domingo, 10 de fevereiro de 2008

"Quem me Leva os Meus Fantasmas"

Tive oportunidade de ver há dias uma entrevista com o Pedro Abrunhosa (músico de que gosto bastante pela sua atitude e mensagens que passa) em que ele dizia que as suas músicas/letras são o reflexo das suas catarses, de situações que o perturbam, ou que lhe agradam e que ele tem que extrapolar para o exterior.

Achei engraçada a analogia, pois com o sentido de humor que lhe é característico refere que é uma maneira de não perder tempo e dinheiro a ir ao Psiquiatra, entretém as pessoas e ainda lhe pagam para isso.

O filósodo Lou Marinoff, brilhante também, como forma de evitarmos a cadeira do analista propõe-nos "Mais Platão, Menos Prozac".

Concordo com ambos. E aqui deixo uma letra fabulosa de Pedro Abrunhosa, que transmite muitas das certezas e incertezas da minha existência, e foi também a seu tempo a banda sonora de eleição de uma anterior relação por mim vivida.

Quem Me Leva os Meus Fantasmas

"Aquele era o tempo
Em que as mãos se fechavam
E nas noites brilhantes as palavras voavam,
E eu via que o céu me nascia dos dedos
E a Ursa Maior eram ferros acesos.

Marinheiros perdidos em portos distantes,
Em bares escondidos,
Em sonhos gigantes.
E a cidade vazia,
Da cor do asfalto,
E alguém me pedia que cantasse mais alto.

Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

Aquele era o tempo
Em que as sombras se abriam,
Em que homens negavam
O que outros erguiam.
E eu bebia da vida em goles pequenos,
Tropeçava no riso, abraçava venenos.

De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala
Nem a falha no muro.
E alguém me gritava
Com voz de profeta
Que o caminho se faz
Entre o alvo e a seta.

Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

De que serve ter o mapa
Se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado,
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
Se a casa está deserta?

Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?"

By Pedro Abrunhosa

3 comentários:

Anónimo disse...

É uma das canções de P. A. que aprecio bastante, pois também tenho os meus fantasmas...

Pipas disse...

Boas, a minha relação com o Pedro Abrunhosa é um pouco de amor/ódio, adoro as letras dele, tem algumas músicas fabulosas, mas também tem outras que não me dizem nada e a parte vocal dele por vezes também me confunde. De salientar o passado Jazzístico dele como contra baixista.
Em relação a esta música em particular também gosto.
P.S. Uma música dele mas mais antiga (Tudo o que te dei) também tem um significado especial para mim, coisas de teneagers apaixonados eheheh
Fica bem
Pipas

Ana Modolo disse...

Enviei essa música para um amigo, ele disse que era bonita, mas que não é a sua praia. Perguntei se ele tinha prestado atenção na letra, ele disse que sim, mas que achava muito lenta.Depois de alguns dias respondi que ele ainda vai entender o que o músico quis passar.