quarta-feira, 10 de maio de 2017

Acerca de aceitação

Andava a dizer-me há uns dias que o caderno pautado estava quase a terminar, e que já tinha poucas folhas livres.

Constatei o facto quando há uns dias o levou para casa e lá me comprometi a comprar-lhe um novo - as reposições de material escolar ao longo do ano lectivo são uma constante.

Ontem lá fui comprar o dito e claro, a panóplia é semelhante à do início do ano escolar, com todos os padrões e mais algum e para todas as bolsas.

Mas, por muito que até gostasse de lhe comprar um caderno com os personagens de que ela tanto gosta, fazendo por um lado contas à vida e por outro pensar com assertividade que o ano lectivo termina daqui a 1 mês e meio e eu não sou da família Espírito Santo/Salgado acabei por trazer um dos mais baratos de todos, 0,89€, com uma capa laranja, pois rosa, não havia.

Mostrei-lhe o caderno e lá lhe disse assim:

 - A mamã já te trouxe o caderno, mas peço-te desculpa por não ser dos que tu mais gostas, mas a mamã explica porquê - sabes que os cadernos com os bonecos custam muito dinheiro e a escolinha está quase a acabar. Ainda por cima temos a televisão avariada e a mamâ vai tentar ver se tem arranjo, senão temos que comprar uma nova e a mamã não tem dinheiro para tudo, entendes!?

Resposta dela assim em modo automático:

"Não faz mal mamã, achas que eu me importo? É laranja e tudo e eu também gosto. Não fiques preocupada comigo!"

E é isto, uma pessoa até fica com vontade de compensar em dobro uma criança destas, mas nunca deixando de a fazer sentir que nem sempre podemos ter tudo o que queremos e quando queremos.

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