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Ganhei um "Paul"

Quando era miúda dizia que um dia iria ser rica, muito rica e perguntavam-me o que faria depois com o dinheiro.

Podia dizer de tudo, mas o meu sonho era ter um veleiro e uma casa muito grande onde existisse uma biblioteca enorme, com livros em estantes a forrar todas as paredes, do tecto até ao chão e muitas obras de arte. A ideia da biblioteca deve ter-me ficado pelo gosto imenso que sempre tive pela leitura e um nível de sonho imenso imaginar que poderia ter a biblioteca do "Nome da Rosa" na minha própria casa. Que ousadia a minha.

Não tenho a biblioteca, mas rodeio-me de livros em cada canto de casa e, em termos de obras de arte contemplo-as sempre que posso, tenho um quadrito de autor em casa que passa despercebido a quase todos, mas não a mim, um fresco que carrego comigo há quase 20 anos e umas réplicas dos meus quadros preferidos.

E eis que a mãe, que se foi passear por terras de nuestros hermanos e passou pela cidade natal do Picassi, lui mème e resolveu trazer-me o "Paul". Retrato do seu filho, pintado por ele.

E tanto que eu gostei deste presente. A questão que se coloca a seguir é: onde é que vou pendurar o retrato do Paul? E o engraçado que é a "Paula" mãe me ter oferecido o "Paul", filho do Pablo. Foi uma grande surpresa. Enquanto vou e venho coloquei-o numa prateleira da minha sala para onde dou comigo a olhar várias vezes - para ele e para a minha pequena inspiração, que é como quem diz, Unicórnio Magenta, my Best Daughter Forever.

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