alguma garra, alguma vontade de aprender, de fazer coisas novas...pasme-se quem melhor me conhece, estagnei. O meu índice de motivação deve estar na escala negativa, e, muito sinceramente deixei de acreditar em toda esta estrutura.

É certo que todos passamos por estes momentos, há projectos melhores do que outros, mas cheguei à conclusão de que o meu know-how sofreu um forte revés, talvez tenha perdido algumas capacidades de arriscar (a idade também nos faz assentar os pés na terra) e cheguei a uma situação pouco vantajosa, aguerrida e competitiva para mim.

O que tinha para aprender já aprendi, e sinto que de dia para dia vou coleccionando menos-valias. Basicamente porque vivemos num país em que as capacidades intelectuais aliadas às capacidades de trabalho raramente são tidas em conta, as pessoas não são valorizadas por isso, sendo pautadas as suas avaliações por critérios mais ou menos claros, mais ou menos justos e transparentes.

Não tenho outra alternativa senão traçar um plano de contingência para reverter a situação e encontrar algures em mim o idealismo e a garra algures adormecidos.

domingo, 2 de março de 2008

Parabéns Pai!

O meu pai faz hoje anos. Não sei ao certo quantos, mas se não me falham as contas devem ser perto de 56 anos, mais ano menos ano.

Nunca comemorei com Ele um seu aniversário, nem me lembro de ter comemorado um dos meus na Sua companhia. É pena, sou carne da Sua carne, derivo Dele, a minha herança genética também é a Dele, enfim, tanto e tão pouco.

A vida lá nos vai pregando as suas partidas, lá tem momentos em que nos trata melhor, outros em que nos trata pior, e sem dúvida que uma das minhas mágoas é não saber o porquê da Sua ausência. Porque é que há pais que ao se divorciarem entre si, teimam também em divorciar-se dos filhos?

Hoje não tenho dúvidas que um dos amores maiores é entre pais e filhos...mas porquê o abandono?
Serão os outros projectos de vida tão ou mais importantes que façam com que se perca o primeiro sorriso, a primeira palavra, os primeiros passos, o primeiro dia de escola, as aventuras do liceu, a Queima das Fitas...os amores e desamores.

E pergunto-me muitas vezes...Porquê Pai? Onde quer que estejas há muitas perguntas sem resposta, duvido que algum dia as veja esclarecidas, mas o sangue é forte também e, estejas onde estiveres...a tua filha deseja-te um Dia Feliz.