quarta-feira, 8 de abril de 2020

Mesmo em tempos de confinamento, a vida segue

E por isso, hoje tive que ir deixar o carro à oficina, dado que tinha uma revisão programada há mais de um mês e estas acções estão consideradas no Estado de Emergência. Para mim que já trabalhei numa prisão, confesso que esta situação me levou àqueles anos. Houve algo que me fez lembrar o que é experienciar uma certa reclusão - chegar à oficina, estacionar o carro, vir um funcionário "mascarado". Depois, no local onde é habitual termos a recepção, cerca de um metro e meio antes do balcão, uma linha no chão marca o local a partir do qual não podemos transpor.

Falamos de longe, o senhor não vai connosco ao carro e para explicar certas coisas, tive que apelar à minha imaginação. No sítio "x" ao lado do ponto "y" existe uma coisa que gostaria que verificassem, bla bla bla.

No fim disseram-me para deixar a chave na ponta oposta do balcão, seguindo sempre a linha intransponível no chão e....sair. A minha sorte é que tenho uns braços compridos, porque se fosse "rodas baixas" teria mesmo que transpor a dita linha. Muito automatizado, escassa ou inexistente a vertente mais humana. É o necessário nos tempos que correm, mas não deixa de ser estranho.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Mais uma Grande, Catarina...

Catarina, filha de Salgueiro Maia e defensora das mulheres de limpeza do Luxemburgo - DN: Faz no sábado 28 anos que morreu o herói do 25 de Abril. No meio da pandemia, a filha, Catarina Salgueiro Maia, defende agora os direitos das mulheres de limpeza no Luxemburgo, suas camaradas de labor há três anos. Nessa luta, presta também homenagem à memória do pai.

domingo, 5 de abril de 2020

O desleixo pessoal e não só, sempre me irritou um pouco

Aquelas justificações parvas que se utiliza para não nos cuidarmos convenientemente...sim, eu estava a entrar nessa. Já desde o primeiro dia de isolamento que não fazia a minha rotina de limpeza da pele como deve ser, desde o básico, passando pela aplicação do creme de dia/noite, creme de olhos, sérun, hidratante...dizia eu para os meus botões que não valia a pena e limitava-me a lavar a cara com sabonete.

Isto nem parece meu...com uma pele tão sensível e que precisa de hidratação diária, estava a habilitar-me a sair disto com uma pele seca e sem vida. Posso até morrer, mas vou em bom!

Portanto, lutando contra a minha própria inércia, pus um travão ao meu modo deprê, e voltei para ficar 🙃

sábado, 4 de abril de 2020

sexta-feira, 3 de abril de 2020


Coisas de mulheres

As minhas amigas degladiam-se contra elas próprias a propósito das raízes capilares, porque a coisa já está feia e não têm como disfarçar os cabelos brancos.

Eu rio-me, porque comigo passa-se o inverso - as raízes estão com o tom castanho do costume, o pior são as madeixas que de normais, já passaram para o estágio Ombré e agora estão do tipo californianas - portanto nunca ninguém está satisfeito com o que tem. Quem é que me manda não ter geneticamente propensão para cabelos brancos!? Para mim tudo se resume às madeixas.

Quanto a pêlos...bom, aí reside o busílis. Não quero estragar os efeitos do laser nos locais em que optei por essa técnica, mas não sei até onde vou aguentar.

E as unhas??? Ui ui, metade vermelhas e metade natural, ainda vou lançar a moda! A verdade é que estes detalhes são peanuts face a todos os pensamentos menos bons que nos assolam a mente neste momento.

.... e no meio disto tudo

Dado o meu histórico de pneumonias que já foram mais de 10, saber que estou no grupo de risco é bizarro. Eu, o motor desta família monoparental, com uma criança ainda a precisar de quase tudo...tenho que ter cautela, não vá o parasita 🦠 querer atentar-me o juízo. Isto é de gritos!

quinta-feira, 2 de abril de 2020

quarta-feira, 1 de abril de 2020

segunda-feira, 30 de março de 2020

O nosso Obrigada será sempre insuficiente para lhes agradecer o quanto têm feito por todos nós


Uma vez mãe, para sempre mãe

Reclamo porque ela acorda de madrugada, tipo 7 horas e a partir daí não me deixa descansar. Logo eu que gosto tanto de estar na caminha de manhã.

Hoje passaram as 8:00h, 8:30h, 09:00h...ela nada de aparecer. Comecei a ficar um bocado preocupada, passaram as 09:30h e nada - fui lá ver se ela estava a respirar, tal como quando nasceu. Juro que se apoderou de mim uma ansiedade inexplicável.

Dormia profundamente e assim esteve até às 11:00h da manhã, hora limite que eu impus a mim mesma para ela se levantar, pois já me estava a fazer confusão tanto sono - na minha filha, não é normal. Acordou meia birrenta, mas acho que se trata apenas de mau feitio, nada de mais.

Não ganhei para o susto hoje.

A neta no que toca a fatalismos, sai à avó

Até hoje, e já lá vão uns bons anos desde que sou inteiramente responsável por mim, nunca me esqueci de pagar uma conta, pelo que nunca tive problemas de falta de provisão de bens essenciais por falta de pagamento, mas hoje, eu com péssimo feitio a curtir o meu surto alérgico, a minha herdeira vem saída de um dos infernos de Dante, abana-me, e pergunta:

“Mãe, pagaste a conta da água?”

Eu estava no meio do meu delírio, juro. Olho para ela, e respondo:

“Qual água?? O que é que estás a dizer? Onde é que eu deixei água por pagar?”

Ela calmamente explica que foi lavar as mãos e a torneira estava esquisita e a água saía devagarinho. Resultado, a culpa é sempre da mãe.

Vim à net, site dos SMAS e bingo, a informação que tinha ocorrido uma ruptura grave numa conduta, que tiveram que cortar o fornecimento nalgumas zonas daqui do concelho e noutras a água chegaria com menos pressão - obriguei-a a ler aquilo. Olha que realmente, agora já ficava com a má fama de não ter pago a conta, na cabeça criativa da minha filha.

Surtos

Tenho surtos alérgicos desde sempre, aliás, acredito que haja uma propensão genética na família para tal. A minha mãe assim é, eu e a minha irmã idem, a minha filha, aspas. A miúda quando nasceu, antes de chorar acredito que tenha espirrado e bem. Sei que a escassas horas após o nascimento ela deu uns dois ou três espirros, chamei a enfermeira e disse-lhe: “Sra. Enfermeira, a bebé nasceu constipada, está a espirrar imenso, já estou aflita.”

Claro que foi o momento lúdico do meu recobro. Lá me descansaram e disseram que a miúda estava óptima, puseram-lhe um bocadinho de soro fisiológico no nariz e eu lá me habituei desde sempre a ter uma filha susceptível a ter alergias a muita coisa.

Hoje para mim foi dia de surto. Não consegui almoçar, espirrei mais de 500 vezes, doem-me as costas...nada a que já não esteja habituada, na minha rotina. Pois que a minha mãe ligou-me, ouviu que a minha voz, era a voz de surto, já me conhece há 42 anos for Christ sake, mas mesmo assim saiu de lá um:

“Ai valha-me Deus, o que é que eu faço agora à minha vida filha, queres ver que apanhaste isto!?”

Nós tentamos levar toda esta conjuntura de uma forma a roçar o “vai ficar tudo bem”, mas estes devaneios não ajudam em nada. Tanto que não ajudam, que após ter desligado o telefone dei comigo a ir buscar o termómetro para me certificar que não tinha febre! Não, não vamos enlouquecer com isto.

PS: Não só não tinha febre, até estava mais fresca do que a temperatura que me é habitual, como o anti-histamínico já fez efeito e já me sinto bem melhor.

sábado, 28 de março de 2020

Miúda que me tira do sério

Completámos hoje precisamente 15 dias desta nova realidade que não esperávamos ter que viver. Atrevo-me a dizer que nunca estive tantos dias em reclusão com a miúda, nem quando ela nasceu, já que como me calhou viver aquela fase como foi, ora ia ao teste do pezinho, ora ia pesar, pediatra, comprar discos para o peito, soro para o nariz, creme não sei para quê....

Já tive uma situação de saúde complicada, uma pneumonia que me ia matando em que tive ordem médica para estar em casa 1 mês, mas eu aguentei apenas 10 dias. Não por inconsciência, mas a verdade é que o pulmão me pedia ar puro e eu, com calma ia saindo apenas para isso, apanhar ar.

Portanto isto não deixa de ser um challenge para todos, até para mim, que me considero uma pessoa caseira. Uma pessoa caseira que adora a sua filha, mas que ao fim destes 15 dias e com tantos disparates já começa a perder a paciência. Vejamos, uns esgotam o papel higiénico, ela em dois dias gastou um frasco inteiro de Dettol a lavar as mãos. Acha aquilo giro, só pode. Mexe em coisas que não deve, dá-lhe a fome quando estou no meio de uma reunião e não é conveniente responder-lhe, mas o pior e que agora me irritou foi eu estar ao telefone, ela passar sorrateiramente para a casa de banho, eu já sei que ela na casa de banho só faz disparates, mandei-a sair ao mesmo tempo que me chegou ao nariz um aroma que eu juro que não queria que chegasse.

O diabo da miúda decidiu ir mexer na primeira e única Essência que tive a honra de receber na vida, recebi aquilo ainda nem 18 anos tinha, casa Balmain. E cometeu um crime, não se esbanja uma essência em vão, e ela fê-lo. É algo que conservo há tantos anos, a amiga que me ofereceu já faleceu há algum tempo e fiquei furiosa com mais este disparate. Podia ter mexido num perfume normal e eu apenas lhe daria um raspanete...mas....a Essência!! Bolas, que diabrete. No que depender de mim, hoje não falo mais com ela. Tenho dito!

sexta-feira, 27 de março de 2020

....e borboletas, pirilampos, póneis...não tenho qualquer dúvida


De seguida vai dizer que conseguiu a imunidade, que isto não é grave, e que o mundo está louco

Boris Johnson testa positivo mas vai continuar a liderar governo - DN: O primeiro-ministro revelou que está infetado com o novo coronavírus mas afirma que irá liderar o governo através de videoconferência.

E as perguntas continuam...

"Mãe, o que é a puberdade?"

Lá lhe expliquei de um modo simples, começando na alteração da voz dos rapazes.

E ela conclui:

"E nas meninas começam a crescer as maminhas!"

Certo, é nessa fase que muita coisa acontece ao nível do corpo humano. Concluí assim, não vale a pena incluir mais conceitos por ora.

Veremos...


quinta-feira, 26 de março de 2020

Fazer videochamadas com a minha mãe é qualquer coisa!

Ainda acerca do grupo de whatsapp com o tema "Festa de Finalistas"

Talvez seja eu que tenho mesmo um mau feitio acima da média, sim, eu não tenho o melhor dos feitios, embora muita gente confunda valores e princípios morais com mau feitio, mas tudo bem.

Esta conjuntura que actualmente vivemos também não é a ideal, mas caramba, se foi criado um grupo para se debaterem ideias do que irá ser, ou que se gostaria que fosse a festa de finalistas do 1º Ciclo dos miúdos, se já estou fartinha de comentários sobre os trabalhos de casa, e como se faz isto, e que o outro esteve a estudar das 09:00h às 17:00h, enfim, passam o dia estas senhoras no telemóvel a trocar devaneios, ontem foi o fim da picada:

O rabo de um certo bebé, irmão de um colega da minha filha está assado e a mãe não sabe que pomada lhe há-de colocar!

Ok, sou eu que tenho mau feitio. O rabo assado de um bebé está dentro do âmbito "Finalistas 4º Ano". Tudo bem.

PS: mas como sou uma pessoa sensível e curiosamente a minha filha, ao longo dos anos que usou fraldas só teve um episódio desses uma vez, mas que valeu por muitos ligeiros dado que por muita pomada que pusesse aquilo não resolvia e teve que ser um pediatra simpatíquissimo que me ensinou a fazer uma mixórdia com 3 cremes distintos e de facto foi a cura, lá disse à senhora que era melhor aconselhar-se com o pediatra, mas que me queria parecer que aquilo tinha que ir com anti-fúngico, porque o creme barreira normal não seria o suficiente para resolver. Tudo em nome de um rabinho de bebé são e sem sofrimentos....mas quer dizer, isto não é assunto para o âmbito do grupo Nossa Senhora!

quarta-feira, 25 de março de 2020

Nada acontece por acaso

Quando nas arrumações das centenas de livros que pairam cá por casa, entre os meus, os dela e os que já foram meus e agora passaram para ela...deparei-me com este. Não havia melhor altura para me aparecer este título.


terça-feira, 24 de março de 2020

domingo, 22 de março de 2020

“Destralhar”, com mais ou menos dramas

Após muita negociação, acordos de cooperação, nostalgia pré-traumática, etc., consegui convencê-la a deixar o Quadro Mágico ir pregar para outras paragens.

A verdade é que foi das coisas que lhe comprei, ainda o quadro era maior do que ela, à qual lhe deu um uso quase diário e por isso acredito que lhe custe...mas temos que dar lugar a outras coisas que nesta etapa lhe serão mais úteis.



sábado, 21 de março de 2020

Contingência

A última vez que a minha filha esteve por uns dias em reclusão foi há precisamente 4 anos. Época de Páscoa e a miúda apanhou varicela. Esteve precisamente 7 dias sem ir à rua e confesso que a meio da temporada, já quase me subia pelas paredes. Tinha 5 anos e não é fácil dizer-lhes que não podem sair.

Mas essa não tinha sido a primeira vez. Essa, tinha ela apenas 9 mesinhos e foi dos maiores sustos que apanhei na vida. Sim, a minha filha e eu própria já estivemos num quarto de hospital de isolamento, daqueles em que os médicos só entram vestidos de “astronauta”, quase inócuo. A miúda ligada a uma série de monitores, eu, mãe de primeira viagem ali trancada com ela, e as visitas, salvo raras excepções acenavam-nos do outro lado do vidro. Na verdade essa reclusão acabou por ser mais penosa para mim, mas foi necessária. Ainda estou para saber como é que consegui dormir alguma coisa aquelas noites sentada num cadeirão do Hospital da Estefânia. Depois do isolamento hospitalar, seguiram-se mais umas semanas de isolamento em casa, aí só para ela. Passei umas semanas em casa da minha mãe, ia trabalhar, quando chegava a casa antes de tudo tinha a tal rotina que nos pedem agora de deixar os sapatos à porta, tirar a roupa e pôr para lavar, tomar banho e só depois me podia aproximar da miúda.

Na verdade ela não teve mais do que um Exantema Súbito/Herpes6 ou Sexta Doença como também lhe chamam, mas o verdadeiro problema foi o facto do vírus lhe ter apanhado o sistema imunitário de tal forma que os glóbulos brancos foram literalmente ao ar, bem como as plaquetas, o que fez com que corresse sério risco de vida se apanhasse uma simples constipação. O isolamento não me custou, foi necessário pela saúde dela, mas confesso que quando tudo acabou, seja neste episódio aos 9 meses, como no episódio da varicela, as primeiras saídas à rua pós doença souberam a um prémio da lotaria.

Hoje tive que sair. Em menos de meia hora fui a casa da minha mãe, deixei a minha filha um bocadinho sozinha e fui lá deixar leite e afins. Pela primeira vez não dei um beijo à minha mãe. Deixei as coisas no patamar e ela depois recolheu. Voltei para casa, não senti a liberdade que tinha há apenas 15 dias atrás. Mas é o necessário e nos momentos mais complicados que esta reclusão nos faz sentir temos que acreditar que vamos sair desta e muitos vão aprender a valorizar-se, a valorizar o outro, a respeitar....não se vão operar milagres, mas quero acreditar que talvez a Humanidade retire daqui alguma lição. É uma guerra contra um ser microscópico e sem inteligência que está a conseguir devastar países inteiros, mas talvez acabe por ensinar a muita gente o que de facto importa e que a vida é tão breve que devemos fazer o bem, não vale a pena estarmos cá por menos do que isso.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Não ofendam os ídolos desta gente

Estou a trabalhar na sala, pois que enquanto não me mudar para o palácio T20, tenho que me sujeitar. Ela vai-se movimentando entre a sala, o quarto dela, os ataques ao frigorífico e claro, a casa de banho, não tivesse ela uma panca quaquer com aquele cubículo que, para mim, basta ter uma retrete para não ser demasiado atractivo.

Tudo bem, eu respeito. Quando se põe aqui na sala, faz de tudo um pouco, desde estudar, ler, jogar no tablet, ver televisão, embora tenha a secretária dela no quarto, teima em me impôr a sua terna companhia.

Ao ver televisão tenho que a avisar por várias vezes para baixar o volume; das duas uma, ou a televisão tem vontade própria e sobe os decíbeis por sua livre vontade ou a miúda está a tentar fazer de mim parva. Pois que agora está no Nickelodeon e às tantas ouvi uma voz estridente e irritante, numa série qualquer que é dobrada e comento o seguinte:

"Essa voz dessa criatura é irritante!"

Ao que ela me responde completamente transtornada como se eu tivesse cometido um crime:

"Não digas isso, é a Ariana Grande! Tu sabes quem é a Ariana Grande???? Não se diz isso da voz dela, aliás, a voz nem é dela, é só a fazer de conta. Mas é a Ariana Grande!"

Bolas, para esta miúda a Ariana Grande é uma divindade! Respect!
Mas que raio é feito da Sra. Ministra da Saúde que, desde que começaram a falecer as primeiras vítimas do Covid-19 deixou de se deixar ver!?

quinta-feira, 19 de março de 2020

Por muito que tente que a pequena tenha uma percepção de não catástrofe

Hoje disse-me assim:

“Mamã, não me vão deixar chegar à idade adulta. Eu não quero morrer com o vírus.”

Lá lhe expliquei um bocadinho de estatística e disse- lhe que a larga maioria de pessoas infectadas sobrevive. A morte é algo que nos espera a todos, mas não será concerteza este vírus que nos trará tamanha má sorte. Para isso estamos em casa, por isso temos todos os cuidados e respeitamos as regras, para isso nos protegemos e...vai ficar tudo bem.

Acho que acreditou em mim, já voltou a sorrir, a saltar, a gritar. Haja vida e esperança.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Não sou hipocondríaca

De todo; para ir ao médico num estado de doença, tenho mesmo que me sentir muito mal, porque caso contrário tenho a mania que resolvo tudo com a profilaxia caseira e com o tempo. Escusado será dizer até quando entrei em trabalho de parto que, hoje entendo que foi uma atitude que poderia ter causado graves problemas, mas lá fui com contracções, sozinha a conduzir o meu carro até Lisboa e no fim, correu tudo bem, ou não tivesse eu uma valente miúda.

Facilmente faço febres de 40º e mesmo perante a hipótese de poder ter convulsões, eu acho quase sempre que resolvo a situação sozinha e, na verdade, eu não tenho medo da morte em si. O que me preocupa é o que temos que sofrer até ela chegar e, obviamente sei que pelo menos a minha filha, ainda precisa de mim, daí talvez a minha arrogância em pedir mais uns anos, até ela ser auto-suficiente.

Mas a verdade é que hoje acordei com uma dor terrível no pulmão esquerdo, uma ligeira falta de ar e uma impressão estranha na garganta. E dadas as últimas notícias, dá que pensar....ah pois dá. Bom, não vale a pena pensar que é isto ou aquilo. Aguardemos que o pulmão volte ao lugar e me deixe respirar em condições, porque dar-me o badagaio sozinha em casa com a miúda não me parece muito porreiro.

terça-feira, 17 de março de 2020

Mas como a vida não pára

Nestes 2 dias já é o terceiro bebé a nascer no meu enturmant.

Que o futuro lhes seja risonho, já que estes primeiros tempos obrigam à reclusão.

Necessário mas desolador

Ir recebendo emails, telefonemas e mensagens a informar que os sítios de sempre em que faço compras, saio para jantar fora, cabeleireiro, esteticista, ginásio e afins estão encerrados por tempo indeterminado.

Desolador, mas necessário, sem dúvida.

...e saudades da família, da minha mãe, da minha irmã, dos amigos, das pessoas que fazem o nosso dia ser melhor, do escritório, da Maria que faz as limpezas no escritório e que já faz parte do nosso dia, dos colegas, até do trânsito no IC19 e na Marginal.

Saudades, sim, mas por nós e por todos eles, já que me é permitido fazê-lo, estarei o mais resguardada possível....at home.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Um Je ne sais quoi de Big Brother

Aquela máxima do “ah e tal, isto aqui é muito intenso porque estamos 24 horas sobre 24 horas juntos, e 1 dia equivale a um ano, bla bla bla”, aquele discurso básico que até irrita, tido pelos concorrentes ainda mais básicos dos Reality Show’s? Pois nunca mais critico esses seres humanos, pois é exactamente como me sinto ao terceiro dia isolada em casa com uma criança de 9 anos, um gato pachola e eu própria. Isto ainda agora começou e já promete.

Digo-lhe que estou a trabalhar e a ter reuniões; se me ouve a falar em inglês ou castelhano, até colabora e resume-se ao quase silêncio, apenas interrompido se no meio lhe dá a fome, mas se a reunião é em português....pensa que estou na calhandrice com a malta. E eu começo a abrir os olhos e a fazer-lhe sinais com as mãos e aí....bom, aí ela pensa que estou a brincar e ainda se ri mais. Serve de consolo estarmos todos na mesma situação e os colegas com quem reuni hoje pela Europa fora, estavam na mesma...de vez em quando lá se ouvia um “sorry, my kids”, ou um cão a ladrar, gato a miar...etc.

E isto, reitero, ainda agora começou, sendo que o importante é e sempre será a nossa saúde em geral. Para ela...o mundo continua cor-de-rosa e estrelado:


sexta-feira, 13 de março de 2020

Quando uma simples despedida nos lembra que não sabemos para onde vamos

Foi estranho hoje, quando saí do escritório para ir buscar o meu tesouro e me despedi dos meus colegas. Não foi o bom fim de semana comum a todas as sextas-feiras. Foi com tristeza, nó na garganta e incerteza que atirei um....”até um dia destes, vemo-nos em breve”. Na verdade não sei quando voltaremos à rotina, à tranquilidade, quando voltaremos a viver sem medo de apanhar um vírus estranho sobre o qual sabemos ainda muito pouco.

E quando cheguei ao encontro da minha princesa, olhar para ela, para aquelas bochechas, para aqueles olhos lindos e pensar que a Era dela está doente, mas eu vou fazer de tudo para que ela não corra perigo algum.

Aguentar a miúda fechada em casa durante semanas

Vai ser bonito....o que vale é que a professora mandou para trabalho de férias construir uma caravela com molas de roupa, o que também vai ser bonito dado o meu jeito reiterado para manualidades!

Se sobrevivermos a esta, já temos uma aventura para contar aos netos.

quinta-feira, 12 de março de 2020

A minha filha gosta de um bom drama

E desengane-se quem pensa que ela não tem sentido de oportunidade ou que está a ser desrespeitosa com este cenário de pandemia. Ela é mesmo assim, qualquer tropeção na óptica dela já dá direito a ir ao hospital.

Apenas não estou preparada para ela me dizer que:
  • Lhe dói a cabeça 
  • Está com febre
E ela disse-o. E eu sei como ela é, mas mesmo assim aquela fracção de segundos que esperei para o termómetro apitar pareceram-me horas. Tinha 35.4* e já não lhe dói a cabeça. Já ganhei um lugar no céu só pela minha paciência e sangue frio para aturar os devaneios desta gaiata.

Se alguém tinha dúvidas

Agora ficou com as certezas. Escolas encerradas em todo o país durante pelo menos 1 mês. E assim estamos a viver uma pandemia. Esperemos que para além desta medida sejam tomadas outras, nomeadamente algum controlo nos aeroportos, barcos que atracam nos portos, etc., porque a solução não passa apenas por mandar os miúdos todos para casa.

Preocupam-me acima de tudo as pessoas mais frágeis, tanto as minhas, como todas as outras. Pessoas doentes, idosos, etc. Que isto seja debelado rapidamente, é o que mais desejo.

Afinal não é pancada minha, a água e o sabão são de facto de grande eficácia.

...comparativamente às soluções que andam para aí à venda nas lojas Chinatown que devem ser de uma eficácia extrema, mas ao contrário!

Lavar as mãos ou usar gel desinfectante? O que é mais eficaz? - DN: O que faz, afinal, o sabão ao vírus? E o gel pode ser usado com o mesmo grau de eficiência? Há várias regras a cumprir para que sejam, de facto, ambos eficazes. Saiba quais.

Não fiquemos petrificados com pânico mas...

Há que ter bom senso. As pessoas criticam o facto de ainda não se ter decidido fechar as escolas - ontem ao passar pelas praias de Carcavelos, Santo Amaro de Oeiras e afins até gelei ao ver a quantidade de pessoas em idade escolar e afins ali no meio da multidão. Ok, uma escola encerrar por questões preventivas, não é o mesmo que mandar uma série de almas de quarentena, mas, dadas as proporções que isto está a tomar, há que ter uma certa dose de pragmatismo e evitar aglomerados de gente desnecessários.

Ah, e tal, desinfectar as mãos. Até me causa arrepios ver a loucura com os desinfectantes, quando certas pessoas não têm sequer o hábito de lavar as mãos com água e sabão. Portanto substituem os hábitos normais de higiene que deveriam ter sempre, por alcool. Daquele género que não se lava, mas põe perfume - vai dar ao mesmo.

Portanto, cá do meu lado continuo a ter os hábitos de higiene que sempre tive, lavo as mãos várias vezes ao dia, uso a solução com alcool quando por qualquer motivo não tenho água e sabão por perto. A miúda, embora eu estranhe que a piscina dela ainda não tenha suspenso as suas actividades, até minha indicação em contrário que surgirá quando este surto acalmar, não vai à natação, nem a festas de anos, nem ao cinema e as Guias também cancelaram as actividades dos próximos tempos, acampamento de Páscoa incluído.

Eu por meu turno optei por cancelar reuniões fora, o que tiver que ser urgente será por Skype, e se em última instância tiver que trabalhar em casa, fá-lo-ei. Não vou deixar de viver, mas os tempos são de precaução, por mim, e pelos outros.

Recuso-me a entrar em histeria e a ir ao supermercado mais próximo açambarcar papel higiénico e rolos de cozinha!

quarta-feira, 11 de março de 2020

terça-feira, 10 de março de 2020


Estes updates “à pessoa” também não me parece que contribuam muito para um certo pragmatismo social...mas tudo bem

Ministra da Saúde britânica infetada com Covid-19 - JN

As pessoas precisam de atenção...não façam pouco de carências afectivas

Assim como assim eu vou-me contentando com algum chocolate.

Ainda acerca do tal grupo das mães e da festa de finalistas, escreveu hoje uma senhora qualquer coisa como: “podem confirmar se fui bloqueada, porque quando as outras mães dizem alguma coisa tem muitos comentários e sempre que eu escrevo ninguém comenta”.

Ainda vou ter que gramar com isto até Junho. Será que as pessoas não têm mais que fazer!?

Nicknames

Desde que ainda estava na minha barriga que sempre tive nomes mais ou menos carinhosos para chamar à miúda. Desde borboleta, Bébécas, Tita, Rituxe, Ritokas, Unicórnio Magenta, pequeno monstro, ratazana amestrada, Tinkerbell....e por aí fora. A verdade é que vão sofrendo upgrades consoante as fases.

Pelo que agora acho que vai passar a ser o "ponto" - seja final, de exclamação, interrogação...porque tem que ser sempre ela a terminar as frases e as conversas! A última palavra, é dela, no matter what!

Haja paciência.

Curiosamente não é de agora que tenho o hábito de desinfectar as mãos

Este já habita na minha carteira há meses e sempre lhe dei uso.


segunda-feira, 9 de março de 2020

domingo, 8 de março de 2020

Diz que é o dia de todas nós...se bem que umas merecem mais este dia, do que outras...


Arte urbana#Marielle Franco


Quando não se anda de bicicleta há cerca de 20 anos

E se escolhe uma destas eléctrica que tem vontade própria...


Rezamos a todos os santinhos que conhecemos e não conhecemos para não nos espalharmos.

Quando for grande, quero ter um igual


Santa Maria Manuela

sábado, 7 de março de 2020

sexta-feira, 6 de março de 2020

Constatações

No outro dia estava a divagar com uma dada pessoa e às tantas disse sobre mim própria que estou "na meia idade".

A pessoa em questão riu-se e disse:

"Oh por favor, só faltava essa, meia idade!"

Mas a verdade é essa, nova já não sou, a juventude e aquele brilho dos 20/30 anos, já lá vão. A minha filha dispõe de cada vez mais autonomia e eu não espero viver outros 42. Portanto, bem vistas as coisas já nem na meia idade estou, eu já estou mesmo a mais de meio.

Vá, a minha pele e a ausência de cabelos brancos dão-me uma aparência mais jovem, mas trata-se apenas de aparência mesmo.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Voltamos amanhã!



Atenção que a miúda percebe de política

"Mãe, se eu estivesse na América ia votar no Joe Biden!"

....eu ainda estou mais atrás. Ainda não assimilei que o Obama já não está lá há anos e deu lugar ao louco oxigenado.


quarta-feira, 4 de março de 2020

Não! Mas.....Não!!! Mas.....

Eu digo Não! Ela responde Mas....
Eu repito NÃO!! Ela acrescenta Mas eu....
E eu grito NÃOOOOO!!!! E ela emite um som que mais parece um Rottweiler a rosnar, dá meia volta e basa!

Afinal quem é que ainda manda aqui!?

Não voltar ao que nos fez mal...é sabedoria!


terça-feira, 3 de março de 2020

Os Deuses devem estar loucos

A cria tem 9 anos, anda na Primária e eu vou deixá-la à escola todos os dias. Não chego ao ponto de a deixar do lado de dentro do portão, mas com a distância social aceitável dou o beijinho, vejo-a entrar e vou à minha vida.

Hoje, a funcionária que já é uma senhora de respeitosa idade ignorando que uma criança com 9 anos não tem qualquer poder de decisão, vira-se para ela e diz:

"Olha, podes ir para casa, a tua professora está a faltar!"

A minha filha ficou com cara de bebé chorão sem saber o que fazer e eu....bom, eu tive que intervir. Não, não me passei com a senhora contínua, mas quer dizer, tive que lhe dar uma lição de melhores práticas.

"Desculpe, mas a criança está com a mãe e a senhora não pode dizer a uma criança para dar meia volta e ir-se embora. Assume a senhora a responsabilidade das consequências que esse comentário possa ter?"

"Ah, era só caso ela quisesse ir para casa, não foi por mal. Caso contrário ela vai ser distribuída para outra turma" - disse a senhora.

Lá disse à senhora que assim será, que seja distribuída para outra turma dado que não vai ficar sozinha em casa, certamente. Mas eu não acho isto normal, nada normal mesmo.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Notícias tristes

Não está a ser um um início de ano fácil para família e amigos e andamos de um e de outro lado a sofrer perdas insubstituíveis ou, noutros casos, a apanhar sustos valentes com as pessoas que nos são mais queridas.

Vivo os momentos tristes dos meus amigos com grande consternação, pois a amizade é isso mesmo. Estarmos cá para os bons momentos é fantástico, mas precisamos cada vez mais de sentir o ombro amigo nos momentos menos bons.



Covid -19 versus Avó com excesso de zelo

Não sou uma pessoa hipocondríaca, e causa-me alguma irritabilidade e urticária aquelas pessoas que são demasiado exageradas no que toca a pensarem sequer que podem ter todas as doenças possíveis e imaginárias.

Fui inconsciente uma vez ou outra nalgumas fases da minha vida, mas sou humana; não que me falte ou tenha faltado a informação mas por vezes facilitamos. De qualquer modo cada vez mais tento não me colocar a jeito, tenho os devidos cuidados com a miúda, mas também não podemos exagerar, criar flores de estufa que depois não têm resistência a uma simples constipação.

Não sou nem nunca fui de ir a correr para o médico à primeira febre, não sou a favor de antibióticos e vacinas para tudo e mais alguma coisa, pelo que prefiro achar que são "males" necessários e que só devem de facto ser uma escolha, quando é necessário ou a sua função risco/benefício está equilibrada. Não queremos andar a sofrer se para tal não há necessidade. Portanto não é nem nunca foi meu apanágio andar a fugir de pessoas doentes, mas claro, se eu puder evitar contágios, tanto melhor.

Esta cena do Covid já me começa na realidade a deixar um pouco enervada. O vulgar vírus da gripe mata mais, mas a verdade é que nas últimas semanas, contrariamente ao que dizem as estatísticas, fala-se disto como se fosse a pior epidemia da Humanidade. E, por enquanto, não é.

Mas tudo bem, tenhamos respeito e os devidos cuidados, por nós, pelos nossos e pelos outros. E no entretanto a minha mãe que me manda uma mensagem a sugerir que eu deixe de levar a neta dela, que só por acaso é minha filha, à natação. Porque anda lá muita gente, porque o ambiente é muito quente e húmido e que é melhor não ir, e que se a neta apanha alguma coisa que ela não sabe como se iria sentir, blá blá blá.

Está o pânico instalado na cabeça da minha mãe. E eu penso: "não é caso para isso, até porque os miúdos nestas coisas e ironicamente apresentam mais resistênia e ainda não estamos propriamente em alerta máximo em Portugal". Mas também penso "a minha mãe está a agoirar, se me acontece alguma virose mínima que seja com a miúda vou ter que a ouvir e eu própria não me vou perdoar".

Portanto...dilemas com bicharocos, quem os não tem!

Lei de Murphy a quanto obrigas

Depois de tudo, da minha filha ter trocado a data de entrega do trabalho, em que inicialmente me disse que era dia 20 e afinal era para dia 2, o meu stress com a minha reiterada falta de jeito mas que no fim consegui fazer uma coisa minimamente aceitável, ir levar aquilo à escola e ser quase levada em ombros pelos miúdos que ao verem a nossa obra foram de uma simpatia extrema e iam dizendo assim:

"Ana Rita, o teu trabalho está lindo", "Mãe da Ana Rita, gostava tanto que o meu trabalho estivesse assim tão bem feito", "Mãe da Ana Rita, podemos fazar juntas para a próxima vez?" - a minha filha parecia um pavão inchado de orgulho, eu lá ia dizendo às crianças que o deles também estava muito bonito e o que conta é a força de vontade e o empenho e nisto ao chegar à porta do pavilhão, diz-me a funcionária:

"Ah, a professora hoje não vem!"

A cambada de nervos que eu apanhei para cumprir o prazo e a professora falhou-me desta maneira. Não há direito.

No fim, ainda recebo um mimo da minha filha: "Mamã, és mesmo minha amiga!"

E é assim, a nossa rotina.

domingo, 1 de março de 2020

É unânime

O pessoal amigo gostou da minha amostra mal amanhada do sistema solar. Não está perfeito, mas quando nos predispomos a fazer algo para o que não temos o mínimo jeito e mesmo assim sai algo decente...é de enaltecer pois está claro.

Mas por que raio a professora não pede para escrever um livro, fazer uma pavlova ou uma tarte merengada de limão!? Isso sim, é a minha especialidade!

E o Bacalhau à Gomes de Sá do Sá Pessoa é mesmo qualquer coisa...dos melhores que já provei!

"É mais fácil encontrar jovens que façam ceviches do que bacalhau à Gomes de Sá"

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Um dia torço-lhe o pescoço II


Quando não se tem o mínimo jeito para manualidades, qualquer porcaria deveria ser elegível para um prémio. Fiz o que pude. Faltam as legendas e a miúda que rife esta mãe que lhe calhou que de facto se deve mas é dedicar a fazer bolos, wrap’s e tapiocas.

Nem de propósito


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Mas quando quer, arrasa

E ao levar um beijinho de boa noite põe-se a cantar Gabriel, o Pensador! Só podia ser mesmo minha filha. Valeu “Gabri”!
E continua.....



Um dia torço-lhe o pescoço

Há umas semanas atrás tinha-me dito que tinha que fazer um trabalho qualquer para apresentar no dia 20 de Março. Aquilo ficou-me na cabeça, mas numa prateleira esconsa, bem lá para o fundo. O que prevalecer foi o 20/03. Não sou do tipo de pessoa que tenha como regra fazer tudo à última da hora, mas como os últimos tempos não têm sido fáceis com 1001 coisas para fazer e resolver achei que...tinha tempo.

Ontem:

"Mãe, não te esqueças da maquete que tenho que fazer, tá bem!"

Estás a falar de que maquete?

"Do trabalho que eu te disse que tinha que apresentar, não te lembras?"

Lá lhe pedi o caderno em que está escrito o que é para fazer...


Não sei como ainda aqui estou a escrever estas linhas, porque tive uma arritmia, uma taquicardia, hiperventilei, deu-me uma coisa. Então aquela ratazana amestrada disse-me que tinha algo para fazer para entregar no dia 20 e afinal é um projecto espacial para entregar no dia 02?? Sabendo ela que eu não tenho o mínimo jeito e criatividade para este tipo de coisa, tenho sempre que subornar a minha irmã para se fazer valer do seu papel de tia preferida e levar com ela a fazer estas coisas, eu quando muito faço um lanche...e agora prega-me esta partida?? Ainda por cima vou ter que ir a ChinaTown para comprar sabe Deus o quê para conseguir apresentar algo impressionista e tentar convencer os outros que produzimos Arte em modo Sistema Solar!?

Como é que eu vou sair desta agora!?

Primeiro passo: mentalizar-me que tenho que ir a ChinaTown e perder-me naqueles corredores a cheirar a plásticos e tecidos de má qualidade e tentar encontrar algo que me permita fazer a bosta do sistema solar. Se calhar vou apelar à criatividade da turma e digo-lhe para levar uma folha em branco e o exercício é cada um imaginar o cosmos ali, sem mais nada. Quem tiver mais imaginação ganha um Pokémon do McDonalds!
E nem imaginam o trabalho que só ter esta ideia já me deu.

To be continued...

A OMS pede, nós cumprimos

Acabaram-se os beijinhos, pimba! Realmente para que é que as pessoas andam sempre nessa badalhoquice!? É aperto de mão, de seguida gel desinfectante e mais nada!

Mas...e as bochechas da minha filha!? Uma mãe não resiste, uma mãe não é de ferro. O beijo naquelas bochechas deliciosas eu não perco. E depois!? Desinfecta-se a miúda também, ora essa!

Quando assim é, sai-se de cena, sem dúvida o melhor caminho


Talvez seja uma questão de existirem pessoas que se preocupam

E a verdade é que me sinto tão bem quando me dizem “dá um toque quando chegares a casa”, quando numa saída de amigos e já a altas horas alguém se oferece para nos “escoltar” até casa porque é perigoso uma mulher andar sozinha na rua, quando alguém nos deixa à porta de casa e espera que o nosso vulto desapareça ao cimo das escadas...quando alguém pressente que não estamos bem e nos ouve, muitas vezes sem falar até quase desabarmos mas conseguirmos deitar tudo cá para fora e acabarmos a sorrir. Existem poucas pessoas assim, mas ainda vão existindo e quando tal acontece, isso sim é genuíno. Já diz o ditado “não nos dêem flores, dêem-nos afectos”.


Ai que eu não me safei de levar 2 beijocas e um valente abraço de uma pessoa que veio de Itália há 2 dias 🧐

Regressou a Portugal depois de ter estado na China ou Itália? Saiba o que fazer - TSF: Não há restrições para a estadia em Portugal de pessoas que vêm de áreas afetadas, mas a DGS deixa uma série de recomendações.

Se bem que 14 dias em quarentena, refeições prontas a horas, sem fazer nenhum, bla bla bla. Foi o meu momento parvo do dia. Não se brinca com estas coisas.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Portanto, eu e a minha filha estamos com saudades da Disneyland Paris

Portanto, bora voltar lá!?


E foi isto, mas a multiplicar por vários dias


Quando com a maior das boas vontades nos avisam

"Cuidado que fulano regressou de Itália há 2 dias" - não sei se ria, se reze. É que o alarme social é meio caminho andado para alimentar uma pandemia.

Eu e os grupos de whatsapp

Não funcionamos, de todo. E confesso que olho com algum desdém para aquelas pessoas que têm o grupo "família", o grupo "colegas da cheche", o grupo "a", "b" ou "c".

Aquelas conversetas da treta, tudo ao barulho, piadolas vejo-as um bocado como comportamento a atirar para o básico, mas, lá está, vivemos em democracia e cada um faz o que bem entende.

Até eu, de quando em vez sou metida nesses grupos, mas assim que capto a informação que me interessa, rescindo unilateralmente, de fininho. É lógico que quando se está perante o agendamento de um evento com muita gente, troca de ideias, etc., tem uma função bastante útil - como algo sistemático, reitero que é básico...pequenino, como diz o outro.

Pois que agora "tenho" que estar metida no grupo de mães da turma da minha filha a propósito do que querem fazer para celebrar o fim do 1º Ciclo. Lá está, podia até ser útil, as pessoas não se conhecem e portanto para trocar ideias e combinar certas coisas seria o veículo ideal. Mas as pessoas generalizam, e recebo mensagens no grupo, ainda por cima muitas delas em péssimo português, que rezam o seguinte:

"Oi mães, amanhã é preciso levar mochila?"

ou

"Sabem se a professora marcou deveres?"

ou ainda

"Qual vai ser o horário de saída na sexta-feira?"

Curiosamente o grupo chama-se Festa de Finalistas - por que raio se iniciam conversas fora do contexto e se faz os outros perderem tempo desnecessariamente?

O António Feio era muito bom com "Conversas da Treta"...sim, o António Feio, esse grande actor que nos deixou em 2010. Mas era o António Feio, não me chateiem, que ultimamente não estou com a mínima pachorra para isso.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

SNS/Políticas Sociais

Apesar dos pesares, e de algumas críticas que tenho por situações que se passaram comigo ou com os mais próximos, de um modo geral continuo a confiar no nosso SNS e em situações graves e urgentes é lá que me dirijo com a minha filha e com quem me é próximo. Em termos práticos dirijo-me ao Privado para questões não graves, porque para o resto, salvo raras excepções é no serviço público que confio.

Mas estou atenta aos aspectos menos bons e ainda que entenda que não podem fazer milagres com os recursos actuais, faz-me confusão que dêem alta a um doente que ainda não consegue ter forças para fazer a sua higiene sozinho, que não consegue comer mais do que 3 garfadas de sólidos, que vive sozinho, que apesar da sua condição ainda não é ilegível para usufruir de cuidados continuados ou paliativos e que mesmo tendo alta hospitalar, o seu estado de debilidade física impeça  que a família o consiga transportar a casa e tenha que solicitar o transporte do INEM para tal.

Talvez seja excesso de zelo da minha parte, mas acho que é de uma tremenda falta de humanidade a forma como são descartados os doentes neste país.
Desde miúda que travei conhecimento com o cancro, assim literalmente mesmo ali ao lado. Portanto aos 10 anos, palavras como mieloma múltiplo, quimioterapia, cortisona, biópsias, mielogramas, faziam parte do meu dicionário. Ainda se falava em cobalto, diziam que a radioterapia podia fazer milagres, cabeças rapadas sem escolha...tudo isso me acompanhou dos 10 aos 20 anos. Cresci a ter esperança. Cresci a ver a minha avó a ultrapassar verdadeiras batalhas, até ao dia em que ele venceu.

Será sempre a minha heroína, mas ele venceu. Conheço casos de maior sucesso, de anos e anos de remissão e é isso que espero para os casos próximos que acompanho agora. Talvez seja egoísmo, mas não quero perder mais ninguém para ele nos próximos tempos....e ele, continua a fazer vítimas diariamente, a destroçar famílias, a deixar filhos órfãos.

Hoje acordámos com a notícia da partida da Dra. Laura Ferreira, mulher do ex Primeiro Ministro Passos Coelho. Era uma boa pessoa e foi uma lutadora ao longo dos últimos anos. Com uma idade que ainda lhe permitiria fazer tantas coisas, com duas filhas, uma delas ainda muito pequena e a quem o colo da mãe vai fazer tanta falta. A vida é isto. Uns brincam ao Carnaval, outros choram a partida dos seus, outros dão graças a cada dia por continuarem vivos...

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Mas as surpresas deveriam ser pela positiva, certo!?


Incutir bom senso em pequeno para que daqui a uns anos tenhamos adultos decentes

A minha mãe talvez tenha exagerado na forma rígida com que sempre lidou comigo mas acredito que a integridade e os valores que tenho, os devo a ela. O saber estar, a educação e algum bom senso também. Se para conseguir isso foi preciso ser espartana, então dou por bem empregues alguns tabefes, castigos e afins. Estou convicta que não era miúda que a tivesse deixado ficar mal se fosse tudo um pouco mais light na forma de me fazer ver o certo o errado, mas a verdade é que é sempre um tiro no escuro, e que atire a primeira pedra o pai/educador que nunca errou com os seus filhos, apesar de no seu entender lhes estar a fazer o melhor que pode e sabe.

A verdade é que quero olhar para o lado e ver na minha filha esse tal saber estar, aquela réstia de educação que nos distingue da tremenda falta de educação e de respeito pelo próximo que testemunhamos todos os dias.

Hoje, Domingo de Carnaval, estava a arranjar-me de manhã e a pequena perguntou-me se se podia mascarar. Olhei para ela e disse-lhe apenas isto:

“Como sabes, vamos ao hospital visitar o avô e ele está doentinho, tal como todas as outras pessoas que lá estão internadas. Achas razoável chegar perto de pessoas que estão doentes, em traje de Carnaval, mascarada e a transbordar alegria!? É assim que nos sentimos perante quem sofre!?”

Fez um silêncio de alguns segundos, olhou para mim e respondeu:

“Faz todo o sentido o que dizes mamã!”

Acho que ficou lá mais uma pequena lição.

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Que desânimo...

Nunca o cancro matou tanto como agora em Portugal - JN

Dia do Pensamento

Hoje é um dia importante para ela. Celebra-se o Dia do Pensamento, dia em que se reflecte sobre fraternidade e ajuda ao próximo. Dia em que se reflecte sobre o bem que podemos fazer aos outros, à Humanidade.

Parece clichè mas a verdade é que tudo começa em nós próprios. Sermos melhores pessoas a cada dia, termos vontade de corrigir os nossos erros, ajudar o próximo e sobretudo não fazer mal aos outros, mesmo que eles, no nosso ponto de vista o mereçam ou nos tenham feito algo que os faça merecê-lo. A vida que se encarregue disso, não nos cabe a nós.

A minha pequena, está em fase de aprendizagem de lições, mas tenho tanto orgulho na minha pequena Guia. Está em reflexão hoje, com o seu bando. Que a Paz esteja com ela!


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Inventei na cozinha

Tapioca com banana, queijo fresco e guacamole. Ficou bem boa.

Memórias de uma péssima mãe

A correria de manhã foi tanta, eu estou tão cansada com uma semana em que me desdobrei em trabalho, deveres de mãe, de enteada a fazer piscinas para o hospital de Setúbal ora à hora de almoço, ora ao fim do dia que me esqueci de tirar as fotografias da praxe da miúda fantasiada para o desfile de Natal da escola. É imperdoável, eu sei e estou a penalizar-me por isso :(

A tender para o sinistro, já para não falar que é no mínimo piroso

O quê meus senhores, o quê?...aquela garrafinha minuscula de ambientador que colocam pendurada no retrovisor interior do carro.

Quando vejo aquilo no carro da frente, ou do lado, vem-me à memória o Coleccionador de Ossos em que o assassino quando se fazia transportar no Yellow Cab para raptar as suas vítimas, tinha qualquer coisa sinistra pendurada no mesmo sítio.

....eu percebo que queiram ter o carro cheiroso, mas era preciso descer a um nível tão....piroso!?

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Será que a minha voz está a ficar com tiques de macho?

Telefone toca.
Eu atendo.
Do lado de lá:
"É o Santos?"
E eu:
"Desculpe?"
Repete:
"Estou a falar com o Santos?"
------------Breve Pausa-----------
Respondo:
"Está enganado. Nem eu sou o Sr. Santos, nem este número pertence ao mesmo. Lamento. Boa tarde!"
Responde o personagem que queria falar com o "Santos":
"Ah, pois, se calhar enganei-me"
Pensei....mas já nem disse, senão transformava a chamada inusitada em diálogo:
(não foi se calhar, foi mesmo engano)

Mas eis a questão: ou eu ando a ficar com a voz mais grave, ou o tal Santos tem uma voz feminina. Haja paciência.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Hoje foi daqueles dias que me esqueci

Do telemóvel em casa. O curioso é que tenho 3, e como comigo é tudo a tender para a asneira, esqueci-me mesmo de todos. Enquanto se está no escritório há o telefone fixo, quem interessa tem o meu número directo, eu também tenho a minha agenda toda na cabeça pelo que não foi crítico para fazer ou receber chamadas. O problema surgiu da parte da tarde com reuniões, sem conseguir aceder à rede da empresa porque estando fora tenho que submeter sempre uma segunda password que recebo via sms, à saída oiço na rádio que para variar havia acidente e a estrada estava parada - Houston, não podia avisar que existia a probabilidade de chegar mais tarde ao centro de estudos. Qualquer dia dá-me um AVC.

No fim de contas cheguei a horas, o mundo não desabou, não fui notificada de nenhuma tragédia e tomorrow will be another day. Neste momento o espírito é “um dia de cada vez” e rogar à vida que pelo menos desta vez ouça as nossas preces, porque os devaneios e o humor negro do meu padrasto fazem-me muita falta. Em 42 anos foi o único homem que nunca me falhou, foi o único homem que esteve lá sempre que precisei...com as suas virtudes, coisas menos boas...um grande, grande amigo.
Quando eu coloco já para que não haja dúvidas que determinada situação ocorre entre as 11:00h-12:00hGMT e mesmo assim me perguntam de seguida se é "hora portuguesa ou espanhola", isto depois de já ter trocado só no dia de hoje para aí uma dezena de emails com respostas a questões pouco inteligentes...é de uma pessoa se passar um bocado, não!?

Bom, contei até 10 em alemão para demorar mais un décimo de segundo e fui politicamente correcta, explicando que GMT = Greenwich Mean Time, coisa que eu aprendi para aí no 2º ciclo, longitude 0, linha imaginária, meridianos...

Deus, dai-me paciência, porque se me der força...

O dia em que me emprestam uma série de fatos de Carnaval para a pequena

Olhamos para uma peruca de índia e concluímos:

"Bom, a verdade é que esta peruca é igual ao cabelo dela, pelo que...."

É o que dá ter uma filha "étnica" que já de si não precisa de muita produção para parecer uma Pocahontas.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Não esperava terminar o dia no sítio onde estou

E não concordo que se tenha que proteger as crianças daquilo que a vida é. O médico deixou-a ir dar um beijinho de 1 minuto ao avô, no meio de fios, tubos e máquinas a apitar. Obviamente que foi tudo controlado, não somos loucos, nem queremos traumas para ninguém, mas para ele foi um disparo de vida e para ela...foi a realidade. Existe a saúde, as farras, os passeios, mas também existe a doença e os momentos mais tristes e é nessas alturas em que o ser humano na realidade mais precisa de sentir o verdadeiro afecto.

Veio de lá sorridente, viu o avô Zé e eu, sinto-me um bocadinho mais tranquila. Sei que este mimo inesperado lhe fez bem, e eu....eu devo-lhe tanto. Preferia que a ocasião fosse outra mas a vida, essa gaja meia marada é imprevisível.

Afinal não estou assim tão errada ao dar conselhos de vida à miúda

Os gurus da motivação aconselham o mesmo. Smart Mommy!


domingo, 16 de fevereiro de 2020

Medos

Falemos de animais. Tenho medo, receio, pavor de alguns, repulsa de outros. Chego até a nutrir respeito por tantos outros, e de alguns espécimes do bicho Homem, em todos os seus géneros, sinto nojo até...mas do que eu venho aqui falar é de algo quase visceral. Jacarés, osgas, ratazanas, baratas, centopeias, morcegos...estaria aqui a noite toda e todos juntos não conseguem que o meu corpo reaja face ao simples acto de lhes pronunciar o nome, como aos animaizinhos que adoptam como hospedeiras as cabeças das pessoas, e dos miúdos em particular.

Sim, tenho medo, muito medo mesmo de piolhos. Medo, nojo, repulsa, e só de pronunciar essa palavra fico com comichão sobretudo na cabeça. A minha filha pode estar a coçar o corpo com uma espécie de urticária que eu, vou tranquilamente buscar o Fenistil à caixa dos medicamentos....mas se ela coça por um escasso segundo que seja a cabeça...eu começo a hiperventilar. Isto em primeira instância, porque depois começa uma colónia imaginária de parasitas a sugar-me o sangue e eu...bom, eu vou para a casa de banho, ponho a cabeça para dentro da banheira e começo a chocalhar os cabelos freneticamente para ver se cai algum objecto estranho e daí começar o extermínio. Após controlar as minhas comichões imaginárias pego na cabeça dela e começo a vasculhar. Por norma, é falso alarme, mas eu não me aguento sem fazer uma dupla desinfestação, just in case. E ela chora, ela diz que não tem piolhos, ela diz que “apenas coçou a cabeça no sítio em que tinha uma borbulha”.

E eu, mesmo assim, esfrego vigorosamente com a loção, o cabelo dela e o meu, penteio com aquele pente abominável, ponho óleos especiais, depois vou buscar a lupa, volto a sacudir a cabeça para a banheira, mas como destes bichos maléficos nunca se sabe o que esperar....ainda lhe ponho elásticos repelentes. É o vale tudo contra estes tipos. Bolas, que animal mais assustador.


sábado, 15 de fevereiro de 2020

Sou daquelas pessoas que lida pior com os problemas de saúde dos seus, do que com os próprios

E o cancro bateu-nos outra vez à porta, e o cancro está a querer tirar a dignidade e a paz a um dos meus, e eu que continuo apesar de tudo a confiar no nosso SNS, hoje dei comigo a pensar em chamar a CMTV caso não o internassem e lhe proporcionassem algum conforto acima de tudo físico. Lá está neste momento, sabe Deus o que o (nos) espera. Não estive presente fisicamente, mas estive à distância a sofrer com a incerteza. Estou mais aliviada, pelo menos está no local em que neste momento lhe podem aliviar o desconforto e sofrimento.

Agora passámos para o âmbito do “um dia de cada vez” e a confiança na ciência.

Não que seja consensual o meu gosto por sapatos brancos

Mas estas sandálias têm a sua piada.



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Nós, os solteiros...

.....recebemos destas coisas no escritório, e fica tudo a conjecturar quem será o Conquistador. Vá, um ramo de flores e uma caixa de chocolates no Dia dos Namorados não implicam uma declaração de amor, I guess 🤔