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Desafios para o novo ano - lectivo e pessoal

 Desde 2016 voltei a ter esta dinâmica de anos lectivos e tudo o que lhe está inerente, mas se até há uns anos atrás era eu a discente, passei a estar imbuída mas, no papel de mãe, de encarregada de educação, de explicadora (raras vezes porque a miúda é arrasadoramente brilhante por si só), de saco de pancada para as frustrações próprias da idade dela e tantas outras peculiaridades.

Na Primária as coisas correram bem, e o verdadeiro desafio deu-se no 3º Ano, de todos os do quadriénio, o mais puxado. Tive que intervir algumas vezes em suporte extra, sobretudo para a ajudar a manter uma rotina de estudo e garantir uma aprendizagem eficaz de conteúdos. Correu muito bem para ela, embora eu tenha ficado um pouco esgotada - a minha vida não é só ser mãe da Ana Rita e tenho tanto a que me dedicar.

No 4º Ano foi o advento do Covid, com meses de ensino à distância, algo inédito até então - os professores estavam no lodo, quiseram fazer o melhor e conseguiram-no, mas sobrou muito para os pais - envios diários de trabalhos on-line e aí sim, um grande suporte a nível de lhes passar os conteúdos programáticos - não sei como família com capitais escolares baixos o conseguiram. Eu terminei esse ano lectivo, de rastos.

O ano passado era outro desafio por si só - mudança de ciclo, mudança de escola, uma infinidade de disciplinas, professores, novas regras....e Covid. Calhou numa turma péssima, tivemos desafios familiares brutais e, olhando para trás, embora tenha falhado enquanto mãe, mulher, profissional, amiga, irmã, filha e porventura até como cidadã...como encarregada de educação estive lá ou procurei estar e dei-lhe todo o suporte que consegui. Esgotei e agora começo a sentir verdadeiramente o peso da factura que tenho às costas porque...sinto-me cansada e no caminho de um novo arranque, em que continuo a ser a tal mãe, mulher, profissional, amiga, irmã, filha, etc etc.

A minha filha é brilhante, mas necessita, como qualquer criança de guias e balizas e está também a entrar numa idade já por si desafiante. O que espero é que pelo menos a nível de relações interpessoais este ano a coisa corra melhor. As turmas foram alteradas dado que a turma dela no ano passado não funcionou enquanto tal, foi com algum alívio que recebi esta notícia, e espero sinceramente que, dado que os restantes desafios continuam a ser reais, pelo menos a este nível eu não tenha demasiados sobressaltos e chatices.

Veremos o que nos está reservado para os próximos tempos.

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