Hoje tive uns assuntos para tratar na capital e lá fui cedíssimo num dia de férias debaixo de chuva torrencial a pouco mais de meio do Verão.
Tem o seu encanto porque quando saí do carro, a água da chuva caía morna e escorria pela minha cara e por momentos fez-me lembrar uma chuvada que apanhei há muitos anos numas férias em Cabo Verde.
Faltou o cheiro da terra típico de África, mas a sensação da chuva morna e zero de preocupação por me estar a molhar, ajudaram a serenar o sistema nervoso.
Fui levantar dinheiro para pagar e quando regresso à loja tenho este saco lindo preparado para mim. Não era um presente, não era para oferecer, foi algo que comprei para mim, mas a funcionária que me atendeu, que para além de muito bonita, foi de uma simpatia extrema, disse-me algo assim:
“Caprichei um saquinho lindo para você. Você merece!”
Talvez não mereça mas senti-me abraçada por uma estranha num momento em que nem ela calculou que eu precisava mesmo daquele “abraço”.
Agradeci o gesto com uma lagrimita teimosa a querer saltar e disse-lhe que é uma pessoa bonita.
E lá voltei eu pacificada para a loucura de mais um dia.

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