sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Finalmente o Testamento Vital

Nestas e noutras coisas o pragmatismo caracteriza-me; mas, como qualquer ser humano, também encerro em mim o dom da irracionalidade quando a "mostarda me chega ao nariz", e aí, se eu por acaso sei que a razão está do meu lado, qual Dogue Argentino, qual raça mais perigosa de todos os tempos, eu não só não largo o osso, como a carne....enfim, não é de todo fácil.

Eu não quero saber se defronto um urso, um dinossauro ou mesmo as trevas....mas nesses momentos, medo, é palavra que não tem significado no meu dicionário.
Portanto, desafiarem a minha razão, é das piores coisas que me podem fazer...e o troco é devolvido, nem que seja passado tanto tempo, que o carrasco até já esqueceu aquilo que fez.

Se assim não fosse, era canonizada, e não está de todo nas minhas pretensões.

Adiante....

Foi com grande satisfação que acedi ontem à notícia de que, finalmente, o Testamento Vital é possível no nosso país e que passou a ter enquadramento legal - já não era sem tempo.

Esta realidade levou-me a relembrar um episódio que se passou comigo há muitos, muitos anos atrás, tinha eu pouco mais de 20 anos e recebo para além de, no dia menos oportuno de todos e na presença de terceiros, algo que também era dispensável....um anel de noivado, com um sorriso idiota da outra parte na cara, eu acabada de chegar do aeroporto e a pensar (mas porque é que eu não fiquei lá) e o ilustre, mas pouco, pedido de casamento; assunto acerca do qual já se tinha falado e eu não tinha dado a mínima importância.

Não acreditava e continuo a não acreditar na Instituição Casamento nem tão pouco acho o contrato em si vantajoso para ambas as partes; para eu acreditar nessa Instituição a minha outra parte que habita por esse mundo fora teria que cruzar-se comigo, teria que possuir a leveza de espírito suficiente para me fazer acreditar que assinar mais aquele contrato ia ser algo de útil, porque de papéis já uma pessoa fica farta desde que nasce...e de facto esse ser Galáctico não se cruzou comigo e duvido com 99,9% de certezas que alguma vez se cruze nesta encarnação.

Mas como gosto de analisar as coisas, não lhe respondi de imediato ao "pedido", e perguntei-lhe sim, o porquê...casarmos....ai sim...e porquê? As respostas gosto de ti, amo-te, quero passar o resto da vida contigo - para mim são tretas do mais absurdo que há, uma vez que não respondem à pergunta objectiva que eu coloquei.

A cereja no topo do bolo; a resposta mais absurda e idiota que eu poderia ter ouvido e que transcrevo:

"É que se algum dia te acontecer alguma coisa que tu não tenhas capacidade para decidir, quero ser eu a ter essa responsabilidade!"

What???? O homem é louco; o homem vai dar-me cicuta, vai atirar-me aos tubarões e vai abotoar-se ao meu Seguro de Vida, e no fim ainda palita os dentes com a minha tíbia!

QUEM DECIDE O QUE FAZER OU NÃO, OU SOU EU NO PERFEITO USO DAS MINHAS FACULDADES MENTAIS, OU SOU EU POR TER DEIXADO ESCRITO EM TESTAMENTO, OU É A MINHA MÃE (que ao meu pai não lhe confiro tamanha generosidade) porque no fundo me gerou, me carregou durante 9 meses e tal (coitada), me pariu e jamais escolheria o desfecho que mais me fizesse sofrer.
Tal como qualquer mãe, obviamente, tirando as raras excepções das mães das "Joanas" do Algarve que por aí há.


....e a resposta ao porquê do "casamento" era tão simples...e há de facto uma resposta que foge ao "amo-te" e tal...coisas lamechas e por aí.

Mas deixo aqui uma mensagem de apreço a alguns maridos que por aí infelizmente não abundam e que apesar de tudo conseguem ser originais e dizer em 3 ou 4 palavrinhas a importância que tem para eles levar a sua jovem ao altar, ao registo, à beira da praia ou seja lá onde se queiram casar.

Por acaso numa conversa recente e despropositada, houve uma pessoa que do nada me disse exactamente onde é que eu, a fazê-lo, algum dia me casaria....e naquele local, sinceramente não seriam precisas palavras, pois o local fala por si.

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