segunda-feira, 18 de março de 2019

Diz o ditado que família não se escolhe, mas não é bem assim

Ontem a minha filha teve uma saída que me arrepiou, mas à qual não dei grande importância, pelo menos perante ela.

Estávamos a almoçar com um amigo nosso e ela, com um sorriso de orelha a orelha vira-se para ele e diz:

"Sabes, na terça-feira vai ser um dia muito importante. Vai ser o Dia do Pai. E eu já fiz uma prenda para dar ao meu pai!" - e ria, um riso de pura felicidade.

Quando chegámos a casa começou a choramingar, porque uma das peças que compõe o presente é uma fotografia dela tirada pela professora, fotografia essa que desconheço mas que, segundo ela, "está feia". E então choramingava porque não queria dar uma fotografia em que estivesse feia ao pai.

Lá dei a volta à coisa e disse-lhe que uma menina tão bonita não pode ficar feia numa fotografia e que o pai gosta dela de qualquer das maneiras e mais vai gostar de receber um presente feito por ela.

Parou de choramingar não sem antes me dizer: "olha mamã, mas a tua prenda do Dia da Mãe vai ser ainda mais bonita, tá bem?"

E as crianças são isto mesmo - embora se trate de um pai ausente que podia fazer com ela muito mais do que faz, e escrevo com ela, porque de facto dadas as circunstâncias é o que mais me preocupa, é o herói que ela tem, e gosta muito dele. A parte do "por ela" já é uma questão de adultos e a ter que ser algum dia dissecada, será entre nós pais e tenho como ponto de honra que jamais a miúda terá que perceber que o pai não colabora como deveria com o que são as suas obrigações a outros níveis. 

Não tendo ela escolhido em que barriga ia calhar, eu e o pai escolhemo-nos um ao outro para que ela existisse, portanto se falhas existem a apontar, devem ser resolvidas ou não entre os pais e nunca utilizando os mais pequenos como bombos da festa.


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