quinta-feira, 11 de abril de 2019

Em modo pós operatório

O dia D chegou, que é como quem diz, o dia de serrar, desbastar, limar ou seja lá o que for os meus joanetes que afinal, depois de aberto o pé, não eram assim tão ligeiros, o que fez com que já no bloco houvesse uma ligeira troca de planos.

Eu que, não estando à espera de ter mais filhos, achava que não teria que passar por mais nenhuma epidural, pois que levei uma, quando inicialmente se tinha optado por anestesia local. E também se pensava que seria apenas incidência no osso, e afinal teve que ser mexer no tendão do dedo grande do pé para o fazer voltar à sua posição correcta que é direito e não a fugir ligeiramente para a direita conforma se manteve após a correcção óssea.

Demorou 1 hora e meia contra os 45 minutos de previsão inicial, tive um frio de rachar em pleno bloco cirúrgico e tiveram que me embrulhar em lençóis quentes, estive sempre acordada, na conversa com o cirurgião, com a anestesista e restante equipa, ainda vi umas estrelitas quando comecei a ouvir uma serra a serrar o meu osso, mas depois abstraí-me pensando - que se lixe, também não sinto nada e eles sabem o que fazem.

Sim, eu sou um charme, e ter os médicos a dizer que eu era o máximo, que tinha um sorriso lindo e era uma simpatia, não é para todos. Ter anestesista a ir ver-me ao recobro e dizer que "és tão linda e tens um sorriso tão bonito que não resisto a vir-te dizer que gostei mesmo de ti" - repito, não é para todos e eu hoje preciso de mimo. Andaram a fazer-me maldades!

O único desconforto que senti no antes e no durante foi a picadela para inserirem o acesso para o soro e afins, não senti sequer a picadela da epidural, tal como já não tinha sentido no dia do parto da Unicórnio Magenta, e atenção, dar à luz um unicórnio também não foi fácil. Confesso que não percebo aquelas pessoas que falam horrores da picadela da epidural. Se tirar sangue já não custa nada, levar epidural então muito menos. Podia ter optado por anestesia geral, mas tento sempre seguir a via menos prejudicial para nós.

Finda a cirurgia veio o recobro e esse já tardou mais - o desbloqueio até se deu com relativa celeridade, mas sentir as pernas demorou o tempo normal, umas belas horas. Reagi bem quando ingeri os primeiros líquidos, levantei-me bem quando tive ordem para tal, fui pelo meu pé vestir a minha roupa, porque aquela batinha aberta atrás e a cuequinha de rede são deprimentes. Era previsível que a tensão baixasse e assim foi, mas tudo normal. À saída, cadeirinha de rodas até ao carro, beijinhos e festinhas do pessoal que me acompanhou nesta aventura, tudo cinco estrelas, Hospital da Luz, "bates forte cá dentro".

Agora vem a parte mais chatinha; pés inchados, os dedos parecem aquelas salsichas de cocktail, e umas dores quando ando. Tenho uma sandaleca último modelo Jimmy Choo, ainda pedi Louboutin mas o meu número estava esgotado. Sei que os primeiros dias não vão ser isentos de dor, mas estou a tomar o analgésico, imenso gelo e o balanço que faço para já é muito positivo. Curiosa por ver o resultado final, mas ainda vou ter que esperar uns dias. Mas não deixo de agradecer à Ciência estes progressos. Remoção de joanetes bilateral, 2 pés no mesmo dia, cirurgia com apenas 2 furos em cada pé quase invisíveis e sair a andar pelo próprio pé. E claro a minha imensa gratidão pela forma como fui tratada pela Equipa do Dr, José Padin. Fiquei mesmo muito satisfeita com o tratamento que recebi, profissionalismo, competência, simpatia e carinho.


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