quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Não me quero imaginar a passar por uma situação dantesca como um Incêndio

Lembro-me de há muitos anos atrás ter ido passear para a zona de Porto Côvo, lavrar por ali um incêndio em que parecia estar tudo cercado, embora não estivesse, tratava-se "apenas" de uma ilusão imposta pelo excesso de fumo, a fracção de segundos em que se pensa, dar meia volta ao carro e fugir.

Outra situação ocorreu quando me deslocava à Galiza, notei uma organização diferente da que assisti aqui, os avisos faziam-se visíveis uns bons quilómetros antes do cenário, mas sentia-mos que podíamos avançar em "segurança". Passou apenas a utilizar-se uma via da autoestrada para fazer os 2 sentidos, cheguei ao meu destino sem desvios, mas também foi um susto valente.

O calor, o cheiro, as faúlhas, o ardor nos olhos...uma gota no oceano de quem está literalmente cercado no meio do fogo, e como ser humano que sou, não posso dizer que reagiria de uma forma ou de outra. Salvar a vida, ou salvar os bens? Os bens sem mim, não são nada, ou antes, ficarão para quem de direito, mas eu sem os bens posso continuar a existir, com dificuldades, mas sim, posso existir.

Mas por aqui se vê p valor que o ser humano dá à matéria e o pouco que dá à vida humana. Impressiona-me ver aqueles seres humanos quase que a lutar com as forças de segurança por não quererem deixarem as suas casas, preferirem morrer ali queimados - e deve ser das mortes mais horríveis. E depois, as autoridades não usam a força, não os deixam com uma ou outra nódoa negra, deixam-nos ali e são crucificados por terem deixado morrer inocentes carbonizados.

Caramba, aquelas pessoas para além de estarem a trabalhar, também arriscam as suas vidas por nós. Não, não quero nem pensar passar por uma situação dessas, mas a vida humana para mim, continua a ser um bem mais valioso do que tudo o resto...bom, depende do humano, mas aí já seria uma outra dissertação.

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