terça-feira, 27 de julho de 2010

A temperatura subiu

Digamos que a minha filhota nasceu num Verão bem quente. Este ano custou a termos Verão, mas de facto "não fome que não dê em fartura".

Com temperaturas de 40 graus só apetece não fazer nada e estar dentro de água bem fresquinha. Eu que tenho sempre grandes resistências em entrar na água do mar/piscinas, neste momento afirmo que é o que mais me apetece.

Ontem tive um cheirinho, num dia bem agradável para os lados de Setúbal numa companhia fantástica...haverá coisa melhor do que estar com os nossos filhos e na companhia de quem nos faz tão bem? Afinal podemos ser felizes e sentirmo-nos realizados sem precisar de ir mais além.

Lá molhei o pézito na água tépida da piscina, com grande pena minha dado o parto recente ainda não pude entrar na água por inteiro...mas a água da piscina que me aguarde, que daqui a uns dias não a vou renegar.

A bébé esteve óptima, protegida na sua alcofa com ares de princesa e muito amada pela mamã, pelos amigos...tivemos um dia formidável.

E hoje, passados 23 dias do seu nascimento foi à balança e já pesa 4,520kg. Para que conste apenas é alimentada com o leite da mamã; delicia-se, já perdi a conta de quantas vezes ao dia e encho-me de orgulho de ter uma filha tão linda, de, apesar de tudo ter conseguido dar à luz um ser humano tão perfeito...e de apesar de estar sozinha...estar a fazer um bom trabalho!

Orgulho-me da mulher que sou, da mãe que estou a aprender a ser e sobretudo da filha maravilhosa que me foi concedida.

Isto sim, tem que contribuir para a minha felicidade.

sábado, 24 de julho de 2010

A crescer...

A minha filhota já passou para as fraldas do tamanho 2!!!Faz amanhã 3 semanas de vida, cresce a olhos vistos, alegra-me os dias e a alma, aquece-me o coração, ensina-me a cada momento que por ela a vida vale a pena...e sinto saudades de a sentir a partilhar o meu corpo, mas ao mesmo tempo delicio-me a olhar para ela.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O nascimento da minha Filha (II)


(continuação)

...cheguei novamente à MAC por volta das 00:40h do dia 04 de Julho acompanhada pelas minhas dores, mas a situação aina estava atrasada. As contracções muito ritmadas, mas apenas 1 dedo de dilatação...até aos 10 havia um longo caminho a percorrer.

Uma enfermeira caridosa decidiu dar uma ajuda, fez um toque de marinhar não pelas paredes, mas por um arranha-céus acima (confesso que não gritei por vergonha) mas parece que a situação se compôs.
Pediram-me para ir andar um pouco, dei voltas e voltas ao quarteirão da MAC e já perto das 3 da madrugada dei então entrada na aventura que foi o nascimento do meu tesouro.

Fiz a admissão, dei as autorizações todas, nomeadamente a da pessoa que me acompanhou na jornada (foi a minha madrinha), os termos de responsabilidade, a da criopreservação, despojei-me das minhas roupas e dos meus objectos, vesti a camisa branca horrorosa mas muito prática e lá fui eu para o Quarto nº6 esperar pelo grande momento. Tudo preparado, até as pulseirinhas cor-de-rosa estavam a aguardar o grande momento.

As contracções continuavam, mas a dilatação estava lenta; de notar que quando fui transferida para o "meu quarto" estava com 2 dedos de dilatação...perto das 6 da madrugada atingi o 3º e levei a epidural...a minha melhor amiga de facto. As contracções sentem-se mas sem dor, o que é óptimo.
As horas passaram, as vistorias às minhas partes mais íntimas começaram a ser uma constante, mas só tenho a dizer bem do pessoal médico e de enfermagem. Excelentes profissionais!

Deu para dormir, deu para pensar, deu para falar ao telemóvel, deu para ter frio e calor, deu para desesperar um pouco, para sofrer qb...e as horas passavam, e as outras crianças iam nascendo e eu lá continuava...devagar, devagarinho...

De 2 em 2 horas levava o reforço da epidural, a certa altura para além do soro puseram-me occitocina para acelerar o processo e aí sim, comecei a aperceber-me que cada vez faltava menos...
Perto das 13 horas chego finalmente aos 10 dedos de dilatação e aí foi começar a fazer força...força...força....mas nada.
A bébé não descia e comecei a desfalecer...a desesperar. Eu fazia força, mas a enfermeira achava que não...mas eu fazia força....e nada.

Estive ali um pouco em sofrimento, depois sozinha, a enfermeira teve a (in)feliz ideia de me mandar levantar da cama e andar no quarto...escusado será dizer que o desmaio foi inevitável e lá regressei eu à posição horizontal, com direito a máscara de oxigénio e tudo...enfim, um aparato.
Até que por volta das 15 horas, mais uma comitiva da classe médica me foi visitar e após uma interessante conferência entre eles o chefe de equipa comenta que de facto eu não ia conseguir sozinha e que precisava de "ajuda" - fui em movimento uniformemente acelerado para o bloco cirúrgico no piso de cima, bye bye enfermeiras, olá olá equipa de 8 médicos à minha volta e aqueles focos enormes de luz a incidir nos meus olhos e eu extremamente angustiada e assustada...sozinha, já sem a minha acompanhante, frágil, a fazer beicinho e as lágrimas a escorrer-me pela face.

O que me vão fazer, lembro-me de ter perguntado...respondem-me para ficar tranquila, que só me vão ajudar a que tudo corra bem, injectam-me qualquer coisa que me ardeu imenso (era antibiótico) e ao mesmo tempo que me comentam que vão recorrer aos forceps pelo facto da bébé estar na posição semi-transversa, eu vejo aquelas "pás" enormes e penso...eu não vou conseguir.
Nessa altura tudo se acelerou, tanto eu como a bébé estávamos a sofrer um pouco...a epidural não fez efeito nesse momento...e nem sei transpôr em palavras o que senti. A dor foi dilacerante, primeiro sofri em silêncio, pediram-me para não fazer força enquanto tentavam dar a volta à bébé...as dores eram horríveis, até que passados longos minutos que pareciam horas me pedem para fazer força...eu tentei, ou fiz, já não sei...lembro-me de ter dido "eu não vou conseguir", lembro-me de dar dois gritos que pareciam "uivos" e de repente uma das médicas que me acarinhava o rosto me diz "olhe a sua filha, é linda"....

Chorei, chorei, chorei....disse "eu consegui" e olhei para Ela, já em cima da minha barriga com os seus olhos enormes rasgados a olhar para mim, linda e muito serena.
EU CONSEGUI!
Naquele momento só consegui pensar que tinha conseguido, que amava aquele ser pequeno que ali estava, tão frágil e dependente, que depois do sofrimento psicológico dos últimos meses e do sofrimento físico daquele dia tinha sobre mim a pessoa por quem a partir daquele dia eu iria ter que seguir em frente com dignidade e muita coragem.
Eram 15:48h do dia 4 de Julho de 2010, tinha acabado de nascer a minha filha, com 4190kg e 51,5 cm de altura. Maravilhosa, perfeita.
A bébé passou para a sala contígua, mais quente do que a do bloco cirúrgico, foi analisada pelo pediatra e ficou a aguardar o nosso reencontro, enquanto tratavam de mim. Foi-me feita episiotomia, assim mesmo o meu corpo cedeu um pouco, portanto escusado será dizer que levei bastantes pontos para que ficasse tudo em ordem novamente.
Fui muito acarinhada por todos os médicos que acompanharam o parto; deram-me os parabéns pela linda filha que gerei, pelo meu bom comportamento e pela minha coragem.

Foi muito bom ter recebido aqueles mimos....estava tão frágil e tão feliz ao mesmo tempo.

Cerca de 1 hora depois retornei ao quarto número 6 já com a minha bébé nos braços, rapidamente chamaram a minha madrinha...estávamos enternecidas as duas, com aquele tesouro ao pé de nós.

A bébé foi depois levada a conhecer o seu progenitor que aguardava na sala de espera; foi pessoa que obviamente não quis ter comigo, fiz questão de nem sequer ser eu avisá-lo que o trabalho de parto era uma realidade...proporcionei-lhe mais uma noite e uma manhã de sossego junto da "sua" indecorosa amante, por quem (está à vista) decidiu abdicar das suas obrigações morais, parentais...enfim, as acções para quem as pratica.

E assim foi o meu parto...estava esgotada, mas feliz com o meu rebento. Depois, comi, algo que não fiz durante mais de 16 horas e fui para o merecido descanso...valeu a pena!

PS: O tratamento na MAC foi excelente e agradeço a todos que proporcionaram que tudo tivesse corrido bem

quarta-feira, 21 de julho de 2010

terça-feira, 20 de julho de 2010

O nascimento da minha Filha

Ando aqui há dias para deixar para a posteridade tudo aquilo que sinto, e basicamente como foi o dia do nascimento da minha filha e uns dias por falta de tempo, outros por não saber bem por onde começar, têm feito com que esse objectivo tenha vindo a ser adiado...mas não esquecido.

Hoje posso dizer com toda a segurança e convicção que o dia 04 de Julho de 2010 foi o dia mais feliz da minha vida. Sérá um marco que jamais poderá ser ultrapassado e apenas será igualado se porventura tiver mais algum filho, ou então no dia do nascimento dos meus netos.

Depois da dor a que fui exposta pelo então meu "companheiro" quando ao oitavo mês de gravidez da filha em comum me fazem chegar a informação da sua traição e do que sofri até a minha filha nascer, nomeadamente com a desilusão, a humilhação, a incredulidade face a um acto tão nojento, o facto de ter lidado com os medos, as dúvidas, os anseios de um final de gravidez totalmente abandonada sabendo que o senhor em questão andava em hóteis aqui e ali, em fins de semana ali e acolá com a ainda mais inqualificável sujeita a quem se uniu e a quem tão pouco se pode dar uma qualificação humana, recebi de braços abertos a mais magnífica prenda que poderia receber....a chegada da minha filha.

Durante os longos 9 meses de gestação foi sendo cada vez mais minha, até que chegada à encruzilhada do abandono e do virar de costas do progenitor, me senti a grande responsável por aquela criança que hoje, tanto me faz sorrir. No fundo, desde o resultado positivo do teste da farmácia a minha relação com a minha bébé foi-se tornando mais intensa, a partir dos 3 meses de gravidez comecei a preparar o enxoval e a apaixonar-me mais por ela. Talvez inconscientemente estivesse a adivinhar que daí para a frente apenas poderíamos contar uma com a outra...talvez.

A partir da altura em que recebi a notícia da traição, o que até então tinha sido uma gravidez santa e abençoada, começou a ser pautada por alguns ameaços, sustos e duas idas às urgências da Maternidade com fortes dores abdominais, ocasionadas pelo estado de ansiedade e tristeza em que fiquei...o apoio paterno continuou a ser nulo -apenas aparecia nas consultas e idas à urgência, para manter a pose e o normativo social, pois a humilhação à minha pessoa continuou e a falta de respeito para com uma mulher num estado avançado de gestação ultrapassou todos os limites.

Os ameaços de nascimento precoce, não passaram disso mesmo, as notícias dadas pelo médico davam conta de uma bébé grande, as semanas avançam e dá-se o retrocesso; a bébé embora em posição cefálica continuava sem vontade de nascer e a minha ansiedade para tê-la comigo e com saúde aumenta de dia para dia.

Comecei a dar longas caminhadas na praia, abrandei um pouco o ritmo de afazeres diários, mas a saga continuava e o médico avança que caso a bébé se mantivesse sossegadinha no seu casulo, o parto seria induzido no dia 07/07.

Chegámos ao dia 02/07 e depois de mais uma caminhada na praia, a qual está registada em fotografias para mais tarde recordarmos, recebo finalmente um sinal diferente. Uma mancha que não deixava dúvidas de que o desfecho estaria para muito em breve.

Nesse mesmo dia depois de um último descargo de consciência aviso o progenitor de que tudo estaria para breve, ao que o mesmo responde que se "necessitares de boleia para o hospital, telefona ou manda mensagem". Nem na última oportunidade para ter um comportamento digno, o teve...e ao final da noite descarreguei toda a minha desilusão ligando-lhe e dizendo-lhe o que pensava da sua atitude e do seu comportamento.
Respondeu da forma mais rude que se possa imaginar, culminando com o desligar-me o telefone na cara e lá voltou para a sua amante desonesta e eu pouco depois inicio o processo das verdadeiras contracções de parto.

Perto das 04 da madrugada de sábado dia 03 de Julho de 2010 as dores tornaram-se muito fortes, não aguentava estar na posição de deitada e com toda a calma e serenidade levantei-me, ultimei os últimos detalhes em casa, "despedi-me" de cada assoalhada pois tive a noção de que saindo a porta, quando voltasse não só não viria sozinha, como também sabia que nada iria ser como antes.

Correram-me as lágrimas pela face, ali, naquela minha solidão e a bébé prestes a deixar o casulo.

Pelas 08 da manhã, liguei para o meu suporte de todas as horas, a minha madrinha, disse-lhe com toda a calma que o momento se aproximava e ainda fiz a viagem até sua casa no meu carro, com as minhas contracções de 15 em 15 minutos.

E eu....estava calma. Ia ser mãe, estava a passar pelo processo de parto, mas estava tão tranquila e o medo tinha-se dissipado.

Perto das 10 da manhã estava a dar entrada na urgência da Maternidade Alfredo da Costa; os trâmites do costume, medir a tensão, CTG, consulta, toque...enfim, tudo a que se tem direito naquele momento e o veredicto...0 dedos de dilatação; o facto de ter contracções de 15 em 15 minutos ainda adivinhava uma longa espera, talvez de dias - lá voltei para trás.

Mas eis que cerca das 22 horas desse mesmo dia, num ápice, o que eram contracções de 15 em 15 minutos, passou a contracções ritmadas de 8 em 8 e depois de 5 em 5 minutos...suportáveis, mas dolorosas.

Trajecto - novamente a MAC...

(continua)

sábado, 17 de julho de 2010

O dia do primeiro banho

Foi hoje o dia em que a minha filhota tomou banho de banheira pela primeira vez e eu fiquei deliciada.

Não fui eu quem lho deu, decidi seguir a tradição familiar e foi a "avó" babada que cumpriu este ritual...deliciei-me.

Aquele ser humano pequeno, tão frágil e tão majestoso ao mesmo tempo, no ambiente em que esteve nos últimos 9 meses, feliz à sua maneira, sem preocupações e acima de tudo muito amada por mim, pelos avós, pelos amigos...

Olhar para ela, ver as suas expressões faciais, a primeira sensação ao entrar na água, primeiro estranhou, mas depois gostou e foi um sucesso.

E assim se vão cumprindo os ritos da sua ainda pequenina vida, e assim vou vivendo estas alegrias, e assim vou vendo como cresce, como se desenvolve, como me mostra que por ela...tudo!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Nasceu a 4 de Julho

Faz hoje precisamente 11 dias que nasceu o ser humano mais importante da minha vida; aquele ser humano mínimo e que de dia para dia me está a ensinar o que é o amor crescente, conceito esse que eu desconhecia.

Amo algumas pessoas que são importantes para mim, mas um amor como este é de facto uma sensação que só pode explicar quem a vive, e eu estou a vivê-la desde o passado dia 04 de Julho de 2010 às 15.48h.

Nasceu a minha filha!

Primeiro pensou-se que nasceria antes do términus do tempo de gestação por ser uma bébé grande e pelos problemas pessoais causados pelos erros graves de terceiros e que originaram em mim um estado de espírito de grande tristeza e desilusão.
Mas apesar das três ameaças de parto prematuro, a princesa decidiu ficar no casulo mais tempo, quem sabe por estar mais segura lá do que no meio desta selva urbana em que nos encontramos.

E ao fim de 40 semanas e 4 dias de pura simbiose e sem necessitarmos da já marcada indução ela decidiu nascer e transformar a minha vida por completo.

Que sejas muito bem vinda e acredita que tudo farei para te fazer feliz!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Mamã e Bébé

Apesar de tudo, há motivos para sorrir...