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Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2008

Estou Além (António Variações)

Não consigo dominar Este estado de ansiedade A pressa de chegar P'ra nao chegar tarde Não sei de que é que eu fujo Será desta solidão Mas porque é que eu recuso Quem quer dar-me a mão Vou continuar a procurar A quem eu me quero dar Porque até aqui eu só: Quero quem... quem eu nunca vi Porque eu só quero quem... Quem nao conheci (...) Esta insatisfação Não consigo compreender Sempre esta sensação Que estou a perder Tenho pressa de sair Quero sentir ao chegar Vontade de partir P'ra outro lugar Vou continuar a procurar A minha forma O meu lugar Porque até aqui eu só: Estou bem aonde eu não estou Porque eu só quero ir Aonde eu não vou(...) Porque eu só estou bem Aonde não estou E também eu estou mais além...

Nada acontece por acaso

Há dias nas nossas vidas em que é muito importante darmo-nos tempo de fazer algo por nós próprios, cultivar a introspecção. E, no meu caso específico cada vez me dedico mais a essa prática para tentar retirar alguns ensinamentos das minhas experiências de vida, tirar do sótão e das prateleiras as memórias recalcadas, limpar-lhes o pó e mudá-las de sítio. Já dizia o Poeta que todos nós temos o nosso Fado, eu costumo dizer que "cada um com as suas dores"; mas o verdadeiro herói é a meu entender aquele que tal como os cães não tropeça na mesma pedra por duas vezes, é aquele que aprende com as suas experiências e que as partilha, é aquele que se consegue dar e cada vez mais valorizo a genuinidade, a sinceridade e os valores. A minha vida pessoal tem sido pautada por episódios bons, menos bons, indefinidos...maus, e é um facto que tenho alguma dificuldade em lidar com algumas perdas, perdas essas inevitáveis, é certo. Mas também é certo que o sofrimento em larga medida nos forta

A Noite das Estatuetas Douradas

E eis que a cerimónia que esteve quase para não se realizar, devido à tão famosa greve dos guionistas, teve lugar esta madrugada, com o brilho e o glamour que lhe são característicos. Lembro-me de há uns anos atrás, no fulgor da juventude ser esta uma noite mágica para mim. O desfile das celebridades pela passadeira vermelha, as nomeações a meu entender mais ou menos justas, os discursos dos laureados, enfim...era uma noite que passava quase em claro, com uns chocolates de um lado e umas pipocas de outro e os avisos da Mãe a relembrar que era bom não esquecer que no dia a seguir tinha que estar a horas na escola, e não me seriam justificadas faltas de atraso por ter cedido mais uma vez ao vício de ver a cerimónia dos Óscares. Confesso que de ano para ano a ilusão vai-se desvanecendo, mas ainda conservo alguma curiosidade sobre quem vai recair o tão disputado prémio. Talvez por ser uma amante incondicional de cinema, talvez por seguir atentamente o que de melhor se faz na indústria do

O Legado dos Romanov

Foi com grande satisfação que há uns meses atrás recebi a notícia de que iriamos ser "presenteados" com uma mostra de algumas colecções do Hermitage em Lisboa, mais precisamente no Palácio da Ajuda. A história da Rússia sempre me fascinou e, questões políticas, ideológicas e sociológicas à parte não podemos negar que foi um Império que, nos seus séculos áureos (nomeadamente entre os séculos XVIII e XX) teve a sua grandeza. Tudo isto é discutível, é certo, mas também o é que a Dinastia dos Romanov possibilitou uma selecção de expressões culturais e artísticas raramente atingíveis por outros impérios. E eis que tivemos S. Petersburgo mais perto, e um dos mais importantes museus do mundo (Hermitage) abriu as suas portas aos nossos olhos, já que não é todos os dias que temos disponibilidade para nos deslocarmos à Rússia. Fiquei completamente fascinada com algumas das obras que vi; os famosos ovos de Fabérgé vistos de perto são de uma raríssima beleza, os trenós da família impe

Chegadas/Arrivals/Arrivées

Nos últimos tempos, como é sabido por todos, muito se tem falado acerca da questão do Aeroporto Internacional de Lisboa e da sua "transferência" para outro local supostamente mais vocacionado e com melhores condições para abarcar uma estrutura de tamanha envergadura. Seja por questões económicas, de localização, desenvolvimento sustentável, estratégias de governo e mais uma lista infindável de prós e contras, pessoalmente é uma mudança que me vai causar alguma tristeza. Sou completamente a favor da mudança (para melhor), é certo e sabido que o desenvolvimento das vias de comunicação é uma das bases de crescimento de extrema importância de qualquer cidade, mas...estou a pensar em mim e no facto de que a desactivação do Aeroporto da Portela vai varrer algumas lembranças que recordo sempre com muita saudade. Perdoem-me o cliché , mas ainda sou do tempo em que o aeroporto era um edifício construído em cimento, pintado em tons de branco e amarelo, ainda sou do tempo das famosas

A Capital (e não só) Debaixo de Água

Hoje é um daqueles dias em que mais valia muitos de nós não nos termos levantado da cama, pelo menos de manhã. Já se auspiciava um dia complicado, mas sinceramente nunca pensei que fosse assim tanto. Desde meados da semana passada que as previsões para o passado Domingo e dias seguintes, apontavam para dias chuvosos, ventosos e de intempérie...mas ninguém estaria preparado para um quase dilúvio. Venha de novo Noé e a sua arca. Pela minha parte foi uma manhã bastante irrirante e enervante. Vi-me fechada no carro durante 3 horas e meia para percorrer os escassos 15 quilómetros, que costumo percorrer em 20 minutos. Se soubesse o que sei agora, tinha ficado a dormir mais um bom bocado. É de lamentar também (e fala-se todos os anos no mesmo) que as nossas autarquias continuem a fazer o mesmo de sempre, ou seja, muito pouco. Se bem me lembro dos tempos em que estudei uma cadeira que se intitulava Administração Autárquica e Desenvolvimento Local, uma Autarquia Local é «uma pessoa colectiva

O Amor por José Luís (Peixoto)

O mês de Fevereiro é para alguns o mês em que se celebra o Amor. Não concordo particularmente, o Amor deveria ser celebrado sempre, sem ter que se cair no consumismo e nas "tradições" impostas por estratégias de marketing. O que é facto é que a maioria das pessoas não sabe o que é o Amor , e quando falo em amor, não me refiro apenas ao amor entre um homem e uma mulher, refiro-me ao sentimento em geral. O amor manifesta-se de várias formas e, quanto a mim, implica sempre uma grande entrega da parte de quem o sente, para aquilo ou aquele (s) a que (m) se dedica. Fiquei fascinada com uma explicação dada por José Luís Peixoto que passo a citar: "Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor. Eu sei exactamente o que é o amor. O amor é saber que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer. O amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte de nós que não é nossa. O amor é sermos fracos. O amor é ter medo e q

Pequeno Ensaio sobre a Felicidade

O tema felicidade é recorrente em muitas conversas que se ouvem aqui e ali. Uns dizem "a felicidade não existe", outros dizem que são muito felizes, outros então afirmam que o dinheiro não traz felicidade...há quem diga que é tremendamente infeliz. Partindo de uma definição de dicionário, "felicidade", derivado do latim felicitate , corresponde a bem-estar, contentamento, acto ou efeito de quem é feliz. Mas afinal, o que é que isto quer dizer? Quanto a mim, o conceito "felicidade" é algo subjectivo (entenda-se, relativo ao próprio sujeito), contudo há para mim um ponto de partida. A felicidade não é mais do que o equilíbrio entre as nossas expectativas, aquilo que desejamos e o que de facto conseguimos alcançar. Sempre que se encontra um ponto de união, estamos perante a felicidade. Não havendo convergência a felicidade escapa-se-nos. Sim, é escorregadia, não é presa fácil. Ora, pedindo ajuda a Aristóteles e usurpando o método do Silogismo Dedutivo po

Museu Colecção Berardo e o (S.) Valentim

Como apreciadora da arte e suas manifestações, não podia ter deixado de visitar a Colecção Berardo no CCB. Para quem ainda não teve oportunidade, aconselho vivamente; é uma boa colecção em cuja exposição estão patentes obras de arte tendencialmente americanas e europeias, passando por vários estilos e conceitos, tais como, o Surrealismo, a Pop Art, a Arte Minimalista, a Abstracção, entre outros. A forma como a exposição foi concebida, proporciona-nos um caminhar pelo percurso histórico das manifestações artísticas lá patentes de uma forma cronológica, o que nos ajuda a entender melhor as várias correntes. Foi com grande satisfação e emoção que admirei algumas obras de Picasso, Dali, Andy Warhol, Paula Rego, entre tantos outros, mas aconselho mesmo uma visita. Vale a pena. Mas eis que o Museu preparou uma surpresa para os apaixonados; achei a ideia muito interessante e resolvi partilhar. "As mais belas histórias de Amor" - os mentores do museu pegaram no tema do Amor e res

Enola Gay

Hoje tive o meu momento de revivalismo, de saudosismo ou o que lhe queiram chamar. Vinha eu a fazer a travessia trabalho - lar doce lar, o rádio sintonizado na estação do costume e começo a ouvir uns acordes que não ouvia há anos, anos luz...quase. Então não é que eram os O.M.D. a tocar e a cantar a famosa Enola Gay?? "Enola Gay, you should have stayed at home yesterday Oho it can't describe, the feeling and the way you lied..." Nananananananana nananananana nananananananana nanananana Ok, já me passou o devaneio, mas foi impossível não deixar de reviver os anos 80 em que esta música tocava sem parar e eu era uma criança inocente e olhava com alguma estranheza para a minha mãe e amigas, com umas roupas estranhas e sombras nos olhos vistosas a dançarem alegremente estes e outros sons. É de lamentar apenas que ainda hoje tenha ouvido esta música com tanta alegria, e ter sido o próprio Enola Gay a causa de tanta devastação em Hiroshima corria o ano de 1945, quando

"Quem me Leva os Meus Fantasmas"

Tive oportunidade de ver há dias uma entrevista com o Pedro Abrunhosa (músico de que gosto bastante pela sua atitude e mensagens que passa) em que ele dizia que as suas músicas/letras são o reflexo das suas catarses, de situações que o perturbam, ou que lhe agradam e que ele tem que extrapolar para o exterior. Achei engraçada a analogia, pois com o sentido de humor que lhe é característico refere que é uma maneira de não perder tempo e dinheiro a ir ao Psiquiatra, entretém as pessoas e ainda lhe pagam para isso. O filósodo Lou Marinoff, brilhante também, como forma de evitarmos a cadeira do analista propõe-nos "Mais Platão, Menos Prozac". Concordo com ambos. E aqui deixo uma letra fabulosa de Pedro Abrunhosa, que transmite muitas das certezas e incertezas da minha existência, e foi também a seu tempo a banda sonora de eleição de uma anterior relação por mim vivida. Quem Me Leva os Meus Fantasmas "Aquele era o tempo Em que as mãos se fechavam E nas noites brilhantes

Gargalhadix

Chega o fim de semana e para quem gosta, 48 horas completas de diversão total....ou não. Sou daquele género de pessoa a quem tanto faz falta uns bons momentos de diversão, como também os meus chamados momentos zen, de pôr o sono e o descanso em dia, as leituras e tudo o mais. Estamos perante um fim de semana em pleno Inverno, que mais parece Primavera, temperaturas amenas, muito sol e imensa vontade de respirar ar puro. Ontem o que começou por ser uma bela tarde em comunhão com a natureza e a praia, acabou com um serão de "gargalhadix". Lá fui eu ao cinema outra vez, desta vez completamente predisposta a ver algo que não me fizesse pensar demasiado, algo que me divertisse e me dispusesse bem pelo menos durante duas horas. E, embora as expectativas fossem um pouco maiores, as gargalhadas foram muitas; com Astérix, Obélix, Apaixonadix, Telegrafix e mais uns quantos acabados em Ix, a sala completamente cheia exaltava em bom humor e disposição. Foi engraçado, deu para descom

Quando o Cinema toca as nossas Emoções

Para quem já sabe...repito, para quem não me conhece, aqui fica uma dica. Adoro cinema! Desde muito tenra idade que me recordo que a minha Mãe sempre se esforçou para que eu tivesse uma relação chegada com as artes em geral;portanto as idas ao cinema para ver o Pinóquio e afins começaram muito cedo, as idas ao teatro, aos museus, aos monumentos...até tive o privilégio de adormecer ao som de sinfonias clássicas tocadas ao piano pelas belas mãos da Mãe. Sim, tive os meus privilégios, bons momentos guardados com saudade no cantinho das memórias. Mas hoje vou centrar-me apenas no cinema; voltarei aos outros temas oportunamente. Se bem que seja muito subjectivo dizer que gosto de vários géneros de cinema, desde que seja de qualidade, isso é um facto. Não renego uma boa comédia romântica, não renego um bom filme de guerra ou um bom documentário, não renego um bom filme autobiográfico. No fundo para mim um bom filme tem que mexer com as minhas emoções, com os meus sentidos, com os meus sent

Cultura, Cultura Geral ou Conhecimento?

A Cultura, a Cultura Geral ou o Conhecimento são temas extremamente abrangentes, sendo que os limites e as fronteiras entre si podem até ser muito ténues. Isto é, diz-se que um indivíduo é culto quando de facto detém conhecimentos vastos e alargados sobre várias e distintas áreas, não se destacando apenas numa ou duas. Um indivíduo com alguma cultura geral consegue enquadra-se também em várias áreas, embora o caminho a percorrer até ser considerado de facto culto, seja ainda longo. Um indivíduo com algum conhecimento enfim, sabe umas coisas, consegue manter umas conversas interessantes, por vezes superficiais, mas acaba por conhecer de uma forma relativamente simples os temas mais recorrentes das conversas quotidianas. Posso dizer que sou uma espectadora, tão assídua quanto me é possível, de concursos televisivos que impliquem que os concorrentes detenham uma das três características que enumerei acima, concursos esses normalmente difundidos pelo nosso Serviço Público de Televisão.

Quando os Jovens têm que escolher

Os tempos da minha adolescência já lá vão, pertencem a um passado cada vez mais distante. O que fiz, o que poderia ter feito, o que queria ter feito e não fiz...enfim, são oportunidades que não terei mais. Refazer o que ficou mal feito, ou completar o que ficou a meio, são dons que não possuímos. Mas também se tudo fosse perfeito e demasiado certinho, concerteza que lá iriamos descobrir uma ou outra falha, uma ou outra insatisfação. No fundo somos o produto das escolhas que fizemos lá para trás. E a fase das escolhas cruciais é por excelência a fase da adolescência e entrada na idade adulta. Tenho "amiguitos" muito jovens ainda que me são próximos, filhos de grandes amigos que chegaram à árdua fase de delinear o que vai ser o seu futuro. E "coitadinhos" (sem qualquer sentido depreciativo), estão baralhados, desnorteados, sem saber o que fazer do dia de hoje, quanto mais do dia de amanhã. Lembro-me que com a idade deles, queria agarrar este mundo e o outro. Desde

O Meu Rito Pagão

A vida tem destas coisas e para quem me conhece sabe de antemão que eu e o Carnaval não somos propriamente muito íntimos. Não tenho esse espírito, não gosto, não acho piada, enfim, poderia estar aqui a enumerar o que tenho contra, começando na letra A e terminando na Z. Apesar disso houve este ano duas situações que me enterneceram, relacionadas com crianças, obviamente. A primeira, estava eu a deambular por uma superfície comercial do concelho de Oeiras e deparo-me com não mais que uma dúzia de crianças com não mais do que 2/3 anos...mascaradas de cartas, cada uma com o seu valor e com o seu naipe. Pareceram-me um pouco assustados e ninguém conseguia evitar ficar a olhar para eles por alguns momentos...a imagem era de uma ternura indescritível. A segunda situação chama-se Lourenço, filho de uma ex-colega e amiga dos tempos idos de faculdade, que voltei a reencontrar e em boa hora, recentemente. Para além de ser uma criança amorosa (como o são todas), tem uns pais que transbordam cr

A Importância do Chocolate

E porque hoje é sábado... Não sei ao certo, mas este "porque hoje é sábado" faz-me lembrar uma música do Chico Buarque que já não oiço há anos. Adiante. Depois de uma semana de trabalho intenso, lá tenho que admitir que me levantei tardíssimo, dormi até mais não poder e o corpo lá começou a pedir um pouco de movimento. Era daqueles dias em que me apetecia ir correr para o já famoso calçadão da Marginal; mas entre o apetite e a preguiça, parece que esta última ganhou a batalha. Por aqui fiquei a pôr umas leituras em dia, a decidir em que é que vou ocupar o fim de semana, a analisar as notícias do dia, enfim...a "bezerrar". E não sei se é por estarmos no Inverno, ou por muitas outras razões que não vale a pena especificar, estou com uma fome de chocolate inexplicável. Já ataquei os bombons da Garoto que me trouxeram recentemente do Brasil, o calendário do Advento que deveria ter sido oferecido a uma qualquer criança pela altura do Natal...até ao chocolate do Fondu

Mataram o Rei!

Finalmente o exageradamente extenso mês de Janeiro chegou ao fim, já estamos em Fevereiro, entrámos na época do Entrudo (que por sinal não me agrada particularmente), mas hoje um dos temas do dia é sem dúvida o facto de se cumprir o centenário da morte de El Rei D. Carlos e seu excelentíssimo filho o Príncipe Real D. Luís Filipe. Nesse fatídico dia (para uns, para outros nem tanto) 01 de Fevereiro de 1908 virava-se mais uma página da nossa história que corria a passos largos para a Implantação da República, desejada por muitos. E eis que ainda que com a conjuntura conturbada que vivemos actualmente, a exasperação da nossa economia, a onda de criminalidade, as mudanças das pastas minesteriais...o feito de Manuel Buíça e Alfredo Costa está na ordem do dia. Por acaso, ou sem o ser, D. Carlos foi um monarca que cativou a minha "simpatia"; não lhe podemos negar a facto de ter sido um bom diplomata, um homem extremamente culto e dotado de algumas outras virtudes...mas o que é ce