sábado, 8 de março de 2014

Escravatura e servidão

Acho interessante que a minha diferença de idades de quase 11 anos com a minha irmã, nos torne tão diferentes e com formas de ver a vida tão díspares.

E somos diplomadas na mesma ciência, que é o mais engraçado.

Mas noto que os 25 anos dela, são totalmente diferentes dos meus. Eu devorava cinema e livros, ela devora apenas livros.

Eu interessava-me por questões históricas polémicas, ela vai mais para as matemáticas e biologias.

Hoje foi ver com o namorado o filme "12 anos escravo" e veio doente - disse-me que nunca pensou que as coisas fossem assim.

Eu, ainda nem 10 anos tinha via filmes em que a escravatura e servidão eram o mote, tratava as cartas de alforria e os capatazes por "tu"; o primeiro a marcar-me foi A Cabana do Pai Tomás e depois vieram outros tantos, a Cor Púrpura, e afins.

É chocante não só sabermos que existiu e que as pessoas eram meras mercadorias, mas isso desde os tempos mais ancestrais, faraós incluídos e custa ainda mais saber que em pleno século XXI continua a haver escravatura e servidão, completamente fora do que estipula a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Choca-me também, e dada a minha história familiar ter uma miscelânea de culturas e raças saber que, da parte da minha mãe, tive um tio do lado dos maus, uma óptima pessoa para a família, que tinha uma roça de café....e escravos, no século XX, e que apanhavam pancada e que ficavam horas ajoelhados em cima de grãos de café e eram espancados ao que sei de uma forma dilacerante com vergastadas na planta dos pés - dolorosíssimo, acredito.

Não conheci esse tio, graças a Deus, a minha mãe era pequena quando tudo isto se passou, mas descender dos dois lados da moeda e depois de saber minimamente o que significa a escravatura...arrepia-me.

A minha irmã está verde neste aspecto...por um lado a ignorância por vezes é a nossa melhor amiga.

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