Avançar para o conteúdo principal

A verdade para as crianças

Aprendi desde cedo e por experiência própria que não se deve esconder a verdade às nossas crianças, pois, mais cedo ou mais tarde podemos ter que lhes prestar contas e não é fácil, de todo.

Portanto tenho como base para a educação e formação psicológica da Bébécas a verdade, por muito dura que ela possa ser.

Sempre que lhe digo "a mamã já dá", cumpro e se lhe digo que não, cumpro também e tenho sempre o cuidado de lhe explicar os porquês, mesmo que ela não os pergunte (à medida da idade dela).

Há coisas que ela gradualmente vai sabendo, vou ter que lhe dizer a seu tempo e comprovar a seu tempo certas verdades que fazem parte também da vida dela; a omissão não ajuda a proteger ninguém e creio que os méritos e deméritos deverão ser correctamente atribuídos a quem os merece.

Mas explicar a morte é complicado, e ainda não está em idade de perceber essas coisas; vejo-me com 35 anos e tão pouco compreendo muitas das vezes a morte.

Ontem à noite perdemos a Janis e estou com o coração apertado de saudades da nossa bicharoca; de manhã a Bébécas andou à procura dela para lhe dizer o "até logo" da praxe e eu justifiquei-me dizendo que provavelmente estaria a dormir escondida.
Quando chegarmos a Janis vai voltar a não estar lá, e amanhã,e depois, e depois....para piorar todos os apetrechos estão lá :(

A minha presença de espírito que me ajude e a compreensão da Bébécas também, pois a única saída deste dilema será dizer-lhe que a Janis foi dar um passeio, e que se ela olhar para o Céu com muita atenção, talvez veja uma estrelinha a brilhar e esse será o sinal de que a Janis está bem.

Por meu turno, tendo em conta que me morreu nas mãos e fui incapaz de a agarrar à vidinha dela, nem com massagem cardíaca, nada resultou, resta-me lembrá-la como uma companheira amorosa que tivemos durante este tempo.


Comentários

eu disse…
Que tristeza... Um beijinho para as duas :(

Mensagens populares deste blogue

"Quem me Leva os Meus Fantasmas"

Tive oportunidade de ver há dias uma entrevista com o Pedro Abrunhosa (músico de que gosto bastante pela sua atitude e mensagens que passa) em que ele dizia que as suas músicas/letras são o reflexo das suas catarses, de situações que o perturbam, ou que lhe agradam e que ele tem que extrapolar para o exterior. Achei engraçada a analogia, pois com o sentido de humor que lhe é característico refere que é uma maneira de não perder tempo e dinheiro a ir ao Psiquiatra, entretém as pessoas e ainda lhe pagam para isso. O filósodo Lou Marinoff, brilhante também, como forma de evitarmos a cadeira do analista propõe-nos "Mais Platão, Menos Prozac". Concordo com ambos. E aqui deixo uma letra fabulosa de Pedro Abrunhosa, que transmite muitas das certezas e incertezas da minha existência, e foi também a seu tempo a banda sonora de eleição de uma anterior relação por mim vivida. Quem Me Leva os Meus Fantasmas "Aquele era o tempo Em que as mãos se fechavam E nas noites brilhantes

Esta miúda que por sinal é minha filha...

 Estava eu a aspirar a casa e ela decidiu observar-me(nos). “Mãe, esse aspirador é do Rei dos Aspiradores. Não sabia que o aspirador de cá de casa era desses. Não devias dar dinheiro a esse homem mãe.” Nem comentei, nem tão pouco estou com presença de espírito para tentar perceber que cenas escabrosas a respeito do tal senhor que era o “manda-chuva” da Rainbow chegaram aos ouvidos da minha filha. Está a ser muita mudança para a minha cabeça. A miúda está mesmo a crescer...a galope e eu, começo a ficar para trás. Maldita idade...a minha! A dela, recomenda-se, mas de preferência com menos audácia e argúcia.