Avançar para o conteúdo principal

Filha, há 9 anos a ir-me ao bolso

- “Mamã, preciso de pedir-te uma coisa!

- Então, de que precisas filha?

- Sabes aquelas coisas para pôr nos olhos, para os tapar, para dormir?

- Uma venda? - perguntei eu.

- Gostava mesmo mamã.

- Está bem, a mamã quando puder e vir uma coisa dessas, compra, pode ser!?” - ao mesmo tempo que ia googlando de iPad em punho onde ia desencantar a venda para a miúda.

O único critério de busca que seleccionei foi “vendas para os olhos”, pois que me aparece uma na Women’Secret com....Com.....Cooooooom......um Unicórnio pois está claro.

Chamei-a para ver se gostava, os olhos até brilhavam com a rapidez da mãe. Ai ai, quem tem uma mãe tem tudo. E disse-me:

“Quando puderes, pode ser essa, gostei muito!”


Só com esta atitude a minha vontade foi ir a correr comprar, mas a pesquisa ainda não tinha terminado. Na mesma loja, apareceu outra que achei que a iria fazer vacilar.

“Então e se for do Harry Potter? - num misto de indagação e provocação.

“Deixa ver mãe. Ehhhhh, eu quero, eu quero, eu afinal quero essa. Mas é mais cara do que a outra, se não puderes eu compreendo mamã.”


Perante isto, ainda me pus a ligar para a loja do bairro, e reservei a venda para a miúda. Será que algum dia ela vai acreditar que faço tudo para lhe arrancar um sorriso!?

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Quem me Leva os Meus Fantasmas"

Tive oportunidade de ver há dias uma entrevista com o Pedro Abrunhosa (músico de que gosto bastante pela sua atitude e mensagens que passa) em que ele dizia que as suas músicas/letras são o reflexo das suas catarses, de situações que o perturbam, ou que lhe agradam e que ele tem que extrapolar para o exterior. Achei engraçada a analogia, pois com o sentido de humor que lhe é característico refere que é uma maneira de não perder tempo e dinheiro a ir ao Psiquiatra, entretém as pessoas e ainda lhe pagam para isso. O filósodo Lou Marinoff, brilhante também, como forma de evitarmos a cadeira do analista propõe-nos "Mais Platão, Menos Prozac". Concordo com ambos. E aqui deixo uma letra fabulosa de Pedro Abrunhosa, que transmite muitas das certezas e incertezas da minha existência, e foi também a seu tempo a banda sonora de eleição de uma anterior relação por mim vivida. Quem Me Leva os Meus Fantasmas "Aquele era o tempo Em que as mãos se fechavam E nas noites brilhantes

Esta miúda que por sinal é minha filha...

 Estava eu a aspirar a casa e ela decidiu observar-me(nos). “Mãe, esse aspirador é do Rei dos Aspiradores. Não sabia que o aspirador de cá de casa era desses. Não devias dar dinheiro a esse homem mãe.” Nem comentei, nem tão pouco estou com presença de espírito para tentar perceber que cenas escabrosas a respeito do tal senhor que era o “manda-chuva” da Rainbow chegaram aos ouvidos da minha filha. Está a ser muita mudança para a minha cabeça. A miúda está mesmo a crescer...a galope e eu, começo a ficar para trás. Maldita idade...a minha! A dela, recomenda-se, mas de preferência com menos audácia e argúcia.

Há 5 dias sem PDA....deu asneira

 Dizer-se a uma mãe que não pode dar beijinhos à sua criança...é duro de ouvir, digo já. Mas perfeitamente  exequível se pensarmos que é para o bem da criança e então aí...nem que nos paguem 100.000€.  Ah pois é, então e o instinto? Estava a correr tudo muito bem, até que hoje, passados 5 dias sem qualquer resquício de PDA ela aparece-me à porta do quarto com aquelas bochechas maravilhosas, em slow motion eu aproximo-me dela, agarro-lhe na cabeça e dou-lhe dois grandes beijos. E que bem me souberam.  Ela, com os olhos a brilhar e um sorriso rasgado: “Mãeeeeeee, já me podes dar beijinhos!!!” Caiu-me tudo. Como é que eu me fui distrair desta maneira vil. Vontade de me esbofetear foi o que me deu. Bom, não há-de ser nada e a verdade é que uma mãe, por muito que proteja é humana e também falha. Raios partam o COVID. Estou farta deste gajo até à raiz dos cabelos.