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Incongruências

Quando estava grávida, já em estado mais avançado tinha ansiedade em vê-la e tê-la nos meus braços, saber se era perfeitinha, parecida com quem...ainda em estado avançado passei a ansiar que o parto fosse logo, pois dado o meu estado de saúde não sabia se ia aguentar até ao fim, nem em que estado ela poderia nascer.

Depois de a ter nos braços ansiei por alguma interacção, ouvir dizer "mamã" pela primeira vez, o sentar, o dar beijinhos, os primeiros dentes...gatinhar, começar a andar...todas as fases que acabam por fazer parte do quotidiano de uma família com um bebé.

A preparação do 1º aniversário, a independência da cria face à mãe, enfim...o deixar de andar com o ovo que me dava cabo das costas...tudo isto para dizer que é com saudades que olho para trás. Hoje, ao subir as escadas até casa com ela ao colo (o que é normal, pois para ela é muito mais cómodo) recordei os tempos do ovo, até aquele primeiro mês em que tanto me custava andar, as dores no peito por causa da amamentação, os olhinhos dela a espreitar, sobe escada, desce escada, depois desisti de andar com o ovo atrás, ficava sempre no carro e trazia-a ao colo, ou no sling; o medo dela nas escadas, curiosamente não o demonstrava comigo e com a avó - se outra pessoa subisse ou descesse escadas com ela ao colo, era ver o ar dela de pânico.

Ainda hoje quando lhe pego ao colo ou estamos em perfeita brincadeira diz com toda a confiança: "Mamã não deixa caíli".

...neste momento gostava que o tempo recuasse, ainda que por breves instantes...há pouco entrei no quarto dela, olhei para o cueiro (aquele cueiro que tem uma história e que foi comprado com todo o amor para ela) que está lindo naquela moldura intemporal e lembro-me dela com 5 dias de vida linda com um porte digno de princesa, a minha princesa.

Gosto tanto dela!

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