terça-feira, 12 de novembro de 2019

Digamos que não é um azar, mas azarito até foi

Existe uma fronteira muito ténue entre o facto de fazermos tudo ao nosso alcance pelo bem dos filhos e fazer sacrifícios por eles. Onde começa um lado e acaba o outro, honestamente não sei. 
Ressalvo que ao fazer algo que considere que me sacrifica um pouco, ou mesmo muito, não é um queixume exacerbado, é apenas uma constatação.

Estou numa fase em que as energias estão muito abaixo do razoável, sou um ser humano (oh, a sério!?), tenho imensos desafios pessoais e profissionais a que tenho que dar especial enfoque, pois a minha vida depende disso e tenho uma filha que depende de mim a 1000%, percentagem que vai decrescendo em razão da sua cada vez maior autonomia - ou seja, já dependeu ainda mais.

Sei que já fiz exames a tudo e mais alguma coisa e até ver, coisa grave em termos físicos não tenho, logo não existe uma relação de causalidade entre andar estoirada e presumir de falta de saúde. Atenção, falei a nível físico. Não vale a pena começar para aqui a desvendar a parte emocional, até porque tenho um je ne sais quoi de Fénix.

Quer isto dizer que mesmo depois de um fim de semana em que não fiz nenhum, tirando o facto de ter sido Mamma Driver e pouco mais, ao fim do dia de ontem estava cansada. E é um dos dias em que depois de sair do escritório, esteja ele onde estiver, tenho que ir buscar a minha filha, voltar a percorrer cerca de 15kms para a levar à natação, esperar naquela atmosfera de banho turco, tratar dela, vesti-la, voltar a percorrer os tais 15kms, nos dias em que ela está mais cansada e que adormece no carro ainda tenho que carregar com os quase 30kgs dela ao colo mais:
  • Mochila dela
  • Lancheira dela
  • Saco da natação
  • A minha mala
  • A minha mochila do computador, com o computador, carregador, rato, etc lá dentro
  • 2 Guarda-Chuvas
Tudo isto para um 3º andar sem elevador. Depois chego a casa, continuo a ouvir birra, tenho que lhe dar o jantar, tenho que dar beijinhos, tenho que tratar do equipamento da natação, tenho que a deitar, apagar a luz....

Mas é o que tenho, e com mais ou menos forças, lá aguento com isso e muito mais, mas a verdade é que é um gosto fazer estas coisas por ela, mas não quer também dizer que algumas vezes não o faça com sacrificio. Como ontem, que mais me apetecia encostar e lá fui a correr porque ainda por cima ela ia ter uma aula de natação à qual queria muito ir, porque iam brincar com uns colchões.

Ya, chego lá, estou a dirigir-me para o balneário e vem uma amiguinha dela em sentido contrário a dizer que não havia aula porque a piscina estava interdita. Só não fiz birra por vergonha, porque a minha vontade foi mesmo deitar-me para o chão a chorar e a berrar. Que correria inglória a de ontem. E o que é que eu merecia?

Chegar a casa e ter um banhinho de sais preparado à minha espera, um belo jantar, um bom vinho, um bom serão, e um sono descansado.
O que tive - um duche de 5 minutos, um pão com manteiga, um copo com leite frio e adormecer torcida no sofá. É que até a televisão às tantas se desliga e me deixa para ali entregue à minha sorte.


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