sexta-feira, 4 de outubro de 2019

...e depois existem aquelas pessoas que, com todos os seus defeitos e virtudes, nos dão verdadeiras lições

Tive uma relação que durou uns bons anos e que como em tudo na vida, teve o seu fim. Quando me perguntam o porquê, digo a verdade...que não existiam os pilares onde deve assentar uma relação afectiva mas que a pessoa em questão foi das melhores que conheci. E tanto que foi que, apesar de eu ter terminado as coisas de uma forma bruta, porque não havia outro jeito na altura, aquela pessoa nas datas chave da minha vida continuou sempre fiel ao seu jeito, a demonstrar todo o seu carinho por mim e pela miúda. Eu com o meu mau feitio lá agradecia, mas não passava daí. Ano após ano, cada um seguiu o seu caminho há 4 anos atrás, mas a pessoa em questão nunca se esqueceu. E eu...limitei-me apenas a agradecer.

Até que para não fugir à regra, no dia de anos da miúda, mais uma vez não se esqueceu e eu, se calhar com menos mau feitio do que é meu apanágio voltei a agradecer, porque apesar de tudo tenho educação, mas escrevi qualquer coisa como “obrigada pela sempre lembrança” e recebi como resposta algo como “nunca me esqueço de ti e da Bébécas”. E aí tirei-lhe o chapéu e percebi que, apesar das suas peculiaridades, tem qualidades que eu não tenho. As coisas não correram como deveriam, eu fui bruta porque naquela altura não houve outra hipótese, ele podia ter todas as amarguras do mundo face a mim...e continua a ser, uma das poucas boas pessoas que conheci até hoje.

Hoje, era o dia dele e achei que devia fazê-lo sentir que, a minha memória guarda coisas boas, nomeadamente que hoje era o dia dele, e felicitei-o por mensagem. Igual a ele próprio, embora me tenha apanhado completamente desprevenida, ligou-me pouco depois. Não falávamos há quase 4 anos e após o impasse inicial, a simpatia, humildade e meiguice do costume. Que não podia deixar de me ligar a agradecer a minha mensagem, que tinha estado a falar de mim há 10 minutos com uma dada pessoa...pareceu-me bem, e após a surpresa inicial, fiquei feliz por tê-lo feito. Sinto-me bem comigo, acho que limei mais uma aresta das minhas imperfeições e ele ficou feliz por saber que também não me esqueci. E é isto que levamos da vida. Acima de tudo os afectos, darmos a quem merece, o melhor de nós que, por vezes anda escondido, muito à conta dos dissabores da vida.

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