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A minha filha é uma criança sui generis

E não que eu tenha qualquer influência nisso, mas a miúda, para além de devorar desenhos animados, também faz questão de ver o noticiário, debates, o programa do Ricardo Araújo Pereira e ler enciclopédias. Tenta discutir política e religião comigo e já tem uma opinião formada acerca da pessoa em quem votaria, caso a idade já lhe permitisse ir às urnas no próximo Domingo. O que eu acho mais curioso é que também tem uma opinião interessante acerca dos candidatos de quem não gosta de todo e, verdade seja dita, nalguns casos até percebo que a miúda tem uma certa intuição.

Goste-se ou não, concorde-se ou não, há que reconhecer o mérito a alguns e a falta dele a outros tantos.

Mas ontem, a surpresa adveio de um comentário que me fez após ouvir a notícia acerca das cerimónias fúnebres do Prof. Doutor Freitas do Amaral.

Do nada, diz-me assim:

"Mamã, também quero que o meu corpo vá para os Jerónimos, tá bem!?"

Entre o espanto, a graça que lhe achei e até um certo estremecimento interno...gelei. Para ela foi um comentário natural, mas para mim, enquanto mãe ouvir a minha filha dizer uma coisa destas, causou-me calafrios. Uma mãe não pensa nessas coisas, porque não tem que pensar. O filho tem que nos sobreviver e de preferência alguém vai descobrir a poção da juventude e ele vai ser imortal. Ponto.

Portanto , não lhe dando sequer muita saída, para não ter que entrar em assuntos que só de pensar, doem e machucam, vou pensar que se a rapariga um dia quiser casar, talvez seja nos Jerónimos e com toda a solenidade que aquele Mosteiro impõe.

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