Avançar para o conteúdo principal

Concumitâncias da Morte

Ultimamente dou comigo a pensar na morte mais do que deveria. Não só a pensar, como a analisá-la nas suas vertentes, como a recordar quem vai partindo, os comos e os porquês.

Talvez me engane e só mais tarde possa dar a mão à palmatória, mas sinto que vou morrer cedo, mais cedo do que seria desejável...ou não.

Há que entender a vida como uma espécie de missão e se assim for, quando partimos, decerto que a nossa missão estará cumprida.

Mas penso em quem poderei deixar, penso acima de tudo na minha filha, o meu tesouro, a luz dos meus olhos, a minha flor. Penso que tenho que aproveitar ao máximo todos os momentos que ela me proporciona, penso que tenho acima de tudo que lhe proporcionar o máximo dos máximos, o melhor do mundo e penso acima de tudo que sendo ela a prova viva de que eu existi e que jamais a abandonei, o meu maior legado será a lembrança, nela, de que a minha demanda é ser a melhor mãe do mundo, viver em função dela, dar-lhe o que eu própria não tive, não a trair e jamais a "deixar", nem no dia da minha morte.

E aí, sindo saudades dos tempos em que ela era então nascitura, recordo já com saudade os primeiros momentos que tive com ela, recordo todos os dias que vão sendo consecutivamente subtraídos à nossa existência enquanto companheiras de viagem.

Enfim, hoje está a ser um dia de clara reflexão...

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Quem me Leva os Meus Fantasmas"

Tive oportunidade de ver há dias uma entrevista com o Pedro Abrunhosa (músico de que gosto bastante pela sua atitude e mensagens que passa) em que ele dizia que as suas músicas/letras são o reflexo das suas catarses, de situações que o perturbam, ou que lhe agradam e que ele tem que extrapolar para o exterior. Achei engraçada a analogia, pois com o sentido de humor que lhe é característico refere que é uma maneira de não perder tempo e dinheiro a ir ao Psiquiatra, entretém as pessoas e ainda lhe pagam para isso. O filósodo Lou Marinoff, brilhante também, como forma de evitarmos a cadeira do analista propõe-nos "Mais Platão, Menos Prozac". Concordo com ambos. E aqui deixo uma letra fabulosa de Pedro Abrunhosa, que transmite muitas das certezas e incertezas da minha existência, e foi também a seu tempo a banda sonora de eleição de uma anterior relação por mim vivida. Quem Me Leva os Meus Fantasmas "Aquele era o tempo Em que as mãos se fechavam E nas noites brilhantes

Esta miúda que por sinal é minha filha...

 Estava eu a aspirar a casa e ela decidiu observar-me(nos). “Mãe, esse aspirador é do Rei dos Aspiradores. Não sabia que o aspirador de cá de casa era desses. Não devias dar dinheiro a esse homem mãe.” Nem comentei, nem tão pouco estou com presença de espírito para tentar perceber que cenas escabrosas a respeito do tal senhor que era o “manda-chuva” da Rainbow chegaram aos ouvidos da minha filha. Está a ser muita mudança para a minha cabeça. A miúda está mesmo a crescer...a galope e eu, começo a ficar para trás. Maldita idade...a minha! A dela, recomenda-se, mas de preferência com menos audácia e argúcia.

Os adultos choram?

 - Claro que sim filha, porque não haviam de chorar quando sentem essa necessidade!? - respondi eu, ao que ela me diz: “Nunca te vi chorar mamã” Tantas lágrimas minhas lhe omito desde sempre, tantos momentos de dor, de tristeza...a minha filha pensa que eu sou um rochedo. Nunca me viu, ou não se lembra de me ter visto chorar. Poupo-a à preocupação de me ver desabar quando tal acontece e, pelos vistos, com sucesso. Mas a mãe chora, e muito, muito mais do que desejaria, sem dúvida.