Quem não goste de passear que atire a primeira pedra....ah, pois, não atiram claro e muito bem!
Lembro-me que, enquanto estudante recebia sempre a notícia de uma visita de estudo com grande expectativa, fossem as mais simples em que íamos ali ao museu corriqueiro da esquina, fossem as mais distantes que nos ocupavam o dia todo - aí era a loucura.
Os autocarros da Barraqueiro posicionados em frente à escola, os professores com a carga nervosa que é normal por estarem responsáveis por dezenas de miúdos que não eram deles e a gritaria da juventude...a gritaria. Até subir as escadas do autocarro se transformava num sururu.
Havia sempre cena, ou porque alguém se tinha portado mal, ou porque os "gandulos" se lembravam de atirar porcarias de lá do fundo para os colegas da frente e por vezes acertavam na cabeça de um professor, ameaças de participação colectiva, ameaças de que nunca mais nos levariam a passear...tudo isto era corriqueiro.
Mas a visita de estudo que me marcou, aconteceu para aí há uns 40 anos. Andava eu na Primária e fomos passar o dia a Coimbra, piquenique no Choupal, Ruínas de Conímbriga - nessa idade eu pouco ou nada havia passeado portanto foi tudo uma novidade.
Mas não me marcou por isso. Em todas as faixas etárias há miúdos parvos e os rapazes (perdoem-me os leitores visados) embora bem mais inocentes dos que as raparigas, tinham e têm brincadeiras muito parvas.
E então qual foi a ideia peregrina daquelas crianças nos idos anos 80, num momento de pausa!?
Pois, o impensável. Encontraram uma cobra, e a brincadeira mais adequada, pensaram eles, era atirá-la para cima das raparigas.
Por acaso não faço parte do grupo de vítimas, pelo menos dessa vez embora também já me tenham atirado com cobras para cima, mas o facto é que a brincadeira lhes correu mal...muito mal. Um dos engraçadinhos acabou por ser mesmo mordido pelo dito réptil, que se descobriu tratar-se de uma víbora e lá fomos todos em fila para os Hospitais da Universidade de Coimbra para o herói levar com a dose provável de antídoto.
Se esta situação se tivesse passado hoje, tudo se teria sabido na hora, mas não....foi em plenos anos 80. Os pais a acotovelarem-se à porta da escola à nossa espera e nada sabiam. As funcionárias à sua hora foram embora e os pais continuavam em pânico à nossa espera, horas e horas, a pensarem que os filhos estariam todos mortos após um acidente na A1 ou algo pior.
Nem quero imaginar o sufoco que foi, mas para nós, na verdade, apenas um miúdo parvo tinha sido mordido por uma víbora e os professores acharam por bem que, se saímos da escola todos juntos, havíamos de chegar todos juntos e lá foram várias autocarros para os HUC e o resto já se sabe.
O miúdo parvo virou herói pois claro e tão cedo não se produziram visitas de estudo naquela escola.
Continua...
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