sexta-feira, 28 de maio de 2010

Os dias do fim

Costuma dizer-se que uma desgraça nunca vem só, e de facto os últimos tempos têm sido conturbados.

Tenho uma pessoa amiga e muito querida que infelizmente está à beira do seu fim. A última vez em que nos encontrámos, apesar da debilidade do seu estado, disse-me coisas tão bonitas, sempre com uma mensagem de optimismo, boa disposição e esperança e agora o que resta é a memória desses tempos.

Sei que está a viver os seus últimos momentos, a despedir-se da vida e eu que carrego uma nova vida que irá desabrochar dentro de dias sou impedida neste momento de lhe dar o conforto que há tão pouco tempo me deu a mim. Impedem-me de a visitar neste momento dado o meu estado físico e emocional e serei impedida também caso a fatalidade de facto ocorra proximamente.

É perturbador não podermos estar lá quando os nossos mais necessitam de nós, é perturbador não podermos fazer nada que altere o rumo da história e é perturbadora a saudade que fica nestes momentos.

A minha avó pouco antes de morrer dizia que se é a morte que nos espera, não precisamos de sofrer tanto para morrer; não precisamos de tanta dor, tanto sofrimento, a perca das nossas faculdades básicas, a perca da nossa lucidez.

E é com tristeza que peço seja a que entidade fôr muita paz para esta pessoa que receio dadas as minhas circunstâncias não voltar a ver com vida.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Barrigas de Amor

Penso que qualquer ser humano tem os seus períodos de idealização, de como vai ser o dia do casamento, o primeiro beijo, a primeira noite de amor, o nascimento de um filho, a festa de formatura...enfim.

Mas também todos sabemos que quanto mais planeamos, mais erradas nos saem as contas, pelo menos falo por mim.

Quando me imaginava um dia a passar por uma gravidez, imaginava que ia ser o período mais feliz da minha vida, o meu auge enquanto mulher. Sempre soube que iria ser mãe de um filho de um homem que amasse, a produção independente nunca fez para mim qualquer sentido e achei que iriam ser 9 meses em pleno.
Fotografias a cada mês para atestar a evolução do crescimento do bébé, andar por aí a "exibir" ao mundo o meu estado de graça, fazer valer-me do meu nobre estatuto de pré-mamã, inchada e orgulhosa da minha grande barriga.

Partilhar a dois todas as alegrias e as incertezas do que aí viria, partilhar com os amigos as coisas boas, receber muitos miminhos e festinhas na barriguinha, enfim, usufruir da benção ao mais alto nível.

O estado de graça está cá de facto, a felicidade de gerar um filho é algo inexplicável, mas vou sempre recordar esta gravidez também como dos momentos mais difíceis de toda a minha vida, dos momentos em que por algum motivo a vida me colocou mais uma vez à prova e me causou uma macabra dualidade de sentimentos e emoções.

Tenho a clara impressão de que muitos dos problemas que tive com a minha própria mãe já na idade adulta ocorreram por situações que ainda se passaram in utero, e não quero que a história tenha continuidade, nem vai ter da minha parte.

Por isso não me canso de dizer que te amo filha, és a minha paixão, vou fazer sempre tudo o que estiver ao meu alcance por ti, todos os sacrifícios, todas as vontades e quero que saibas sempre e que tenhas presente no teu coração o desejo que tenho por ti e que estava cá ainda muito antes de brilhares dentro de mim.

Sei que neste momento te transporto muita ansiedade, tristeza, dor, nervosismo...mas não consigo controlar, mas espero também que ao mesmo tempo te chegue aí ao teu aconchego todo o amor que sinto por ti e a certeza de que Tu vais ser muito feliz, porque moverei montanhas, lutarei contra as mais terríveis feras e deixar-te-ei seguir o teu caminho assim que o desejares. Espero conseguir transmitir-te bons valores e princípios, espero que sejas uma menina alegre e de bem com a vida e espero que uses um dia da tua arbitrariedade para fazeres o melhor que puderes por ti e por quem te rodeia.

E quando isso acontecer, um dia partirei em paz, pois terei cumprido a minha missão contigo. E olharemos para trás e avaliaremos este momento por que passo tão frágil, como algo que de certeza mais nos uniu.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Com umas dorezitas outra vez

Ontem melhor, hoje com uns incómodos outra vez.
De ressalvar sobretudo umas dores de costas que teimam em não me largar.

Esta recta final é de facto a que mais mexe connosco, tanto a nível emocional como a nível físico. Não tenho posição para estar sentada, ou a dormir, conduzir já custa um pouco também, a somar o inchaço dos membros inferiores...olhar para a casa e não ter forças para as limpezas básicas, não ter muita paciência para as tropelias do meu gatito Xá...enfim, se o que mais pesa é o facto de estar ansiosa por ter o meu maior tesouro de sempre nos braços, confesso que esta sensação de desconforto também já passou o limite do agradável.

Mas ela hoje mexe-se imenso, e como disse a Dra. na maternidade, enquando se mexem imenso é muito bom sinal, portanto filhota, continua a brincar que a mamã não se importa. Ontem por exemplo teve um dia mais zen a pontos de eu ficar em alerta, mas nada que uns rebuçados bem doces não resolvessem.
Já tem muitas manhas esta menina; algo me diz que me vai dar muito trabalho.

Para meu bem e a bem de algum descanso, espero que as dores voltem a dar-me algum sossego; amanhã lá vamos outra vez à maternidade e esperemos que nos próximos dias tudo fique mais calmo, pois tanto mãe como filha vamos precisar de toda a tranquilidade possível para sermos as heroínas do teu dia, que está para breve.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Prendinha para a Filhota



Ainda apenas eu te sinto e algumas "tias" e "tios" babados, mas acredita que para além de mim (e isso tu já sabes) todos gostam muito de ti e estamos todos ansiosos com a tua chegada.

A Mamã tem sido a recordistas em presentinhos, mas até agora tem sido roupinha para ti, o teu carrinho, enfim, a preparação da tua chegada. Ainda não te comprei o presente que vai representar o teu nascimento, mas quero que seja algo especial que depois possas recordar ao longo da vida.

Sabes, a tua avó materna quando a mamã era muito pequenina comprou um enorme urso amarelo de peluche com um laçarote vermelho. Sei que ela na altura fez um grande esforço para o comprar, mas a mamã até hoje jamais se esqueceu desse boneco.
O avô com a sua sensibilidade masculina ofereceu um carro da polícia que fazia "tinóni" e a mamã também jamais esqueceu esse presente.

Portanto para ti, prometo que vai ser algo bem especial.

Hoje, ia a mamã papar (com algum esforço, mas o facto de dependeres inteiramente de mim deu-me forças) e recebe um presente para ti, já viste?
De mais uma pessoa que sem ainda te conhecer e já gosta de ti, lembrou-se de ti e ofereceu-te esse mimo, esse anjinho, para que olhe por ti.
A mamã como anda uma chorona fez beicinho, mas ficou muito feliz.

É bom saber que os amigos estão connosco e que te mimam também meu amor. Quando olhares para a porta do teu quarto e vires lá esse anjinho pendurado, já sabes, foi hoje que o recebeste, e eu sei que vais gostar.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Criopreservação - Banco Público

Tantas decisões que temos que tomar neste momento em que a tua chegada é uma realidade cada vez mais próxima.

A mamã não teve qualquer ajuda nesta decisão, e nesta fase tudo o que queiramos fazer é uma pequena fortuna; talvez quando fores maior as condições de vida estejam melhores, mas neste momento vivemos uma crise financeira à escala mundial que muito nos preocupa a todos.

De há uns anos a esta parte começou a falar-se na criopreservação de células do cordão umbilical - são as células e o sangue mais puros que se podem obter e segundo muitos a cura para muitas doenças de sangue e algumas congénitas.
A classe médica divide-se, nomeadamente na aplicabilidade desta técnica, uma vez que as células criopreservadas sofrem mutações e nada nos garante se um dia formos nós a precisar delas que o nosso organismo as aceite, pois poderemos deixar de ser compatíveis com a´nossa própria "herança".

Então aliado ao facto dessa incerteza, mas também à tentativa de fazer sempre o melhor por nós e pelos outros a mamã optou sim pela criopreservação mas através do Banco Público e não de uma instituição privada.

Mal nasças filhota (ou mal nasceste, pois quando leres estas linhas já terás alguns aninhos) para além da benção que vais ser e já és na minha vida, vais, juntamente com a mamã ser dadora das células do teu cordão umbilical.
Estas células poderão então ser usadas para ti caso algum dia necessites e sejas compatível contigo própria, para familiares teus directos e muito importante, para quem delas precise para sobreviver, um menino ou uma menina que por um acaso do destino teve a infelicidade de perder um pouco a sua saúde.

Já pensaste bem na tua generosidade? Mal acabas de nascer e já estás a proporcionar tanto o Bem!

A mamã promete que não vai custar nada; o doutor e a enfermeira logo depois de tu nasceres vão tirar um bocadinho do nosso cordão, daquela parte em que estivemos ligadas durante os últimos 9 meses e depois vão ser um pouco mais mauzinhos para a mamã, pois vão voltar a picar para tirar umas gotinhas de sangue - vem a geleira para conservar o nosso legado e aí vai rumar em direcção ao laboratório para ser útil a alguém.

Vamos cultivar sempre esta generosidade, vamos tentar fazer sempre o que estiver ao nosso alcance e partilhar com quem mais precisa o que de melhor temos.
Quero um dia, quando tiveres esse discernimento que leias tudo o que escrevo e vou encher-me de orgulho por saber que tu levaste a cabo tudo de bom que a mamã te vai transmitir, bem como de todas as pessoas que gostam de ti e que te transformes numa menina/mulher íntegra, com muitos valores e que partilhes muito bons sentimentos.

No sábado o caranguejo, ontem o caos

Digamos que este último fim de semana, foi no mínimo complicado de gerir.
No sábado andei a tratar de detalhes para a tua chegada a casa bébé, mas confesso que se até aqui tratava de tudo isso com uma enorme alegria, agora estava triste, sem vida....mas tu não tens culpa e em momento algum te quero transmitir falta de desejo por ti.

Andei assim mesmo a tratar das tuas roupinhas, dos teus lençóis, fui ver o filme da tua última Eco para matar as saudades que já sentia de ti e a meio da tarde fomos desencaminhadas, sim...desencaminhadas porque somos inseparáveis e tivemos um jantar que a mamã já há muito tempo não tinha e que soube bem.

Sabes o que comeste pela primeira vez?? Caranguejo e sapateira, umas receitas meias afrodisíacas com coco e caril, bem, uma coisa te digo, ficaste vigorosamente agitada e a mamã toda satisfeita. Não é todos os dias que se comem estas iguarias.

Grande noitada fizemos nós, chegámos a casa tarde, o Xá à nossa espera, mas o sono uma vez mais teimava em não vir.

Ontem foi o baque, foi a queda...enfim, foi terrível. Talvez a falta do sono, o começar a escrever, a ver fotos tuas na minha barriga, a lembrar-me disto e daquilo, a mamã não aguentou a pressão e acabámos por sofrer as duas. Tu agitada, a mamã nervosa, as dores vieram, enfim, um pequeno grande susto.

Fomos a um dos hospitais em que há probabilidade que tu nasças, fizeram-nos tudo e mais alguma coisa, andaram a fazer pequenas "maldades" à mamã para perceber o que é que tu querida andavas a tramar. E embora as dores fossem muitas e incomodativas, tu estavas e estás bem e a aproveitar o teu sossego, a tua paz, o meu calor.

A mamã tentou pôr-se calma, a mamã fez uma série de declarações, a mamã disse certas coisas, por ti, por nós...não sei se foi bom ou não, mas tal como muitas outras coisas da tua/nossa história, um dia saberás e farás a tua leitura.

Mas hoje estamos noutro ciclo e o mais importante para mim é concentrar-me na tua chegada e fazer tudo por tudo para que sejamos felizes, seja lá isso o que for.

domingo, 23 de maio de 2010

A chegada consciente da minha filha




Estou neste momento na recta final da gravidez, sendo que a minha bébé pode nascer a qualquer momento; esperemos que queira permanecer em simbiose comigo mais umas escassas semanas a bem da correcta maturação dos seus pulmões, mas sinto que está para breve, facto esse que me enche de alegria.

Dada a minha história de vida e todo o meu percurso, pautados por uma infância e uma adolescência com algumas (nem todas) situações menos boas sempre desejei um dia construir uma família funcional, diferente daquela que tive e tenho consciência que ao não termos determinadas coisas, talvez seja mais fácil não cometermos as mesmas falhas, pois sabemos exactamente o que evitar.

E há uma coisa que eu sempre soube e espero de facto ter a sapiência de o concretizar...tenho a certeza de que vou ser uma boa mãe. Mais importante do que tudo o resto será a minha filha, porque....já o é.
Sinto um Amor crescente por ela e sei que o dia em que estivermos finalmente frente a frente vai ser um misto de emoções para mim, enquanto ser humano, enquanto mulher e aí sim, enquanto Mãe.

Para ti directamente Filha, quero que saibas que a tua concepção foi fruto de um acto de Amor, foi fruto de um grande amor, conturbado é certo, mas muito grande. Não chegaste aqui por um acaso, foste planeada por mim e pelo papá na sequência de mais uma fase difícil por que tinhamos passado e pensámos nós, ultrapassado.
Encaro-te como uma benção, pois não tivemos que esperar longos meses até brilhares dentro de mim, chegaste bem rápido e encheste o meu coração de alegria e o do papá também.

Soubemos que estavas connosco no dia 25 de Outubro de 2009, tinhas tu 4 semanas e alguns dias de gestação. Os sintomas eram alguns, fomos à farmácia comprar o teste, a Mamã fez e não teve coragem de olhar para o resultado. Foi o Papá que deu a notícia, foi ele que viu que brilhavas em primeiro lugar.

Confesso-te que fiquei assustada e pensei....e agora?? Isto é mesmo a sério. O Pai também ficou um pouco circunspecto, fomos tomar o pequeno almoço fora e dias depois o papá teve também uma grande conquista; foi fazer o exame de código e passou, algo que ele há muito queria fazer e nunca tinha calhado...vês, trouxeste muitas coisas boas.

Começou a nossa rotina de médico, de exames, de querer que tu te manifestasses rapidamente, mas nos primeiros meses eras só um "feijãozinho", tão frágil, mas tão importante.
A mamã e o papá cumpriram com as consultas, com as Ecos, o papá foi a quase todas...mas digamos que o teu período de gestação nem sempre foi o que a mamã tinha sonhado.

Neste momento já saberás que a relação da mamã e do papá nem sempre foi um mar de rosas, mas não faltou amor...talvez compreensão, sermos diferentes nalgumas coisas, a mamã ser mais caseira e gostar da vida em família, o papá ainda naquela fase da irreverência e nem sempre gostar de se sentir fechado na gaiola.
Aconteceram coisas menos boas...mas nunca te esqueças que és fruto de Amor e de actos reflectidos e conscientes.

Hoje, a escassos dias do teu nascimento, estamos apenas as duas, mas a mamã tem muita força e muita vontade que tudo corra bem e que apesar de tudo no dia em que abrires os teus olhinhos sintas todo o amor que tenho para ti, que todos vamos ter para ti.

Estou ansiosa pela tua chegada, estou ansiosa que a Terra gire de outro modo e espero que tudo se resolva; Amor, nunca faltou...

Talvez quando leres isto a nossa família esteja como deveria estar, talvez não...não sabemos, mas aqui fica a declaração de Amor para ti filha e para...

Até já!

Este blog

Comecei a construção deste blog há uns anos, como forma de extrapolar sentimentos, emoções, experiências, vivências, desabafos, raivas, medos e uma ou outra piada, que a vida não são só desgraças.

Já falei de paixões, mágoas, desilusões e situações complexas da vida; já fui mais ou menos directa, mas se temos a permissão de usar do dom da palavra...quase tudo nos é permitido.

Estão aqui retratados vários ciclos, homenagens a pessoas de quem gosto e palavras menos cordiais para pessoas de quem não gosto ou mesmo para situações.

Escrever sempre foi para mim algo muito presente, mas é um facto que sempre me dediquei mais à escrita em momentos de carga emocional mais negativa; os momentos mais positivos e mais felizes ocupam tanto o espírito que cometi muitas das vezes a injustiça de não os partilhar comigo própria para memória futura e com o mundo; talvez um certo egoísmo e a tentativa de guardar o melhor para mim e os desabafos partilhá-lhos na busca de algum consolo.

Nós seres humanos somos incríveis; nunca se sabe com o que podemos contar, sobretudo de nós próprios.

Tudo isto para registar que nesta data a minha vida está a passar por uma complexidade grande e muitas coisas mudaram e estão prestes a mudar.

A maior mudança de todas é a maternidade e para além de continuar a "postar" aqui seguindo a linha orientadora que sempre segui, vai ser também um diário de bordo, uma forma de registar todas as evoluções da minha nova condição de Mãe, da minha relação com a minha filha...para que um dia, quando crescer possa com calma saber tudo o que fará também parte da existência e pré-existência dela.

Deixa então de ser a partir de agora o meu blog, e vai passar a ser nosso, para mais tarde, quando só perdurar a minha memória e eu partir ela possa recordar quem fui, o porquê de muitas acções e o grande amor e esperança que ela trouxe à minha vida.

Gostaria muito de sempre que o entendesse colocar aqui imagens nossas, mas creio não ter esse direito, portanto porei sempre que o entender imagens minhas, mas as da minha filha serão sempre preservadas, pois apenas ela tem o direito de querer ou não divulgar a sua imagem. Quer isto dizer que partilho aqui momentos, imagens sim, mas esbatidas, pois nós pais não temos o direito de expôr os nossos filhos ao mundo.

Portanto sempre que aparecer um pézinho rechonchudo, ou uma bochecha ampliada...será o máximo que poderei partilhar dela, imageticamente falando, como é óbvio.

domingo, 16 de maio de 2010

Ontem

Foi dia de rever uma "amizade" antiga. Um fim de tarde numa bela esplanada na nossa bela marginal foi o local escolhido para pormos a conversa em dia.

É engraçado ter sido no sítio em que nos conhecemos, há cerca de 3 anos atrás; e que, volvidos estes anos e tantas peripécias pelo meio, permaneça a amizade, o carinho e o respeito.

É bom saber que apesar dos tropeções ainda há por aí pessoas que valem a pena e com as quais continua a valer a pena ter uma boa conversa.

Disse que eu estava com ar de mamã...eheheh, quem diria que passado este tempo nos veríamos nestas condições.

A vida é assim, rola, rola, não pára e é bom saber que as boas coisas ficam cá dentro.

Foi um agradável fim de tarde.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

E as dorezitas já são uma constante

E sinto que o desfecho está para muito, muito breve.

E quando todas as pessoas em volta me desejam "uma hora pequenina", dou comigo a pensar quantos 60 minutos terei que esperar, respirar fundo, fazer força...até a ouvir a chorar a plenos pulmões pela primeira vez.

Com mais ou menos sofrimento uam coisa eu sei - vou ser muito corajosa, porque o mais importante é que corra tudo bem para ambas, sobretudo para a minha bébé.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Experiências de Parto

Nos últimos dias não o posso evitar e as leituras que faço, as conversas que tenho com os mais próximos estão todas centradas no momento que mais dia menos dia, mais hora menos hora vou também eu estar a viver.

Cada caso é um caso, cada um tem a sua experiência e cada um vive esse momento à sua maneira, mas não deixo de estar centrada em absorver o máximo de informação possível, já que a situação acaba por ser imprevisível e tudo pode acontecer.

Tenho uma amiga desde os tempos idos de faculdade que tem um blog lindíssimo dedicado ao filhote e hoje deu-me para lá ir absorver toda a informação que ela relata acerca do nascimento do Lou. Fechei os olhos e senti alguma da ternura que ela experimentou naquele momento, caíram-me as lágrimas e senti uma "inveja" positiva da forma como tudo se processou com ela e da forma tão feliz que ela relata aquele momento.

Aqui deixo alguns excertos:

"(...)Virei a cara para não ver o reflexo do que faziam num vidro de um armário. O médico diz qualquer coisa como «A tentativa era honesta, mas ele estava mesmo muito subido!» e «Eh lá! Este é moreninho». E falavam muito todos. Mas não comigo. De repente ouço chorar. Era ele! Aí sim, emocionei-me. É sem dúvida uma sensação indescritível. Trouxeram-mo ao meu lado e eu achei que tinha muito cabelo e a cara quadrada. Não vi mais nada. Ouvi-o a chorar ao longe. Presumo que continuaram o serviço. A mim só queria que me deixassem em paz. Talvez me apetecesse dormir um pouco. Mas não. Mexe e remexe, põe daqui, passa para ali. Nesses intantes só pensava «E agora? O que é que eu faço? Agora é a sério. Serei capaz de tratar dele? De cuidar dele?».

"(...) Levaram-me para o recobro, onde percebi que o iam levar logo logo e onde também estavam os pais. Alguém dizia que o meu homem chorava que nem uma madalena, sorri. Fiquei à espera que viessem os meus amores. Estupidamente feliz."

Sem grandes delongas e olhando para a frente, para trás e para os lados dou comigo a pensar - como é que há pessoas que tenham a coragem de se demitir das suas funções, de gozar estes momentos, de os partilhar em uníssono, de os viver, de os deixar para sempre gravados na memória...e tudo isto por mero egoísmo, mera má formação moral, em que um copo de cerveja, um bar mais ou menos duvidoso e os amigos de ocasião pesam bem mais na balança do que a construção de uma família...

É triste...

terça-feira, 11 de maio de 2010

A minha Princesa, a minha Paixão, o meu Tesouro


Espero que não te zangues com a mamã, por estar a expôr a tua imagem sem tua autorização, mas não resisto a deixar para a posteridade esta imagem que tanto me enternece, que tanta esperança no nosso e sobretudo no teu futuro me faz acreditar que tudo valeu a pena.

Ainda que dentro de mim, esta tua primeira imagem em carne e osso deixou-me ainda mais apaixonada e este AMOR cresce, cresce, cresce.

Neste momento és a minha razão de existir, é em ti que penso, na tua felicidade, em tudo de bom que eu te quero proporcionar.

Quero para ti o melhor Filha e desejo que sejas sempre muito....mas muito feliz.

A Mamã

O meu companheiro versão peluda e sem pêlo (eheh)




Sem vontade para nada

Lá ando eu outra vez com falta de energia, de forças, o chegar a casa e não ter vontade para fazer nada e tanta coisa que há para fazer.

Sentir fome e não ter vontade de confeccionar, ir a caminho de casa e ansiar pelo sofá ou mesmo pela caminha, mas chegar lá e não conseguir dormir.

Gostar tanto do meu gato Xá e ultimamente não ter muita paciência para as traquinices dele...no fundo sou eu a precisar de colo, colo esse a que infelizmente poucas vezes temos direito.

A verdade é que são poucas as pessoas hoje em dia com capacidade para "dar colo". Conheço muitos casos em que dar ou receber colo se resume a actos sexuais, beijos, perdoem-me a expressão "altas cavalgadas". Eu sempre considerei que os actos de amor vão muito para além disso; pode haver tanta ternura num telefonema a dizer "gosto de ti" ou "penso em ti" ou "preocupo-me contigo", pode haver tanta ternura num postal insignificante mas que pode significar tanto, pode haver tanta ternura quando uma pessoa nos aprimora a roupa, nos mima aqui e ali...sei lá, tanta coisa...

Mas o ser humano e as relações humanas cada vez se pautam mais pelo egoismo, pelo salve-se quem puder, pelo "eu estou bem, os outros que se lixem" pelo Eu, pelo Eu, pelo Eu.

Da forma abrupta com que nos deparamos com a realidade dos dias de hoje, deviamos todos parar para pensar, sendo a vida tão curta, não conseguimos aproveitar provavelmente o que de melhor poderíamos levar.

Enfim, deve ser uma fase própria de pré-mamã prestes a ver a sua bébé e a experimentar o amor incondicional.

domingo, 9 de maio de 2010

Há cerca de dois meses sonhei com ela

E apareceu-me linda, com uma cara redondinha, vá-se lá saber porquê.

Mas o meu instinto estava certo e a avaliar pela imagem 4D que recebi esta semana, ela é mesmo linda e tem umas bochechas de todo o tamanho...já dá vontade de não parar de lhe dar beijinhos.

Tem muito cabelo e uma expressão muito doce. Que ansiedade.

É tão linda!

sábado, 8 de maio de 2010

O ladrão mostrou novamente a sua raça...

tchhh, que falta de originalidade.

Falta-lhe descobrir as surpresas que estavam guardadas e calculadas...eheheh, a seu tempo as encontrará!!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Noite Terrível/Dia Feliz

Começo por deixar aqui para a posteridade que a madrugada passada foi das piores noites (senão a pior) em termos de "sofrimento" físico que tive até hoje.

Acho que nunca tinha sentido tanta dor, tanto desconforto e ainda agora estou para saber a causa. Não sei explicar se foram cólicas, se foram contracções, sinceramente não sei explicar.

Mas passei uma péssima noite, não preguei olho e nem sequer tive forças para me arranjar e ir ao hospital ver o que se passava comigo.

Para além disso os nervos tomaram conta de mim e só já pensava se a minha filha estaria bem, se aquelas dores estariam relacionadas com o bem estar dela, enfim, sofri horrores, nem me quero lembrar.

Às tantas dava comigo a pensar se estaria a entrar em trabalho de parto, mas não tinha mais sintomas que me fizessem crer numa coisa dessas, portanto decidi esperar que a manhã chegasse.

Com a manhã, passaram as dores, mas o corpo ressentiu-se, ficou dorido e eu sem coragem para reagir...logo num dia em que tinha que cumprir bem a minha função de mãe de uma bébé e "mãe" de um gato (Xá) que hoje precisava também da minha proactividade.

Enfim, com bastante sacrifício lá peguei literalmente nas minhas pernas, carreguei no meu ventre abençoada a minha princesa e na fofura peluda do meu Xá e lá fomos nós os três à vida.

O Xá lá ficou na clínica (dói-me o coração deixá-lo lá no veterinário) para ser tosquiado - mas não é uma tosquia qualquer, teve que levar uma leve anestesia, coitadinho.

E eu e a princesa lá fomos ao Sr. Doutor monitorizar e avaliar se estaria tudo bem...e posso-vos dizer que até agora é o Dia mais Feliz da minha vida, que só vai ser suplantado aquando do seu nascimento.

Eu vi-a!!!Eu vi-a!!!! As maravilhas da ciência e os exames a 4D dão-nos uma perspectiva que eu não imaginava ser possível.

Eu bem que dizia, é linda, linda, linda.
Não devia dizer isto, para não ferir a susceptibilidade da minha princesa, mas é robusta a pequena.
Tem o nariz da mãe (claramente), a boca parece ser do pai e o conjunto é maravilhoso.

É de facto uma princesa a minha filha.

Já te Amo muito!!!...cada vez mais

terça-feira, 4 de maio de 2010

Numa semana

em que as atenções estão centradas em:

1 - Nos 2 mil milhões que vamos emprestar aos gregos para saírem da crise (União Europeia à parte, gostava de saber quem é que me ajuda a mim)

2 - A visita do Papa Bento XVI ao nosso paraíso à beira-mar plantado (perdoem-me os demasiado crentes mas não gosto do personagem e não entendo como é que há quem tenha direito a 1 dia e meio de "feriado" quando o dito Sr. se resume a ser equiparado a um chefe de Estado qualquer).
Quer dizer, agora sempre que tivermos a visita de um chefe de Estado vai ser feriado? É assim que pretendem que se saia da crise banindo dias de produção que seriam úteis para a economia nacional??

3 - Na derrota do Benfica face ao F.C.P - não simpatizo com ambas as equipas e sempre defendi o Sul, face ao Norte, mas esta goleada foi bem metida. Os benfiquistas estavam a precisar de refrear um pouco o ego e adiar por uma semana a suada conquista do campeonato.
Como dizem os mais antigos...devagar se vai ao longe...

Mas retomando ao início, numa semana em que imperaram as três notícias que acima enumerei, e não me estando eu a sentir nada em forma, muito pelo contrário porque:

Ando com quebras de tensão
Ando cheia de dores na zona pélvica
Não consigo dormir uma noite em condições pois já não tenho condições físicas que mo permitam
Ando sem vontade de cozinhar, pois só me apetece estar deitada...logo a minha alimentação também se ressente
Faço o quádruplo do esforço nas lides domésticas e confesso que aldrabo um bocado por falta de forças e energia
Pareço um trambolho andante...qual Zé sempre em pé
Deito sangue do nariz todos os dias

E há mais...mas não vou enumerar os pormenores mais sórdidos...

Estou muito feliz, eheh.

Cada vez a sinto mais a interagir comigo.
Já mantemos o nosso diálogo de mãe e filha e acreditem que nos entendemos muito bem e já sabemos até que limite podemos ir uma com a outra
Quando a chamo ela já responde e vice-versa
...mas é muito brutinha esta minha filha, dá cada pontapé mais forte, que deve querer fazer concorrência aos futebolistas actualmente no activo

E é linda, linda, linda...eu sei que é :)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

...e lembrei-me tanto da minha avó

É verdade, é inevitável esquecer-me dela.

Nestes dias mais marcantes, em que se celebram sobretudo sentimentos não pude deixar de me lembrar da minha saudosa Avó Isabel.

Partiu cedo e faz-me cada vez mais falta. Mas acredito que esteja onde estiver, olha por nós.

Um beijo grande e um forte abraço daqueles que até dói.

A minha saudade por si é eterna Avó!

Ontem foi o Dia da Mãe

Ontem foi um dia especial para todas as mães e estou tão babada que já não me sinto uma excepção.

Não me esqueci desse dia enquanto filha (nunca me poderia esquecer), mas foi o primeiro ano em que eu própria já me sinto uma Mãe na verdadeira acepção do termo.

Dei comigo a pensar na responsabilidade diária que ganhei, mas mais do que isso, na relação de grande Amor que há tão poucos meses começou mas que para mim já é tão forte e vai crescendo de dia para dia.

O facto de nunca me ter considerado uma pessoa feliz, embora também tivesse vivido os meus momentos de felicidade, levam-me agora a crer que com um filho tudo é diferente. Por muito que não estejamos realizados a outros níveis, os filhos são de facto o melhor de nós, ainda que só os sintamos (tal como eu neste momento) de dentro para fora e através de imagens a duas e a três dimensões.

Mas o Amor, de facto cresce de dia para dia.

E uma coisa que eu não entedia, é que de facto aprendemos a relativizar as coisas; porque os maus comportamentos, o egoísmo e a mesquinhez de quem porventura possa estar à nossa volta, deixam de ser importantes, porque o mais importante são de facto os nossos filhos, o Amor que temos por eles e a capacidade inata que temos para os Amar.

Espanta-me como há apesar de tudo tanta gente por esse mundo fora que se demite das suas funções, que abdica de qualquer momento, que os prejudica, que os ignora.

De que serão feitos esses corações? Ou o que existirá no lugar desses corações?

Creio que será mais um dos grandes enigmas da vida.

Portanto a quem é dada a benção de criar vida, às mamãs e papás por esse universo fora, tenham presente que é de facto uma benção e das melhores experiências que uma pessoa pode experimentar na vida; digo-o como ser humano, como filha (ainda que com uma relação inexistente com a Mãe por motivos de força maior), como futura Mãe e muito importante também, como afilhada de uma Madrinha excepcional, que para além de tudo tem sido a Mãe, a Amiga, a Conselheira a Companheira de todas as horas.

Um bem Haja a todos os bons sentimentos com que me tenho deparado nos últimos tempos.