terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

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Hoje, estava eu a falar com um grande amigo, uma grande pessoa, daquelas pessoas que passam pelas nossas vidas e que deixam uma marca, uma pessoa inesquecível.

Uma pessoa digna do mais profundo dos respeitos, uma pessoa com a maior das boas vontades, daquelas pessoas com quem dá gosto conversar, tem cultura e um sentido de humor acutilante.

E apesar da vida já lhe ter pregado uma partida daquelas grandes, bem grandes mesmo, mantém um sorriso, umas bocas "foleiras" que fazem qualquer pessoa rir e sobretudo tem o dom de proferir as palavras certas na altura certa.

Ainda na passada sexta-feira me deu um daqueles abanões que só ele é capaz de dar; abanão a sério, mas sempre com um toque de cortesia e muito sentido de humor.

...e hoje, fiquei eu sem palavras, sem saber o que dizer...e a única coisa minimamente decente que me saiu foi: "Os meus sentimentos. Sabes que estou cá para o que for preciso"

Tinha acabado de saber que a avó tinha falecido. Por muito que pensemos que dada a idade e os problemas de saúde estamos preparados para o desfecho, a morte da nossa avó, daquela avó que nos criou, que esteve sempre lá desde o início, que nos fazia as vontades, que nos defendia dos "miúdos mauzitos", que, no meu caso dizia "Oh filha, não fiques triste, tu até nem és preta, és café com leite", aquela avó que vibra com a queda do nosso primeiro dente, que acompanha o nosso primeiro dia de escola e que deseja estar viva no dia em que vestimos "capa e batina" (a minha infelizmente não resistiu até testemunhar esse dia)...a verdade é que jamais estamos preparados para a partida de uma pessoa pela qual, embora muitas vezes não o digamos, tem um lugar sublime no nosso coração.

Não estando dentro do coração do meu amigo H. compreendo perfeitamente o que ele estará a sentir.
Quando a perdi, perdi mesmo muita coisa. Perdi a Minha Avó, a única que conheci, que me viu nascer e que cortou o meu cordão umbilical, perdi uma referência e perdi a possibilidade de privar com uma mulher fantástica.
Não tenho qualquer afinidade com o meu avô, mas respeito-o enquanto pessoa, confesso que até lhe acho uma certa piada, porque o senhor tem piada, mas como foi um mau marido e um mau pai...infelizmente ao olhar para ele já dei comigo a pensar...porquê a minha Avó...

Também ela foi "maltratada" como a avó do meu amigo H., também ela sofreu, mas decerto qualquer uma delas e de tantas outras avós terá o mais profundo dos respeitos, do carinho e do amor que os netos que cá ficaram acabaram por não lhos conseguir mostrar em vida.

Infelizmente não dizemos às pessoas que de facto são importantes para nós e que nos marcam pela positiva, o quanto gostamos delas e o quanto precisamos delas.
Já o fiz ajoelhada perante a sua lápide, mas nunca lhe rendi a homenagem em vida que ela merecia.

Tentei perpetuar a sua memória através da Bébécas ao ter escolhido como apelido o apelido da minha querida avó; e caso volte a ser mãe a criança que nascer, seja menina ou menino terá também o primeiro nome da minha avó - o Honey também gosta muito e é um nome que pessoalmente também lhe diz muito.

...infelizmente, a saudade, perdurará para todo o sempre!

2 comentários:

Rafeiro Perfumado disse...

Eu raramente fico sem palavras, mas perante a morte prefiro calar-me...

Patricia disse...

Como te entendo. A minha Maria chama-se Maria em homenagem à mulher maior da minha vida. A minha avó que vou guardar para sempre no coração (e não consigo escrever mais nada que já não estou a ver bem que é coisa para me deixar sempre emocionada...)