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Onde é que esta gente aprendeu hábitos de higiene, cidadania, respeito por si próprio e pelo próximo?

Confesso que desde que me tenho enquanto ser humano que me lembro de ter uma fobia qualquer no que toca a retretes. Com a idade, a coisa refinou. Circunscreve-se à minha retrete, à das casas da minha mãe e às das casas de uma minoria de amigos intimos, o dito utensílio que utilizo sem sentir pavor antes sequer de ter que me aproximar.

Ok, sinto pavor mas lido com isso, e agora que ando na demanda de beber 1,5l de água por dia, tenho mesmo que me sujeitar. Mesmo com os cuidados todos que nós mulheres asseadas vamos aprimorando ao longo da vida, eu fico verde só de pensar na ideia.

Quando temos filhas a coisa piora. Eu bem que dizia que ia ter um Santiago, e estes problemas iriam ser reduzidos, porque ele iria ter um apêndice e seria tudo mais fácil, mas saiu-me uma Duquesa e não se imagina o pânico a triplicar que sinto de cada vez que ela, fora de casa me diz que tem que ir à retrete. Confesso que já usei a saída airosa do descampado, peguei nela pelas pernas e a coisa deu-se, mas...ela é um peso pesado, a minha coluna nao só já não aguenta, como também já não é aceitável que com aquele tamanho nos entreguemos a esses devaneios em público.

Adoptei a técnica de forrar a tampa da retrete com papel, pô-la com os pés lá em cima agachada e deixar o que tem que sair, mas sempre com cuidado para não tocar em nada e a repetir para ela controlar o jacto, não vá aquilo salpicar da retrete para cima dela e me apanhar ali uma infecção do caneco. Sim, arrepia-me só de pensar, basicamente porque as pessoas são mesmo muito porcas e, dou a mão à palmatória, mais as mulheres do que os homens. Movimento-me em sítios com pessoas que aparentemente tiveram alguma instrução, presumo que tenham saneamento básico em casa e por vezes dou comigo a entreabrir portas de vários casas de banho, olhar de relance para a retrete e área circundante e literalmente...bazar! Portanto, desde não saberem porventura para que serve o autoclismo, desconhecerem que existe um objecto que se chama piaçaba e qual a sua função, desconhecerem também que as outras pessoas não têm que lhes conhecer o ciclo menstrual, sobretudo porque o deixam escarrapachado em todo o lado, etc., eu fico doente.

Mas deve ser um mal geral. Aquando das minhas últimas férias passei por locais literalmente de passagem, que tinham casas de banho assustadoras - ainda assim, e seguindo o conselho de um companheiro de viagem que perante o meu ar enojado percebeu que aquilo para mim era um sufoco a dobrar, passei a ir, sempre que a ocasião o permitia, à casa de banho dos homens e garanto que são todas muito mais asseadas do que as das mulheres! É que só de falar nisto eu fico arrepiada. Nisto, fizemos amizade com mais duas companheiras de viagem que por acaso são enfermeiras e que trataram de explicar `minha filha que de facto, casas de banho públicas de adultos, só mesmo quando não se pode aguentar, porque nós nem imaginamos a infinidade de infecções a que estamos sujeitos. Ela arregalou os olhos e a verdade é que noto que quando saímos, desde aí, ela faz um esforço sobre-humano para não ir à retrete.

Ok, não se pode ser fundamentalista, mas, como dizia a minha avó "se deixam assim a montra, em que estado estará o armazém?"

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