segunda-feira, 28 de junho de 2010

Somos só nós

Essa é a verdade.

Alguns "eles" disseram, uns mais frios do que outros...aliás...pragmáticos. Há que ser-se pragmático e "eles" foram.

Mas as verdades são para se dizer e saber ouvir, custa ouvir, e talvez também custe dizer...a quem tem esse dom. E quem hoje em dia tem o dom da verdade...poucos, mas alguém (s).

Neste momento estou por aí a escrever estas linhas sem nexo aparente, mas que fazem todo o sentido, talvez para mim...ou nem para mim o façam.
É daqules dias em que apetece carregar no interruptor e eclipsar para outra dimensão, paralela à nossa ou não.

Mas "eles" disseram assim - Tu e Ela são mais importantes do que tudo o resto, Ela merece que lutes e que tenhas coragem, Vocês merecem o melhor do mundo e o resto terá a seu tempo a sua lição, porque é cá que aprendemos as lições que temos que aprender, mais cedo ou mais tarde.

Hoje para uns, amanhã para outros, ciclo a ciclo.

Dou comigo a pensar que se há uns meses atrás soubesse o que sei hoje, não estaria assim; não tive a presença de espírito suficiente para escolher o caminho certo da encruzilhada e deixei-me levar pelo coração, quando a razão me chamava à terra e eu mais uma vez não quis ver.

Já nessa altura "eles" disseram...não vás, mas eu fui.

Depois penso também que faria tudo igual, para não me martirizar depois com perguntas sem resposta...se eu não tivesse ido por ali...talvez devesse ter ido...diz-se "a curiosidade matou o gato".
Neste caso foi mais a fé e o sentimento, o Amor...a fé não no nosso sentimento que sabemos ser real, mas a fé na mudança do outro...mas o outro não muda; como se pode endireitar uma vara torta?? Pômos-lhe uma tala, mas a vara não vai ficar direita; talvez um pouco mais resistente, por momentos, mas depois verga de novo e quando verga, fica em pior estado do que estava ao início, e assim sucessivamente, pois em vez de fortalecer, enfraquece, fica romba, perde estrutura e parte de vez, e vai partindo lentamente, despedaça-se, desintegra-se.

E no fundo quem perde mais? Infelizmente vai ser Ela; e eu penso, com que direito estou imbuída numa história em que além da vida lhe vou causar e já causo indirectamente sofrimento, alguma dor e mágoa? Como vou fazer para que Ela não sofra, como lhe vou responder às suas questões, como vou olhar para Ela e não a associar eu própria ao descrédito na espécie humana? Sendo ela o fruto da união de dois sentimentos tão díspares e ao mesmo tempo tão próximos?

Somos só nós...

sábado, 26 de junho de 2010

A bébé gosta

E eu deixo aqui o registo para não esquecer. Mal ouviu deu o ar da sua graça...portanto a mamã vai-te cantar esta música algumas vezes...


sexta-feira, 25 de junho de 2010

O CTG




Ontem lá foi a mamã canguru com a sua cria fazer o CTG; um dia de calor abrasador na nossa bela cidade de Lisboa e as dificuldades em andar como uma senhora deve andar já são imensas.
Confesso que o meu andar está totalmente deselegante, nada comparado à versão de classe que me caracterizava e que a minha mãe tanto me fomentou; mas é por uma boa causa.

Para além de ter esperado imenso para fazer o dito exame, o mesmo demorou à vontade uma hora, ali deitadinha a fazer a monitorização e a ter que carregar no dispositivo cada vez que sentia um movimento da bébé.

Ela está óptima, deu todos os ares da sua graça, e esteve a dormir bem mais de 20 minutos e teve que ser acordada, enfim, a natureza é mesmo perfeita.

E lá estávamos as duas, sós, de vez em quando vinha a enfermeira, depois vinha o Dr. Gonçalo e nos entremeios uma e outra na nossa simbiose que já dura há 9 meses.

Pois que a menina agora resolveu aconchegar-se e o prognóstico é que "ou nasce, ou nasce". Se nascer nos próximos 3 dias muito bem, caso contrário o Dr. já colocou a hipótese de termos que fazer a indução do parto e trazê-la até nós um bocadinho à força.

Não digo que esteja em absoluto tranquila, mas estou a mentalizar-me que apesar de doloroso vai ser um momento bonito, seja ele induzido ou não, seja ele rápido ou não e que sem dúvida vai ficar na minha memória.

Está tudo preparado, o Kit da Criopreservação do cordão umbilical também já está comigo...agora só falta a chegada em grande estilo da princesa, cada vez mais próximo, cada vez mais desejado o momento, mais ansiado, "temido" em parte, mas estou certa de que o vou enfrentar com muita coragem, muita força, muita entrega e muito amor.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Dia de CTG

Amanhã é dia de CTG.
Desde as 34 semanas de gravidez e dada uma situação muito desagradável que ocorreu, começaram a ocorrer ameaços de parto pré-termo, problemas de alimentação, de perda de peso, de insónias constantes, enfim...um final de gravidez indesejável para qualquer mulher, nomeadamente pelos motivos vis que lhe estão associados.

E agora, ironia do destino...que já estamos no termo, a princesa está com preguiça de nascer.
Já senti contracções com intervalos de 20 minutos, já perdi o chamado rolhão mucoso, ou parte dele e ao que parece a situação regrediu e vamos ter a companhia estreita uma da outra por mais uns dias.

Ontem foi dia de consulta e nada de novo, tudo ainda muito "verde", mas o chamado exame do "toque" já custou um pouco, confesso. Nada que não se aguente, mas que dói, dói.

E amanhã lá vamos fazer o CTG para medir o nível das contracções e o Dr. analisar o que podemos esperar para os próximos dias.

A ansiedade é muita, o desejo de ter a filhota nos braços, os receios dos primeiros tempos...e quando chegarmos as duas a casa e passarmos a nossa primeira noite a sós, como será?

Acredito que com todo o Amor que tenho para lhe dar vou conseguir ultrapassar os primeiros momentos que se avizinham difíceis e complexos...mas dá que pensar...

Como é que eu te vou um dia explicar tudo o que envolveu esta chegada? As partes boas são fáceis, mas as partes menos boas? Os comos e os porquês?

Espero ter sabedoria e presença de espírito suficiente para que tudo fique claro, mas tenho a certeza que a verdade não será sacrificada, porque todos nós temos o direito a saber a verdade, por muito que ela possa doer. Acredito que assim nos podemos tornar em pessoas melhores e aprendemos a valorizar quem realmente nos quer bem e merece o nosso respeito.

sábado, 19 de junho de 2010

Ao pensar nela

E na relação que quero ter com ela, de grande companheira, amiga qb, nalguns aspectos um modelo a seguir, noutros uma forma de não cometer as mesmas falhas...mas que quero ser sobretudo a Mãe dela.

E a Mãe é tudo e quero ser tudo para ela, quero ser tudo com ela, quero fazer tudo por ela e estou disposta a tudo pela felicidade dela.

Porque um dia, ocorra ele em breve ou não, vai ser ela a prova inquestionável de que eu vivi e existi. Será ela o meu legado e espero e desejo com muita força que consiga alcançar as estrelas e que consiga ser, apesar das dificuldades que já a esperam, muito, mas muito feliz, realizada enquanto ser humano e que saiba saber valer-se dos valores que eu, a família mais chegada e os verdadeiros amigos lhe vamos transmitir desde o início.

Estamos todos ansiosos pela sua chegada, comovidos com o significado que ela já tem na nossa vida...lamentamos que haja uma parte respeitante a ela que se tenha desmembrado, mas o Amor que já está a receber é em dobro àquilo que se calhar seria se determinadas coisas não tivessem ocorrido.

A família que parecia pequena, afinal é grande grande e estamos todos muito felizes por poder vir a privar com ela todos os dias e assistir pacientemente às suas de início pequenas conquistas, mas que serão sempre muito celebradas...porque ela de facto merece o melhor.

E porque tu estás a chegar aqui vai uma homenagem da mamã ao que tu já significas para mim.
Obrigada pelos teus "pontapés" na altura certa que me fazem acordar para a vida, obrigada pela forma como já comunicas comigo e ao que parece estás a gostar tanto que faz com que te mantenhas aí mesmo até ao limite; é importante para mim saber que te sentes bem no teu casulo.

Adoro-te filhota

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Efeméride - José Saramago





Soubemos há pouco que "desapareceu" José Saramago.
Sem dúvida um vulto de reconhecidos créditos no âmbito cultural dos nossos tempos, embora confesse que a sua escrita não era de todo do meu agrado nem tão pouco alguma da sua atitude.

Mas quer queiramos quer não, a nossa cultura ficou sem dúvida muito mais pobre.
Talvez não simpatizasse muito com a figura porque pessoalmente me irritava um pouco aquele ar altivo e arrogante, mas também o sabemos que foi uma personalidade muito marcada por algumas injustiças do nosso regime, que inclusivamente renunciou a habitar no seu país por questões ideológicas e políticas...portanto é natural que se fique com uma aparência falsa de arrogante e conhecendo por vezes as pessoas todas essas questões se dissipem.

Quanto à sua escrita não é dos meus autores de "mesa de cabeceira" embora conheça algum do seu espólio, nomeadamente O Memorial do Convento, O Ano da Morte de Ricardo Reis, alguns dos Cadernos de Lanzarote, A Jangada de Pedra e para mim a sua obra maior O Ensaio Sobre a Cegueira, esse sim considerei um livro excelente.
De uma forma tão crua consegue extrapolar naquelas linhas que de facto "o maior cego é aquele que não quer ver" e aí foi magistral.

Não fui daquelas pessoas que tenha recebido com grande entusiasmo a atribuição do Prémio Nobel da Literatura, pois nunca fui grande adepta da sua obra, e ao pé de Jean Paul Sartre, Ernest Hemingway ou Gunter Grass sempre o coloquei numa posição um pouco abaixo, mas reforço que não deixa de ser um grande escritor, português e que goste-se ou não da sua obra, é um vulto importantíssimo dos nossos tempos.

A nossa cultura ficou hoje mais pobre.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Só para que conste

Não ando a sentir-me nada bem.
É um facto que o tempo urge e o parto se aproxima, portanto as dores físicas e o desconforto são perfeitamente normais, mas não deixam de ser incómodos muito grandes.

Na semana passada, faz hoje aliás precisamente uma semana, voltou a ocorrer o pior e valeu-me um anjo da guarda para que não ocorresse nenhum susto maior...sim, porque há sujeitos que só nasceram para criar coisas menos boas à sua volta e já nem valores morais há que façam com que se respeitem pessoas grávidas...mas adiante...

Hoje (e desta vez sem a intromissão de faltas de carácter) posso dizer que também não estou nada bem de forma. Se por um lado o dia teve que começar bem cedo devido a compromissos profissionais inadiáveis, por outro as dores neste momento são tão intensas que sinceramente não sei o que isto quererá dizer.

Mãe de primeira viagem é assim mesmo, não sabemos muito bem distinguir entre um sinal e uma situação normal, mas de uma coisa eu tenho a certeza...neste momento são dores que sinto, intensas, que vêm e vão.

Embora eu sinta fisicamente que a minha barriga descaiu ligeiramente, dizem as vozes da experiência que ainda está subida...pelo que ainda terei que esperar mais alguns dias, mas será normal neste compasso de espera as dores serem já assim!?

Não durmo há mais de um mês e o pior é que não está propriamente relacionado com a gravidez em si...são filmes e histórias de terror que não me têm permitido entrar no modo REM.

Mas que chatice...só espero que o pesadelo acabe e ter a minha maior obra de arte nos meus braços. Ela sim, merece o melhor de mim.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

domingo, 6 de junho de 2010

Dores físicas e psicológicas

Tenho andado com umas dores físicas localizadas na zona abdominal/pélvica que estão obviamente relacionadas com a chegada do tesouro, mas como ando por questões pessoais a bater no fundo do poço, as dores estão cada vez mais incomodativas.

Há dois dias atrás, após um confronto que só o posso apelidar de imoral e monstruoso, fiquei no pior dos estados em que se pode ficar numa situação destas; muitas dores, muitos nervos, a barriga muito dura e deixei de sentir o meu tesouro.

Valeu um gesto de grande entrega e amizade, alguém que deixou a sua própria família e filhos e "nos" veio dar o seu conforto.

Logo no dia em que tinha andado a comprar o primeiro brinquedo do meu tesouro, os primeiros álbuns de fotos, uns e outros mimos, estando a deixar de parte os pensamentos menos bons e a concentrar-me naquilo que realmente importa.

E eis se não quando, a personificação do Monstro decide massacrar-nos, humilhar-nos, brincar com a nossa condição....e porquê? Como é que a falta de carácter chega a tanto?

Vem depressa, aguardo a tua chegada...as noites vão continuar a ser mal dormidas, mas olhar para ti vai-me dar forças para sobreviver.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Resposta....esta traz saudades de muito longe...

9 Meses

Como o tempo passa...parece uma fracção de segundos, um piscar de olhos, mas ao mesmo tempo uma eternidade e mais um dia.

Alcancei os 9 meses de gravidez, o fim e o princípio, o limite de uma fase e o início de outra e longe de imaginar há 9 meses atrás a dualidade entre tristeza e alegria que iria estar a viver neste momento. Nunca imaginei nem tão pouco se pode desejar a um ser humano digno todas as experiências negativas por que passo no momento em que devia recordar como o mais feliz da minha vida.

Foi-me dada uma benção, um dom e esse dom de dar vida é de facto o que mais me reconforta neste momento; é pensar na grande cúmplice que aí vem, na grande companheira e espero viver o suficiente para testemunhar as alegrias dela, a felicidade e os seus sucessos.

Não sei onde vou buscar forças nestes últimos/primeiros tempos, nem tão pouco me sinto neste momento preparada para o que aí vem...e eu sentia exactamente o contrário.

O Ayrton Senna dizia que de um momento para o outro podemos perder tudo, desaparecer... e é aí que descobrimos que o ser humano não vale nada e é assim que eu me sinto.
Escapar-se-nos tudo por entre os dedos, sermos traídos pelos de quem mais gostamos, humilhados, estrilhaçados e tudo com uma leviandade abrupta e decadente.

Nesses momentos a raiva dá lugar à descrença na espécie humana, à repulsa ao perguntarmo-nos como é que os seres humanos são capazes de tanta falsidade e invocar palavras como Amor em vão...hoje a nós, amanhã ao outro animal que se cruze no seu caminho.

Como se troca um sentimento por uma emoção, como se troca um sentimento por umas noites de prazer num qualquer hotel reles à beira de uma estrada ou avenida e como se é capaz de demitir de funções tão nobres como a de companheiro para os bons e maus momentos.

E é isto que a vida tem para nos ensinar? Qual será a lição para nós e para os outros?

E todas estas perguntas e indagações neste meu nono mês; a dias de conhecer, cheirar e abraçar o meu maior tesouro de todos os tempos.

Sadness...é o mínimo que sinto.

Ontem perdeu o brilho uma estrela

Ontem foi um dia triste; digamos que triste por um lado e com boas notícias por outro, mas às boas notícias dedicarei outro post.

Ontem faleceu uma pessoa de quem gostava, amiga de família, uma pessoa íntegra, divertida, que gostava de viver e com quem tantas vezes ri, sorri e que ouvi uns e outros conselhos.
Uma pessoa cheia de força e vontade de viver e que podia ter vivido ainda tantos anos connosco.

Das últimas vezes em que a vi, confesso que era "chocante", pois da imagem de mulher resolvida de 50 anos, elegante, com a sua vaidade e com gosto pela diversão, passou a ser uma mulher com um ar maçerado pela doença, preocupada, sem forças e a denotar alguma dependência física para conseguir dar uns escassos passos.

E ontem o sofrimento acabou, o cancro levou-a de nós amigos e pessoas de quem dela gostavam e é já com saudade que recordo o seu sorriso, a sua graça, o seu sentido de humor.

O meu estado actual não me permite participar nas suas exéquias, algo que lamento, pois por uma questão de respeito pela pessoa que foi eu acho que deveria lá estar, mas o meu pensamento está com ela e sobretudo na gargalhada alegre que neste momento recordo dela. Infelizmente não vai conhecer a minha filhota, mas está cá um pedaço da Luísa guardado no meu coração.

Até sempre