quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Hoje, depois de falar com uma amiga que está prestes a ser mamã outra vez

depois de termos falado de tantas coisas e da sempre sensatez e das suas palavras certas na hora certa, a sua inteligência, o seu brilho...L. ficaram cá muitas das dicas de hoje, ficaram mesmo!

E é inevitável virem-me à memória os meus últimos tempos de gravidez, pré e pós-parto.

Hoje a lembrança está naqueles momentos de stress que pareceram horas em que tudo se complicou e lá fui eu para o bloco cirúrgico, expectante, mas com medo do que ia acontecer a seguir.

Tudo com cara de caso e eu, no mínimo assustada. A parte do que se fez ou não, do que doeu, ou não...já passou.
Recordo por momentos dizerem que a minha tensão estava a baixar muito...plof. Depois, abrir os olhos de novo e ouvi-los com sons de preocupação a dizer para eu fazer o máximo de força que conseguisse. Deixei de estar ali naquele momento outra vez.
...quando voltei lembro-me de um sumido "eu não consigo"....e todos eles na equipa felizes e a darem-me tantos beijinhos e a dizerem para olhar em frente e ver quem estava ali a olhar para mim.

Uns olhos enormes rasgados, o cabelinho liso escuro e umas bochechas muito semelhantes às minhas quando nasci. A paixão já existia, naquele momento foi apenas sentir...e senti.

Curiosas são as minhas preocupações seguintes:

Ela chorou? Quando? Foi num dos momentos que eu "apaguei" e não ouvi o promeiro choro.
Ao que me contaram foi potente e logo ao 1º minuto.

O APAGAR....como foi??? E eles, com a sua paciência, 9 e 10. Pensei, bem, tenho guerreira.

Viram as horas??? A que horas ela nasceu?....naquele mommento eu já tinha perdido a mínima noção se era dia ou se já era noite.

E a última: o kit da criopreservação está ali, nós vamos doar, não se esqueçam de retirar o que é necessário.


Levaram-na para a sala ao lado e eu via os pézitos a dar a dar; e um médico ainda bastante jovem, com uma cara, pediu licença para me dar um beijo na testa e depois disse-me: uma mãe tão bonita, só poderia ter uma bebé à sua semelhança. É linda, e está ali quentinha à sua espera.

Não via a hora para sairmos daquela sala fria com holofotes apontados para mim, apetrechos gélidos, tipo fórceps e afins...mas fui tratada que nem uma princesa.

Depois de tudo deu-me uma fome desgraçada e até tive direito a escolher o que queria jantar...foram momentos que jamais esqueço.

E por momentos parece que ainda estou a pairar sob aqueles momentos e não sou eu que lá estou...e no fundo, estavam ali duas corajosas que se começaram a amar muito antes de todos os outros sentirem, perceberem ou conseguirem compreender a simbiose que se passava nos nossos corpos.

E o amor continua a crescer....mesmo quando ela faz birras e atira os brinquedos para o chão....é um amor que sinto por ela que nunca pensei que fosse assim.

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