Avançar para o conteúdo principal

...faleceu

Ontem ainda a noite era uma criança e eu confesso que continuava com a expectativa de ocorrer uma melhoria milagrosa, recebemos a notícia de que a nossa amiga I. nos tinha deixado desta forma tão inesperada.

Fiquei triste e estou, não me saem da cabeça alguns momentos passados com ela, as suas "loucuras cómicas", o apego que tinha à minha filhota e a preocupação de que a criança teria fome quando o meu leite parecia já não a saciar por completo.

Os dias de férias que passei com ela quando a minha Bébécas tinha cerca de 1 mês, a boa disposição que transmitia sempre com aquelas gargalhadas imensas e alegres, a veia artística, a habilidade para o ponto cruz e as imensas peripécias que nos contava dos seus tempos de funcionária da TAP e das inúmeras viagens que fez por esse mundo fora.

Disse-lhe há pouco que a próxima vez que fosse a Nova Iorque que contasse comigo e com a Bébécas...enfim, quis o destino que não fossemos.

E vou relembrá-la com saudade, sempre que olhar para a fotografia do seu filho P. que tenho com todo o carinho na minha casa, vou também recordá-la pela força que transmitia aos amigos e por me ter feito soltar também algumas gargalhadas de quando em vez.

Sabemos de antemão que lhe vão retirar as córneas para transplante e serve de conforto saber que alguém por aí vai recuperar a visão através da doação destes orgãos da nossa amiga I.

Que descanse em paz e que depois de percorrer o caminho, esteja ela onde estiver, que vá olhando por nós.

PS: Até aquela cena de há uns meses atrás em que num acto de puro mau feitio decidiu ir fumar para dentro de uma casa de banho de um centro comercial e eu irritada e embaraçada resolvi retirar-me com a minha mãe e a Bébécas a desejar que ninguém se lembrasse de chamar o segurança, me faz ter saudades deste ser humano que agora nos deixou.

Comentários

Lamento muito... é sempre tão difícil vermos partir um(a) amigo(a)...

Mensagens populares deste blogue

"Quem me Leva os Meus Fantasmas"

Tive oportunidade de ver há dias uma entrevista com o Pedro Abrunhosa (músico de que gosto bastante pela sua atitude e mensagens que passa) em que ele dizia que as suas músicas/letras são o reflexo das suas catarses, de situações que o perturbam, ou que lhe agradam e que ele tem que extrapolar para o exterior. Achei engraçada a analogia, pois com o sentido de humor que lhe é característico refere que é uma maneira de não perder tempo e dinheiro a ir ao Psiquiatra, entretém as pessoas e ainda lhe pagam para isso. O filósodo Lou Marinoff, brilhante também, como forma de evitarmos a cadeira do analista propõe-nos "Mais Platão, Menos Prozac". Concordo com ambos. E aqui deixo uma letra fabulosa de Pedro Abrunhosa, que transmite muitas das certezas e incertezas da minha existência, e foi também a seu tempo a banda sonora de eleição de uma anterior relação por mim vivida. Quem Me Leva os Meus Fantasmas "Aquele era o tempo Em que as mãos se fechavam E nas noites brilhantes

Esta miúda que por sinal é minha filha...

 Estava eu a aspirar a casa e ela decidiu observar-me(nos). “Mãe, esse aspirador é do Rei dos Aspiradores. Não sabia que o aspirador de cá de casa era desses. Não devias dar dinheiro a esse homem mãe.” Nem comentei, nem tão pouco estou com presença de espírito para tentar perceber que cenas escabrosas a respeito do tal senhor que era o “manda-chuva” da Rainbow chegaram aos ouvidos da minha filha. Está a ser muita mudança para a minha cabeça. A miúda está mesmo a crescer...a galope e eu, começo a ficar para trás. Maldita idade...a minha! A dela, recomenda-se, mas de preferência com menos audácia e argúcia.