quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Quando o mau comportamento atinge o seu pico máximo

A miúda já nasceu com mau génio, disso não tenho qualquer dúvida. Chorava a plenos pulmões, e que pulmões e quando as coisas não sucediam da forma que ela entendia, ainda fazia pior.

Foi sempre assim desde que nasceu. Lembro-me que para eu conseguir descansar um bocado após o parto que foi extremamente complicado, a levaram para o berçário, mas só aguentou cerca de 5 minutos. A algazarra era tanta que punha em alvoroço os outros bebés que queriam descansar, pelo que chegava a andar uma enfermeira com ela ao colo de um lado para o outro naquela maternidade. Bastava fazer o gesto de a deitar no berço que ela abria um olho e fazia uma cara, como que a dizer:

"Nem penses!"

Foi sempre assim; para comer, na fase do desfralde,, etc. É um doce de miúda, mas tem muito mau génio. E quando digo que herdou o pior de mim e do pai, não estou a exagerar, tal como também herdou o melhor - o problema é que não tem meio termo,

É uma miúda naturalmente simpática, comunicativa, de bem com a vida. Eu não era nada disso, era uma miúda fechada, bicho do mato quase, trombuda. Esta parte mais social foi buscar ao pai, que, com todos os seus defeitos deploráveis, não deixa de ter um coração gigante quando quer.

Por outro lado é também uma miúda de causas, com um grande sentido de justiça e que defende e debate as suas ideias até ao fim - essa parte foi buscá-la a mim, sem dúvida. Contesta, argumenta, contra-argumenta com uma rapidez de raciocínio que não são comuns na idade dela

Consegue ser de uma generosidade extrema, tanto a nível dos afectos, como a nível material - aí, foi buscar a generosidade material ao pai, que é daquelas pessoas que tira a própria camisa para dar aos outros e a generosidade de afectos é mais o lado da mãe. Qualquer dos dois parâmetros em demasia é lixado porque as pessoas facilmente se aproveitam disso e desiludem-nos, magoam-nos.

É uma miúda extremamente honesta algo que valorizo muito e que sem qualquer sombra de dúvida veio buscar à mãe mas, já lhe expliquei muita vez que por vezes less is more e existem determinados pensamentos e objecções que deve deixar para ela. Por muito que lhe dê prazer uma boa "luta" mais vale calar-se, ponto.

E aí chegamos ao grande problema dela - o não se calar quando chega a altura de o fazer. E eu passo-me com ela, e acredito que com outras pessoas ocorra exactamente o mesmo.

Resumindo e baralhando, como não fecha a boca, isso reflecte-se no comportamento que tem na escola. Este 2º periodo está a ser complicado, anda refinada ainda nem percebi muito bem porquê e as bolas de comportamento com cores más têm-se sucedido. Resultado, tinha-a deixado ir ao acantonamento das Guias no final deste mês para comemorarem o dia do Baden-Powell e com grande pena minha tive que lhe retirar esse privilégio, não vai!

"Ah, mas se eu trouxer bolas boas até ao dia da viagem, deixas-me ir?"

"Podes trazer o arco-íris e descobrir o tesouro que está no fim, que não vais, mas, aviso já que é bom que de facto tragas bolas favoráveis, porque a seguir arriscas-te a sair das Guias de forma permanente, o teu Tablet vai ser dado a um menino que se porte melhor do que tu e não há fantasia no Carnaval."

Será que isto vai resultar!? Honestamente e conhecendo a figurinha como conheço eu sei que não, porque ela não se controla.

E sou obrigada a concordar que os verdadeiros problemas e dilemas da educação estão a começar agora e o quão é difícil ver-mo-nos a braços com a educação de um ser humano com mau génio completamente sozinhos e ter a noção de que se não conseguirmos "domar" a fera agora, daqui a uns anos não temos mão no "bicharoco" e não, não queremos chegar a esse ponto.

Enfim, há que viver um contratempo como tudo o resto, ou seja, viver um dia de cada vez.

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