goddessafrodite
sexta-feira, 4 de outubro de 2019
A minha filha é uma criança sui generis
E não que eu tenha qualquer influência nisso, mas a miúda, para além de devorar desenhos animados, também faz questão de ver o noticiário, debates, o programa do Ricardo Araújo Pereira e ler enciclopédias. Tenta discutir política e religião comigo e já tem uma opinião formada acerca da pessoa em quem votaria, caso a idade já lhe permitisse ir às urnas no próximo Domingo. O que eu acho mais curioso é que também tem uma opinião interessante acerca dos candidatos de quem não gosta de todo e, verdade seja dita, nalguns casos até percebo que a miúda tem uma certa intuição.
Goste-se ou não, concorde-se ou não, há que reconhecer o mérito a alguns e a falta dele a outros tantos.
Mas ontem, a surpresa adveio de um comentário que me fez após ouvir a notícia acerca das cerimónias fúnebres do Prof. Doutor Freitas do Amaral.
Do nada, diz-me assim:
"Mamã, também quero que o meu corpo vá para os Jerónimos, tá bem!?"
Entre o espanto, a graça que lhe achei e até um certo estremecimento interno...gelei. Para ela foi um comentário natural, mas para mim, enquanto mãe ouvir a minha filha dizer uma coisa destas, causou-me calafrios. Uma mãe não pensa nessas coisas, porque não tem que pensar. O filho tem que nos sobreviver e de preferência alguém vai descobrir a poção da juventude e ele vai ser imortal. Ponto.
Portanto , não lhe dando sequer muita saída, para não ter que entrar em assuntos que só de pensar, doem e machucam, vou pensar que se a rapariga um dia quiser casar, talvez seja nos Jerónimos e com toda a solenidade que aquele Mosteiro impõe.
Goste-se ou não, concorde-se ou não, há que reconhecer o mérito a alguns e a falta dele a outros tantos.
Mas ontem, a surpresa adveio de um comentário que me fez após ouvir a notícia acerca das cerimónias fúnebres do Prof. Doutor Freitas do Amaral.
Do nada, diz-me assim:
"Mamã, também quero que o meu corpo vá para os Jerónimos, tá bem!?"
Entre o espanto, a graça que lhe achei e até um certo estremecimento interno...gelei. Para ela foi um comentário natural, mas para mim, enquanto mãe ouvir a minha filha dizer uma coisa destas, causou-me calafrios. Uma mãe não pensa nessas coisas, porque não tem que pensar. O filho tem que nos sobreviver e de preferência alguém vai descobrir a poção da juventude e ele vai ser imortal. Ponto.
Portanto , não lhe dando sequer muita saída, para não ter que entrar em assuntos que só de pensar, doem e machucam, vou pensar que se a rapariga um dia quiser casar, talvez seja nos Jerónimos e com toda a solenidade que aquele Mosteiro impõe.
Eu até diria melhor
Qualquer coisa assim: no interior de uma pessoa que julgamos conhecer, existe a verdadeira pessoa, que por vezes é pior do que a nossa imaginação poderia alcançar.
quinta-feira, 3 de outubro de 2019
Pode não parecer, mas eu tenho uma paciência...
Pois que há uns dias atrás tive que chamar à parte uma pessoa e dizer-lhe com a maior das minhas ternuras que evitasse enviar emails corporativos escritos predominantemente com letras maiúsculas, uso exagerado de situações de pontuação, nomeadamente pontos de exclamação e interrogação e sombreados...entre outros psicadélicos.
A pessoa olhava para mim com ar de desenho animado, ao que eu continuei de uma forma muito construtiva a dizer que pode ser ofensivo, o receptor interpreta aquilo como que estivessem a gritar com ele e denota relativa agressividade, o que, devemos evitar a todo o custo, sobretudo na comunicação escrita, onde pode surtir ainda mais malentendidos.
A resposta que levei:
"Mas era mesmo isso, eu estava mesmo a gritar!" Não, não me passei da cabeça, porque nestas coisas aprendi a dominar os ímpetos. Lá tentei ser outra ver construtiva e reforcei o seguinte:
"Então mas todos nós cometemos erros de quando em vez e é assim que aprendemos e melhoramos. Já imaginou se eu agora do nada me pusesse aqui a gritar consigo? Ia ficar triste, ou nem por isso?"
Ah, disse a pessoa, pois, nunca gritou comigo!
E eu:
"Pois claro que não, nem creio que seja necessário fazê-lo. Mas já viu se nos puséssemos todos a agir assim? Ninguém se iria entender, por isso, promete-me que vai fazer um esforço por não escrever dessa forma de futuro?"
Parece que estamos no bom caminho, valha-me isso. É que já me chega ter este tipo de diálogo lá em casa com uma cria de 9 anos.
A pessoa olhava para mim com ar de desenho animado, ao que eu continuei de uma forma muito construtiva a dizer que pode ser ofensivo, o receptor interpreta aquilo como que estivessem a gritar com ele e denota relativa agressividade, o que, devemos evitar a todo o custo, sobretudo na comunicação escrita, onde pode surtir ainda mais malentendidos.
A resposta que levei:
"Mas era mesmo isso, eu estava mesmo a gritar!" Não, não me passei da cabeça, porque nestas coisas aprendi a dominar os ímpetos. Lá tentei ser outra ver construtiva e reforcei o seguinte:
"Então mas todos nós cometemos erros de quando em vez e é assim que aprendemos e melhoramos. Já imaginou se eu agora do nada me pusesse aqui a gritar consigo? Ia ficar triste, ou nem por isso?"
Ah, disse a pessoa, pois, nunca gritou comigo!
E eu:
"Pois claro que não, nem creio que seja necessário fazê-lo. Mas já viu se nos puséssemos todos a agir assim? Ninguém se iria entender, por isso, promete-me que vai fazer um esforço por não escrever dessa forma de futuro?"
Parece que estamos no bom caminho, valha-me isso. É que já me chega ter este tipo de diálogo lá em casa com uma cria de 9 anos.
É esta noção de finitude real que têm os Grandes...que me arrepia
A paz de Freitas do Amaral perante a morte em breve - DN: Um dia antes do lançamento do seu último volume de memórias, Freitas do Amaral deu uma entrevista ao DN. A última. Por publicar ficou a confissão de que estava consciente de que ia morrer muito em breve.
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