quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ontem o meu jantar

foi um magnífico arroz de coelho que o P. preparou para nós.

Confesso que coelho não é das minhas carnes favoritas, talvez pelo seu sabor intenso, mas a forma como foi feito, com tanto carinho, dedicação e uma excelente mão para a cozinha, fizeram daquela refeição uma das minhas preferidas dos últimos tempos.

Estava bom, bom, bom.

Pena foi o cansaço ter pesado tanto, que enquanto eu me deliciava com o repasto, o P. olhava para mim com os olhos semi-cerrados e totalmente "bêbedo" de sono.

Acho que hoje ainda não te disse o quanto te amo.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Memórias de Eduardo Prado Coelho (...subscrevo)

Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25/08/2007), deixou esta reflexão,sobre todos nós, por isso façam uma leitura atenta.

Precisa-se de matéria prima para construir um País

*Eduardo Prado Coelho - in Público*

"A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada,tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ....e para eles mesmos." (sic) E aqui, incluo eu, onde empregados menos honestos ainda passam horas infinitas em conversas de copa e corredor, fazendo de conta que executam o seu trabalho na perfeição, mas deixando sempre os seus podres e marcas camuflados. Estes são os ovacionados, à conta da venda que fazem de si próprios, enquanto que dos outros (os competentes, íntegros e honestos) não reza a história.

"Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração deIRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país: - Onde a falta de pontualidade é um hábito; - Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. - Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos. - Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. - Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.

Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns. Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.

Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar. - Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. - Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta. Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa. Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converterem casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte... Fico triste. Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados! É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias. Nós temos que mudar.

Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO. E você, o que pensa?.... *MEDITE*!"

*EDUARDO PRADO COELHO*

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O alter-ego do Xá

Dá-nos tantas alegrias e partilhamos tão bons momentos com ele, que é impossível deixar de dedicar também aqui um espaço ao meu Xá.

Nunca tinha tido um animal de sangue quente para cuidar; apenas os peixinhos, as tartarugas e os cágados do costume, e nem sabia o que tinha perdido ao longo de todos estes anos.

Se bem que ter um cão me agradasse muitíssimo, acho que o fiel amigo necessita de espaço, ar livre, para que a sua vivência seja o mais feliz possível, daí que um T2 fechado não seja propriamente o sonho habitacional de qualquer cão.

Os gatos já são seres diferentes, em porte, em dimensão, em espaço que ocupam, em necessidades fisiológicas, enfim...é bem mais fácil coabitar numa tipologia T (pequena) com uma criatura desta família.

O Xá continua a ser um gato extraordinário; não tão independente como eu esperei (e ainda bem), talvez derivado às horas que passa sozinho, é um ser expressivo, meigo, brincalhão e que me faz olhar para ele e sorrir de alegria e satisfação, só pelo facto de existir na minha vida.

É incrível o que um companheiro de quatro patas pode significar para nós.

Mas então não é que a "bicheza" para além de dormir aos nossos pés em cima da cama, também deu em dar dentadinhas de amor?

Tenho pois um dois em um; um gato persa lindíssimo, com comportamentos de cachorrinho.

Viva o Xá.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Estar ausente

Ultimamente, aliás, deveras ultimamente, posso dizer que não ando nada virada para as lides intelectuais e orais, lidas e escritas.

Ando cansada, exausta mesmo, sem tempo para nada, ninguém e sobretudo para mim própria.

É desagradável chegar ao estado em que me sinto agora, sobretudo quando se tem 31 anos e uma vida inteira pela frente (seja lá isso o que for) com todas as conquistas e derrotas inerentes, mas estou de facto a ultrapassar o limiar da exaustão.

Talvez tenha imposto a mim mesma metas de elevada fasquia para conquistar em pouco tempo, e o resultado é concluir que as 24 horas do dia não são suficientes para se fazer tudo a que por vezes nos propomos.

E todos os sacrifícios que tenho (temos eu e P.) feito, começam a ressentir-se no meu peso que está a diminuir, na minha pele completamente desidratada, no meu cabelo sem brilho e no meu cansaço e falta de paciência para me dedicar a coisas banais do dia-a-dia e que nos dão tanto prazer, tal como uma ida ao cinema (xiii, o que é isso), um jantar com amigos e o tempo de qualidade com as pessoas mais chegadas.

Peço desculpa a todos pela minha indisponibilidade nos últimos quase 11 meses; esta minha "vida dupla" embora me esteja a tirar muita coisa, está a proporcionar-me muitas outras e quero acreditar que depois da tempestade vem a bonança, e que todo o meu esforço, o meu empenho, algum sacrifício e vontade de que algo mude para melhor, terá concerteza o seu desfecho.

Tenho aprendido que o ser humano tem uma resistência sem limites e que se quisermos alcançar certos sonhos, com muito trabalho e dedicação teremos os nossos resultados; ainda que um pouco ao lado e nem sempre tão positivos como seriam de esperar, mas o nosso esforço mais cedo ou mais tarde acaba por atingir a sua meta.

Espero continuar a manter as forças para lutar, para batalhar, para trabalhar e conseguir chegar ao fim da jornada com alguma conquista, respirar fundo...descansar e certamente dizer para mim mesma..."boa miúda, valeu a pena".

PS: E claro, P. faz sempre parte integrante de toda esta conquista, luta e esforço, ele e o seu feitio "soviético"

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A Fonte Secou de Saudade

Definitivamente não consigo lidar com a saudade e com sentimentos de perda.

Há quem diga que o passar do tempo ajuda a curar tudo, que as feridas saram, mas comigo passa-se exactamente o oposto.

O passar do tempo só me faz pensar mais, só me faz lamentar mais, só me faz sentir mais e mais saudade.

...E cada vez sinto mais saudades, por exemplo da minha avó. Dei comigo a pensar no outro dia, no caminho de casa para o trabalho que há tantos anos que não a vejo e tenho tantas coisas para lhe contar, apetece-me tanto deitar a minha cabeça no seu colo, receber as suas festinhas e o beijinho na ponta do nariz....mas nunca mais o vou poder fazer.

Com os condicionalismos da vida e a loucura do dia-a-dia, perdi muitas oportunidades de o fazer e de o obter, e agora é tarde. Restam-me as suas memórias e as suas recordações.

Está entre as pessoas mais importantes da minha vida e sem dúvida é a que mais falta me faz.

A sua tenacidade, a sua força, o seu espírito, a sua alegria, a sua dignidade, a sua veracidade, a sua personalidade, vivacidade, honestidade, capacidade de trabalho, são de facto irrepetíveis, e neste momento o que mais me reconforta é saber que pude privar com ela, e que posso dizer que sou (fui) sua neta.

E como ontem ouvi uma música na televisão que me fez lembrar tanto Ela, aqui deixo a sua letra, como mais uma homenagem:

A Lenda da Fonte

Maria do monte, nascida e criada
Na encruzilhada que fica defronte da fonte sagrada
A lenda é antiga, mas há quem a conte
Que descia o monte uma rapariga
P'ra beber na fonte

E áquela hora por ela marcada de noite ou de dia
O Chico da Nora na encruzilhada esperava a Maria
Seguiam depois, bem juntos os dois, ao longo da estrada
Matar de desejos, a sede com beijos
Na fonte sagrada

Mas um certo dia, como era esperada
Na encruzilhada não veio a Maria à hora marcada
Seus olhos divinos p'ra sempre fechou
Aldeia rezou, tocaram os sinos
E a fonte secou

E áquela hora por ela marcada de noite ou de dia
O Chico da Nora na encruzilhada esperava a Maria
Mas oh santo Deus, escureceram- se os céus, finou- se a beldade
E diz- se no monte que a velhinha fonte
Secou de saudade

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Metamorfoses

"Sobre a natureza humana
Apenas temos uma certeza: a de que muda"

Oscar Wilde


Oh...se muda.