sábado, 29 de dezembro de 2018

E por mais que tentemos proteger os miúdos, eles percebem sempre

Não levei a miúda comigo para colocar os aparelhos, disse-lhe que isto era um exame simples e indolor. Queria porque queria ir, porque não me queria deixar sozinha.
Lá lhe expliquei que enquanto me estivessem a colocar as coisas ela teria que esperar, pelo que não valia a pena.

Quando a fui buscar, dado o volume do que tenho colado à cintura, parecis estar grávida à vontade de uns 6 meses - quis ver, tudo bem, lá lhe disse que aquilo não custava nada, apenas tinha que ficar quieta sempre que o aparelho que mede a tensão começasse a funcionar - ela também já mediu a tensão, pelo que achei que seria tranquilo.

Comentário antes de se deitar:

"Mamã, quando as pessoas estão a morrer e vão para o hospital, os médicos fazem com que elas vivam mais tempo, não é!? Eu não tenho mais ninguém e tu não podes morrer mamã!"

Bom, atrever-me a dizer que não morro, não o faço. Vou pela via óbvia de que não devemos pensar nessas coisas, que tem muita gente que gosta dela e nunca ficaria sozinha e que, mesmo se me acontecesse alguma coisa, em forma de estrela eu estarei sempre lá.

Era daqueles dias em que para a proteger de potenciais dúvidas, preferiria que ela o tivesse passado longe de mim, por outro, talvez seja esta nossa vida de ligação ao extremo, porque somos apenas nós as duas no dia-a-dia, literalmente nos bons e maus momentos, que  faça ser mais forte, corajosa e lutadora, acima de tudo, sem grandes temores. Se o resultado for esse, o meu destino afinal teve uma finalidade bem válida. O termos que lutar por nós próprios e estarmos muitas vezes sós nessa luta, torna-nos incrivelmente não digo que sempre mais fortes, mas pelo menos mais resistentes.

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