sábado, 18 de julho de 2015

Acabei de fazer uma coisa que me está a fazer pingar o coração

Não tive outra alternativa e sei que, no processo de educação de um filho há alturas em que não podemos ceder.

Adoraria que a criança que é hoje, amanhã se transformasse numa mulher íntegra, honesta, honrada, cumpridora.

Passam-se dias e dias em que me aborreço até mais não por causa dos brinquedos; todos os dias a mesma coisa, sempre tudo fora do lugar e desorganizado e depois lá vou eu, arrumo 99% enquanto ela continua a brincar com o restante 1%. E vou-lhe sempre dizendo que um dia vai ficar sem os brinquedos, que devia valorizar o que tem e que as coisas são para arrumar, não há cá empregados para fazerem o que é da nossa responsabilidade.

Hoje, tive coisas para fazer, algumas de trabalho, e de cada vez que passava por ela lhe dizia "Rita, vai arrumar os brinquedos por favor!"; pois ignorava o que lhe dizia, punha-se a olhar de lado, ria de soslaio e eu a topar.
Voltava a dizer para os arrumar e de cada vez que o fazia mais brinquedos desarrumados eu via - enfim, passei a tarde nisto.

O penúltimo aviso já foi em tom de "ou arrumas ou ficas sem eles" - ignorou outra vez. O último aviso já foi "É a última vez", continuou no mesmo modo.

Fui buscar um saco do Pingo Doce, deu-me uma fúria, peguei naquilo tudo e "lixo", A-C-A-B-O-U!

Calcei-me, peguei nas chaves de casa e fui colocar no contentor da rua - esta é a versão oficial. A versão oficiosa como é lógico, é que os brinquedos estão na arrecadação a aguardar que ela "sofra" um bocadinho e tente perceber porque é que tudo aconteceu.
No fundo eu acho que ela até sabe que eles estão na arrecadação, mas eu nem comento.

Chorou, soluçou, foi fazer queixas à avó, custou-me vê-la naquele estado, mas hoje ela não vai ter os brinquedos de volta, caso contrário qualquer dia não há respeito cá em casa.

Neste momento, todos aqueles que me falharam à fúria do castigo estão impecavelmente arrumados por ela, não existe sequer um sapato de boneca fora do sítio, está dócil e meiga como sempre foi - e eu aqui cheia de pena, mas não posso ceder.

Lembro-me de ter a idade dela, ou talvez menos e ter acontecido algo semelhante - os meus brinquedos também foram para o "lixo" e vieram a aparecer passados uns dias no Rossio (as histórias que as mães inventam) e um senhor quando eu estava a dormir foi lá bater à porta en entregar os brinquedos porque calculou logo que eram meus!...só visto, mas a história dos brinquedos serem "avistados" no Rossio é comum a alguns amigos meus, portanto na década de 80 a imaginação chegava até àquela zona!

Não vou rebuscar tanto a história para não lhe retirar o sumo....amanhã conto devolver-lhe os brinquedos, "ah, e tal, a mamã viu que tu te arrependeste, foi ao caixote do lixo e ainda lá estava o saco".

Educar é difícil, puxa!

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