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Não gosto de a entristecer...mas tem de ser

Estamos a caminhar a passos largos para o dia em que o Tablet vai voltar a ser guardado na sua caixinha, como temos uma relação baseada, na confiança (enquanto ela não prevaricar) vou deixá-lo visível mas sem ordem para sequer se aproximar do bicho. Poderia ser no dia do início das aulas oficial, mas como sou uma mãos largas terá até Domingo para dar asas ao (mau) vício.

Depois, e chamem-me megera, radical, mau feitio...eu aguento, mas o que pretendo é por um lado não me aborrecer com ela, que ela de facto não deixe de se empenhar nos estudos devido àquele entretém e sobretudo que haja regras e que as mesmas sejam cumpridas. Não há Tablet nem joguinhos em tempo de aulas. Tem muitos brinquedos para se entreter, livros para ler, puzzles para fazer, não deixo de fazer programas com ela sempre que posso, mas de resto, já teve 3 meses de pura loucura.

Se os resultados forem dentro do que eu sei que ela consegue sem grande esforço, pode recuperá-lo durante as férias de Natal para logo voltar a ser desactivado, se não forem....bom, aí tudo dependerá dela e jamais da minha boa vontade.

Talvez seja dura demais neste tipo de situação, mas quero que ela perceba que a vida raramente nos dá segundas oportunidades, e quando nos dá, temos que ser nós a fazer por isso e que nada se consegue sem sacrifício, sem luta, sem cedências. Nestes 9 aninhos de vida, sei que já lhe foram proporcionados momentos de felicidade muito acima dos que tantas outras crianças da idade dela, e até daqueles que eu experienciei com a idade dela, é uma felizarda, não deixando de já ter passado pelos seus dramas, pelo facto de ter nascido num lar desconstruído e ter vivido os primeiros tempos da sua vida com uma normalidade diferente. Mas não deixa de ser, até hoje uma miúda cheia de sorte, cheia de vitórias, a quem em termos materiais nada faltou e, da parte dos afectos, infelizmente não está ao meu alcance dar-lhe o que um pai terá capacidade para dar, mas enquanto mãe, reinvento-me todos os dias para que da minha parte tenha em dobro - e este dobro comporta tudo: o amor, o carinho, os afectos, mas também as regras, a educação e alguma irredutibilidade no que toca a bases que eu quero que ela tenha e que se não for torcida agora, me vou ver aflita para o conseguir.

Uma delas....a verdade. Se há defeito que não suporto é a mentira e trabalho diariamente essa questão na base positiva. Por muito mau que seja, por muito mal que se tenha portado, a base é falarmos sobre isso, dar-lhe a bela da lição de moral, mostrar-lhe o caminho certo, para evitar que sinta a mentira como uma tábua de salvação, perante um castigo, ou seja lá o que for.

Não lhe noto grande aptência para mentir, pelo que creio que a esse nível estamos no bom caminho. Ainda não consegui que não chore como se o mundo fosse acabar de cada vez que experencia uma rejeição - chegará o dia, lá para a adolescência em que lhe poderei contar algumas passagens da minha vida e ela vai perceber que o fim do mundo, pelo menos do nosso só acontece com a nossa partida. De resto, tudo se gere, melhor ou pior e quem não quer estar connosco, que siga o seu caminho, que nós seguiremos o nosso, de preferência com a consciência tranquila por termos feito o nosso melhor. Talvez mesmo nessas brigas infantis, quem não quer estar connosco, não seja mesmo para estar e nos faça melhor a sua inexistência do que a sua presença negativa.

Veremos como serão os nossos próximos tempos. É uma miúda que dá luta e eu, bom, eu sou apenas uma mulher que sendo mãe a tempo inteiro, luta todos os dias para que as suas falhas a terem que prejudicar alguém, me prejudiquem apenas e só a mim própria. Para ela que fiquem as coisas boas, mesmo que ela agora não as perceba.

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