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A miúda ganhou asas

Ontem pediu-me para lhe comprar o saco-cama e mais uma série de coisas para ir ao próximo acampamento das Guias.

Diz aquilo com uma confiança que me leva, há muitos anos atrás...à minha infância. Jamais eu me aventuraria a uma experiência daquelas. Era capaz de passar uns dias com a minha avó ou com a minha madrinha e pouco mais. A minha mãe nunca me deu asas, sempre achou que eu deveria manter-me para todo o sempre debaixo da sua asa. Talvez para me preservar do sofrimento, não sei. Mas, se não sofremos de uma forma, sofremos de outra e quanto mais preparados para isso estivermos, melhor.

Na verdade nunca pensei passar por certas coisas na vida e passei e tive que ser eu a resolvê-las de melhor ou pior forma, com mais ou menos danos, mas vou sobrevivendo.

Com a minha filha, tento fazer as coisas de outro modo. Não sou branda na educação, embora ela seja uma miúda bem mais difícil do que eu com a mesma idade. Mas liberto-a das minhas asas. Protejo-a tão bem quanto sei, dou o meu melhor, mas não a quero criar para ser uma co-dependente daqui a uns anos.

E ela aproveita, e vai. Sem olhar para trás. Com uma sede de se divertir e conviver. E eu fico feliz por isso. Faz-lhe bem. Não, não me sinto um segundo plano, porque os abraços apertados que recebo revelam todo o amor que nos une. Go Magenta Unicorn, Go!

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