sexta-feira, 9 de maio de 2014

A parte das análises

Confesso que me continua a doer mais a mim do que a ela; não me faz confusão fazerem-me análises ou algo assim, mas à minha filha, dói-me horrores.

Ontem mal entrámos no laboratório lá vinha a enfermeira de zaragatoa em punho para executar o exsudado; lá me sentei com ela na poltrona, pediram-me para a agarrar e assim o fiz, mas com suavidade.

A enfermeira olhou para mim, riu-se e aconselhou-me a agarrá-la com força mesmo, senão ela ia conseguir abortar a operação. Bem, a miúda tem uma força, coitadinha; aquilo não dói, mas faz uma impressão danada.

Sessão de choradeira claro.

A seguir vem o garrote e a borboleta; na parede em frente tinha muitos bonecos, o Winnie the Pooh, etc, lá a tentei distrair - resultou até sentir a picada, depois foi o drama. Aquilo não foi chorar, parecia que estavam a matá-la - e a minha angústia quase me sufocava. Quando por fim lhe sacaram 2 seringas cheias de sangue, veio a parte cómica.

A enfermeira foi lá para dentro preparar os tubinhos, a auxiliar estava a comprimir a zona da picada (que até que pare de deitar sangue é um problema, sai à mãe) e a Bébécas a apontar:

 - Foi ela, não quélo vile mais aqui, foi aquilo, ela fez aquilo com a aguia! Foi ela!

A enfermeira ria que nem uma perdida, aí eu própria descomprimi; meia hora depois ainda continuava com o queixume.

 - Mamã, não venho mais aqui, ela fez aquilo com a aguia, foi ela!

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