quinta-feira, 1 de maio de 2014

A minha mãe hoje andou numa de folhear os álbuns de fotografias da minha infância

"A boca da tua filha, o formato, o riso é tal e qual a tua, os olhos também - enfim, há parecenças e há coisas em que são mesmo iguais...mas no geral, tem muitas expressões (a minha mãe diz do pai) do monstro (isto digo eu)."

Mas é matemático, salvo raras excepções as raparigas têm mais expressões do pai e os rapazes da mãe.

Mas continuo na minha que o sorriso e o olhar fazem milagres e aí a filhota herdou do meu melhor; as mãozitas com grande pena minha não me parece, as perninhas parece que sim :) O corpo em si é igual ao meu quando tinha a idade dela, a mesma estrutura, e aquele ar pseudo-burguês e por vezes rezingão.

Ou muito me engano, ou vai ficar uma miúda bem gira; tem outra particularidade; numa aula, em que tem que aprender, desde que o sentido da audição esteja focado para o tema, ela pode não estar minimamente atenta, mas apreende literalmente as coisas e fixa-as e jamais as esquece.

Digamos que foi a minha sorte desde sempre e até uma certa altura da minha vida; até ao 10º ano não estudei puto, nem "sabia" o que isso era - tinha a sorte de ouvir e absorver de tal maneira os conteúdos, que passava os anos, a passar muito pouco os olhos pelos livros que devia. Era muito mais interessante ler Tolstoy, Karl Marx, Rushdie, Jorge Amado e tantos outros.

No secundário propriamente dito, também não estudei por aí além, mas estudei qualquer coisa, e sem cábulas, porque entrar para a faculdade à tangente não era a minha praia - passar vergonhas e fazer figura de ignorante nem pensar.

A faculdade foram outros quinhentos, mas também só fiz directas no 5º ano - por isso, os meus 17 valores na Tese Final de curso foram merecidos - digo eu.

Era mais tranquilo para mim que ela pura e simplesmente fosse completamente genial, até no facto de não se encostar à sombra da inteligência que tem e tivesse um percurso brilhante desde o início, para eu não ter sobressaltos - continuo a pensar que se a minha filha me der problemas com a escola, não sei como irei lidar. Mas enfim, a inteligência está lá, esse talento ninguém lho tira, e a habilidade para lhe bastar ouvir e reter informação, também a tem.

Só quando ela for bem crescida lhe direi que até certa altura passar os olhos pelos livros obrigatórios foi rotina que não me assistiu; prefiro dar-lhe o exemplo da tia que sempre batalhou e fazia directas e estudava até às tantas e foi desde sempre uma aluna de quadro de honra - um aparte, esforçou-se bem mais do que eu, tem muito mais mérito, tenho um extremo orgulho nela por isso, mesmo nas disciplinas em que tinha dificuldades - mas teve o mesmo 17 de fim de curso que eu, LOL. Aqui que ninguém nos ouve, as minhas horinhas de sono e de relax afinal não foram assim tão prejudiciais.

Mana, sabes que te admiro e nesse aspecto tenho muita vontade que a tua sobrinha siga os teus passos, porque o esforço na escola e na vida dignificam ainda mais uma pessoa.

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