quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Vidente

Este termo para mim tem vários sinónimos e definições, sendo que não gosto muito do seu significado mais associado à obscuridade.

Pois bem, ia eu hoje a circular em Benfica, parei num semáforo vermelho e um cartaz com uma dimensão razoável chamou-me à atenção e podia ler-se algo assim:

VIDENTE

Trabalhos para:

Amor, Dinheiro, Inveja....

Enfim, não está transcrito textualmente, mas foi o que memorizei; e o telefone 96 e qualquer coisa.

Segui a minha marcha, continuei a conversar acerca do assunto que estava em curso, prossegui, prossegui, já noutra localidade distinta, neste caso bem no meio da Amadora, por acaso não parei porque o semáforo estava verde, mas lá estava um cartaz exactamente igual - parto do pressuposto que se trataria do(a) mesmo(a) vidente.

E aí, sem fazer qualquer comentário para a minha audiência, pensei em várias coisas ao mesmo tempo:

Vidente??? Mas viu ou vê o quê??

Trabalhos?? O quê, rituais maléficos para sacar os maridos das outras e dizer que sofremos todos de males de inveja e que temos um encosto do antepassado X que nos suga a energia?

Que um(a) colega de trabalho nos quer puxar o tapete?

Que o nosso marido nos está a pôr os "palitos" mas que se pagarmos uns quantos €€€ ele vai voltar amansado?

Que nos vai curar da doença de que padecemos?

É de facto notável a capacidade de fazer marketing deste vidente (seja ele homem ou mulher), porque de facto um cartaz pregado a um semáforo, é uma ideia brilhante. Quantas lágrimas já me caíram à espera que caísse o verde, quantas decisões já tomei no pára-arranca, quantas contas à vida já fiz...enfim, nada como nos raros momentos de introspecção a que temos direito vermos um panfleto para ir estorricar o que nos sobra, no "bruxo".

Quem o faz na tentativa de fazer mal a alguém, não tem classificação, nem tão pouco carácter; quem o faz na tentativa de melhorar algum parâmetro da sua vida, actua em profundo desespero e grande estupidez; apesar de tudo, quem actua em desespero merece o meu respeito, tudo o resto, mete-me nojo!

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