sexta-feira, 23 de maio de 2008

Dias Difíceis

Contrariamente ao exemplo de Samuel Beckett na sua peça "Dias Felizes", posso dizer que estes últimos dias têm sido no mínimo difíceis.

Há dias assim, semanas assim...parece que tudo à nossa volta teima em correr mal, e das poucas coisas que correm bem, temos a capacidade de as estragar e destruir.

Olhamos à nossa volta e parece que tudo o resto está ao contrário, com valores e normas diferentes dos nossos. Começo a concordar que as catástrofes naturais por esse mundo fora baralham completamente o nosso ecossistema interno.

É o cansaço, a desmotivação e acima de tudo a necessidade de umas grandes férias que estão a falar mais alto.

Como as férias ainda são uma miragem, resta aproveitar o fim de semana que se avizinha e aproveitar ao máximo os sempre bons momentos entre amigos (se se proporcionar) e com o P (sempre).

sexta-feira, 16 de maio de 2008

"Blindness"

Como apreciadora de cinema que sou e das grandes obras, não podia deixar de dedicar um comentário ao mais recente filme de Fernando Meirelles "Blindness".

É um filme que ainda não vi mas que visualizarei oportunamente, conheço tanto a obra que deu origem a esta película, como o realizador através do fantástico filme "A Cidade de Deus".

As minhas expectativas estão de facto num parâmetro muito elevado, mas também não espero menos do que suplantá-las, pois ter a honra de abrir o Festival de Cinema de Cannes não é para todos os realizadores nem tão pouco para todos os filmes.

Pessoalmente, e perdoem-me todos aqueles que gostam do escritor em causa, não gosto particularmente de José Saramago mas como tudo na vida e sem radicalismos à mistura, gosto de alguns dos seus escritos e de todas as obras que li, aquela que retenho é sem dúvida o "Ensaio sobre a Cegueira".

Uma realidade que, analisada daquela forma é muito interessante, uma crueza e ao mesmo tempo o fazer-nos pensar no que está escrito nas entrelinhas. Muito para além de um grupo de pessoas que ao ser "atacado" por uma rara epidemia que lhes ocasiona a cegueira total, pessoas essas que são depositadas num "armazém" para infectados; aí assiste-se a todo o tipo de relações humanas que se possa imaginar, mais ou menos dignas, mais ou menos honestas, mais ou menos aceitáveis.

No fundo com cegueira manifesta ou não, são as relações humanas do mundo em que vivemos e "o pior cego é aquele que não quer ver".

Acredito que o filme seja de facto extraordinário e faça jus à obra em que se inspirou; eu vou vê-lo e espero que os amantes da sétima arte recebam bem esta ob ra.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Pelos Caminhos da Fé


Maio é também um mês de grande importância para a comunidade judaico-cristã, em particular para os que professam a Religião Católica.


No meu caso específico não posso dizer que tenha sido educada acerrimamente segundo todos os pressupostos desta ideologia, mas foram-me sendo transmitidos ao longo do tempo valores que até hoje regem a minha personalidade e o meu livre arbítrio.


Possuo o sacramento do baptismo e mais nenhum, creio que quando tiver descendência, fomentado por mim, será o único sacramento que farei questão que detenham.


Tudo o resto estará ao seu critério, assim como a escolha da religião que queiram seguir e consequentes confissões.


Tenho uma visão muito própria da Religião, dos Caminhos da Fé e de Deus, visão essa que muitos entenderão como confortável. Conheço a Bíblia, conheço as teorias do catolicismo melhor que as de outras religiões, e por isso adoptei há muitos anos uma posição de respeito por tudo o que considero razoável e indignação para extremismos, exageros e fantochadas.


Não sei se a Nossa Senhora apareceu ou não aos pastorinhos, não sei se Noé construiu ou não a famosa Arca e intriga-me o Mistério da Santíssima Trindade, mas confesso que se a fé não move montanhas...para lá caminha.


Assisti por mais um ano via comunicação social a mais uma celebração do 13 de Maio e confesso que a romaria das multidões me continua a emocionar; o desespero de algumas pessoas espelhado no seu rosto, o espírito de sacrifício a percorrer uma quase via sacra, o cumprir de mais uma promessa, o pagamento de uma dívida à Virgem...e a crença de que tudo pode melhorar, basta acreditar.


O meu bem haja para quem por esse mundo fora consegue ser crente ao ponto de tentar o bem para si e para os outros através da Religião e que através Dela procure um sentido para a vida.

Para mim, sendo crente ou não, a minha demanda não mais é do que a busca de tranquilidade e acima de tudo alguma paz de espírito.


Prefiro Fátima sem multidões mas admiro a coragem e o esforço de quem por todos estes anos lá vai passando em meses de celebração.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Quebrar Regras (...só para quem pode!)

Se há característica que eu admiro nos seres humanos é a posse de sentido de justiça, e se valorizo essa qualidade nos outros, posso dizer que também eu tento na medida do possível sê-lo nas diversas situações do dia-a-dia.

Uma das notícias do dia de hoje é que o nosso excelentíssimo Primeiro Ministro José Sócrates no seu voo para Caracas a fim de ter um encontro com o sui generis Hugo Chávez, terá fumado uma quantidade generosa de cigarros, a par com tantos outros membros da sua numerosa comitiva.

Eu até simpatizo bastante com o Sr. em questão, considero-o um bom político, lá vou concordando com algumas das suas medidas mais ou menos polémicas e acho sinceramente que, apesar da conjuntura, será um dos melhores primeiros-ministro que tivemos nos últimos anos.

Mas...pasme-se o descaramento. Se desde o passado dia 01 de Janeiro vigora a lei da proibição de fumar em espaços fechados devidamente identificados, aeronaves incluídas, porque raio é que uns podem e outros não?

Se vivemos numa democracia, por vezes tenho as minhas reservas, já que um dos seus principais fundamentos é a igualdade de direitos e de deveres, válido para todos sem excepção.

Pois aqui lanço o desafio...experimentem lá a acender um cigarro num voo para um destino mais ou menos longínquo, fumem descaradamente e depois venham lá contar-me o que vos aconteceu.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Saudações Académicas

Para quem é ou já foi estudante universitário, o mês de Maio é o mês das Academias por excelência.

É para muitos que todos os anos se opera o virar de uma página e o recomeço da escrita de outra, que mais não são do que as páginas das nossas vidas, das nossas memórias e de tudo o que estará para vir.

O mês de Maio de 2000 foi um dos meses, um dos ritos que não esqueço, rito esse que me é relembrado todos os anos. É indescritível o que nós sentimos quando estamos perante o fechar de uma etapa...foi nessa altura que senti o peso dos anos, o peso de alguma cultura, de relativa sabedoria no nicho que escolhi para mim e para o qual tenho vocação, o peso da responsabilidade.

Saber que daí para a frente nada iria ser como dantes, saber que iria começar a estar por minha conta e risco, provar uma certa independência, fazer cada vez mais as minhas escolhas, ser responsável por elas e assumir os seus riscos e consequências.

Sim, foi aos 22 anos que de facto me senti a entrar na vida adulta, até aí era apenas uma menina cujas escolhas e comportamentos eram moldados muito mais pela vontade parental.

Posso dizer que a par com escassas situações, foi dos dias mais emocionantes da minha vida. A capa negra pesa-nos nos ombros, as palavras de incentivo de Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa emocionam-nos (mesmo para quem não segue acérrimamente os desígnios da igreja)...mas naquele dia todas as emoções vividas nos tocam de uma forma que nem sequer imaginamos ser possível.

O esforço de anos e anos de estudo, de luta, de noites mal dormidas, de classificações finais mais ou menos adequadas ao nosso esforço é reconhecido, celebrado e festejado juntamente com os nossos semelhantes e com as pessoas que são mais especiais para nós.

Alguns comentem excessos...mas...desculpem qualquer coisinha, a nossa Queima das Fitas apenas se vive uma vez.

Saudações Académicas para todos os laureados deste ano e boa sorte para o futuro profissional que se avizinha.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O Poder Terapêutico (e não só) da Sesta

Sempre pensei que o gosto extremo por este hobbie com o passar dos anos (das décadas) fosse passando ou deixado para segundo ou terceiro plano, mas não.

O avançar da idade não o atenuou, mas também não o agravou...digamos que estou na mesma.

Tenho uma capacidade inata para dormir horas a fio digna de estudo; quem quiser colocar-me num tubo de ensaio tem aqui um objecto de estudo no mínimo sui generis e capaz de proporcionar uma ou outra conclusão no mínimo insólita.

O que hei-de fazer...gosto de dormir, o meu cérebro e o meu corpo precisam de algum descanso para retemperar energias, sim, porque os anos passam e não perdoam (eu e os meus lamentos).

Hoje então é daqueles dias em que se pudesse tinha passado da cama directamente para o sofá, sem passar pela casa partida e sem receber 2 contos. Ainda lá estaria literalmente a bezerrar.

Mas enfim, ainda faltam 2 dias até poder fazer a minha merecida sesta da tarde que, segundo a minha saudosa avó dizia há alguns anos atrás, me faria crescer e ficar com os olhos bonitos.

Palavras sábias as da minha avó.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Maio (1968-2008)

E cá estamos nós no mês de Maio, altura em que se cumprem os 40 anos do Maio de '68.

Para a geração dos meus pais a passagem destes 40 anos, será mais um "parece que foi ontem"; para as gerações vindouras, talvez ainda vivam hoje o resultado de uma revolução que trouxe os seus aspectos positivos até aos dias de hoje.

Quando os estudantes decidem sair à rua, muitas mudanças se operam, muitos excessos se cometem (não nego), mas nada fica como era antes.

E tudo começou com a revolta estudantil liderada pelo então jovem rebelde Daniel Cohn-Bendit e a consequente ocupação da Universidade de Paris X (Nanterre) ao que se seguiu a ocupação da emblemática Sorbonne. As universidades são encerradas, os gritos da discórdia e da insatisfação saem à rua, o descontentamento face a uma sociedade castradora e um sistema de ensino obsoleto acabam por se alastrar a muitos outros quadrantes da sociedade e a classe trabalhadora junta-se aos ecos da revolução estudantil.

Greves, paralisações, violência, carência de meios essenciais de subsistência...Paris esteve a ferro e fogo.

Mas, não nos esqueçamos que toda esta revolta foi um marco na nossa História, as mentalidades mais conservadoras sofreram um rombo no seu casco e se temos acesso a muitos dos direitos sociais e a muita da liberdade de expressão que temos hoje, muito o devemos a revoltas como o Maio de '68 e o 25 de Abril de 74.

Cada vez acredito mais que uma contestação bem estruturada e com ideais bem definidos pode mudar positivamente o rumo da história e a vida das sociedades vindouras.