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Por falar nos meus pés

Sinto que foi a concretização do ano, algo que desejava há anos, mas a falta de tempo, de coragem, de dinheiro, de tudo e mais alguma coisa serviam de desculpa para adiar a cirurgia. E eu que não gosto de passas, lembro- me que um dos desejos e promessas para 2019 foi exactamente fazer a cirurgia antes do Verão. Nunca pensei que ficasse logo despachada dos dois pés ao mesmo tempo, achei que na realidade com a situação do coração que me iam dizer que não podia levar anestesias, portanto a cirurgia seria novamente uma miragem. Mas nem o coração está assim tão mau, nem a cirurgia passou para segundo plano e já estou livre do osso excedente há mais de 4 meses. E os meus pés voltaram a ser direitos, grandes sempre foram, até agora ainda não inventaram nada que pudesse reduzir um número ou dois, mas na verdade isso já nem me importa há muitos anos. Eu, sem os meus pés grandes tamanho 41, já não seria a mesma pessoa. Defendo que a nossa verdadeira graça e encanto estão naquilo a que muitos chamam de imperfeições. Tudo o que é demasiado escorreito, aí sim, é que tem que ter defeito.

Claro que os joanetes para mim há muito me incomodavam; pelas dores e pelo desconforto, pela estética, por tudo.

E agora estou assim, e quem diria que me abriram os pés de lado, desbastaram osso e, aos olhos mais distraídos é quase imperceptível, sem costuras gigantes e cicatrizes assustadoras!?





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