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 Vai ser o terceiro ano em que o Dia de Natal não vai ter o tradicional atravessar a ponte 25 de Abril, irmos buscar o meu padrasto e almoçar no local por ele escolhido. 

Eu que não aprecio deslocar-me de carro nestes dias, nem pensava nisso. Lá íamos nós, cada um com o seu sentimento distinto de amor por ele.

Ainda não processei exactamente que ele já não está cá. Não interiorizei e faz-me uma falta que nem consigo descrever. Ele não está cá e foi mais um elo da minha pulseira da vida que se perdeu. Neste momento, com as últimas perdas, já não fecha. Deixou de dar a volta ao meu pulso. 

É por estas e outras e pela constante conclusão de que a maioria das pessoas não tem grande valor, que gostava de ficar numa cápsula fechadinha e adormecida e só acordar no dia 2 de Janeiro próximo. Se houver um problema com a cápsula e nem nesse dia acordar….ainda melhor.


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