quinta-feira, 24 de maio de 2012

Ai a minha cabeça!

Já lá vai o tempo em que ela andava no ovinho, à frente, ao meu lado, airbag desactivado e eu sempre que podia deitava-lhe o olho e fazia uma festinha na perna. Voltava a tapar a abertura com a fraldinha do costume e lá ia ela descansadinha da vida, com os pézinhos a mexer...era tão engraçada e passou essa fase tão depressa.

Cedo passou para a cadeira do grupo acima e lá anda ela com toda a pompa no seu trono. Até há bem pouco tempo as coisas nem corriam mal, não tinha problemas de maior e continuo a fazer os possíveis para ela não perceber como funciona a geringonça.

Mas de há uns tempos a esta parte e uma vez que força é coisa que não lhe falta, consegue tirar os cintos dos ombros, passa os braços por baixo e aquilo fica uma trapalhada, que no meu entender a põe mais desconfortável do que se mantiver as coisas no devido lugar.

Outro problema são as filas de trânsito; é verdade que por vezes a minha vontade é marinhar pelo carro acima, agarrar-ma ao aparelho do Inspector Gadget e voar dali para fora...mas não posso; ela tão pouco o pode fazer, mas aventura-se bem mais do que eu, desde esbracejar, resmungar, gritar, chorar, vale tudo!

É preciso muito treino para uma pessoa se abstrair, mas já não me enervo tanto como no início; ah, já me esquecia; é que às tantas com as raivinhas atira os bonecos para o chão e depois grita pelos seus bebés. Eu de mão no volante sem poder fazer nada...não é fácil, e pensar que já houve quem tivesse acidentes à conta destas birras deles dá que pensar.

A minha estratégia é, olhando pelo retrovisor e observando como param as modas, abstrair-me, porque se falo com ela ainda é pior, conto até 100, ponho-me a cantar coisas descabidas até ela se esquecer de que naquele momento a única escapatória se chama mesmo "Paciência".

3 comentários:

Anónimo disse...

Se calhar fui uma criança demasiado básica, mas no carro era fácil distrair-me com música ou outras coisas. Por exemplo, fartava-me de rir com o meu Pai (que é um desafinadão), quando ele me cantava todos os patinhos sabem bem nadar, e todos os cãezinhos sabem bem nadar, todas as formigas sabem bem nadar, corríamos os animais todos. Outra música que o meu Pai sabia bem era a do gato maltês que tocava piano e falava Francês. O meu irmão Hugo (não é o mais velho, é o meu irmão do meio), tinha um jogo simples que eu até hoje ainda me pergunto como é que me divertiu tanto: quando passava um carro dizíamos vrrum, quando passava uma mota dizíamos vinhéu. Isto eram as estratégias para quando eu ainda não sabia ler, porque depois havia muitos jogos com letras. Ou seja, eu ia muito divertida, enquanto a família toda ia na seca de entreter a menina. haha Essa de cantares, não sei se já experimentaste fazer figurinhas, para a Bébécas se rir contigo, se um dia experimentares, espero passar por vocês de carro. hihi
Ainda hoje no trânsito me divirto. Quanto mais não seja a cantar o cuco que não gostava de couves.
Espero que, não tarda, vocês encontrem uma brincadeira que torne o trânsito suportável. :)

Brown Eyes disse...

Ela gosta de me ouvir cantar, até porque eu tenho o dom da afinação; vá lá, não pode ser tudo mau; mas chega uma altura em que até as minhas cantorias já não a distraem. No outro dia descobri por acaso uma que lhe captou a atenção - One, dos U2; ouvi-a tanto na gravidez que acho que ela ainda se lembra, só pode. Entretanto quando começa mesmo a ficar desesperada, esperneia por beijinhos e carinhos, e eu ali presa, não posso :(

Anónimo disse...

Ooooh! Isso é tortura para as duas. Malvado trânsito. Beijinho, Super-Mãe!