quinta-feira, 4 de julho de 2013

Bébécas - 3 Anos

Mesmo que a vida um dia deixe de fazer sentido para mim, enquanto eu viver este dia vai ser sempre muito especial; não estou a escrever este texto para ti hoje, porque a esta hora estamos a usufruir da companhia uma da outra num outro local, mas faço questão de deixar sempre uma recordação neste dia e às 15:48h, hora a que me foste posta por cima do meu ventre recém-nascida como filha e eu, recém-nascida enquanto mãe.

Já deves estar cansada de saber que o "nosso" parto foi complicado e difícil, a mamã esteve mais de 24 horas no sofrimento normal que é o de dar à luz (numas pessoas mais do que noutras), mas logo após teres nascido e eu ter recuperado um pouco daquela dor imensa de dilatação do corpo, forceps e afins, tive a certeza de que passaria por tudo outra vez, quiçá com mais coragem e a cabeça ainda mais erguida.

Quando nasceste, a Mãe (minha, e tua avó) disse-me que apesar de tudo o "pior" ainda estaria para vir; nove meses (40 semanas, whatever), um trabalho de parto, um nascimento correspondiam apenas a um pestanejar de olhos no resto das nossas vidas. E tinha razão.

Enquanto me habituava à amamentação sofri horrores, tinha dores, o peito endurecido, lá punha ora gelo, ora panos quentes, ora folhas de não sei o quê - quando o meu corpo me indicava que a tua hora de mamar estava a chegar, começava eu a sofrer por antecipação e quando tu pegavas no peito, eu até via estrelas - depois lá nos ambientámos e era um prazer mútuo; nem imaginas os portraits que temos nesse momento tão intímo e que fizeram as delícias do nosso núcleo mais restrito.

Entretanto as noites sem dormir (algumas, não demasiadas), a habituação do intestino, as cólicas, a tua aprendizagem ao novo meio ambiente - naqueles primeiros dias foi complicado, mas logo passou e chegámos à fase dos dentes, de te sentares sozinha, gatinhares, palrares - aquele susto do internamento com aquele maldito virús que me pôs verdadeiramente à prova pela primeira vez.
As pernas estremeceram-me naquela madrugada, sozinha contigo ao colo na urgência da Estefânea e os médicos a dizerem com cara de caso que tinhas que ficar internada - nem sei como não caí. Não sei como tive forças para te adormecer naquele quarto do isolamento, pedir às enfermeiras para olharem por ti por um bocadinho, ir a correr a casa buscar os teus brinquedos preferidos, as tuas roupas e um cobertor para mim e regressar ainda de madrugada com receio que tivesses acordado momentaneamente sem eu estar lá - estavas ligada a uns monitores, com sensores pelo corpo todo e diziam para eu não me preocupar - mas é impossível uma mãe não se preocupar,

Portaste-te bem, a sério que sim; quando tinha que te agarrar para te tirarem sangue, acredito que me doía mais a mim do que a ti, e estive lá, com toda a força que me foi possível.

Cheguei a estar um dia sem ir à casa-de-banho (não me perguntes como aguentei), lavava os dentes com aquelas dedeiras fantásticas da Oral B, mas mesmo com a possibilidade da avó ficar contigo para a mamã ir descansar um pouco, não fui capaz; optei por estar ali sempre pertinho de ti. Tiveste um acompanhamento fantástico, a equipa médica foi excelente, o virús também não era dos piores, tu tinhas um bom background e cedo passámos à fase de rescaldo.

Depois começaram as minhas preocupações porque não havia meio de tu andares; nós e as comparações com os outros, enfim...mas já aprendi que cada criança tem o seu ritmo e não vale a pena acharmos que não.

Começaste a andar com a idade com que te sentiste confortável e foi um gáudio; consegui captar com a câmara esses primeiros passos em casa, parecias um boneco. E assim tem sido até hoje e, a cada dia, não só te descubro um novo caracol no teu cabelo maravilhoso, como também me presenteias com as coisas próprias da tua idade.

A nossa jornada não vai ser fácil, na verdade nunca o foi, nasceste com esse fado; os últimos tempos têm sido de grande luta - chegámos à fase em que já sabes muito bem o que queres, e até o que não queres, és muito independente (quanto a mim até demais para a tua idade) e reages negativamente a muitas das regras que te imponho; custa-te, eu sei, custa-me mais a mim ter que as impôr, mas tem que ser e desculpa o clichè, mas é para teu bem. Quando tenho mesmo que me zangar e não ceder, não imaginas como fico cá por dentro, pois tenho a mania de ter de te compensar por tudo e mais alguma coisa, mas quero que tenhas bons exemplos, regras, valores, educação e não és de todo uma criança fácil, daquelas demasiado dóceis, não - tu contestas, reages e queres fazer valer a tua vontade; "invejo-te" a determinação e espero que em toda a tua vida sejas uma lutadora e que a tua existência se paute por tantas vitórias e poucas derrotas, mas em ambos os casos, eu estarei aqui, ou lá, estarei algures para te acompanhar, abraçar, ouvir ou mesmo para não dizer nada, porque tu sabes que és o amor da minha vida.

Estás tão crescida filhota e surpreendes-me a cada dia - agora olhas para mim e dizes - Mamã, és tão lindinha!

Não sei onde foste buscar isso, mas acho-te um piadão. Queres ter o cabelo como o meu, continuas a querer vestir-te como eu e embora me sinta feliz por ainda me veres como um modelo a seguir, espero que no futuro sejas tu própria, mas acima de tudo que tenhas uma grandeza de espírito e de comportamento que te coloque no grupo dos diferenciados, claro que sempre uma comum mortal, mas diferente - para melhor; decerto entenderás o que quero dizer.

Chega de conversa séria meu Tesouro; desejo-te hoje e sempre o melhor do mundo.

Da Mamã que te ama com todas as forças.

Mummy

1 comentário:

Xica Maria disse...

Olá, ao vaguear por algum blog calhei de cuscar o teu...e que texto maravilhoso! Adorei!
Sou mamã de um reguila que vai fazer um ano... Tivr um parto rapido mas um pos parto triste pois o meu piolhinho ficou internado uma semana.,. Foi muito dificil para mim.
Parabens pelo blog, gostei muito!