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Quando os Jovens têm que escolher

Os tempos da minha adolescência já lá vão, pertencem a um passado cada vez mais distante. O que fiz, o que poderia ter feito, o que queria ter feito e não fiz...enfim, são oportunidades que não terei mais. Refazer o que ficou mal feito, ou completar o que ficou a meio, são dons que não possuímos.

Mas também se tudo fosse perfeito e demasiado certinho, concerteza que lá iriamos descobrir uma ou outra falha, uma ou outra insatisfação. No fundo somos o produto das escolhas que fizemos lá para trás.

E a fase das escolhas cruciais é por excelência a fase da adolescência e entrada na idade adulta.

Tenho "amiguitos" muito jovens ainda que me são próximos, filhos de grandes amigos que chegaram à árdua fase de delinear o que vai ser o seu futuro. E "coitadinhos" (sem qualquer sentido depreciativo), estão baralhados, desnorteados, sem saber o que fazer do dia de hoje, quanto mais do dia de amanhã.

Lembro-me que com a idade deles, queria agarrar este mundo e o outro. Desde Austronauta, passando por Repórter Freelancer até ir para um qualquer campo de refugiados em África para pura e simplesmente ajudar...quase tudo me passou pela cabeça. Tal não era a confusão de ideias, mas algumas delas ainda se reflectem naquilo que sou hoje. No fundo o gosto por ajudar o próximo e pelas causas mantém-se. Ainda conservo um "pikinho" de idealismo da juventude.

Mas, falando nos "meus" jovens amigos, que para além de andarem muito baralhados e a proporcionarem algumas dores de cabeça aos pais, quem não fez o mesmo no seu tempo? Os pais, à sua maneira querem o melhor para nós, querem ver-nos bem na vida, sem preocupações por aí além...é natural, são os nossos pais, as pessoas que mais se preocupam connosco. E de facto é cedo termos que decidir aos 15 anos, o que vai ser o nosso futuro, o que é que vamos querer fazer nos próximos 40 anos, só a ideia assim é assustadora.

Mas o que importa é tentar assentar os pés no chão, desligar por alguns momentos a ficha da Playstation, esconder o telemóvel dentro da máquina de lavar, e pensar com a clarividência que for possível no que é que se vai fazer a seguir. Andar anos para terminar o 10º ano na área para a qual não se tem muita aptidão...meus caros não me parece uma boa escolha.

Insistir em fazer o 12º ano à força, para se entrar num qualquer curso universitário à força também....e lá temos outra má escolha. Nem todas as pessoas nasceram para ter um Dr. antes do nome. E então??? Deixam de ser bem sucedidas por isso?

Não creio. É um facto que vivemos numa sociedade cada vez mais competitiva, em que temos que estar cada vez mais actualizados, saber mais, e mais e mais. Sermos experts numa área é sem dúvida uma mais valia, mas por favor, de maus médicos, de maus engenheiros, de maus professores...está este país cheio.

Portanto pensem verdadeiramente sobre o que querem, transformem a vossa inteligência numa mais valia, olhem à vossa volta e dentro de vocês próprios e imaginem onde gostariam de estar daqui por uns anos, o que gostariam de ter, o que gostariam de saber...façam-no com alguma responsabilidade, mas primeiro...sozinhos.

Depois quando as ideias estiverem no lugar, aí sim a tal conversa com os pais, o definir a estratégia de estudo e o traçar do novo caminho.

Vão ver que no fundo não é assim tão difícil embora pareça ao início, a fase do turbilhão vai acabar por passar e tenho a certeza de que farão das melhores escolhas das vossas vidas. No fundo todos os jovens da actualidade constituem o nosso futuro. Estou à vossa espera!

Comentários

Unknown disse…
Aqui está um post deveras inspirador, subscrevo tudo o que tu disseste, eu próprio sou o exemplo perfeito disso, após chegar ao 11º sem nunca chumbar e sempre com notas não muito boas mas bastante razoáveis, eis que me dá o "clic" e pensei! Mas que raio ando aqui a fazer? A estudar para uma profissão que não me vai dar certeza de futuro certo, (queria seguir jornalismo), matar-me a estudar para andar aí aos caídos nos jornais quase a pagar para trabalhar?, Não!! Enchi-me de coragem. tive uma conversa com os meus pais e decidi por outra vida totalmente diferente, uma coisa para a qual também tinha gosto e vocação e que já me proporcionou uma estabilidade social e um grande conhecimento a nível de outros países que nunca iria ter. Por isso, sigam o coração, o Dr. antes do nome por vezes é uma ilusão, mais vale sermos nós próprios.
Aí está um pouco da história da minha vida eheheheh
Beijo
Pipas
Anónimo disse…
Hoje em dia a escolha dos cursos obedece mais a critérios sociais (melhor remuneração, maior saída profissional, maior status, etc) que pessoais (vocação)...

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