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Big challenge

Já é uma tarefa árdua passar uns dias sem ela - o silêncio ensurdecedor de lá de casa, mata-me. Falta-me lá o furacão. Que estranho que é ter ontem arrumado as almofadas da sala e hoje de manhã estarem no mesmo lugar. As toalhas da casa de banho direitas. A loiça no sítio, os sapatos pequenos alinhados, não vejo papelinhos no chão, nem ganchos, nem bolas, cromos e bugigangas.

Credo, parece uma casa fantasma. Que estranho que é os dias em que me ponho aos "gritos" para ela arrumar as coisas e agora estranhar que se mantenha tudo como deixei. Falta o bocado da pasta de dentes azul que me fica invariavelmente no lavatório e que eu depois vou esfregar e o autoclismo que de quando em vez não puxa e tanta balbúrdia e confusão.

O desafio é viver estes dias como se ela lá estivesse. No sábado estive em negação, mas ontem, entrei no quarto dela e deitei mãos à obra e deram-me aquelas fúrias ao ver tanta desordem: "ai se ela aqui estivesse já me ia ouvir", "ai que castigo que ela ia ter sem Tablet nos próximos 20 anos", "ai a ratazana que me acumula garrafas de água na arca dos brinquedos", "ai a safada que andou a pintar a parede e a colar posters sem eu ver" - nem sabe ela a sorte que tem em não estar em casa. E no fundo, é esta desordem dela que me conforta, que me faz sentir a presença dela em em mim em cada detalhe.

As coisas dela estão tão desorganizadas e sabendo eu que só posso fazer uma limpeza geral quando ela não está, porque senão as tralhas a que chamo lixo lá continuariam, que o meu grande desafio para os próximos dias é voltar a colocar tudo em ordem, lavar peluches e almofadas, arrumar prateleiras, bonecas, legos e ter tudo um brinco para quando ela voltar. Miss my Magenta Unicorn so much.

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