quarta-feira, 27 de junho de 2007

Dias de Aniversário

Em dias de aniversário vêm-nos muitas coisas à memória, muitos pensamentos e divagações. E de facto há inúmeros acontecimentos do nosso dia-a-dia que são por nós recordados, seja pelos melhores ou pelos piores motivos.

Confesso que o dia do meu aniversário me proporciona sentimentos contraditórios; se por um lado é importante celebrar o facto de estarmos vivos e de estarmos rodeados pelas pessoas de quem mais gostamos, por outro é inevitável lembrarmo-nos de quem já partiu, de tudo aquilo que ainda não alcançámos e de todos os erros que fomos comentendo. Mas enfim, hoje não é de todo o dia do meu aniversário, vamos lá deixar essa neura/euforia para o dia 10 de Dezembro.
Basicamente hoje é um dia particularmente triste para mim. Lembro-me que há precisamente quatro anos atrás estava um dia bonito, solarengo e com algum vento, semelhante ao dia de hoje.
Foi no dia 27 de Junho de 2003, podia ter sido noutro dia qualquer, mas...aconteceu. Foi o resultado de muitos momentos de ponderação, de muitos momentos de luta com a consciência, aquelas lutas que nos deixam "entre a espada e a parede". Mas as decisões têm que ser tomadas e é importante que tentemos decidir nos momentos cruciais da nossa vida qual o caminho a seguir, que sonhos queremos ver cumpridos e acima de tudo encontrar algum equilíbrio emocional.
E a maior parte das vezes as alternativas não são razoáveis nem sequer se deve falar em ganhos e perdas, porque se assim for, há precisamente quatro anos baixei as armas e perdi a batalha, desisti. Mas...a proximidade emocional continua a existir, os laços de sangue falam mais alto e tendo a perfeita noção de que isso já devia ter acontecido há muitos e muitos anos (para benefício de ambas as partes) o cordão não foi cortado e apesar das mágoas e das feridas que teimam em não sarar.....fazes-me falta!
Fizeste o melhor que sabias e o melhor que podias com a rigidez e a rectidão que te são características, quase sempre chocávamos de frente ou melhor em todas as direcções. Mas continuas a fazer-me falta.
Apesar das nossas divergências amo-te, respeito-te, sinto a tua falta e a falta dos poucos (mas que estão gravados na minha memória) momentos de cumplicidade que conseguimos ter desde o dia em que nasci. És e sempre serás o meu amor maior Mãe, e tenho a certeza que a Tanokas e a Bibocas também serão os teus.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

S. João dá cá um balão para eu brincar!

Finalmente parece que chegou o Verão, estava a tardar...mas eis que em dia de Solstício ele lá deu o ar da sua graça.
Para não fugir à tradição 21 de Junho é o seu dia. Temos que agradecer ao S. João e ao S. Pedro que está para chegar, o facto de terem trazido o bom tempo com eles.
Não posso dizer que prefira o Verão ao Inverno, ambas as estações do ano têm o seu encanto e se, por um lado, a praia e o sol me alimentam a alma, os dias de Outono e Inverno mais sombrios e chuvosos dão azo a muitas outras coisas.
Digamos que estamos na fase de um valente gelado ao luar, e no Inverno o saudoso cacau do Mercado da Ribeira...que saudades!
Alguém me sabe dizer se ainda se bebe cacau a altas horas da madrugada na Ribeira, ou foi mais uma tradição lisboeta que se perdeu?
Lá diz o ditado, a tradição já não é o que era, mas há coisas que se vão mantendo. Agora sim estamos a entrar em clima de férias, a temperatura sobe e a adrenalina aumenta.
A "criançada" a entrar numas ricas férias (grandes vidas) e todos nós a aguardarmos pela nossa vez.
Sim, já lá vai o tempo em que eu também tinha direito a três meses e tal de férias. Que ideia mais longínqua essa, estou a crescer. Mas tudo tem o seu tempo, as experiências vivivas estão reservadas ao espaço das memórias e para a frente é que tem que se seguir e dar as boas-vindas a este tímido Verão que, ao que parece, fez das suas à "Prima Vera" e ofereceu-lhe umas férias prolongadas na Estância Invernal; deixou-a lá sozinha e preferiu usufruir da nossa companhia, dos nossos sorrisos e da nossa animação.
E agora desculpem, mas o Sol chama por mim. Uma Sagitariana como eu, com um ascendente em Leão e ainda por cima Sportinguista (lagarta) precisa de recarregar baterias. A toca espera por mim no Inverno em tempo de hibernação.
S. João, S. João, S. João dá cá um balão para eu brincar!

segunda-feira, 18 de junho de 2007

"Obrigado por Existires"

A vida tem destas coisas, e quando pensamos que já nada nos surpreende, eis que...mais um tropeção, mais qualquer facto que saiu fora dos planos.
Por norma quando isto acontece, raramente é bom sinal, pelo menos analisando os acontecimentos a frio.

Mas, também somos surpreendidos pela positiva. Ontem tive um dia não, daqueles mesmo parvos em que tiveram que me arrancar de casa para tomar um simples café na "taska" da esquina. Tirando os pequenos estados de euforia perante a realidade que está a ser remodelar a minha sala, foi mesmo um dia parvo...para culminar, nos dias parvos temos tendência a atrair situações para as quais nessas alturas estamos menos preparados para digerir.

Enfim, um programa na SIC acerca das crianças com cancro no IPO; fiquei devastada, a realidade é muito dura e acabei por rever indirectamente todo o sofrimento passado há uns atrás com a doença e posterior "desaparecimento" da minha avó.

E é impossível não passarmos para questões metafísicas e transcendentais, justiça...etc. Mas quem sou eu para julgar a ordem natural das coisas.

E eis que no fim de um dia não, oiço um "Obrigado por Existires", assim, sem ter batido à porta, sem se ter feito anunciar condignamente....a recompensa, a palmadinha nas costas, o go on e a certeza de que a amizade e o carinho pelo próximo são dos sentimentos mais importantes que devemos reservar e partilhar acima de tudo com os nossos amigos e com todos os que nos são mais próximos.

Por isso aqui deixo um tributo aos meus amigos e a todas as pessoas que são importantes para mim: Obrigada por existirem na minha vida, pelos sorrisos que me fazem deixar escapar, pela vossa amizade, pela vossa força...e por serem quem são.

domingo, 10 de junho de 2007

Dias Felizes

"Ah well, what matter, that's what I always say, it will have been a happy day after all, another happy day." Winnie

E aqui está tudo o que é necessário reter, conheça-se ou não a Winnie ou a proveniência deste trecho. Para mim a peça Dias Felizes é uma das obras maiores de Samuel Beckett; como é que uma mulher enterrada na areia até ao pescoço, ainda consegue ter esta grandeza de espírito perante a vida e mais um dia que passou.

Diremos nós que não passa de um texto, uma peça que vista nalguma sala ilustre nos faz rir ou chorar, nos desperta várias emoções...atrevo-me a acreditar que pode ser também uma lição de vida. Porque não encontrarmos algum resquício de felicidade num dia "mau", em vez de apenas retermos a infelicidade? Será porque é mais simples irmos pelo lado mais fácil e lamentarmo-nos pelo que de mau aconteceu, em vez de retirarmos sempre uma lição positiva e continuarmos a agradecer pelo simples facto de estarmos vivos e continuarmos a ser capazes de partilhar a nossa existência com o mundo que nos rodeia?

Há perguntas que vão ficar sempre sem resposta, até porque as respostas muito simples e sem grande sumo raramente me satisfazem. Mas...vou seguir ainda que paradoxalmente a linha de pensamento da Winnie e acreditar que apesar de tudo foi mais um dia feliz!

PS: Alguém é capaz de me explicar porque é que nos agarramos tanto às experiências menos boas, e não valorizamos as pequenas coisas que no dia-a-dia nos fazem sorrir?

domingo, 3 de junho de 2007

Converti-me à comida Japonesa

Cada vez mais me convenço que dizer "Eu...nunca!", mais cedo ou mais tarde dá origem a um..."pois....realmente".
Será falta de personalidade não levar até ao fim a primeira convicção? Ou será que o instinto de descoberta fala mais alto?
Sinceramente ainda não consegui apurar a fundo essa situação, embora mantenha a convicção de que Nunca irei comer enguias, ou pernas de rã, ou mesmo arroz de lampreia. Tudo isto por uma questão de princípio...nada mais.
Mas eis que as minhas convicções não estão assim tão fortes no que respeita a outras situações;entre a repulsa de fazer festas a uma cobra e sentir a sua textura, optei pela segunda. Entre o "morrer" estúpida e participar em acrobacias aeronáuticas, lá optei eu pela segunda e assim sucessivamente.
E em muitas situações na vida tem sido assim, às vezes saio-me mal, outras vezes sou surpreendida pela positiva.
E eis que surge a minha incursão pelas iguarias nipónicas.
Primeiro surgiu como um desafio por alguém que me quis iniciar (parece quase um ritual maçónico dito desta forma) no gosto pelos paladares exóticos da comida Japonesa, acabei por não ser guiada pela pessoa inicial, mas....lá dizia o outro que o "que tem que ser tem muita força" e tudo se desenrolou como o previsto, ou quase.
A ideia inicial era a Bica do Sapato....fechado para férias em pleno mês de Junho, enfim, cada um goza férias quando quer, ou quando pode.
Depois de muito rolar, e escolher por aqui e por ali, lá fomos dar a um Restaurante Japonês em Alcantâra que recomendo a quem quiser experimentar.
E não é que, com todo o meu cepticismo à mistura, a ideia pré-concebida de que o peixe cru não é propriamente uma iguaria que faça o meu género....me converti?
Adorei, adorei, adorei! Desde as entradas, passando pelo Sushi, envolver bem no molho (que sinceramente não achei nada picante) e degustar com calma...posso dizer que foi um jantar soberbo.
E sim, tenho que dar a mão à palmatória, de facto não se sente que o peixe está cru e experimenta-se um sabor incomparável a tudo aquilo que já experimentei.

Numa palavra...rendi-me!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

E porque não começar pelo início

Começo já por não concordar com este título, porque se fosse mesmo a começar pelo início lá viria a teoria do Big Bang, ou para agradar a outros a estória da maçã e da serpente, da Eva e do Adão...e não é de todo a este início que me refiro.
Tenho a perfeita noção de que este blog vai ter muitos passos à frente e atrás, mas apraz-me referir que uma das motivações para perpetuar algumas memórias (nem todas) foi o facto de durante algum tempo ter seguido com particular atenção um blog em específico (e perdoem-me os restantes que também segui e sigo com atenção), que a seu tempo me causou algum fascínio, pela escrita, pelos temas, pela frontalidade...enfim e por muitas coisas mais.
Ora realmente parece uma frase ou uma constatação "feita", mas acrescento ao ditado "olha para o que eu digo e não olhes para o que eu faço" a palavra escrevo, porque de facto seja com blogs, com conversas entre amigos, ou inimigos, chats, enfim conversas de net e por aí fora, na maior parte das vezes nada é o que parece, sendo que a tendência é para ser tudo sempre bem pior do que aparenta.
Podia dizer que sou uma grande individualidade e consequente sumidade nas questões da Genética Quântica se é que isso existe, poderia também acrescentar que um Guru da Idade Média me contactou por telepatia em pleno cemitério do Alto de São João dizendo-me que daqui a 105 anos na minha próxima reencarnação irei ganhar o Prémio Nobel sabe-se lá de quê. Enfim...mas com que objectivo;o saber que essas barbaridades foram lidas e comentadas, será que isso alimentaria o meu ego??
Viva o alimento e o ego...mas que seja por razões um bocadinho mais interessantes. Dizer barbaridades...SIM, mas não há necessidade de fazermos crer algo que não somos, fazer parecer algo que nunca conseguiremos ser.
Pois bem, para quem me conhece sou apenas neste momento uma mulher com os seus 29 anos e meio, nunca mais chega a altura de dizer 29 anos e 3/4 (ai que saudosismo do adolescente Adrian Mole aos seus 13 anos e 3/4), Socióloga que gostava de ter sido Jornalista (mas a minha mamã não queria uma licenciada em Comunicação em casa)...mas levei a minha ideia avante, pois especializei-me na área da Comunicação. Por razões do destino neste momento a Sociologia ocupa um 2º plano na minha vida, mas em breve conto voltar ao ISCTE, retomar o espírito académico que me deixou um bichinho adormecido algures por aqui, desenvolver novos conhecimentos, aprender outras coisas e quiçá ter a coragem de dar um tiro no escuro e seguir aquilo que há muitos anos penso fazer.
Vá lá, dêem-me força. Porque quando eu voltar aos bancos da Faculdade, vão ter que me aturar as birras, darem-me ideias para os meus trabalhos, servirem de cobaias para as minhas entrevistas....e eu vou olhar para vocês e "chuchar" no dedo quando vos vir ir para as borgas e eu até às tantas a ter que redigir um trabalho que infelizmente deixei para o fim.
Enfim, sei que muitos que a seu tempo vão partilhar estes meus devaneios, já me conhecem há muito, mas para quem não conhece a Tânia sem artefactos é uma pessoa como tantas outras, que ainda tem a pequenina esperança de que pode mudar o mundo, quanto mais não seja numa escala ínfima, mas capaz de conseguir proporcionar um sorriso de quando em vez.
Tenho bastantes imperfeições e defeitos, algumas qualidades e virtudes mas acima de tudo quero estar bem comigo e com aqueles com quem partilho a minha existência...gosto de rir até às lágrimas, se bem que cada vez é mais difícil isso acontecer com frequência.
Enfim, para primeiro post não vos quero dar uma grande seca, mas digam lá que a minha foto em Barcelona ao pé do Museu Picasso não está gira!!!
PS: Para quem ao longo de tantos anos insistiu para eu me render à aventura dos blogs, quis o acaso que vos fizesse agora a vontade. Contentes?
E não, não sou narcisista ao auto intitular-me de Goddess Afrodite, sou gira, mas não tanto; a explicação fica para depois.