Avançar para o conteúdo principal

Unicórnio Magenta - A Duquesa sem trono

Irrita-me a chico-espertice, as pessoas que fazem dos outros parvos, a falta de educação, a falta de princípios, a cobardia, a falta de "tomates" e uma série de coisas, pelo que, enquanto mãe e consequentemente educadora de um ser humano, tenho bem presente tudo aquilo em que não quero que ela se torne.

Obviamente que não conseguimos tudo, mas sei que se lhes dermos boas bases, alguma coisa lá fica.

Numa coisa eu sou bastante pragmática - jamais pensei que a minha filha fosse melhor do que os outros, reconheço-lhe os defeitos e faço questão de a ensinar e dar-lhe as ferramentas para os corrigir.

Pois que ontem, vinha eu toda contente com os livros escolares que fui levantar e oiço o seguinte comentário de extremo mau gosto:

"Mãe, livros que já foram usados, ainda por cima do 4ºB? Eu não quero isto, eu quero livros novos!"

Bom, tive que contar até 100 em alemão, para demorar mais tempo. Então uma miúda com quem eu partilho que a vida não é fácil, que temos que fazer sacrifícios, já a levei a ver os sem-abrigo para ela perceber que nem toda a gente tem mordomias, reciclo roupa, emprestei artigos de puericultura pesada dela às minhas amigas e ela sabe-o, tal como me vão emprestando coisas a mim e ela tem a coragem de me dizer uma coisa destas? Que não quer livros em segunda-mão??

Mas onde é que a falta de princípios desta gente está a chegar? Fiquei possuída, desiludida, chateada. Passei-me com ela e disse o que não devia - que se ela pensa que nasceu em berço de ouro, está muito enganada e se tem manias de rica, que seja quando tiver o dinheiro dela.

Não estou para estar a criar uma egoísta em potência. É por essas e outras que certa gente adulta é perfeitamente insuportável, com a mania que o mundo é seu e que podem fazer tudo, até magoar os outros, e passando impunes. 

Percebeu a minha desilusão e veio pedir-me para conversar algum tempo depois. Vá lá, pelo menos revela ter consciência.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Quem me Leva os Meus Fantasmas"

Tive oportunidade de ver há dias uma entrevista com o Pedro Abrunhosa (músico de que gosto bastante pela sua atitude e mensagens que passa) em que ele dizia que as suas músicas/letras são o reflexo das suas catarses, de situações que o perturbam, ou que lhe agradam e que ele tem que extrapolar para o exterior. Achei engraçada a analogia, pois com o sentido de humor que lhe é característico refere que é uma maneira de não perder tempo e dinheiro a ir ao Psiquiatra, entretém as pessoas e ainda lhe pagam para isso. O filósodo Lou Marinoff, brilhante também, como forma de evitarmos a cadeira do analista propõe-nos "Mais Platão, Menos Prozac". Concordo com ambos. E aqui deixo uma letra fabulosa de Pedro Abrunhosa, que transmite muitas das certezas e incertezas da minha existência, e foi também a seu tempo a banda sonora de eleição de uma anterior relação por mim vivida. Quem Me Leva os Meus Fantasmas "Aquele era o tempo Em que as mãos se fechavam E nas noites brilhantes

Esta miúda que por sinal é minha filha...

 Estava eu a aspirar a casa e ela decidiu observar-me(nos). “Mãe, esse aspirador é do Rei dos Aspiradores. Não sabia que o aspirador de cá de casa era desses. Não devias dar dinheiro a esse homem mãe.” Nem comentei, nem tão pouco estou com presença de espírito para tentar perceber que cenas escabrosas a respeito do tal senhor que era o “manda-chuva” da Rainbow chegaram aos ouvidos da minha filha. Está a ser muita mudança para a minha cabeça. A miúda está mesmo a crescer...a galope e eu, começo a ficar para trás. Maldita idade...a minha! A dela, recomenda-se, mas de preferência com menos audácia e argúcia.